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Bloco de notas #24

Foto de Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon.

Notinhas, impressões pessoais e curiosidades do mundo da tecnologia.


Os bilhões de Bezos para “salvar” a Terra

É quase um experimento antropológico observar as reações à promessa de Jeff Bezos, feita em um post no Instagram sem qualquer detalhamento, de doar US$ 10 bilhões da sua fortuna particular para ações de combate ao aquecimento global [BBC Brasil] em um fundo batizado “Bezos Earth Fund”. (Parece plano maligno de vilão de desenho animado.) O tanto de gente aplaudindo a boa ação enquanto ignora o absurdo normalizado de uma (uma só!) pessoa se apropriar de quase US$ 140 bilhões é desanimador.

→ US$ 10 bilhões é bastante coisa? Sim. Equivale a 8% da riqueza de Bezos, uma porcentagem alta em muitas situações. Não nesta. Se Bezos abrisse mão de 99% da sua riqueza, ele ainda seria bilionário e jamais teria que trabalhar na vida — e provavelmente nem seus filhos e os filhos dos seus filhos. É esse o tamanho do absurdo.

Livros recomendados pelo Manual do Usuárioo

→ Coincidência ou não, o anúncio foi feito às vésperas da publicação de um documentário da PBS sobre a história da Amazon. Ele foi disponibilizado, na íntegra, no YouTube [em inglês, com legendas em inglês]

→ Daria para apontar muitas contradições e podres da Amazon nesse setor, mas é suficiente dizer que ao mesmo tempo em que faz esse movimento, Bezos comanda a maior empresa (em valor de mercado) de varejo do mundo, uma meca do tipo de consumo que, em última instância, é o combustível da fornalha que está aquecendo o planeta.


Pagamentos instantâneos no Brasil

O Banco Central lançou o Pix, novo sistema de pagamentos instantâneos do Brasil. Ele deverá ser adotado, obrigatoriamente, por instituições bancárias e de pagamentos com mais de 500 mil clientes ativos. A promessa é de que as transações levem, em média, dois segundos, e ao contrário do TED e DOC usados hoje pelos bancos, não haverá restrições de horário para o funcionamento. O Pix entra em operação em novembro [O Globo].


O entregador cadeirante

Luciano Oliveira, 44 anos, leva 8h para fazer 4–5 entregas por dia em apps de delivery e fatura, em média, R$ 400 por mês. Detalhe: ele é cadeirante[BBC Brasil]. É impossível destacar qualquer aspecto positivo nessa situação; ainda assim, a certa altura um senhor sem alma diz, enquanto a reportagem conversa com Luciano: “Preciso te parabenizar pela coragem. Não está por aí se vitimizando”.

→ Em nota relacionada, bem importante o relato de Dan Santana sobre sua vida dirigindo um Uber [Twitter]. Ofensas gratuitas, ameaças, falta de apoio…


Uma boa análise de celular

Análises, ou reviews de celulares são meio chatos, mas este da Vice vale a leitura: Emanuel Maiberg dá seu veredito do iPhone 6S Plus [em inglês]após 1.434 dias, ou quase quatro anos de uso:

A versão curta é que este é um bom celular e em um mundo melhor ele poderia ter sido o último celular que você comprou na vida, mas o mundo não é tão bom quanto gostaríamos que ele fosse.


Janelas artificiais

A Mitsubishi desenvolveu janelas artificiais para escritórios que simulam a iluminação solar [Gizmodo Brasil]. Até o movimento do Sol ao longo do dia é replicado na tela, que, com o jogo de sombras que a imagem faz, passa a impressão de ter profundidade de 12,7 cm. Como se a notícia em si já não fosse deprimente o bastante, a matéria elenca outras iniciativas similares lançadas no passado recente.


Cadê os ETs?

Minha atual teoria favorita do porquê não termos evidências de vida alienígena é que eventualmente toda civilização suficientemente avançada inventa a internet e ela transforma sua comunicação de massa em um sistema que sequestra seus vieses cognitivos mais rápido do que ela é capaz de se adaptar.

— Christopher Mims, no Twitter.


Google e Facebook na pindaíba

Adam Mosseri, CEO do Instagram, justificou a inexistência de um aplicativo da rede social de fotos para iPad com “falta de recursos” [MacMagazine]. Sim, o Facebook, empresa que lucrou US$ 18,4 bilhões em 2019.

O Google encerrou o programa Station [TechCrunc, em inglês], que disponibiliza Wi-Fi gratuito em locais públicos. Caesar Sengupta, vice-presidente de pagamentos e próximo bilhão de usuários do Google, justificou a notícia dizendo que os preços da internet móvel (3G/4G) caíram bastante e que, além disso, o Google não encontrou um modelo de negócio sustentável para escalar o programa. O lucro da Alphabet em 2019, holding do Google, foi de US$ 34,3 bilhões.


Faculdade de youtuber

Se o seu sonho sempre foi ser um youtuber diplomado, boa notícia: a Unip, de Campinas (SP), abriu vagas para o primeiro curso de graduação para youtuber registrado no Ministério da Educação (MEC) [G1]. O diploma de tecnólogo é garantido. Já o sucesso no YouTube…


80% dos anúncios que a Uber comprava eram fraudados

Em 2017, no auge da campanha #deleteuber, a Uber passou um pente fino nos seus investimentos em anúncios programáticos e descobriu uma infinidade de fraudes. A empresa cortou US$ 120 milhões do orçamento de US$ 150 milhões que destinava a isso, sem qualquer alteração no volume de novos cadastros — a única diferença foi que cadastros antes contabilizados como “pagos” passaram a ser “orgânicos”.

→ A história foi contada por Kevin Frisch, então head de desempenho de marketing e CRM da Uber, em um podcast [AList, em inglês]. O tal pente fino começou graças ao trabalho do Sleeping Giants, que cobrava diretamente de Travis Kalanick, à época CEO da Uber, a veiculação de anúncios da empresa no Breitbart, publicação norte-americana de extrema-direita. O marketing da Uber deixou de investir nos sistemas que o Breitbart usava e notou que não houve alterações no volume de cadastros. Depois disso, fizeram a operação pente fino em todas as demais plataformas — entre os casos mais absurdos, apps com 1 mil usuários ativos chegavam a gerar 20 mil cadastros.

→ Em 2019, entrevistei o criador do Sleeping Giants. A conversa, publicada aqui na íntegra, é uma ótima maneira de entender uma das facetas mais terríveis da publicidade programática.


Ser o primeiro não importa muito

Uma das tecnologias determinantes do sucesso estrondoso do iPhone original foi a tecnologia de toques na tela, do tipo capacitiva. Até então, a maioria dos aparelhos tinha telas resistivas, que respondem à força aplicada. O LG Prada, da fabricante sul-coreana, foi um dos poucos modelos que anteciparam a Apple nesse aspecto. Por que hoje a LG não é líder do setor e, em vez disso, só tem prejuízo com celulares? Por causa do software. O Android Authority revisitou o Prada mais de uma década depois do seu lançamento [em inglês]:

Era uma oportunidade para a empresa definir as bases de um sistema operacional criado com o toque humano como prioridade. Em vez disso, o que a LG fez? Basicamente, transferiu o sistema operacional de um feature phone [celular simples, com teclado físico] e é isso aí.

Como um exemplo do que quero dizer, o LG Prada não tinha um teclado no software. Se você quisesse escrever uma mensagem de texto, era apresentado a um teclado numérico na tela e tinha que usar o método T9. Para aqueles muito jovens para saber o que é isso, é quando você aperta um número algumas vezes para escolher uma letra e então faz isso com a próxima letra e assim por diante.


Um app: Peek-a-View

O Peek-a-View [em inglês] é um app que, na real, deveria ser uma função nativa dos apps de galeria de fotos. Ele exibe fotos em um “modo somente leitura”, ou seja, que não permite que as imagens sejam apagadas ou excluídas, e pode limitar a visualização às fotos de determinado álbum. Ótimo para dar o celular ou tablet para crianças verem fotos ou para clientes sem o risco de que ele veja fotos suas… digamos… particulares. O app está disponível para iOS [App Store], é gratuito, mas para exibir mais do que as últimas 20 fotos tiradas pede um pagamento único de R$ 18,90.

Atualizações de apps:

  • A Microsoft liberou para todos o aplicativo unificado do Office (Android, iOS). As versões independentes continuarão sendo oferecidas.
  • O Facebook liberou para todos sua ferramenta de exportação de fotos e vídeos [Facebook]. Por ora, ela só transfere esses arquivos para o Google Fotos, o que é meio como trocar seis por meia dúzia, mas pelo menos é uma opção.

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Foto do topo: Nubank/Divulgação.

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3 comentários

  1. Só uma observação: se não me engano o T9 é justamente o método onde você *não* precisava tocar várias vezes nas teclas… Ele usava tecnologia de predição pra “chutar” qual palavra você queria digitar apertando nas teclas uma vez só.

    Era tipo um Swype, sem a parte de deslizar, mas apertando as teclas com as letras correspondentes.

    https://pt.wikipedia.org/wiki/T9_(texto_previs%C3%ADvel)

  2. Também mantenho meu 6s (simples, não o “Plus”) até hoje — mas já tive de trocar a tela duas vezes em função de quedas

    E também imagino ter de comprar um novo no ano que vem já que provavelmente a nova versão do iOS não será compatível com esse modelo.

    1. Acho que o iOS 14 deve ser o último pra ele, já que os rumores dizem que será mais focado em estabilidade – como o 9 e o 12 foram. Inclusive, foi por conta do 11 ter sido tão ruim que o 5s recebeu cinco anos de atualização.

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