O celular de idoso e outros produtos curiosos da Obabox, a “fábrica de ideias” mineira

Em menos de uma década, o celular passou de extravagância para uma peça importante — às vezes, central — na vida das pessoas. Para quem tem mais idade, aqueles que cresceram em um mundo analógico, essa mudança pode ter sido turbulenta. Em Minas Gerais, a Obabox viu no público da terceira idade uma oportunidade para aplicar sua estratégia de diferenciação no varejo, um dos mais disputados do Brasil.

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Dane-se o SEO

No dia 27 de agosto, eliminei o plugin de SEO no WordPress do Manual do Usuário. Se você sabe o que são “SEO”, “plugin” e “WordPress”, deve ter ficado curioso(a) em saber os resultados desse experimento. Se não sabe, daria para resumir este relato em algo como “o dia em que parei de trabalhar de graça para o Google”.

SEO é a sigla, em inglês, de “otimização para buscadores web” — ou, sejamos diretos aqui, otimização para o Google, dado que o Google detém +90% do mercado de buscadores em várias partes do mundo, incluindo o Brasil.

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O Instagram iniciou um teste no Brasil que altera o recurso “Melhores amigos”. Rebatizado de “Pessoas selecionadas”, nessa versão o usuário pode indicar, a cada story publicado, quais dos seus contatos terão acesso ao conteúdo. A empresa promete que a maioria dos usuários brasileiros receberá a novidade nos próximos dias, sem necessidade de atualizar o app. Via O Globo.

Post livre #288

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Ele fecha no domingo à noite.

Quando a tela do notebook da designer Therry Lee queimou, ela recorreu a um técnico para consertá-la. Ele arrumou a tela, mas abusou da confiança e boa-fé dela para acessar fotos e vídeos pessoais de Therry.

No fio em que compartilha essa história de terror, Therry explica como descobriu o acesso indevido e dá algumas dicas gerais. O ponto crítico da situação é este aqui: “Ele me pediu a senha do notebook (13h01) para instalar drivers necessários da tela, eu dei (sim, eu dei, eu confiei, eu acreditei como qualquer um).”

Nunca, jamais, em hipótese alguma forneça a senha do seu computador ou celular a terceiros. Quando tiver que levar o computador à assistência, certifique-se de que o disco esteja criptografado. Caso a assistência exija acesso ao computador (para instalar algo ou rodar testes), faça backup, formate-o e entregue ele seu os seus dados.

Nem sempre isso é possível ou fácil. Em um notebook com a tela quebrada, como no caso da Therry, seria necessário um monitor (ou TV) e um cabo HDMI para conectá-lo e fazer esse ajuste. O que não invalida a recomendação de nunca, jamais, em hipótese alguma fornecer a senha do computador ou celular para quem quer que seja. Via @therrylee/Twitter.

Atualização (4/6/2022): A versão original desta nota orientava o(a) leitor(a) a criar outro usuário administrador no computador para entregá-lo à assistência técnica. Conforme apontado nos comentários, essa orientação pode não ser suficiente, a depender do nível técnico da assistência e de outras configurações do computador, para impedir o acesso não autorizado aos arquivos. A orientação foi alterada para uma mais rígida e segura.

O YouTube expandiu suas regras contra desinformação médica na plataforma. A partir de agora, serão removidos vídeos “com alegações falsas de que vacinas aprovadas são perigosas, causam danos crônicos à saúde e não reduzem as chances de transmitir/contrair doenças ou conteúdo com desinformação sobre as substâncias contidas nesses imunizantes”. As novas diretrizes se aplicam a todas as vacinas aprovadas e consideradas seguras pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Elas são retroativas, ou seja, atingem vídeos antigos, mas deve levar algum tempo para que surtam efeito em toda a plataforma. Via YouTube.

Imagem do Fairphone 4 5G de frente e de costas, na cor cinza.
Imagem: Fairphone/Divulgação.

A Fairphone, fabricante de celulares modulares e sustentáveis sediada na Holanda, anunciou nesta quinta (30) o Fairphone 4 5G, primeiro celular 5G modular do mundo. O aparelho começa a ser vendido no dia 25 de outubro, apenas na Europa, em duas configurações (6 GB/128 GB e 8 GB/256 GB de RAM/espaço), ambas equipadas com um chip Snapdragon 750G, e sai de fábrica com o Android 11 e a promessa de no mínimo receber atualizações até 2025, talvez até 2027 “apesar do fim do suporte do fornecedor do chipset”. O Fairphone 4 5G custará € 579 ou € 649 — cerca de R$ 3,6 mil e R$ 4 mil. Via Fairphone (em inglês).

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

A Amazon anunciou um punhado de novos produtos em um evento nesta terça (28). O principal foi o robô doméstico Astro — parece um aspirador de pó, mas ele não tem essa habilidade. O Astro faz vários truques comuns da Alexa (seu “rosto” é um Echo Show 10 colado em uma base com rodas, motores, câmeras e sensores). Sua velocidade é de até 1 metro por segundo e ele tem uma câmera do tipo periscópio e um pequeno compartimento de cargas na parte de trás. A própria Amazon admite que o Astro ainda é meio inútil, mas acredita que esse tipo de produto será comum nas casas norte-americanas dentro de uma década, por isso aposta nele desde já. Via Amazon (em inglês), The Verge (em inglês).

Quase ao mesmo tempo em que a Amazon falava do Astro, a Vice publicava documentos internos vazados da empresa em que engenheiros questionam a precisão da identificação de rostos do Astro e criticam a fragilidade do hardware e a “inteligência” do produto. Sem surpresa, um deles, que trabalhou no projeto, definiu o Astro como “um pesadelo de privacidade”. O privilégio de colocar um robô da Amazon que te persegue dentro de casa custa US$ 999 lá fora, apenas para “convidados”. Via Vice (em inglês).

De todas as bugigangas anunciadas, duas chegarão ao Brasil e já tiveram seus preços locais revelados: a segunda geração do Echo Show 81 (R$ 999, lançamento em 7 de outubro) e o novo Echo Show 151 (R$ 1.899, sem data de lançamento), uma espécie de monitor/quadro digital de 15,6″.

  1. Ao comprar por este link, o Manual do Usuário ganha uma comissão. O preço que você paga não se altera. De qualquer forma, o Manual do Usuário desaconselha a aquisição de quaisquer produtos com Alexa.

Foi a coisa mais estranha em que já trabalhei.

— Satya Nadella, CEO da Microsoft

Na Code Conference, nos Estados Unidos, Satya comentou a ocasião em que a Microsoft quase comprou a operação norte-americana do TikTok para satisfazer os caprichos do então presidente Donald Trump, em agosto de 2020. Via GeekWire (em inglês).

Print do novo Skype com uma videochamada aberta. Nove retângulos, alguns com pessoas na webcam, outros com as iniciais, e à direita uma faixa com chat em texto. Embaixo, botões diversos comuns do Skype.
Imagem: Microsoft/Divulgação.

Lembra do Skype? Às vezes, parece que até a Microsoft se esquece do seu aplicativo de mensagens e videochamadas. Nesta segunda (27), a empresa anunciou uma série de novidades que o app ganhará nos próximos meses — a promessa é torná-lo “rápido, divertido, agradável e suave”. Destaques para os novos layouts para videochamadas (em linha com experiências modernas, como como as do Zoom e Google Meet), a repaginada visual e melhorias em desempenho, em especial o salto de até 2.000% (!) em velocidade no Android.

Tudo muito legal, necessário até, mas bem estranho quando nos lembramos que o Teams para uso pessoal existe e está sendo incorporado no Windows 11. Nesse cenário, quais os incentivos para se usar o Skype? Por que (e até quando) a Microsoft manterá dois apps distintos para a mesma finalidade? E não é como se tal dilema fosse novidade. Em 2011, quando comprou o Skype a peso de ouro — por US$ 8,5 bilhões —, a Microsoft já tinha o MSN/Windows Live Messenger. Afinal, não é só o Google que se enrola horrores com sua estratégia de apps de mensagens. Via Skype (em inglês).

O Facebook anunciou um fundo de US$ 50 milhões para investir em iniciativas do “metaverso”. O dinheiro será gasto ao longo de dois anos em “programas e pesquisa externa para nos ajudar nesse esforço”. Esse valor representa 0,03% da receita do Facebook nos anos de 2019 e 2020 somados.

No anúncio, assinado por Andrew Bosworth, vice-presidente do laboratório de realidades do Facebook, e Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais, mais uma vez o Facebook tenta explicar o que é esse tal de metaverso: “Um conjunto de espaços virtuais onde você pode criar e explorar com outras pessoas que não está no mesmo espaço físico que você”. E também o que ele não é: “[…] não é um produto único que uma empresa possa criar sozinha. Assim como a internet, o metaverso existe esteja o Facebook lá ou não.” Por que o Facebook deveria estar envolvido ou liderando isso é uma pergunta que fica no ar.

Andrew e Nick ainda dizem que o Facebook está criando o metaverso “com responsabilidade”, o que, a julgar pelo histórico desastroso da empresa neste universo, é uma afirmação no mínimo difícil de confiar neste momento.

Alguém mais cínico poderia dizer que toda essa história de metaverso é mero diversionismo para tirar o foco dos escândalos em série em que o Facebook está envolvido desde 2016 e aliviar a pressão em Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg. Talvez seja isso mesmo — se for e der certo, vai sair barato. Via Facebook (em inglês).

O escritório em casa do estudante e moderador de comunidades Tet

Durante a pandemia de COVID-19, a seção de mochilas será convertida em escritórios domésticos. Faz mais sentido, certo? Vale para os recém-chegados ao home office e para quem já está nessa há tempos. Mande o seu seguindo estas instruções. Todo o texto abaixo é de autoria do Tet.

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Nesta segunda (27), o TikTok anunciou ter alcançado a marca de 1 bilhão de usuários ativos mensais (MAUs, na sigla em inglês; a métrica é padrão para mensurar usuários em redes sociais).

É o primeiro aplicativo criado por outra empresa que não Facebook e Google a atingir essa marca. E dos mais rápidos: levou apenas 5 anos.

Para contexto, o Facebook demorou 8 anos para chegar a 1 bilhão de usuários. Foi em 2012 e, de lá para cá, a empresa de Mark Zuckerberg mais que dobrou esse número. Via TikTok (em inglês).

O Facebook acredita que o Instagram Kids, versão da rede social para menores de 13 anos que estava desenvolvendo, é uma boa ideia, mas decidiu suspendê-la para trabalhar com pais, especialistas e legisladores a fim de demonstrar o valor e a necessidade do produto. Segundo Adam Mosseri, head do Instagram, as crianças já estão conectadas, então é melhor construir experiências adequadas à idade em vez de deixá-las usar as versões “para adultos”. Via Instagram (em inglês).

Estranha essa lógica da inevitabilidade. Crianças adoram açúcar e, se deixássemos por conta delas, comeriam açúcar o dia inteiro. Não significa, porém, que liberar açúcar seja a saída, muito menos que deixar a distribuição de açúcar às Nestlé da vida seja uma boa ideia. Mosseri escreve que o YouTube e o TikTok têm versões para menores de 13 anos como se isso validasse seu argumento. É como se em vez da Nestlé, a dieta das crianças ficasse sob os cuidados de Nestlé, Mondelez e Ferrero.

E, convenhamos: de todas as empresas do mundo, por que alguém confiaria justamente no Facebook para isso? A mesma empresa que, sabendo que 1/3 das meninas adolescentes que usam o Instagram desenvolvem problemas com a própria imagem, fez o que pode para ocultar esse resultado dos seus próprios funcionários e do mundo externo?

Sobre essa pesquisa, a propósito, saiu outro post oficial, esse assinado por Pratiti Raychoudhury, VP e head de pesquisa do Facebook, rebatendo a reportagem do Wall Street Journal que revelou os estragos causados pelo Instagram ao público menor de idade. Ele traz algumas correções pontuais — algumas parecem coerentes, outras, forçadas. A pesquisa e os slides que a reportagem do WSJ viu não foram divulgados, o que deixa uma nuvem espessa de incertezas sobre as alegações do Facebook. Se para qualquer empresa a divulgação da íntegra desse material seria o mínimo, imagine para o Facebook? Via Facebook (em inglês).