Incompreensível que o Bluesky, que se apresenta como plataforma descentralizada, tenha sofrido com instabilidades e indisponibilidade nesta quinta (14) diante do dia de maior tráfego da sua história, graças a uma nova leva de refugiados do X. / theverge.com, @dholms.xyz/Bluesky (ambos em inglês)

Se fosse no Mastodon/ActivityPub, isso não teria acontecido.

O jornal britânico The Guardian e o espanhol La Vanguardia anunciaram, nesta semana, que deixarão de interagir no X, a rede social do bilionário, troll e futuro secretário de “eficiência governamental” (rs) dos EUA, Elon Musk. theguardian.com (em inglês), lavanguardia.com (em espanhol)

Os motivos, você deve imaginar, giram em torno dos níveis elevados de teorias da conspiração, desinformação e conteúdo perturbador na plataforma, parte do chorume disseminada pelo próprio Musk.

Este Manual abandonou o então Twitter em dezembro de 2022.

Passo por uma fase menos ~ativista, priorizando a sanidade mental no lugar de comprar qualquer briga. Sinal mais forte disso foi a mudança recente do grupo de assinantes do Manual do Signal para o WhatsApp, plataforma de outro sociopata do Vale do Silício.

(Relato do front: o pessoal está curtindo o Zap. O lance de comunidades é confuso, mas funciona. As conversas estão frenéticas.)

O que me leva à reflexão do permanecer fora do X. Para além do meu desprezo por Musk, não é como se estivesse perdendo alguma coisa ao ignorar o X. Deixar aquela plataforma, hoje, é uma decisão muito mais pragmática que ideológica.

Quando a plataforma voltou ao ar no Brasil, após um mês suspensa por determinação do STF, loguei no meu perfil pessoal para… sentir o clima. Pareceu-me terra arrasada: virais apelativos, anúncios de golpes dos mais variados tipos a cada dois posts, maluquices para todos os gostos.

Ignorar é a melhor arma de que dispomos na guerra por atenção. Dito isso, vale o registro de que até mesmo jornalistas, os últimos crackudos de Twitter, estão abandonando o barco. Já não era sem tempo.

E fica a pergunta: qual será o primeiro grande jornal brasileiro que fará tal movimento?

O egoísmo na inteligência artificial

Neste comercial da Apple Intelligence1, a inteligência artificial generativa da Apple, vemos um pai recebendo presentes mambembes das duas filhas, e a mãe, na cozinha, alarmada por ter esquecido do aniversário e/ou do presente do marido.

A mãe pega o seu iPhone com Apple Intelligence e pede à IA para gerar um vídeo de memórias do pai com as filhas. Por fim, deixa celular com os três no sofá, hipnotizados e/ou emocionados com a obra artificial, enquanto ela caminha triunfante de volta ao que quer que estivesse fazendo, nos encarando como se fôssemos cúmplices da trapaça.

A Apple — que não é de hoje vem perdendo a mão com comerciais — apresenta a IA como um passe-livre de toda e qualquer demanda externa, incluindo as afetivas. Uma tecnologia tão poderosa que é capaz de distrair pessoas queridas com um conteúdo pasteurizado que você nem se dá ao trabalho de revisar.

Não é à toa que a IA generativa fascina tanto executivos e funcionários de grandes empresas, público que lida com toneladas de textos ruins, do tipo que ninguém lê porque quer — isso, quando lê.

O chamariz da Apple Intelligence extrapola essa dinâmica amalucada para os afetos mais profundos — no caso, o seio de uma família. Os presentes toscos das filhas, mas feitos de coração, passam a ser apenas toscos. A intenção não importa. O cliente ideal da Apple não tem coração.

(mais…)

Comentário do Filipe Saraiva ao meu pensamento alto sobre o modelo de desenvolvimento do KDE Plasma:

Respondendo ao teu post utilizando meu chapéu de dev/ex-dev do KDE.

Acho que a diferença do KDE Plasma para outros projetos e essa sensação de “reforma eterna” é porque:

  1. O KDE é transparente mesmo;
  2. O KDE escuta e atende a sua base de usuários; e
  3. O Nate é um cara que quer mostrar o tanto de serviço que é feito e dar crédito pra todo mundo.

Quando fazemos um software, no geral ele atende a uma demanda nossa bem básica. Após a disponibilização vão chegando relatos de bugs, inconsistências, pedidos de novas funcionalidades… essa dinâmica no mundo do software livre é frenética em projetos com muitos usuários e desenvolvedores, portanto as vezes aquela coisinha minúscula que ninguém dá atenção alguém foi lá e corrigiu/modificou/adicionou, e isso gera conteúdo.

Outro ponto da “reforma eterna” é que o Plasma 6 é recente (fev/2024), então ele ainda está em uma fase de muitas mudanças, com muitos ports de coisas do KDE 5/Qt 5 para o Qt 6. Soma-se a isso o atual estado do desktop Linux que está desenvolvendo e implementando toda uma pilha nova de protocolos de vídeo (wayland), áudio (Pipewire), integração com o kernel (systemd) e outros, então sempre tem muito o que mover.

Resumindo, essa sensação é apenas o acompanhamento de um projeto grande, sadio, e que está em contínuo desenvolvimento. É a dinâmica de uma comunidade Linux funcionando em pleno vapor e carga máxima! :)

O Emojam é uma espécie de “pager moderno”, baseado em emojis…

O Emojam é uma espécie de “pager moderno”, baseado em emojis, fabricado pela Sega. Não entendi o vídeo (pois, em japonês), mas no site Creative Bloc, uma repórter emocionada diz que são +1,1 mil emojis, até 10 emojis por mensagens e que só dá para “adicionar” alguém conectando dois dispositivos fisicamente. O Emojam será lançado em 10/12, por ¥ 7.150 (~R$ 270). / youtube.com/@SegatoysChannel (em japonês), creativebloq.com (em inglês)

Eu amo que o primeiro assunto do novo grupo de assinantes no WhatsApp foi a exposição do número de telefone dos participantes. (Ou: como saber que você está entre leitores do Manual do Usuário sem que eles se identifiquem como leitores do Manual do Usuário.)

O KDE Plasma foi promovido de “spin” para “edition” no Fedora

O KDE Plasma foi promovido de “spin” para “edition” no Fedora. / pagure.io (em inglês)

Isso significa que o lançamento do Fedora 42 Workstation será dependente do KDE Plasma, da mesma forma que era, até então, do Gnome. Os dois ambientes gráficos passam a ter o mesmo status dentro do Fedora.

Existe uma proposta para inverter os papéis e rebaixar o Gnome a uma spin do Fedora. Ainda é só uma proposta. Muita calma nessa hora. / fedoraproject.org (em inglês)

O KDE Plasma está com muito prestígio desde a liberação da sexta versão, em fevereiro. (Ou talvez seja só uma impressão pessoal, reforçada pela semana que passei no Linux com KDE Plasma 5, em janeiro.)

Embora tenha saído daquela experiência satisfeito, ela não transcorreu sem alguns percalços. Até mesmo no breve teste do Plasma 6 topei com inconsistências e falhas. A maioria ignorável, mas em uma quantidade que não esperava em um projeto tão maduro.

Os posts semanais de correções e melhorias do Nate Graham são fascinantes e, ao mesmo tempo, me intrigam. É tanta coisa sendo mexida que passa a impressão de que o KDE Plasma está em eterna reforma. / blogs.kde.org, pointieststick.com (ambos em inglês)

O macOS está longe de ser perfeito, mas tenho a sensação de ter menos pontas soltas. Outros ambientes gráficos do Linux, como Gnome e Xfce, parecem mais consistentes e/ou com ritmos de desenvolvimento menos acelerados.

“Sensação”, “parece”, “intrigam”. Fica a dúvida: todo grande projeto de software é assim, mas o KDE Plasma explicita mais em um (bem-vindo!) exercício de transparência, ou o KDE Plasma é um ponto fora da curva?

Apps novos e atualizados

AirBattery: Um ícone de bateria para a barra de menus mais parrudo que o nativo: além do nível da do notebook, o AirBattery mostra a de outros dispositivos conectados. / macOS / lihaoyun6.github.io

Card Buddy: Este aplicativo ajuda a organizar/estruturar uma história arrastando cartões. / iOS, macOS / ussherpress.com

Getmobi: Este aplicativo promete fazer seu celular “responder” a palmas e assobios a fim de ser encontrado. Não testei. / Android / getmobi.ai

LXQt 2.1: O ambiente gráfico leve para Linux baseado no Qt ganhou, enfim, suporte ao Wayland. (Ainda é parcial.) / Linux / lxqt-project.org (em inglês)

Material Notes: Bons editores de texto simples nunca são demais. / Android / github.com/maelchiotti

SplitPro: Uma alternativa gratuita e de código aberto ao SplitWise — app para dividir despesas. / Web / splitpro.app (em inglês)

YAM Launcher: Lançador minimalista que lembra muito o Olauncher, porém com a opção de exibir a previsão do tempo. / Android / codeberg.org/ottoptj

Os números do Nintendo Switch são surpreendentes: as vendas cumulativas das três variantes do video game somam 146 milhões de unidades em 7,5 anos, com 127 milhões de jogadores ativos. O Venture Beat reuniu esses e outros números divulgados pela empresa. / venturebeat.com (em inglês)

A propósito, a Nintendo confirmou que o sucessor do Switch será compatível com toda a biblioteca de jogos dele. / videogameschronicle.com (em inglês)

É verdade que o arsenal que sites dispõem para se defenderem da pilhagem da OpenAI, Google e outras empresas de inteligência artificial é bem fraco. Ainda assim, chama a atenção o fato de que 99% de ~4 mil veículos jornalísticos brasileiros não fazerem o mínimo — bloquearem o acesso via robots.txt. / nucleo.jor.br

De acordo com Artur Coimbra, diretor de saída da Anatel, a investida da agência contra o telemarketing abusivo resultou em 162 bilhões de chamadas evitadas até outubro. Ele mesmo fez a conta: dá 797 chamadas por brasileiro. / convergenciadigital.com.br

Ligue o som e encontre a vaca invisível escondida na página

Ligue o som e encontre a vaca invisível escondida na página. / findtheinvisiblecow.com

A Microsoft quer muito que você use (e pague) pelo Copilot Pro

A Microsoft com inteligência artificial parece aquele comediante com piadas ruins que, diante dos bocejos da plateia, apela cada vez mais. O que significa que, goste você ou não, os recursos de IA da empresa estão cada vez mais inescapáveis.

Em breve, o Bloco de Notas e o Paint ganharão poderes de IA para reescrever textos e apagar e acrescentar elementos às imagens, respectivamente. Entre o bobo e o inútil, mas… ok, vá lá, aqueles bilhões queimados em créditos do Azure para a OpenAI precisam dar um resultado que, até agora, continua só na promessa. / blogs.windows.com

A parte desesperada começa a transparecer em coisas como os “Temas do Copilot” para o Outlook, que é meio o que você imagina, por menos sentido que isso tenha. A cereja do pudim é que os “temas do Copilot” são um recurso pago, atrelado à licença do Copilot Pro. Por esse e outros recursos de IA, o pobre diabo que acredita nas promessas da Microsoft precisa desembolsar ~R$ 100/mês. / techcommunity.microsoft.com (em inglês), youtube.com/@microsoftdesign

Há indícios de que o Copilot Pro, lançado há noves meses, não seja o sucesso que a Microsoft esperava. A empresa enterrou em um blog chamado “Stories Asia” o comunicado de uma alteração importante no serviço para usuários domésticos do Microsoft 365. / news.microsoft.com (em inglês)

Em caráter de testes — válido apenas para Austrália, Malásia, Nova Zelândia, Singapura, Tailândia e Taiwan —, o Copilot Pro deixa de ser um acessório pago da assinatura do Microsoft 365 e passa a ser incorporado ao pacote. Obviamente, a mudança implica em um aumento na mensalidade de quem só quer ou precisa usar Excel e Word.

Mais interessante que o Copilot Pro diluído na (e encarecendo a) assinatura é o acréscimo, no mesmo teste, do Designer, a cópia do Canva que a Microsoft lançou no início do ano.

Concurso de papéis de parede do Xfce 4.20

O Xfce 4.20 deve ser lançado em dezembro e virá com novos papéis de parede feitos e escolhidos pela comunidade. O concurso está rolando no git do projeto. (Eu adoro a estética ~minimalista da arte do Xfce!) As inscrições vão até 15 de novembro e a votação se encerra no dia 29. / gitlab.xfce.org