O site olav.ooo, uma piada macabra envolvendo a morte do charlatão bolsonarista Olavo de Carvalho e o joguinho de palavras Wordle/Termo, ainda hoje aparece em redes sociais. Ele não é, afinal, um joguinho inocente. Ao abrir o site, um minerador de criptomoedas dispara imediatamente. O alerta foi dado por Eduardo Henrique e confirmado pelo Manual do Usuário.

O olav.ooo carrega um script XMRig, uma solução de código aberto que usa o poder computacional dos dispositivos que acessam sites com seu código para minerar a criptomoeda Monero (XMR). Por padrão, bloqueadores de anúncios como 1Blocker e uBlock Origin não bloqueiam o script, nem as configurações mais rigorosas do Firefox e Safari.

Ao abrir o olav.ooo, o disparo no consumo de processamento é imediato:

Print do terminal com o htop aberto, filtrando processos do Firefox.
Repare no consumo de processamento pelo Firefox enquanto o site olav.ooo está aberto. Imagem: Manual do Usuário.

Ao bloquear o carregamento do script f.xmrminingproxy.com, a mineração não acontece.

O problema de acessar um site com um minerador de criptomoedas é que ele sobrecarrega o processador, deixando outras abas e aplicativos lentos e, no caso de dispositivos movidos à bateria, como celulares e notebooks, descarregando-a mais rapidamente.

As antenas da Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX, doadas por Elon Musk à Ucrânia são equivalentes a alvos gigantes pintados nas costas dos usuários, disseram especialistas à CNN norte-americana. O uso de satélites em áreas de guerra, em especial um estranho/novo na região, pode ser detectado pelos russos e servir de guia para bombardeios.

No Twitter, o próprio Musk reconheceu o “pequeno problema” criado pelo seu sistema de internet via satélite: “A probabilidade de [uma antena da Starlink] tornar-se um alvo é alta.” Via CNN (em inglês)

O Google Docs agora tem uma opção “sem páginas”, que troca a metáfora de páginas de papel físicas, tipo a do Microsoft Word, por uma tela em branco infinita.

Para ativá-la, clique no menu Arquivo, depois em Configuração da página e selecione a opção Sem páginas. Via Google (em inglês).

Essa novidade parece uma resposta a novos produtos de edição de texto, como o Notion, que rompem por completo com a metáfora de folhas de papel. A Microsoft também tem explorado esse caminho, mas com uma estratégia diferente: em vez de mexer no Word, lançou um produto novo, o Loop.

A maioria das pessoas falando de metaverso não faz a menor ideia do que estão falando. E, aparentemente, nunca jogaram um MMO. Eles pensam: ‘Oh, você terá este avatar personalizável’. E é como, bem… entra em La Noscea no Final Fantasy 14 e me diga se este não é um problema resolvido há uma década, e não uma coisa incrível que você está inventando.

— Gabe Newell, co-fundador e CEO da Valve.

Em outra parte da entrevista, Gabe foi mais direto: “Tem um monte de esquemas ‘fique rico rápido’ em torno do metaverso.”

E sobre a tendência de executivos de empresas de tecnologia de adotarem ideias distópicas da literatura e as repaginar como algo bom ou desejável: “Sou amigo do Neal Stephenson [que cunhou o termo ‘metaverso’] e toda vez que nos encontramos, ele leva as mãos ao rosto. É meio ‘certo, qual notícia do metaverso me deixará maluco hoje?’” Via PC Gamer (em inglês).

Em outra entrevista, a respeito de NFTs e criptoativos: “[…] Com os atores que estão no momento neste espaço de NFTs, eles não são pessoas com quem você realmente queira fazer negócio.” Via Rock Paper Shotgun (em inglês).

Acontece neste sábado (5) o Open Data Day, celebração anual dos dados abertos no mundo inteiro. “É uma oportunidade para mostrar os benefícios dos dados abertos e encorajar a adoção de políticas de dados abertos no governo, empresas e na sociedade civil”, diz o site oficial. No Brasil, o site oficial registra dez eventos.

Em Curitiba (PR), esta edição será transmitida pelo YouTube a partir das 9h30 e tem inscrições gratuitas. Na pauta, debates sobre o gap de gênero no mercado de trabalho, qualidade do ar em Curitiba, uso de Inteligência Artificial e mapeamento colaborativo de desigualdades. Dica da Estelita Carazzai, que está na organização do ODD Curitiba e toca a ótima newsletter local O Expresso.

A Epic Games comprou o Bandcamp, um marketplace para músicos fundado em 2008 nos Estados Unidos. O valor da transação não foi divulgado. Segundo as empresas, o Bandcamp continuará operando como uma marca independente e manterá o co-fundador Ethan Diamond como CEO.

Epic e Bandcamp compartilham um inimigo em comum: Apple e Google. As duas empresas são críticas ferozes do modelo em vigor no iOS e Android, que cobra um pedágio de 30% em compras digitais realizadas em aplicativos de terceiros. (A Epic foi às últimas consequências na rixa com a Apple, o que lhe custou a presença de Fortnite no iOS.) A Epic promete ajudar o Bandcamp na expansão internacional e em novas iniciativas, como a produção de vinis e de um serviço de streaming.

No papel, é um negócio que faz sentido e que não significa muito para nós, brasileiros (o Bandcamp não opera oficialmente aqui), mas não deixa de ser triste ver um negócio independente, saudável e quase universalmente elogiado pelos usuários ser engolido por um titã da indústria. Quando foi a última vez que esse arranjo deu certo e a empresa menor, engolida, continuou “operando de forma independente” por muito tempo? É, também não me recordo. Via Variety, Bandcamp (ambos em inglês).

Prepare-se para perder (ainda) mais tempo no TikTok. A rede social de vídeos curtos liberou o envio de vídeos de até 10 minutos. É o segundo incremento no limite de tempo da plataforma — em julho de 2021 o teto subiu de 60 segundos para 3 minutos.

Em nota não relacionada, a Meta anunciou que encerrará agora em março o aplicativo próprio do IGTV, a investida do Instagram em vídeos longos que nunca colou. O alvo, em ambos os casos, é o YouTube. Será que o TikTok terá melhor sorte que o IGTV? Via @stokel/Twitter e Android Central (ambos em inglês), Instagram para Creators.

O que as redes sociais já fizeram para conter a desinformação russa

As sanções do Ocidente contra a Rússia em resposta à invasão injustificada da Ucrânia alcançaram também as grandes empresas de tecnologia norte-americanas.

Na terça-feira (1º), a Apple anunciou uma série de medidas, da suspensão de vendas de produtos no país à remoção de aplicativos de empresas de mídia estatais russas (RT e Sputinik) fora do país. Via MacRumors.

Antes disso, redes sociais já tinham se movimentado:

  • No domingo (27), a Meta derrubou uma “rede de comportamento coordenado inautêntico”, com ramificações na Rússia e na própria Ucrânia, que estava espalhando desinformação entre ucranianos. Via Meta (em inglês).
  • Em outra frente, a Meta restringiu o acesso a empresas de mídia estatais russas na União Europeia e limitou o alcance de links para seus sites no Facebook e no Instagram.
  • Na terça (1º), a empresa ampliou as restrições ao resto do mundo e, embora páginas e links das empresas de mídia estejam acessíveis, seus conteúdos e links tiveram o alcance reduzido, ficaram mais difíceis de serem achados e, quando encontrados, recebem etiquetas de alerta. Via Meta (em inglês).
  • O Twitter anunciou um pacote de medidas na sexta (25). Entre as mais incisivas, está a suspensão de anúncios na Rússia e Ucrânia e de posts recomendados na timeline de pessoas que o usuário não segue “para reduzir o alcance de conteúdo abusivo”. Via @TwitterSafety/Twitter (em inglês).
  • O YouTube desmonetizou os canais do RT e Sputinik e bloqueou ambos na Europa. Eles também não podem veicular anúncios nas plataformas da empresa. A empresa também “reduziu significativamente” as recomendações de empresas de mídia financiadas pela Rússia no mundo inteiro e já derrubou “centenas de canais e milhares de vídeos” por violações às diretrizes da comunidade, incluindo práticas coordenadas inautênticas. Via Google (em inglês).
  • O TikTok confirmou na segunda (28) ter bloqueado os perfis do RT e Sputinik na Europa. Via Washington Post (em inglês).

A Rússia tem pressionado essas mesmas empresas e limitado o uso delas.

O Kremlin pediu à Meta para que parasse de checar conteúdo oficial no Facebook, mas não foi atendido. Em retaliação, o governo russo limitou o acesso às redes da empresa no país. O Facebook tem 70 milhões de usuários na Rússia. O Twitter também entrou na mira de Vladimir Putin.

Pelo Twitter, o presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, disse que a empresa está trabalhando para manter seus serviços funcionando na Rússia:

“Cidadãos russos estão usando nossos aplicativos para se expressarem e se articularem. Queremos que continuem se fazendo ouvir, compartilhando o que está acontecendo e se organizando pelo Facebook, Instagram, WhatsApp e Messenger.” Via @nickclegg/Twitter (em inglês).

Especialistas e líderes mundiais concordam que o acesso a redes sociais fora do controle do governo de Putin são importantes nesse momento para a articulação anti-guerra no país.

Ao Recode, Margrethe Vestager, vice-presidente da Comissão Europeia, disse que “é sempre um equilíbrio garantir que os russos que querem a história real — ou, no mínimo, a história como a vemos — tenham acesso [às redes sociais], mas não deve haver espaço para propaganda”. Via Recode (em inglês).

A guerra cibernética paralela entre Rússia e Ucrânia

A guerra cibernética paralela entre Rússia e Ucrânia, por Shin Suzuki na BBC Brasil:

A ideia militar de desnortear o adversário vem servindo de base para ofensivas hackers nessa guerra. Derrubar a rede de celular e internet tem como objetivo instaurar pânico ao impedir que a população de um país sob ataque se comunique.

“O objetivo é criar confusão, é fazer com que as pessoas se sintam perdidas. Disparar em massa desinformação é parte de uma guerra psicológica, para minimizar as chances de os ucranianos terem uma reação”, afirma Luca Belli.

China criminaliza captação de recursos via criptomoedas

por Shūmiàn 书面

Na sequência do aperto do cerco contra as criptomoedas, a Suprema Corte chinesa definiu na última quinta (24) que usar criptomoedas para captação de recursos agora é crime. Esta é mais uma medida oficial no sentido de coibir o uso de criptomoedas no país, somando-se a proibições anteriores como o banimento de mineração e transações nessas moedas no país, como escrevemos aqui em setembro. Nos casos mais graves, quem for pego usando esse tipo de moeda para captar fundos pode ficar até dez anos na prisão. Conforme a interpretação da corte, a medida incluirá também atividades financeiras que possuem outros nomes, mas que forem consideradas similares à captação de fundos, como alguns empréstimos online. A decisão tomada pela corte passa a ter efeito a partir deste mês.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

O Telegram finalmente deu sinal de vida às autoridades brasileiras. No sábado (27), atendeu a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes emitida na véspera, do Supremo Tribunal Federal (STF) e tirou do ar três canais do blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça brasileira. Caso descumprisse a decisão, o Telegram seria multado em R$ 100 mil por dia e bloqueado no Brasil por pelo menos 48 horas.

Apesar do cumprimento, Allan continua ativo no Telegram graças a um “perfil reserva” com 22 mil seguidores. Por ele, vem compartilhando tutoriais de VPN para permitir o acesso aos canais — o bloqueio só está valendo para acessos a partir do Brasil. O uso de perfis reservas foi previsto pela decisão do ministro Alexandre, “comportamento que deve ser restringido”. Via Poder360 (2) (3) (4).

Você quer anúncios maiores no seu e-mail? e outros links legais

Facebook/Meta, Google, Mercado Livre e Twitter divulgaram, nesta quarta (24), uma carta aberta criticando o projeto de lei 2630/2020, o chamado PL das Fake News. No texto, as quatro empresas dizem que o PL deixou de tratar de fake news e que “passou a representar uma potencial ameaça para a Internet livre, democrática e aberta que conhecemos hoje”.

O PL das fake news deve ser votado em breve na Câmara dos Deputados, no que depender da vontade do presidente da casa, Arthur Lira (PP-AL). No dia 15 de fevereiro, ele afirmou que o Plenário poderá votar o requerimento de urgência a qualquer momento. Via G1, Propmark, Câmara dos Deputados/YouTube.

Facebook/Meta usa pequenas empresas para lavar sua reputação

É difícil emplacar a tese de que uma empresa que faturou quase US$ 118 bilhões e lucrou quase US$ 40 bilhões no último ano fiscal esteja em crise, mas talvez seja o caso do Facebook/Meta.

(mais…)

Agora vai: Steam está chegando ao Chrome OS

por Cesar Cardoso

Já faz uns dois anos que o Steam está chegando no Chrome OS. Precisava estabilizar o Crostini, precisava suporte gráfico melhorado, precisava de um monte de coisas… que foram feitas.

Chegou a hora de — isso mesmo — aparecer código. Mais especificamente, aqui.

// The special borealis variants distinguish internal developer-only boards
// used by the borealis team for testing. They are not publicly available.
constexpr char kOverrideHardwareChecksBoardSuffix[] = "-borealis";

constexpr const char* kAllowedModelNames[] = {
    "delbin", "voxel", "volta", "lindar", "elemi", "volet", "drobit"};

constexpr int64_t kGibi = 1024 * 1024 * 1024;
constexpr int64_t kMinimumMemoryBytes = 7 * kGibi;

// Matches i5 and i7 of the 11th generation and up.
constexpr char kMinimumCpuRegex[] = "[1-9][1-9].. Gen.*i[57]-";

Eu sei que C++ é uma linguagem de programação quase alienígena. Por sorte, alguém no 9to5Google, que descobriu o commit, traduziu isso para os meros mortais. O Steam só rodará em dispositivos Chrome OS com Core i5 ou i7 de 11ª geração com pelo menos 8 GB de RAM, e ainda assim a placa-mãe terá que ser liberada pelo Google para rodar o programa.

(Lembrança eterna: todo o desenvolvimento do Chrome OS é orientado a placas-mãe, já que o Google certifica e suporta as placas-mãe que os OEMs podem usar.)

A lista de aparelhos elegíveis neste primeiro momento é bem curta (três Acer, dois Asus, um HP e um futuro Lenovo, todos topo de linha etc.), e que não deve se expandir muito já que a exigência da 11ª geração garante que somente Chromebooks lançados a partir de 2020 têm chance de serem suportados (embora, ao que parece, tem testes internos no Google com Intel Core de 10ª geração e chips AMD).

Agora só falta mesmo o anúncio oficial do lançamento. Talvez com um Chromebook com teclado RGB junto, porque afinal parece existir uma lei obrigando tudo gamer a ter RGB.


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