Galaxy S9 no carregador sem fio.

Sem surpresas, o Galaxy S9 é um ótimo smartphone


26/6/18 às 11h42

Usar o Galaxy S9 por duas semanas ratificou uma impressão que sempre tive: é fácil escolher e avaliar smartphones topos de linha. Os desafios desse tipo de análise se resumem a encontrar algum ponto fraco inesperado (raro, mas acontece; vide a posição do leitor de digitais do S8) e justificar o valor, invariavelmente alto.

Qual o problema do Galaxy S9? Não tem, ao menos não algum marcante. Claro, sempre há margem para melhorias. O Galaxy S10 — ou seja lá o nome que tiver o sucessor — terá uma câmera e/ou tela melhores, será mais rápido. Talvez traga algum outro recurso dispensável como a Bixby ou constrangedor, caso do ARemoji, nenhum deles um problema grave. No conjunto, a menos que a Samsung cometa um deslize incomum (pode acontecer; lembra do Galaxy Note 7?), ele será melhor que este S9. Que já é bom, mas é melhor que o S8 que o precedeu. Que, por sua vez, ainda é um bom aparelho, e melhor que o S7, que… você entendeu.

O último Galaxy S que havia usado fora o S6, de 2015. O Galaxy S9 é um óbvio refinamento daquele projeto, que, na época, foi uma ruptura com o padrão de então da Samsung, à base de plástico barato e design questionável. Foi uma das cada vez mais raras reviravoltas em um mercado que há anos perde fôlego nas inovações que impactam de verdade o uso no dia a dia.

Nesse sentido, há pouco a se reclamar do Galaxy S9. A Bixby, já citada, cruza a fronteira da inutilidade quando o botão físico que a ativa é apertado sem querer, abrindo um monte de telas com informações redundantes ou dispensáveis. Felizmente, dá para desativá-lo nas configurações e ignorar, em grande parte, a existência dessa “inteligência” artificial.

Muito explorada na publicidade da Samsung, a câmera “reimaginada” faz bonito, só que não pelos atributos ressaltados nos anúncios — emojis de realidade aumentada e abertura dupla da câmera principal.

Os chamados AR Emojis são muito ruins. Garantem algumas risadas pelo absurdo, mas jamais deveriam ser um ponto de venda. São feios, esquisitos, sem detalhes. Não consigo me imaginar inserindo esses desenhos em uma conversa em outro contexto que não para fazer chacota deles próprios.

GIF animado de um AR Emoji.
Este sou eu versão AR Emoji, segundo a Samsung.

A outra, a abertura dupla da lente da câmera principal, faz menos diferença do que alguém poderia supor. No modo Pro, que libera os controles manuais da câmera, os ajustes são difíceis de acertar para alguém sem familiaridade com modelos profissionais, um empecilho que fica ainda maior porque o modo automático faz um ótimo trabalho ao definir os ajustes de acordo com cada situação. E, como fazem todas as outras câmeras de smartphones do mundo, há compensações em software que tornam a abertura menor, de f/2,4, dispensável nas situações em que ela faria alguma diferença. Como o HDR.

As fotos são muito bonitas. É notável como a Samsung consegue reduzir o ruído em cenas difíceis, como nas noturnas, e entregar fotos muito bonitas, ainda que a temperatura das cores varie de modo meio imprevisível — às vezes mais quentes, em outras, mais frias. De qualquer forma, no geral é uma câmera sensacional, talvez a melhor disponível no mercado brasileiro.

Outra característica notável da Samsung é o toque próprio que ela dá ao Android do Google. Essas mexidas sempre foram alvo de críticas. No passado, por serem ruins, mas no Galaxy S9 o motivo é diferente, já que os apps são decentes e as modificações, tão agradáveis quanto o Android puro.

Justamente por estarem melhores, por serem alternativas reais ao que o Google oferece no Android, o usuário se vê confrontado por praticamente duas experiências distintas a bordo do mesmo smartphone — a da Samsung e a do Google. Há um agravamento da situação porque vários apps e funções aparecem em duplicidade. Qual usar? E por quê? Não saberia dizer. O lado Samsung seria uma ótima saída para usuários preocupados com privacidade, mas o Google está enraizado no Android. Não dá para removê-lo e ficar só com o ecossistema da fabricante, infelizmente.

Junto ao Galaxy S9, a Samsung enviou um carregador sem fio. É muito prático, mas deu a impressão de ser mais lento que na recarga por fio. Também tive um DeX Pad à disposição, acessório que permite ligar o smartphone a monitor, teclado e mouse, mas não pude testá-lo.

Visão de cima do Galaxy S9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Lançado no Brasil no final de abril pelo preço sugerido de R$ 4.299, o Galaxy S9 já é encontrado por menos de R$ 3.300 em lojas online. É caro, mas não tanto quanto os smartphones mais caros — os R$ 7 mil do iPhone X ou os R$ 4.900 do Galaxy S9+, a versão com tela maior e câmera dupla. E deve baixar um pouco mais nos próximos meses.

Para quem gosta de ter uma câmera excelente e um smartphone rápido no bolso, e não se importa em pagar mais de três salários mínimos para ter esse luxo, é uma compra acertada, só possível de ser abalada por um iPhone 8 ou algum apreço especial por topos de linha de outras fabricantes Android, nenhum deles tão completo e estável quanto o Galaxy S9.

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