Bloco de notas #3

Tweet: "Não sei se isto vai tweetar estou falando com minha geladeira mas que droga minha mãe confiscou todos os meus eletrônicos de novo".
A revolução será feita em geladeiras. Imagem: Twitter/Reprodução.

Uma menina avisou seus seguidores no Twitter que ficaria ausente da rede social porque sua mãe confiscara seu celular. Mandou a mensagem por um Nintendo 3DS. A mãe descobriu e confiscou o video game também. Dias depois, ela reapareceu na rede social tuitando de uma geladeira [Twitter, em inglês]. A história, descobriu-se após enorme repercussão, é lorota [BuzzFeed News, em inglês], mas uma lorota divertida e, convenhamos, absolutamente crível — não à toa, um monte de gente acreditou.

→ Isto me fez lembrar da geladeira inteligente que perdeu o acesso ao Google Agenda [Manual do Usuário]. Profético, escrevi na época (2015): “Ainda sentiremos saudade do tempo em que, você sabe, pais davam celulares a seus filhos na esperança de receberem em troca um pouquinho de atenção e amor. No futuro, geladeira inteligente será o mínimo”.

→ Nos Estados Unidos, alguns donos de fornos inteligentes da June relataram que eles ligaram sozinhos no meio da noite e pré-aqueceram a mais de 200º C [The Verge, em inglês]. Em caso de incêndio, dá para chamar os bombeiros pelo Twitter da geladeira?

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Nesta semana, tivemos três novos apoiadores da campanha de financiamento do blog: Antonio Holzmeister Oswaldo Cruz, Leandro Bauer Vieira e Giácomo Parolin. Obrigado!

Você pode ajudar a manter o blog no ar colaborando com a campanha no Catarse. A grana está curta e/ou tem outras prioridades? Compartilhe os posts do blog, encaminhe esta newsletter a quem você acha que gostaria de recebê-la, divulgue o Manual. Tudo isso ajuda muito!

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Depois de Google, Amazon e Apple, Facebook e Microsoft também foram pegas usando seres humanos para transcreverem áudios de usuários. A Microsoft pagava entre US$ 12 e 15 por hora para que temporários transcrevessem até 200 áudios por hora da Cortana [Vice, em inglês], sua inteligência artificial. Áudios traduzidos do Skype também podem ser ouvidos por pessoas. O Facebook usava o mesmo expediente e informou à Bloomberg [em inglês] que a transcrição era feita com usuários que optavam por terem suas mensagens transcritas. Após a revelação do caso, a rede social cessou o programa. Mesmo assim, aqui no Brasil a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), ligada ao Ministério da Justiça, abriu uma investigação do caso [Agência Brasil, em português].

Dada a proliferação da prática, pode-se dizer que o uso de seres humanos para assistirem o reconhecimento de voz de inteligências artificiais era um segredo difundido da indústria. Dá para fazer diferente [Slate, em inglês], mas custa mais caro e é mais difícil. Na dúvida, desligue os microfones.

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O que tivemos no blog esta semana:

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Policiais e viaturas da Polícia Militar de São Paulo dentro do jogo GTA V.
De relance, parece uma foto. Imagem: Reprodução.

Fascinante o trabalho destes jogadores que recriam no GTA V uniformes policiais, viaturas e até cidades brasileiras [Agora, em português].

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O YouTube informou [Twitter, em inglês] que implementará no Brasil, até o fim do ano, uma redução nas recomendações de vídeos que não infringem suas diretrizes de comunidade, mas que passam perto disso, e que desinformam de uma maneira potencialmente danosa. A política está em vigência em vídeos em inglês desde janeiro deste ano.

→ O anúncio foi uma resposta à reportagem do New York Times que demonstrou como o YouTube radicalizou o Brasil [em inglês], segundo maior mercado da plataforma de vídeos. Segundo pesquisadores, o algoritmo de recomendação deu voz a radicais de extrema-direita e elegeu muitos deles nas últimas eleições.

→ O fenômeno não é exclusivo do Brasil, lembra a reportagem. Recentemente, o Guilherme tratou do tema em um Tecnocracia [Manual do Usuário].

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Um grande e organizado repositório de canais brasileiros no YouTube sobre desenvolvimento [@carolcodes/Github, em português]. (In)felizmente, ainda há muita coisa interessante sendo publicada no YouTube.

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Semana ruim para criptomoedas no Brasil. O Bitcoin Banco, grupo que detém uma série de empresas que negociam bitcoin e é sediado em Curitiba (PR), é alvo de 200 processos de cobrança com valores que variam de R$ 10 mil a R$ 12 milhões [Folha, em português]. Alguns já foram executados e, ao determinar o bloqueio das contas da empresa, a Justiça encontrou pouco dinheiro lá — em uma delas, havia apenas R$ 424. Na quinta (15), Lauro Jardim informou [O Globo, em português] que Claudio Oliveira, fundador do Bitcoin Banco, comprou passagem para a Suíça. Ele tem cidadania no país europeu e os credores temem que a passagem seja só de ida.

→ A Atlas Quantum, fintech paulista que oferece um serviço de arbitragem automática de criptomoedas via algoritmo, foi impedida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) de fazer publicidade do produto [CVM, em português] sob pena de multa diária de R$ 100 mil em caso de descumprimento. O puxão de orelha provavelmente se deveu à veiculação em TV aberta de um comercial do serviço. A Atlas Quantum informou que suspendeu a campanha e que, fora isso, nada muda no serviço prestado [Facebook, em português].

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Em outubro de 2018, a operadora Vivo iniciou um programa de biometria em lojas. Na última quarta (14), a empresa informou que já tem 5 milhões de vozes de clientes gravadas [Mobile Time, em português] e espera chegar ao fim do ano com 10 milhões de rostos capturados. A justificativa para a coleta desses dados sensíveis é diminuir o número de fraudes nas lojas.

→ Sempre bom lembrar que a Vivo responde judicialmente [Uol, em português] pelo uso indevido de dados dos clientes para publicidade segmentada.

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Ainda sobre o prejuízo recorde da Uber (US$ 5,2 bilhões no último trimestre), a empresa aposta que a expansão para a entrega de compras de supermercado ajudará a reverter o quadro negativo, diz o Financial Times [em inglês]. Dali, uma curiosidade: entre as muitas empresas que têm apostado na entrega direta de produtos ao consumidor, há redes de cinema da Austrália e do Canadá entregando pipoca recém-estourada via UberEATS (!?) a clientes que preferem assistir aos filmes em casa.

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Um estudo da Jumpshot, braço de inteligência digital da Avast, constatou que em junho, pela primeira vez na história, a maioria das pesquisas feitas no Google não resultou em cliques nos sites exibidos nas páginas de resultados — considerando consultas feitas nos Estados Unidos. As chamadas consultas “zero-click”, em que o usuário obtém a informação direto da página do Google, contabilizaram 50,33% do total [Jumpshot, em inglês].

Gráfico de pesquisas feitas no Google em junho de 2019.
Gráfico: Jumpshot/Divulgação.

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A última versão do Telegram veio com alguns recursos curiosos para conversas [Telegram, em inglês]:

  1. Ao segurar o botão de enviar mensagem, surge a opção de enviá-la sem som. O destinatário receberá a mensagem e verá a notificação, mas ela não fará barulho. Também funciona em grupos.
  2. “Modo Lento” para grupos. Ao ser ativado, cada membro só poderá mandar uma mensagem no intervalo estabelecido pelo administrador — de 30 segundos a 1 hora.

→ Na quarta (14), o Telegram completou seis anos. Para celebrar a data, o serviço publicou uma linha do tempo [Telegram, em inglês] com todas os pontos altos da sua história desde 2013, quando a primeira versão do app apareceu na App Store do iOS.

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Nos anos 1990, a 3D Realms lançou alguns jogos de tiro memoráveis que usavam o motor gráfico Build. Você talvez se lembre de alguns — Duke Nukem 3D, Blood ou Redneck Rampage, para ficar nos mais famosos. Corta para 2019 e, 20 anos (!) após o último jogo feito com o Build ser lançado comercialmente, um novo chegou ao mercado, o Ion Fury. Quem já jogou, curtiu muito [LGR/YouTube, em inglês]. Ninguém precisa de gráficos fotorrealistas e super pesados para ter um jogo divertido, afinal.

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5 comentários

  1. Essa história dos mods do GTA me lembrou esta da Vice Magazine sobre o “Bomba Patch” e a popularização deste tipo de mod. https://www.vice.com/pt_br/article/qvngj5/bomba-patch-historia-futebol-videogame

    A comunidade de mods no BR é interessante pois demonstra o que a falta de jogos voltados a cultura BR acaba fazendo a ponto da galera ativar a criatividade e fazer por conta própria as modificações que elas sentem que se adequam a cultura BR.

    Além da GTA e Bomba Patch, uma outra que seria interessante ver seria as dos “Mods de Ônibus” – seria algo que poderia virar uma matéria na mesma linha do “Flogão e os fãs de Caminhão”, dado que são culturas parecidas. Uma pessoa que criava mods, hoje ela está criando seu próprio jogo “do zero” e o projeto é baseado em doações. Não sei se conhece o Marcos Elias Picão e o “Proton Bus Simulator” :)

    1. Achei muito curioso o fato de a palavra “desenvolvimento” denotar automaticamente “criação de software”. ;-)

      1. Tradução errada (mais uma das muitas) sobre o termo developer/coder/programmer.

        O developer até o meio dos anos 2000 era o “analista” brasileiro. O programmer era o “engenheiro” e o programador (desenvolvedor) era o coder.

        Preciosismos como o “aplicar” no sentido de se candidatar à uma vaga, mas, que exemplificam como a língua é mutável e obedece às regras impostas pelas classes dominantes (ou, falantes de variáveis mais aceitas). Via de regras as transformações aceitas são sempre as de falantes brancos/ricos para cima de falantes pobres/pretos; percebe-se isso no fato de que os dialetos de periferias são sempre estigmatizados em relação aos dialetos de zonas/pessoas ricas.

        A língua é um reflexo do nosso colonialismo e da nossa sociedade.

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