Folha de S.Paulo e Uol revelaram sites que operam como “Netflix dos dados pessoais”: por uma mensalidade de R$ 200, concedem acesso irrestrito a diversas bases de dados de cidadãos brasileiros, de órgãos públicos e privados, alguns com dados bem sensíveis, como o do Sistema Nacional de Armas (Sinarm). Segundo a apuração, esses sites conseguem os dados usando credenciais de funcionários públicos, ou seja, embora os sistemas não sejam comprometidos, pequenas corrupções de pessoal ocasionam os acessos indevidos.

A essa altura, devemos considerar que nossos dados pessoais vazaram e agir de acordo. Não é por acaso a avalanche de tentativas de golpe (fui isca em um) desde o grande vazamento do início de 2021. Via Folha de S.Paulo.

O WhatsApp ganhou um novo recurso que torna padrão o recurso de mensagens temporárias, que se apagam sozinhas. Ao ser ativado, ele passa a valer para novas conversas e pode ser alterado individualmente.

O Facebook aproveitou o ensejo para acrescentar dois prazos de validade além do que já existia (de 7 dias): 24 horas e 90 dias. É algo muit parecido — para não dizer idêntico — ao que o Signal lançou em agosto. Para ativá-lo, entre em Configurações, depois Conta, Privacidade e, por fim, Duração padrão. Via WhatsApp (2).

A Autoridade de Competição e Mercados (CMA, na sigla em inglês) do Reino Unido, espécie de Cade de lá, determinou nesta terça (30.nov) o desfazimento da compra do Giphy pelo Facebook, negócio de US$ 400 milhões anunciado em 2020, porque ele “pode causar danos a usuários de redes sociais e anunciantes do Reino Unido” ao eliminar um concorrente no segmento de publicidade digital. Via Gov.uk (em inglês).

A Axios lembra que é a primeira vez que uma autoridade reguladora de fora dos Estados Unidos ordena uma big tech norte-americana a se desfazer de um ativo e que tal precedente pode animar outros países a seguirem o exemplo. Uma alternativa ao Facebook para manter o Giphy seria retirar-se do Reino Unido, mas a probabilidade disso é baixa. Via Axios (em inglês).

O Procon-SP aplicou uma multa de R$ 11 milhões ao Facebook devido à pane de 4 de outubro nos aplicativos da empresa. A justificativa oficial do órgão é “má prestação de serviço” e que, embora os apps sejam gratuitos, a empresa lucra com eles.

O que me intrigou mais foram os números de usuários afetados: “[…] mais de 91 mil consumidores brasileiros do Facebook, mais de 90 mil do Instagram e mais de 156 mil do WhatApp.” O WhatsApp tem cerca de 120 milhões de usuários no Brasil; mesmo considerando apenas a cidade de São Paulo, o número de pessoas afetadas pela indisponibilidade foi bem maior.

O Facebook pode (e vai) recorrer. Via Procon-SP, Poder360.

Nesta terça (7), a partir das 20h30, faremos a gravação do especial de fim de ano do podcast Guia Prático. Eu, Jacqueline Lafloufa e Guilherme Felitti bateremos um papo sobre tecnologia e Manual do Usuário, os altos e baixos de 2021 e o que esperar para o ano que vem. Em áudio e vídeo!

Desta vez, a gravação será restrita a quem apoia o Manual, com qualquer valor a partir de R$ 9/mês. Além de acompanhar a conversa ao vivo, quem estiver na plateia poderá fazer perguntas. (Uma versão editada do programa será disponibilizada, depois, em formato podcast.)

Ainda não apoia o Manual? Siga por aqui. Custa, como dito, a partir de R$ 9 por mês, pode ser pago por cartão de crédito boleto bancário ou Pix (plano anual).

O convite com o endereço da videochamada será enviado na terça, por e-mail, poucas horas antes do início do evento. Te esperamos lá!

Usuários do Instagram estão se deparando com um pedido no app para criarem outra conta. Não é um dilema novo. Há alguns anos, a rede do Facebook (que agora se chama Meta) criou o recurso “Melhores amigos”, para restringir stories a pequenos grupos. A mensagem diz: “Mantenha contato com um grupo menor de amigos”, uma admissão do fracasso do Instagram em… ajudar a manter contato com um grupo menor de amigos.

O pedido institucionaliza um fenômeno espontâneo na rede, o das contas “finsta”, de “fake insta”, ou “Instagram falso”, que adolescentes criavam para poderem se expressar sem o escrutínio de muita gente, só para os amigos mais próximos.

Ao tentar ser tudo — rede social de contatos próximos, loja virtual, vitrine de celebridades, clone do TikTok, plataforma de marcas pessoais etc. —, o Instagram perde a sua identidade. É uma dor que redes focadas, como o HalloApp, podem remediar, mas que talvez seja mais fácil criar outra conta no mesmo Instagram. Via Wall Street Journal (em inglês).

A Microsoft começou a testar um botão único para alterar o navegador padrão do Windows 11 — o Edge. Desde o lançamento do sistema, era necessário clicar em vários botões para alterar o navegador padrão para diversos formatos de arquivos, uma piora considerável em relação às versões anteriores do sistema. A Microsoft chegou a desabilitar aplicativos de terceiros que facilitavam o processo, como o EdgeDeflector.

Ainda não se sabe quando o novo botão será disponibilizado na versão estável do Windows 11. Via The Verge (em inglês), Windows Central (em inglês).

O Signal lançou um programa de apoio recorrente (assinatura) para se sustentar. São três planos e, ao se tornar um apoiador, o(a) usuário(a) ganha um distintivo para exibir no app. Em reais, os planos custam R$ 15, 50 e 100 por mês. Via Signal (em inglês).

A Square, empresa de pagamentos do Jack Dorsey, ex-CEO do Twitter, mudou de nome e agora se chama Block, de “blockchain”, para refletir suas ambições, hoje maiores que as maquininhas de cartão de crédito. Semana cheia para Jack. Via Square/Block (em inglês).

Mas o que mais me chamou a atenção foi a presença do Tidal no rol de apps da Square/Block, o streaming musical que já foi um dia do Jay-Z. A aquisição se deu em março deste ano, por ~US$ 300 milhões. Via New York Times (em inglês).

O Facebook lança no Brasil, nesta quinta (2), o Facebook Protect, programa de proteção adicional a usuários e administradores de páginas mais suscetíveis a ataques — em especial, gente envolvida com eleições.

Os principais aspectos do programa são:

  • Forçar a adoção da autenticação em dois fatores;
  • Dar maior atenção a tentativas de invasão dessas contas; e
  • Garantir a autenticidade de quem posta em páginas.

Não tem como se candidatar a ele; é o Facebook quem determina perfis elegíveis e envia uma notificação/convite para o Facebook Protect. Via Uol Tilt, Facebook.

Lembrete: autenticação em dois fatores não é exclusividade dessa iniciativa, está disponível para todos os usuários. É, de longe, a melhor medida que alguém pode fazer para proteger sua conta. Veja como ativá-la no Facebook.

Depois do Google/Android, hoje é a vez da Apple revelar os melhores apps das suas plataformas em 2021. O ganhador na categoria apps é Toca Life: World, uma espécie de ~metaverso infantil da desenvolvedora Toca Boca — que, lembra o TechCrunch, acabou de completar 10 anos de vida. O jogo do ano no celular da Apple foi League of Legends: Wild Rift. Na página da premiação estão os apps e jogos do ano para iPad, Apple Watch e macOS, e apps da “tendência do ano”: aqueles que nos unem. Via Apple, TechCrunch (em inglês).

Veja, também, as listas de apps mais populares (dois chineses no topo da de gratuitos) e a dos jogos (Free Fire segue líder).

O Snapdragon 8 Gen 1, novo chip topo de linha da Qualcomm para celulares Android, tem um recurso no mínimo controverso: câmera sempre ligada. A empresa diz que isso traz vantagens, como (des)bloquear o celular de acordo com a presença do usuário no enquadramento da câmera, mas é de se questionar se essa suposta vantagem compensa os riscos e a paranoia que uma câmera sempre ligada implica. Felizmente, o recurso pode ser desativado pelas fabricantes que adotarem o chip. Curioso para ver qual será a primeira que não fará isso. Via The Verge (em inglês).

O Edge, navegador web da Microsoft, ganhou um recurso pra lá de esquisito nos Estados Unidos: crédito para compras online. Quando alguém está prestes a realizar um pagamento, o Edge oferece um parcelamento de até quatro vezes em seis semanas, de valores que variam de US$ 35 a 1 mil. O serviço é oferecido por uma parceira da Microsoft, a Zip. Via Microsoft (em inglês).

Tudo bem que hoje navegadores fazem muito mais do que apenas renderizar páginas web, mas isso aqui é um pouco demais? O que vem depois? Carteiras de criptomoedas embuti… ops.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

“É possível ‘piratear’ NFTs com o botão direito do mouse?”, pergunta Bruno Ignácio no Tecnoblog. Ele mesmo responde depois que, não, não é possível, porque embora as obras sejam arquivos digitais reproduzíveis por qualquer pessoa (expliquei aqui), “esse arquivo não possui nenhum valor e tampouco configura um ativo digital, com autenticidade garantida por um registro em rede blockchain”.

A resposta parte da premissa de que a rede blockchain é uma garantia absoluta e inquestionável de autenticidade apenas por registrar, de modo público, imutável e insubstituível, um certificado de autenticidade — que, sabemos, é um emaranhado de códigos que não tem muito a ver com a obra em si e que está sujeito à manutenção do servidor/da blockchain onde foi registrado.

Em momento algum essa premissa extremamente frágil é questionada, ainda que sejam dadas algumas pistas ao(à) leitor(a) mais atento. Por exemplo, Bruno reconhece que NFTs não têm respaldo legal e que podem ser exploradas por qualquer um, ou seja, a falta de regras dos criptoativas permite que alguém se aproprie do trabalho alheio e o venda como NFT. Parece maluco, mas já aconteceu.

“Se um caso desses chegar a justiça, por mais confuso que seja, o autor terá mais chances de provar a posse e autoria do arquivo, algo que não muda por um simples segundo clique do mouse”, escreve ele, sem explicar a parte “confusa”. Há jurisprudência nesse sentido? De que modo, juridicamente falando, a posse de um NFT ajudaria num caso desses?

Aqui, na minha ignorância (porque custo a entender essa bobagem), a pergunta a ser feita não seria a do título do artigo, mas sim por que alguém iria querer piratear um NFT — NFT que, reforço, não tem nada a ver com a obra em si, mas se trata apenas de um emaranhado de código colocado numa blockchain e que, só por isso, atribui “propriedade” e tem “valor”, segundo as pessoas que acreditam em NFTs. Sigo sem resposta. Via Tecnoblog.