Sem surpresas, o Galaxy S9 é um ótimo smartphone

Galaxy S9 no carregador sem fio.

Usar o Galaxy S9 por duas semanas ratificou uma impressão que sempre tive: é fácil escolher e avaliar smartphones topos de linha. Os desafios desse tipo de análise se resumem a encontrar algum ponto fraco inesperado (raro, mas acontece; vide a posição do leitor de digitais do S8) e justificar o valor, invariavelmente alto.

Qual o problema do Galaxy S9? Não tem, ao menos não algum marcante. Claro, sempre há margem para melhorias. O Galaxy S10 — ou seja lá o nome que tiver o sucessor — terá uma câmera e/ou tela melhores, será mais rápido. Talvez traga algum outro recurso dispensável como a Bixby ou constrangedor, caso do ARemoji, nenhum deles um problema grave. No conjunto, a menos que a Samsung cometa um deslize incomum (pode acontecer; lembra do Galaxy Note 7?), ele será melhor que este S9. Que já é bom, mas é melhor que o S8 que o precedeu. Que, por sua vez, ainda é um bom aparelho, e melhor que o S7, que… você entendeu.

O último Galaxy S que havia usado fora o S6, de 2015. O Galaxy S9 é um óbvio refinamento daquele projeto, que, na época, foi uma ruptura com o padrão de então da Samsung, à base de plástico barato e design questionável. Foi uma das cada vez mais raras reviravoltas em um mercado que há anos perde fôlego nas inovações que impactam de verdade o uso no dia a dia.

Nesse sentido, há pouco a se reclamar do Galaxy S9. A Bixby, já citada, cruza a fronteira da inutilidade quando o botão físico que a ativa é apertado sem querer, abrindo um monte de telas com informações redundantes ou dispensáveis. Felizmente, dá para desativá-lo nas configurações e ignorar, em grande parte, a existência dessa “inteligência” artificial.

Muito explorada na publicidade da Samsung, a câmera “reimaginada” faz bonito, só que não pelos atributos ressaltados nos anúncios — emojis de realidade aumentada e abertura dupla da câmera principal.

Os chamados AR Emojis são muito ruins. Garantem algumas risadas pelo absurdo, mas jamais deveriam ser um ponto de venda. São feios, esquisitos, sem detalhes. Não consigo me imaginar inserindo esses desenhos em uma conversa em outro contexto que não para fazer chacota deles próprios.

GIF animado de um AR Emoji.
Este sou eu versão AR Emoji, segundo a Samsung.

A outra, a abertura dupla da lente da câmera principal, faz menos diferença do que alguém poderia supor. No modo Pro, que libera os controles manuais da câmera, os ajustes são difíceis de acertar para alguém sem familiaridade com modelos profissionais, um empecilho que fica ainda maior porque o modo automático faz um ótimo trabalho ao definir os ajustes de acordo com cada situação. E, como fazem todas as outras câmeras de smartphones do mundo, há compensações em software que tornam a abertura menor, de f/2,4, dispensável nas situações em que ela faria alguma diferença. Como o HDR.

As fotos são muito bonitas. É notável como a Samsung consegue reduzir o ruído em cenas difíceis, como nas noturnas, e entregar fotos muito bonitas, ainda que a temperatura das cores varie de modo meio imprevisível — às vezes mais quentes, em outras, mais frias. De qualquer forma, no geral é uma câmera sensacional, talvez a melhor disponível no mercado brasileiro.

Outra característica notável da Samsung é o toque próprio que ela dá ao Android do Google. Essas mexidas sempre foram alvo de críticas. No passado, por serem ruins, mas no Galaxy S9 o motivo é diferente, já que os apps são decentes e as modificações, tão agradáveis quanto o Android puro.

Justamente por estarem melhores, por serem alternativas reais ao que o Google oferece no Android, o usuário se vê confrontado por praticamente duas experiências distintas a bordo do mesmo smartphone — a da Samsung e a do Google. Há um agravamento da situação porque vários apps e funções aparecem em duplicidade. Qual usar? E por quê? Não saberia dizer. O lado Samsung seria uma ótima saída para usuários preocupados com privacidade, mas o Google está enraizado no Android. Não dá para removê-lo e ficar só com o ecossistema da fabricante, infelizmente.

Junto ao Galaxy S9, a Samsung enviou um carregador sem fio. É muito prático, mas deu a impressão de ser mais lento que na recarga por fio. Também tive um DeX Pad à disposição, acessório que permite ligar o smartphone a monitor, teclado e mouse, mas não pude testá-lo.

Visão de cima do Galaxy S9.
Foto: Rodrigo Ghedin.

Lançado no Brasil no final de abril pelo preço sugerido de R$ 4.299, o Galaxy S9 já é encontrado por menos de R$ 3.300 em lojas online. É caro, mas não tanto quanto os smartphones mais caros — os R$ 7 mil do iPhone X ou os R$ 4.900 do Galaxy S9+, a versão com tela maior e câmera dupla. E deve baixar um pouco mais nos próximos meses.

Para quem gosta de ter uma câmera excelente e um smartphone rápido no bolso, e não se importa em pagar mais de três salários mínimos para ter esse luxo, é uma compra acertada, só possível de ser abalada por um iPhone 8 ou algum apreço especial por topos de linha de outras fabricantes Android, nenhum deles tão completo e estável quanto o Galaxy S9.

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13 comentários

  1. Estou com um S9+ há 1 mês. Vim de um Moto Z, que já era um smartphone ótimo. Mas o S9+ é tudo e mais um pouco. Software da Samsung está excelente, e está muito melhor que o IOS (já tive iPhone). A proteção IP68 do S9 é top. Melhor celular q já tive, disparado.

    O que gostei:
    – proteção IP68, incluindo vidros 25% mais grossos que o S8
    – alto falantes potentes e de muita qualidade
    – software Samsung muito bem acertado (com exceção do teclado, que voltei o do Google)
    – tela maravilhosa
    – preparado para carregamento sem fio
    – câmeras top, tanto frontal quanto traseira
    – todos os sensores possíveis e imagináveis, ex: sensor de pulsação, sensor de umidade na porta USB, etc.

    O que não gostei muito:
    – bateria somente ok
    – preço alto, mas vale o q pede

    O que não gostei mesmo:
    – nada!

  2. SImplesmente não vejo motivo para gastar tanto num aparelho. Fora uma foto melhor, o que exatamente o S9 faz que um Moto G6 Plus não faria? Ok, o Android é mais fluído a medida que o processador melhora e a memória RAM é maior, é muito bom não depender de um MicroSD pra ter mais espaço no celular. Mas vale isso tudo? No Brasil? No Rio de Janeiro?

    Infelizmente acho que não. Nos EUA, onde o melhor dos telefones vai custar 50% do salário mínimo local, vá lá. No Brasil, onde chegam a custar seis salários mínimos, nada disso se justifica.

  3. Não entendi esse final com a parte da compra acertada que pode ser abalada por um iPhone 8 ou algum apreço especial por topos de linha de outras fabricantes Android, nenhum deles tão completo e estável quanto o Galaxy S9.
    O iPhone 8, modelo normal, é para quem quer iOS, não para quem quer tudo melhor, afinal o S9 é melhor e isso é um fato, não opinião.
    E tops de linha de outras fabricantes não tão completos é algo meio forçado, o S9 tem a melhor tela e uma das melhores câmeras, mas um Xperia XZ2 é igualmente bom, um oneplus 6 também, claro que podem não agradar a todos mas nem o S9 agrada, eu por exemplo prefiro tela flat ou 2.5D, não curva, ou metal ao invés de vidro, e claro, o preço que chega a ser um tapa na cara de tão estúpido que é, independente do quão completo o aparelho seja, esses valores já estão altos demais.

    1. Isso não é fato. Pelo contrário, o smartphone que você quer comprar, tendo recursos para escolher quase todos do mercado, é algo extremamente subjetivo. Mas, mesmo em comparação direta, o iPhone 8 é superior ao Galaxy S9 em alguns aspectos. É mais rápido, terá atualizações por mais tempo, tem uma câmera que, se não é melhor, é equiparável, e roda o iOS, que é um sistema mais polido que o Android.

      1. Tô esperando o iOS ser polido desde o 10, que já vinha bem bugado. Já tive aparelhos Android muito mais estáveis e fluidos que os iPhones de mesma época. Agora no 12 é que estou vendo o iOS que usei desde o início, que era referência em velocidade e estabilidade. Hoje em dia não existe iPhone mais veloz em tarefas normais nem mais estáveis.

      2. Tudo isso me fez olhar com mais carinho pro iPhone. Sempre fui usuário Android. Hoje, uso um iPhone 6S, com muita satisfação. O fato de ter atualizações por mais tempo pesa muito…

  4. Comprei um S8 cerca de um ano atrás. Totalmente subutilizado (não tiro quase nada de fotos, uso só o whatsapp, telefone e app de email e banco). Da próxima vez (que prevejo daqui a uns 3 anos) vou comprar um bem baratinho e parar de jogar dinheiro no lixo.

    Se o S7 ainda é um bela referência de compra, imagina essa geração S8 e S9 que além de serem muito bons, tem design atemporal (em minha opinião).

    O hardware não vai ser mais referência de celulares defasados mas sim o software.

    1. Foi exatamente essa situação que tive ao usar um Note 8. Por sinal, as fotos no modo retrato (desfocadas) são péssimas, pois, precisa ter um iluminação excelente (pode esquecer fotos a noite com fundo desfocado) e ainda precisa ter uma distância mínima.

      Devolvi o Note 8 e comprei um Redmi 5 Plus por R$ 500,00. Minha experiência está sendo ótima, a bateria é muito melhor, o sistema da Xiaomi é bem otimizado e tem entrada p2 e infravermelho. Basicamente, gastei menos e foi muito mais útil.

  5. Eu gostava muito da linha S. Mas agora acho que o preço está caro demais. Comprei um Moto G6 Plus por R$1350,00 a vista na Fnac. Para mim o custo benefício dele está valento totalmente a pena.

  6. Compartilho da sua opinião. Acredito que desde o iPhone 6/6s e do Galaxy S6/S7, os smartphones chegaram em um nível totalmente satisfatório. É claro que melhorias sempre ocorrerão. visto que trata-se do dispositivo mais usado do mundo e que está com as pessoas a maior parte do tempo, sendo utilizado diariamente por horas, o que obviamente desperta nas marcas o interesse em pesquisas e projetos para evolução.

    Acredito que a Samsung perde pontos por focar em coisas desnecessárias, como Bixby e AR Emojis, enquanto deixa passar algo fundamental, que é a experiência de atualização de software. iPhone 5s foi lançado com iOs 7 e receberá o iOs 12, enquanto dificilmente o Galaxy S9 receberá mais do que o Android 10 (foi lançado no 8). Tudo bem, a Samsung customiza seu Android, então as atualizações seriam menos importantes, mas a questão é que ela não atualiza a sua custom rom também.

    Se colocarmos o fator preço na balança, se acha S9 na faixa de 3.000, enquanto o iPhone 8 aparece por 2.700.

    O que quero dizer é que a Samsung tem um bom aparelho, que tem desempenho e ferramentas satisfatórias para a grande maioria do público, mas que o mercado (Apple) oferece uma solução melhor. E a partir do momento em que a coreana pratica os mesmos preços ou até mesmo acima da americana, fica difícil escolher pelo S9. Mas a briga é boa.

    1. Não é difícil escolher o S9 quando o iPhone 8 não tem absolutamente nada de superior, o 8 Plus custa mais e o iPhone X custa quase o dobro.
      E já vi o S9 por 2700, a faixa de 3k é comum do S9+.

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