O corretor ortográfico do teclado do iPhone que transforma “e” em “é” é um problema comum e amplamente difundido, mas precisamos falar do Android que transforma qualquer “ok” em “OK” e te faz mandar, quase sempre sem querer, uma energia total passivo-agressiva aos interlocutores.

Depois do Google, agora é a vez do Twitter abandonar o AMP, formato de sites leves que carregam rapidamente. Donos de sites já perceberam uma queda no tráfego AMP vindo do Twitter, mesmo com a documentação oficial informando que o suporte à tecnologia na rede social será descontinuado “no quarto trimestre”.

Não acompanho de perto as idas e vindas do desenvolvimento web, então minha surpresa pode ser infundada. Dito isso, estou um pouco surpreso com o desmantelamento acelerado (risos) do AMP. O que só reforça que a única utilidade prática do AMP foi aquilo que os críticos sempre afirmaram e evidências recentes comprovaram: que o AMP era um cavalo de Troia criado apenas para consolidar o domínio do Google sobre a web. Via Search Engine Island (em inglês).

A cidade do Rio de Janeiro começou a testar o Entrega.Rio, serviço de delivery via aplicativo que não cobra taxa dos restaurantes e promete maior rentabilidade aos entregadores. Nesta fase, que vai até 4 de janeiro de 2022, apenas servidores da prefeitura poderão fazer pedidos. Que ideia maluca, essa: oferecer um serviço a preço de custo para beneficiar restaurantes, entregadores e, no fim, o próprio cliente, que deverá pagar menos pelas refeições. Via Diário do Rio.

Pavel Durov, CEO do Telegram, aproveitou o anúncio do serviço de publicidade da plataforma em inglês (ele já havia dado o recado em russo) para disparar contra o WhatsApp.

“Com o Telegram, você está mais livre de anúncios [‘ad-free’] do que com o WhatsApp”, escreveu Durov. “O WhatsApp já compartilha dados dos usuários com anunciantes — mesmo que o app em si não exiba anúncios. No Telegram, por outro lado, os anunciantes jamais obtêm seus dados privados.”

O CEO do Telegram cita dois links, do The Guardian e da Reuters, para embasar a alegação de que o WhatsApp compartilha dados com terceiros. É verdade, mas, convenientemente, ele não diz que o conteúdo das conversas está mais protegido no WhatsApp, onde a criptografia de ponta a ponta é o default. (No Telegram o recurso existe, mas é opcional e pouco usado.)

Apesar das promessas e do modelo de publicidade projetado para preservar a privacidade dos usuários, ele não é à prova de falhas. Segundo o Russia Beyond, os primeiros anúncios veiculados foram de baixa qualidade, com cursos de investimento e esquemas de criptomoedas.

(Considere, porém, que o Russia Beyond é ligado ao governo russo e o Kremlin não morre de amores pelo Telegram.) Via @durov/Telegram (em inglês) e Russia Beyond (em inglês).

Em mais uma prova da sua incapacidade de criar sucessos, o Facebook confirmou ao TechCrunch que até o fim do ano descontinuará o Threads, aplicativo lançado em 2019 repleto de ideias diferentes para o Instagram, a princípio focado em mensagens e stories para os “Melhores amigos”. Não se preocupe se não conhecia ou se lembrava dele; é justamente por isso que o Facebook o encerrará. Via TechCrunch (em inglês).

A Apple, que ao longo dos anos criou todo tipo de empecilho ao reparo dos seus produtos e fez lobby dizendo que permitir que os próprios consumidores consertassem seus iPhones e MacBooks era “perigoso”, anunciou nesta quarta (17) um programa de reparo “self-service”, inicialmente para as linhas iPhone 12 e 13, com a promessa de expandi-lo aos Macs com chip M1 em 2022.

Inicialmente, a novidade focará nos reparos mais comuns nesses celulares, como trocas de telas e baterias, e estará restrito aos Estados Unidos — ao longo do ano que vem mais países serão contemplados.

A Apple oferecerá mais de 200 componentes genuínos em uma loja online, com manuais e ferramentas necessárias para o conserto. Além de comprar esses materiais, os clientes poderão trocar os componentes quebrados por créditos. A Apple diz, porém, que o novo programa “é destinado a indivíduos técnicos com conhecimento e experiência no reparo de dispositivos eletrônicos”, e que à maioria o melhor caminho continua sendo as assistências autorizadas.

O iFixit classificou a novidade como um marco e uma “concessão à nossa competência coletiva”. Apesar disso, a empresa, especializada no conserto de dispositivos eletrônicos e que advoga pelo direito ao reparo, apontou alguns problemas que permanecem, como as travas de software ao uso de partes de outro iPhone e de partes não-genuínas e os preços elevados dos componentes. Não ajuda, também, os projetos hostis da Apple, com seus parafusos proprietários e em excesso e o uso de cola para grudar alguns componentes.

De qualquer forma, é um passo na direção certa e um atestado de como a pressão regulatória funciona. A Apple não está abrindo isso porque é legal, mas sim antecipando-se a leis dos dois lados do Atlântico que deverão, em breve, obrigar as fabricantes a fazerem exatamente o que ela está fazendo agora: permitir que os consumidores possam, por conta própria, consertarem os produtos que compraram. Via Apple (em inglês), iFixit (em inglês).

Os números da Vizio, fabricante que não atua no Brasil, ajudam a entender por que tornou-se impossível comprar uma TV — em qualquer lugar — que não seja “smart”.

No terceiro trimestre de 2021, a empresa norte-americana lucrou mais que o dobro com serviços (US$ 57,3 milhões) do que com a venda de TVs e outros artefatos, como barras de som (US$ 25,6 mi). Não só: enquanto o negócio de venda de TVs teve uma ligeira em faturamento, de -8%, o de serviços mais que dobrou, em 134%. O negócio de TVs ainda é quase seis vezes maior que o de serviços (US$ 502,5 mi contra US$ 85,9 mi), mas a margem de lucro de serviços é gigantesca — e tem espaço para crescer mais.

Os serviços, que na Vizio são englobados/chamados Platform+, compreendem “anúncios nas telas iniciais da TV, acordos para a inserção de botões em controles remotos, anúncios em canais de streaming, taxa de assinaturas e dados comportamentais coletados e vendidos como parte do programa InScape”, segundo o The Verge.

No comunicado ao mercado, William Wang, CEO of Vizio, se disse orgulhoso dos resultados “na medida em que os investimentos que fizemos no negócio Platform+ continuam rendendo frutos”. De fato. Via Vizio (em inglês), The Verge (em inglês).

Em julho, o Facebook (ou Meta, como preferir) prometeu que passaria a segmentar anúncios a menores de idade apenas pelos critérios de idade, gênero e localização. Em outras palavras, que deixaria de mostrar anúncios por interesses ou hábitos de navegação a esse público.

Uma pesquisa conduzida pela Fairplay, Reset Australia e Global Action Plan demonstrou a promessa não está sendo cumprida.

As pesquisadoras Elena Yi-Ching Ho e Rys Farthing criaram perfis fictícios de três jovens, de 13 e 16 anos, e descobriram que embora suas atividades dentro dos apps do Facebook não sejam gravadas, o que eles faziam fora, em outros sites e apps, sim. Esses dados seriam utilizados, segundo materiais promocionais do Facebook, para o direcionamento automatizado de anúncios, por inteligência artificial.

“Usando esses dados do Pixel do Facebook, o Facebook consegue coletar dados de outras abas e páginas do navegador que as crianças abrem e capturar informações como em quais botões elas clicaram, quais termos elas pesquisaram e quais produtos compraram ou colocaram nos carrinhos (‘conversões’)”, escreveram elas no relatório (PDF). “Não há motivos para armazenam esse tipo de dado de conversão exceto para abastecer o sistema de entrega de anúncios.”

Ao The Guardian, Joe Osborne, porta-voz do Facebook, confirmou a coleta de dados, mas, sem apresentar qualquer evidência objetiva, garantiu que eles não são usados para direcionar anúncios. Via Fairplay (em inglês), The Guardian (em inglês).

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

Que a nossa lei de defesa do consumidor é avançada, todos sabemos, mas isso não significa que ela seja perfeita. Uma lacuna evidente é a facilitação do cancelamento de contratos de prazo indeterminado, como assinaturas de jornais.

A Federal Trade Comission (FTC na sigla em inglês), equivalente norte-americano ao nosso Cade, determinou que as empresas devem oferecer “mecanismos de cancelamento que sejam tão fáceis de usar quanto o método usado pelo consumidor para comprar o produto ou serviço”. A medida é parte de um esforço contra empresas que “empregam ‘dark patterns’ ilegais que enganam ou induzem os consumidores a serviços de assinatura”.

Um caso típico é o dos jornais: lá e aqui, a maioria facilita a assinatura, que pode ser feita pelo próprio consumidor sozinho, via internet. Na hora que ele resolve cancelá-la, porém, o único meio de fazer isso é por telefone, disponível em horário reduzido. A FTC quer acabar com isso. Fica a sugestão para o nosso Código de Defesa do Consumidor. Via FTC (em inglês).

O sucesso do Pix é incontestável. No aniversário de um ano do sistema, nesta terça (16), o Banco Central (BC) compartilhou alguns números: 348,1 milhões de chaves cadastradas, 104,4 milhões de pessoas e 7,9 milhões de empresas que já usaram o sistema, 7 bilhões de transações e R$ 4,1 trilhões transacionados.

O evento de aniversário também marcou o início do Mecanismo Especial de Devolução, sistema anti-fraude do Pix anunciado em junho que padroniza — portanto, facilita — a devolução do dinheiro em casos de fraude ou falha de uma das instituições envolvidas na transação. Via Banco Central, Convergência Digital.

Botões do tipo “não curti” são raros na internet. O YouTube, um dos poucos lugares onde é possível manifestar o desapreço por um conteúdo apertando um desses, anunciou mudanças para desestimular campanhas coordenadas de assédio a canais pequenos e, segundo o YouTube, criar “um ambiente inclusivo e respeitoso” para os criadores.

O botão com o polegar para baixo continua existindo, mas perdeu o contador público. Apenas o(a) dono(a) do canal continuará vendo dados de uso do botão, no YouTube Studio. A novidade foi anunciada após um período de testes, iniciado em março. Segundo o YouTube, a remoção do contador desestimulou abusos.

Não é a primeira grande rede social que detecta problemas decorrentes dos inúmeros contadores de popularidade (e desprezo, no caso) em suas interfaces. Em julho de 2019, o Facebook fez um teste no Brasil e escondeu o contador de curtidas no Instagram. A versão final da ferramenta, lançada em maio deste ano, ficou bem aquém do que era esperado, porém. Via YouTube.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

O Facebook está tendo o seu momento “big tobacco reconhece que fumar faz mal”. Em uma publicação no blog de negócios da Meta, holding dona da rede social, Graham Mudd, vice-presidente de marketing  de produto e anúncios, anunciou que a partir de 19 de janeiro de 2022 a empresa removerá as “opções de direcionamento detalhado relacionadas a tópicos que as pessoas possam considerar sensíveis” no Facebook e no Instagram.

O “direcionamento detalhado” refere-se a critérios de segmentação de anúncios com os quais um anunciante pode inferir características íntimas do público-alvo. Por essas referências, ele poderia direcionar ou ocultar anúncios a certos públicos, como homossexuais, negros, fiéis de certa religião e filiados a partidos políticos. Graham lista alguns exemplos de direcionamento detalhado no texto:

  • Causas de saúde (por exemplo, “Conscientização do câncer de pulmão”, “Dia Mundial da Diabetes”, “Quimioterapia”).
  • Orientação sexual (por exemplo, “casamento entre pessoas do mesmo sexo” e “cultura LGBTQIA+”).
  • Práticas e grupos religiosos (por exemplo, “Igreja Católica” e “feriados judaicos”).
  • Alinhamentos políticos, questões sociais, causas, organizações e figuras políticas.

Até hoje, o Facebook adotava uma “estratégia whac-a-mole” para os inevitáveis problemas causados por esse tipo de direcionamento: sempre que um escândalo estoura na imprensa, a empresa tapa o buraco, mas mantém o restante da estrutura problemática intacta. Foi explorando o “direcionamento detalhado” que anunciantes conseguiram, no passado, direcionar anúncios a antissemitas e ocultar anúncios de imóveis e de vagas de emprego de negros, hispânicos e outras etnias. As denúncias foram feitas pela ProPublica.

Como lembra o The Verge, o movimento pode ser visto como uma antecipação à União Europeia, que prepara novas regras para a internet com o objetivo de proibir esse tipo de publicidade direcionada. Mais detalhes no TechCrunch (em inglês).

Graham, o executivo da Meta, lembra que ainda continuará sendo possível segmentar anúncios de diversas formas nas redes sociais da empresa, Facebook e Instagram. Via Facebook para Empresas, The Verge (em inglês).

Atualização (19/1/2022): A redação original informava que as novas proibições do Facebook passariam a valer em 22 de janeiro, e não em 19 de janeiro.

No fim de outubro, o Manual do Usuário apontou que o Bradesco estava violando as diretrizes da App Store ao condicionar a liberação de recursos do aplicativo Bradesco Cartões para iOS à permissão para rastrear o usuário. Graças à repercussão, o Bradesco alterou o funcionamento do Bradesco Cartões.

Alguns dias atrás, um colaborador e leitores do MacMagazine, que repercutiu o caso, notaram o sumiço da mensagem irregular no app Bradesco Cartões e a disponibilidade de todos os recursos antes bloqueados a quem se negava a conceder a permissão de rastreamento. Também confirmei a mudança de forma independente.

Perguntamos — Manual e MacMagazine — à assessoria do Bradesco a confirmação da mudança. A empresa enviou o seguinte comunicado:

O Bradesco prioriza a segurança dos clientes e no processo de melhoria contínua em produtos e serviços. Com base nos pontos citados e outros que fazem parte da estratégia do Banco, são realizadas alterações constantes nas jornadas digitais, sempre partindo da centralidade do cliente. Em 2021 foram promovidas uma série de implantações nos serviços digitais do Banco, incluindo novos e alterando existentes para melhorar a experiência dos clientes Bradesco, e essa foi uma das alterações promovidas mantendo a segurança do processo.