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Bloco de notas 20#8: Onde encontrar informações confiáveis do coronavírus/COVID-19

Notinhas, impressões pessoais e curiosidades do mundo da tecnologia.


Acompanho com apreensão os desdobramentos da crise do novo coronavírus no Brasil. Há indícios de sobra de que esse evento terá implicações profundas em nossas vidas. É a crise que definirá nossa geração [El País].

Em situações como essa, todo o resto parece perder importância. Não é diferente comigo ou com o Manual do Usuário. Há duas semanas tenho incluído nesta newsletter notícias, orientações e alertas relacionadas à crise. Na de hoje, dado o agravamento da crise no cenário brasileiro, aumentei a atenção ao tema. Casos excepcionais pedem medidas excepcionais. É o de agora.

Um aspecto importantíssimo durante a crise — cujo período crítico, segundo o ministro da Saúde, deverá durar de quatro a cinco meses[Valor] — é preservar a sanidade. Distrair-se um pouco, a fim de evitar o consumo ininterrupto de notícias sobre a pandemia, ajuda. Esta newsletter também traz algumas sugestões nesse sentido.


Informação confiável: onde encontrar

Informação é essencial neste momento. Se antigamente o problema era a falta dela, hoje é o excesso que se apresenta como obstáculo. Em grupos de WhatsApp, principalmente, a profusão de áudios, vídeos e mensagens alarmistas e/ou sem fonte é enorme. Por isso, é bom ter uma lista de fontes e referências confiáveis a recorrer quando as dúvidas surgirem. (Elas não são à prova de falhas, mas têm histórico e um compromisso maior que mensagens sem autoria em apps de mensagens e redes sociais.) Abaixo, uma lista não exaustiva:

  • O app do SUS específico do coronavírus (Android, iOS). Ele traz informações básicas da doença, notícias atualizadas do Ministério da Saúde, um teste simples de auto-diagnóstico e mapa das unidades básicas.
  • O telefone 136, do Ministério da Saúde, é uma alternativa para sanar dúvidas. Algumas prefeituras também estão abrindo canais de atendimento à população, por voz e mensagens de texto — Curitiba (PR), por exemplo [Bem Paraná]. Verifique se sua cidade oferece algo do tipo.
  • A maioria dos jornais abriu o conteúdo relacionado ao coronavírus para não assinantes. Folha e O Globo, por exemplo. O método jornalístico é imprescindível em tempos de crise. Informe-se por jornais.
  • O Aos Fatos, publicação de checagem de notícias, está recebendo e verificando correntes de WhatsApp. Recebeu uma que não consta ali? Encaminhe-a a eles.
  • A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou dicas para controlar o estresse durante o auto-isolamento [PDF, em inglês]. A BBC traduziu e destacou as principais. No Twitter, o perfil @estressetalks1, que divulga o trabalho dos pesquisadores do Laboratório de Estudos de Estresse da UNICAMP (LABEEST), está publicando fios com mais orientações. Para quem está ou pretende ficar em isolamento, há boas dicas ali para não se estressar e, mais importante, ajudar os demais a manterem a calma.

O impacto no trabalho

A situação dos informais, principalmente aqueles que faturam hoje para comer amanhã, é a mais preocupante [Valor]. Nesta quarta (18), o Ministério da Economia anunciou uma ajuda de R$ 200 por mês [Valor] a trabalhadores informais não contemplados por programas sociais como Bolsa Família e BPC. Estima-se que de 15 a 20 milhões de pessoas serão beneficiadas. Antes, as maiores plataformas da chamada “economia dos bicos” — 99 [Exame], iFood [Estadão] e Uber [Veja] — anunciaram fundos para cobrir despesas de “parceiros” contaminados ou em isolamento por conta da COVID-19. É o mínimo.

→ É esperado um forte aumento na demanda pelos serviços dos apps de entrega [Reuters]. A Rappi, única que divulgou projeções, espera um crescimento de 30% durante a crise do coronavírus.

→ Outro setor que deve ter um forte impacto é o de internet [Folha]. As operadoras garantem a conectividade, mas para as classes D e E, nas quais 83% do acesso é móvel — e, portanto, com franquias —, deve faltar dinheiro para manter a conexão. Das grandes operadoras, apenas a Vivo anunciou aumento nas franquias por dois meses [TeleSíntese], mas sem especificar em quanto.

→ A plataforma de conteúdo Officeless publicou um guia para trabalhar à distância em situações de emergência.

→ Para quem vai encarar o trabalho remoto pela primeira vez, uma dica valiosa: instale o Workrave no computador. É um aplicativo que emite alertas intervalados para nos lembrar de levantar e sair um pouco do computador. A recomendação padrão é de 5 minutos de descanso para cada 50 minutos trabalhados. Quem usa macOS, tem no Aware uma alternativa mais sutil [Manual do Usuário].

→ Outra dica: use ferramentas específicas para o trabalho em vez de recorrer às pessoais. Em especial o WhatsApp. Em casa, é muito mais difícil separar as vidas profissional e pessoal, então qualquer ajuda para preservar essa separação é útil. Existem vários “WhatsApp corporativos” por aí — Slack, Microsoft Teams, Basecamp —, a maioria com planos gratuitos para equipes pequenas. Proponha na sua empresa, cobre dos gestores. No fim, é bom para todo mundo, até para as próprias empresas que não correm o risco de acabar em uma saia justa como a da Ambev [Exame]. A fabricante de bebidas assinou um TAC com o Ministério Público do Trabalho de São Paulo se comprometendo a não cobrar funcionários em grupos do WhatsApp fora do expediente, sob pena de multa de R$ 10 mil por cada descumprimento.

→ Uma tecnologia promissora está ausente nas inúmeras matérias e posts do LinkedIn sobre trabalho remoto: a realidade virtual. Uma boa hora para resgatar este clássico do Guardian [em inglês]. Explica muita coisa.


Leituras de fôlego recomendadas


Para relaxar

Alguns pequenos estúdios de games estão distribuindo seus títulos gratuitamente como parte de um esforço para tornar o auto-isolamento mais tolerável:

Android:

iOS:

macOS e Windows:


Chatbot Maia

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Microsoft lançaram a Maia (Minha Amiga Inteligência Artificial), chatbot que ajuda mulheres a identificarem se estão em um relacionamento abusivo. Ela está disponível no site do MPSP.

→ A importância de iniciativas desse tipo podem ser vista em números. Levantamento do Datafolha de fevereiro de 2019 e encomendado pela ONG Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) apontou que 22 milhões (37,1%) de brasileiras passaram por algum tipo de assédio nos últimos 12 meses [BBC]. No mesmo período, 1,6 milhão de mulheres foram espancadas ou sofreram tentativa de estrangulamento no Brasil.


Celulares Nokia no Brasil

Ainda não se sabe quando, mas o CEO da HMD Global, a empresa finlandesa que fabrica e vende celulares com a marca Nokia, confirmou que eles entrarão no mercado brasileiro “muito em breve” [Ztop]. Os celulares dessa nova encarnação da Nokia são aparelhos intermediários, com boas especificações, preço em conta e Android bem azeitado. Juntar uma boa execução com Android e a força da marca Nokia no imaginário popular pode dar resultados interessantes por aqui. A conferir.


O novo iPad Pro

O slogan do novo iPad Pro é “seu próximo computador não é um computador”. Há anos a Apple vem aproximando o tablet de notebooks e, com esta nova versão, deu mais um passo firme nesse sentido[MacMagazine]. As principais novidades são o conjunto de câmeras principais, que agora traz duas (uma grande angular) e um LiDAR para auxiliar aplicações em realidade aumentada e um chip mais poderoso, o A12Z Bionic. Mas a maior mesmo é opcional: uma capa teclado que apresenta um trackpad. O iPad Pro começa em R$ 8,5 mil (modelo de 11”). A capa opcional é bem salgada também: sai por R$ 2,5 mil (11”) e R$ 3 mil na de 12,9”.

→ O iPadOS 13.4, que chega dia 24 de março, trará suporte pleno ao trackpad e a mouse no sistema. Vale para modelos antigos do iPad também. Em vídeo, um executivo da Apple mostra o funcionamento e os recursos do mouse no iPadOS [The Verge, em inglês].

O MacBook Air também foi atualizado [MacMagazine]. Ele ganhou o novo teclado menos sujeito a falhas da Apple e dobrou as memórias — a versão base traz 256 GB. Os preços, no Brasil, também subiram: o modelo mais barato sai por R$ 10,3 mil.


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