Estilo de vida

Como a pesquisadora Débora Machado trabalha

Foto no espelho de Débora Machado.
Nota do editor: Nesta seção, a cada 15 dias entrevisto profissionais de diferentes áreas a respeito de produtividade e da relação deles com a tecnologia. Veja os anteriores e cadastre-se gratuitamente na newsletter para ser avisado dos próximos.


  • Nome: Débora Machado, ou Debas.
  • Cidade onde mora: São Paulo (SP).
  • Emprego atual: Pesquisadora independente e no LabLivre da UFABC, além de realizadora de jobs para pagar as contas que a pesquisa no Brasil não paga.
  • Computador: MacBook Pro.
  • Celular: iPhone 8.
  • Gadget favorito: No momento, o Kindle. Um cofre que trancasse todos os meus gadgets quando eu preciso focar em um trabalho seria uma ótima ideia.

Como você chegou onde está?

Desde a faculdade trabalho com comunicação. Meu primeiro estágio foi na Editora Abril e com os anos comecei a migrar para as mídias sociais, trabalhando como redatora. Foi quando iniciei uma especialização em jornalismo que comecei a me apaixonar pela pesquisa, e também foi quando comecei a pesquisar as consequências sociais do uso de processos algorítmicos, mais especificamente em plataformas de mídias sociais. De lá, migrei para o mestrado e passei a me envolver mais com pesquisa.

Como é um dia típico de trabalho seu?

Como eu trabalho principalmente com projetos, não tenho uma rotina fixa. Vou para a universidade quando tenho reuniões dos grupos e laboratórios de pesquisa, mas normalmente trabalho em casa. Acordo, tomo café, checo meus e-mails, pego meus livros, abro o Firefox, o LibreOffice e tento lembrar de me levantar de tempos em tempos para beber água, comer e dar uma alongada. Sem grandes emoções.

Alguma história curiosa ou engraçada que já aconteceu enquanto trabalhava?

Eu trabalho grande parte do tempo em casa. Tive uma semana bem tragicômica em que precisava entregar trabalho e terminar um artigo e uma obra com um martelete insuportável começou no apartamento de cima. Passei uns quatro dias trabalhando dentro do carro, na garagem do prédio.

Mesa com notebook e um gato em primeiro plano; ao fundo, uma sala de estar com uma grande janela ensolarada.
A área de trabalho da Débora. Foto: Arquivo pessoal.

Você dá muita atenção à produtividade? Se sim, de que maneiras práticas isso se traduz em sua rotina?

Eu acho que o trabalho com pesquisa e todas as suas métricas já exige uma produtividade pouco saudável de nós pesquisadores. Outro problema do controle exacerbado da produtividade é o seu fator comparativo: comparar a sua produtividade com a dos outros, com o que você produziu ontem, ou semana passada. Até agora, o que mais ajudou a organizar as minhas tarefas (principalmente relacionadas a um projeto específico) sem me deixar muito ansiosa com resultados foi o bom e velho post-it colado perto da minha área de trabalho. Essa técnica funciona muito bem quando eu já tenho um texto estruturado, por exemplo, e só organizo os tópicos que vou pesquisar ou escrever em cada dia da semana e consigo ter uma visão clara do que eu já fiz e do que precisa ser feito.

Qual o seu lifehack (atalho/dica/facilitador) favorito?

Meu maior lifehack para produzir e não cair no poço da procrastinação é entender o seu momento e, se possível, não me forçar a continuar uma atividade que não está sendo produtiva. Claro que isso não funciona na noite anterior à entrega de um trabalho, mas funciona muito bem em um prazo mais expandido. Explico: a escrita travou? Em vez de chorar olhando para a tela em branco, vá ler. Não está conseguindo prender a atenção no livro? Vá fazer uma pesquisa mais ativa, aumentar a bibliografia ou editar um texto. Nada disso funciona? Vá caminhar ou tomar um café. Você não precisa ser produtivo 24h por dia.

Você consegue se desconectar de vez em quando?

Adoraria falar que sim, mas tenho uma dificuldade muito grande. Já passei um tempo me esforçando para não desbloquear o celular assim que eu acordo e senti que isso deixou o meu começo de dia muito mais tranquilo, mas não durou um mês. No momento sou aquele cliché de pessoa que checa o e-mail e todas as redes sociais logo que acorda e antes de dormir. O máximo que fiz foi tirar as notificações dos apps do meu celular e não fazer a menor questão de responder mensagens imediatamente.

Quais aplicativos não saem da tela inicial do seu celular?

Bloco de notas, Spotify, Firefox, Twitter, Telegram, WhatsApp e, infelizmente, Instagram.

Você tem algum projeto paralelo? Se sim, fale um pouco sobre ele.

Tenho uma loja de produtos feitos por e para mulheres, que abro aos finais de semana em um bar em São Paulo, o Das.

O que você está lendo no momento?

Acabei de voltar de uma viagem de férias e prometi para mim mesma que não leria nada relacionado ao meu trabalho. O último livro que li nada tem a ver com tecnologia, e sim com amor. Chama Ética do amor livre, de Janet W. Hardy e Dossie Easton, e fala sobre diversos modelos de relacionamento e formas de amar.

Pratica atividade física (qual?) e/ou tem algum cuidado especial com a saúde?

Pratiquei yoga por muito tempo e senti uma diferença muito grande na minha saúde. Os horários da minha agenda ficaram cada vez mais bagunçados e tive que parar, hoje sou apenas investidora na academia do meu bairro — onde comprei um plano anual, mas não piso há dois meses; um clássico.

Que conselhos você daria a alguém interessado em seguir carreira na tua área?

Lute pelas universidades públicas e pelo incentivo público à pesquisa no Brasil. Peça ajuda, fale com outros pesquisadores, mestrandos, doutorandos, professores, seja cara de pau. Não tenha medo de falar sobre o seu trabalho. Ah, tentar encontrar diferentes fontes de renda (que sejam flexíveis a ponto de você poder também se dedicar à pesquisa) é importante para você não desistir logo no começo.

Débora Machado é pesquisadora. Encontre-a no Twitter e no ResearchGate.

Foto do topo: Arquivo pessoal.

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6 comentários

  1. esse negócio de acordar e mexer no celular gasta um tempão, eu consegui me livrar desse vício, só mexo no celular quando entro no ônibus para o trabalho.

  2. Por curiosidade, qual a motivação para usar LibreOffice? Escolha pessoal ou exigência do trabalho. Uso e sempre recomendei. Ótima escolha.

    1. Da minha parte, na época da minha dissertação, foi por escolha pessoal. O layout mais antigão (parecido com o Word 2003), me parecia mais completo e com a sensação de controle sobre formatação, macros e coisas assim. Gostava da questão software livre também. Infelizmente tive que me render ao Windows quando comecei a dar aula em uma faculdade, que trabalha em cima do Office 365. Aí não valia mais os perrengues s de compatibilidade dos arquivos.

  3. Legal! Em relação ao cofre que ela citou no começo da entrevista, ela deveria dar uma olhada no Ksafe. É bem caro (ainda mais com o frete), mas vai ver compensa.

    1. Eu acho que ela tinha feito uma piada sobre um cofre para nos afastar do celular. E não é que existe de verdade? Chocado!

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