A Microsoft está basicamente “cheia” do Windows 8.x. Independentemente do quão usável ou funcional ele é ou não, [o sistema] se transformou no Vista 2.0 da Microsoft — algo de que a empresa precisa se distanciar, em termos de percepção. Nesse estágio, a Microsoft segue a todo vapor em direção ao Threshold e dará seu melhor para diferenciar esse sistema do Windows 8.
Mary Jo Foley, que tem boas fontes e costuma acertar em seus palpites, diz ainda que o Windows 8 receberá mais uma atualização, provavelmente sem muito alarde, e que a primeira demonstração pública do Threshold, codinome do próximo Windows, deve sair ainda em 2014.
A coisa mais legal da Internet é que ela dá vazão a todo tipo de ideia, das mais simples às mais elaboradas, passando por outras ingênuas, megalomaníacas, simplesmente ruins… Há espaço para todas e, não raro, elas se espalham e chegam a outras pessoas com visões parecidas. Quando essa conexão rola e algo concreto sai dela, é hora de celebrar. Hoje é um desses dias.
Dois anos atrás publiquei, no meu blog pessoal, um extenso texto em que descrevi como seria o app de tomar notas ideal para o Windows. Foi um trabalho descompromissado, movido pela frustração de não saber programar e, consequentemente, não conseguir transformar aquela ideia em um app de verdade. Expliquei o app nos mínimos detalhes, do funcionamento às características, sem esquecer da aparência e aspectos circunstanciais, como sincronia com a nuvem e até o tipo de licença preferencial. Era assim que eu o imaginava:
Nos dias seguintes à publicação recebi alguns e-mails de programadores que leram aquele descritivo e se interessam pela ideia. Era a conexão surgindo. Uns até fizeram mock-ups ou começaram a trabalhar em cima dela, mas nenhum projeto foi para frente com uma exceção: o do Alison Robson. No dia 23 de janeiro de 2013 recebi este e-mail:
“Cara, há algum tempo li seu post ‘Como seria o aplicativo de notas ideal para Windows?’ e fiquei bem empolgado com a ideia. Na época eu estava sem tempo pra tocar esse projeto, então resolvi favoritar o seu post e me dedicar a ele assim que pudesse. Bom, essa semana arrumei tempo e coragem para dar início ao desenvolvimento do aplicativo. O resultado é que o aplicativo está quase pronto, inclusive a sincronização em tempo real com o Simplenote, precisando apenas de alguns ajustes.
Pra mim o único grande problema está em arrumar alguns beta testers a fim de ver como o app se comporta em outras máquinas/sistemas, por isso estou entrando em contato com você, talvez você pudesse me dar uma força recrutando gente para testar o SmplNote. De qualquer forma assim que estiver usável, te enviarei uma cópia pra você me falar o que achou!”
Era perfeito. Tinha alguns bugs e conflitos de interface, mas o grosso da coisa funcionava, e muito bem. O SmplNote, mais tarde rebatizado para Notation, se tornou nesse um ano e meio de testes, compilações e discussões, o melhor app para tomar notas no Windows.
Da ideia ao lançamento público
Alison.
O Alison é um analista de sistemas de 25 anos, pai do Dudu e da Dora, e extremamente dedicado. Tivemos um ótimo entrosamento nesse período de gestação do Notation, eu servindo de beta tester e palpiteiro, ele fazendo todo o trabalho de programar, corrigir bugs e otimizar o aplicativo. Nossos ideais andaram alinhados durante todo o projeto e isso facilitou bastante as coisas.
O Notation foi, segundo o Alison, todo feito em C#. Perguntei para ele qual o segredo da velocidade (ele abre instantaneamente e é muito econômico), e calhou que se trata apenas do bom, velho e subjugado esforço: “Para mantê-lo rodando sem consumir muitos recursos usei uma arquitetura bem simples e dei preferência a funcionalidades escritas a partir do zero ao invés de usar frameworks que visam facilitar o trabalho, mas que acabam cobrando o preço em desempenho”. Como começou aos 12 anos e munido de hardware limitado, com pouca memória e processadores lentos, ele aprendeu desde cedo a aproveitar ao máximo os recursos que tem à disposição.
Durante o desenvolvimento, o trabalho se dividia em blocos de três etapas: eu ou ele identificava um bug, alteração ou sugeria um novo recurso, o Alison programava e compilava uma build e, em seguida, avaliávamos o resultado na prática. O trabalho fluiu bem e mesmo quando tivemos algumas intempéries, como quando o Simplenote ficou maluco com as minhas +40 mil notas excluídas na lixeira, ou na ocasião em que o Alison migrou totalmente o back-end de sincronia com o Simplenote, conseguimos contornar as dificuldades.
Nesse meio tempo tivemos ajuda de outros beta testers: Jacque Lafloufa, Juan Lourenço, Felipe Ventura, Marcos Jhan e Vanderlei Ventura. A vocês, muito obrigado! Agradecimentos também ao Pedro Bojikian e ao Miguel Ferreira, ambos da Microsoft, por terem nos ajudado a livrar o Notation dos alertas de segurança da Microsoft — o app é limpinho e seguro, acredite!
Apresentando o Notation
Meu Notation.
É bom gastar umas linhas para explicar o Notation, há um ano e meio uma janela que aparece todo dia no meu notebook.
O Notation é um app para tomar notas que sincroniza com o Simplenote, um serviço da Automattic que funciona de back-end para outros vários e possui apps próprios muito bacanas para Android e iOS.
Ok, apps de notas existem aos montes, começando pelos enormes Evernote e OneNote. Por que alguém trocaria um desses pelo Notation? Existem vários fatores, mas o campeão se chama velocidade.
O Notation abre com o Windows (opcionalmente) e pode ser chamado em qualquer lugar, a qualquer momento, apertando as teclas WinKey + N. Ele consome pouquíssima memória, é extremamente rápido e confiável, e está em sincronia constante com o Simplenote, sempre mandando o que é digitado para a nuvem.
Uma das exigências das minhas diretrizes era que o app fosse totalmente controlável pelo teclado. O Notation consegue isso. Mesmo pontos delicados, como os dois tipos de busca, na nota em foco e em todas elas, foram resolvidos – nesse caso, Ctrl + F pesquisa na nota, Ctrl + Shift + F, em todas.
Ele aceita Markdown e exporta o texto em HTML. Dá para fazer backup rapidamente, e importa-lo de volta com a mesma facilidade. Com um toque na tecla Esc, ele é ocultado, mas continua ativo; para trazê-lo de volta, basta recorrer ao WinKey + N.
Experimente o Notation
Como trabalho com texto, talvez parte da minha empolgação pareça exagerada a quem não tem um perfil de uso similar. É meio difícil conter a animação, afinal é tipo um pequeno sonho realizado!
Além de usar o Notation para escrever rascunhos de posts, recorro a ele para criar listas (de mercado, de gastos, de filmes vistos etc), anotações de aulas na universidade, lembretes, listas de tarefas… para basicamente tudo que envolva reduzir ideias ou fatos a texto.
Por mais redondo que o Notation seja, e ele está, há planos de expansão. Perguntei ao Alison o que ele acha que dá para fazer futuramente e tive como resposta boas ideias: versionamento de notas e uma interface imersiva.
O Notation é gratuito, está em português do Brasil e inglês, funciona no Windows Vista SP1 e superiores, e pede no mínimo CPU de 1 GHz e 512 MB de RAM.
O Windows 8.1 Update avança mais um pouco para fechar o círculo que começou com o Windows 8, avançou com o Windows 8.1 e caminha, com a volta do menu Iniciar e apps modernos em janelas flutuantes, para seu fechamento em breve — em outras palavras, para voltar ao local de onde saiu. Já disponível gratuitamente via download a todos os usuários do Windows 8 e 8.1, instalei a atualização aqui e mexi um pouco nela para contar o que, afinal, mudou.
Não fique decepcionado, mas se você sempre ignorou os apps modernos, não mudou nada. Mais detalhes a seguir. (mais…)
Pouco mais de 12 anos depois de lançado, chega ao fim hoje, 8 de abril, o suporte ao Windows XP, sistema operacional da Microsoft que, segundo o StatCounter, está presente em mais de 18% de todos os computadores conectados à Internet. Por que demorou tanto para ele ser aposentado? Quais as saídas? Confira essas respostas.
O fim do suporte, que já foi adiado algumas vezes, significa o seguinte: daqui em diante, a Microsoft não oferecerá suporte de espécie alguma, nem disponibilizará atualizações de segurança para o Windows XP1. Na prática, quaisquer brechas ou falhas de segurança que forem encontradas serão exploradas sem que algo possa ser feito, dada a natureza fechada do sistema. Todas elas passam a ser potencialmente perigosas, potencialmente ataques do tipo dia zero.
Quem quiser continuar usando o sistema ou não puder migrar para uma versão mais recente não tem nada a temer num primeiro momento. Chegar ao fim do suporte não significa que o Windows XP magicamente deixará de funcionar; ele continuará rodando, só não terá mais atualizações. É um risco que se corre e que aumenta, gradualmente, com o passar do tempo.
O sucesso do Windows XP
Foto: Microsoft.
O Windows XP é largamente usado ainda hoje em muito pela sua versatilidade. Ele foi a primeira versão 32 bits do Windows destinada a usuários domésticos, o que na prática se traduz em um sistema mais robusto, menos suscetível a lentidões e à necessidade de reinicializações, coisas comuns até então, com os Windows 98 e Me. Antes, a arquitetura NT era reservada aos Windows para servidores.
O Windows XP também serviu de base para inúmeras variantes. Foi o primeiro da família a ganhar uma versão para processadores 64 bits, teve outra destinada a tablets, versões para sistemas embarcados (“embedded”), sem falar nas adaptações para mercados derivadas de determinações da justiça, como o Windows XP N e K para Europa e Coreia do Sul, respectivamente, que vinham sem o Windows Media Player.
Seu sucessor, o Windows Vista, foi mal recebido no início de 2006 devido à exigência de hardware muito avançado (e caro) para os padrões da época. Com a fama de “pesado”, o leve Windows XP continuou sendo vendido em paralelo e recebeu um gás extra alguns anos depois, devido a essa virtude, com a ascensão dos netbooks, notebooks menores com configurações bem tímidas. As vendas do Windows XP só cessaram em 22 de outubro de 2010, um ano após o lançamento do Windows 7.
Estima-se que 95% dos caixas automáticos de bancos rodem o Windows XP. Na China, novamente de acordo com o StatCounter, 49% dos computadores rodam o Windows XP. No Brasil, ele ainda está instalado em 14% dos computadores. Não é difícil, andando por aí, encontrar vestígios do antigo sistema.
Nesse intervalo de 12 anos já foram lançadas três grandes atualizações pós-XP. A fama de sistema “pesado” ganha com o Vista se dissipou com o Windows 7, mas as mudanças drásticas de paradigmas trazidas pelo Windows 8 gerou receios similares a quem se mantém fiel ao Windows XP.
Embora, teoricamente, o fim do suporte não traga problemas em um primeiro momento, a atualização para alguma versão mais recente é altamente recomendada. Os novos Windows são mais rápidos, mais seguros e têm a garantia de atualizações da Microsoft — o suporte estendido ao Windows 7, por exemplo, vai até janeiro de 2020
Coincidentemente (ou não), no mesmo dia em que do Windows XP chega ao fim a Microsoft lança o Windows 8.1 Update, segunda atualização do Windows 8 com novidades que miram em agradar os usuários de teclado e mouse, em vez daqueles munidos de telas sensíveis a toques.
A versão anterior do sistema, o Windows 8.1, está à venda na loja da Microsoft a partir de R$ 410 e garante a atualização gratuita para a 8.1 Update. Outra saída, indicada pela empresa na página de apoio aos viúvos do XP, é trocar de computador.
Existe uma exceção, um programa da Microsoft chamado Custom Support. Destinado a grandes clientes e (bem!) pago, empresas e organizações participantes desse programa receberão atualizações para o Windows XP nos próximos meses ou até anos. ↩
Todo ano a Microsoft, geralmente em San Francisco, organiza a Build, uma conferência para desenvolvedores que distribui brindes tentadores (desta vez, Xbox One e um vale-compras de US$ 500) e, mais importante, apresenta as novidades das próximas versões dos principais programas da casa.
Neste ano, as atenções foram divididas entre Windows Phone 8.1 e Windows 8.1 Update. O primeiro, o sistema para smartphones; o segundo, para tablets e PCs convencionais. Na sequência, os principais anúncios feitos na Build 2014.
Windows Phone 8.1: Cortana e melhorias há muito esperadas
Desde seu lançamento, em outubro de 2012, o Windows Phone 8 recebeu três atualizações tímidas — a última, Update 3 (ou Black, para os Lumias da Nokia), detalhada aqui. Embora todas essas três tenham trazido mudanças e novidades relevantes, o Windows Phone 8.1 oficializado ontem se distancia em muito das anteriores. É uma grande atualização, afinal.
O maior destaque, e o que ocupou mais tempo da (longa, mais de 3h) apresentação, foi a Cortana, assistente pessoal vinda diretamente da franquia de jogos Halo. Ela parece unir as melhores características da Siri (personalidade) com as do Google Now (eficiência, personalização e proatividade).
Durante as demonstrações das suas habilidades, tivemos alguns problemas — ela não conseguiu converter Celsius para Kelvin, por exemplo. Tudo bem, a Cortana é um produto em beta. Além de juntar o que a concorrência oferece de melhor, algumas sacadas, como o “bloco de notas” onde ela mantém registros de informações-chave para orientar seu trabalho de assistente, são muito boas.
Cortana. Imagens: Microsoft.
Outra coisa da Cortana que chamou a atenção positivamente foi a integração com apps de terceiros. No palco, foi possível adicionar programas de TV ou começar a assisti-los, via Hulu, apenas dando comandos à assistente. O Skype também já contará com essa integração logo de cara. Ela aceita tanto a voz quanto texto como entrada de dados, e responde de acordo — se você digita algo, ela presume que esteja em um lugar onde o áudio não é a melhor opção e, então, responde com texto também.
O Windows Phone 8.1 trará papéis de parede para a tela inicial. Só que em vez de mudar o fundo, que continua preto, são os blocos dinâmicos que ficam transparentes. Tenho algumas ressalvas quanto a isso. Em fotos e vídeos, a legibilidade parece prejudicada e a imagem parada atrás quando se rola a página passa uma sensação de bagunça. Talvez ao vivo, com a imagem certa de fundo, fique melhor. A conferir, juntamente com a nova tela de bloqueio, com elementos dispostos em ângulos diferentes. Essa última parece legal já pelas demonstrações.
Papel de parede, Central de Ações e teclado Word Flow. Imagens: Microsoft.
Mais uma novidade que não é exatamente novidade, mas que há muito era esperada é a Central de Ações — o nome vem de um recurso similar, porém bem menos prático, que estreou no Windows 7. Dali será possível (des)ativar funções do aparelho, como modo avião e Wi-Fi, sem precisar recorrer às configurações. As últimas notificações também aparecerão listadas logo abaixo.
E ainda tivemos o teclado Word Flow (não sei como ou se o nome será traduzido), agora com suporte a escrita deslizando os dedos, método “swipe”. Ele ganhou o título de teclado mais rápido do mundo do Guinness, anteriormente do Swype em um Galaxy S4, mas não parece nada diferente dos tantos teclados para Android que já contam com o método. O teclado do Windows Phone, que já era bacana sem isso, fica ainda melhor.
De resto, Wi-Fi Sense, que lembra suas senhas e permite compartilhar a conexão com outras pessoas sem revelá-las, sincronia na nuvem de um punhado de configurações do sistema, como já rola com o Windows, e inclusive entre Windows Phone e Windows quando for aplicável, suporte a telas externas via Miracast ou cabo USB, e apps melhorados/alterados.
O primeiro gostinho de Windows Phone 8.1 que teremos será com os Lumia 630 e Lumia 635, com lançamento previsto para maio. O primeiro terá uma variante dual SIM, algo inédito até então para o Windows Phone; o segundo, suporte a 4G LTE. Os preços variam de US$ 159/169 (Lumia 630) a US$ 189 (Lumia 635). Ambos usam botões virtuais, outra novidade no sistema móvel da Microsoft, e contam com a tecnologia SensorCore, um sensor de movimentos de baixa potência que, pela descrição da Nokia, lembra bastante o chip M7 do iPhone 5s.
Depois, em junho, é a vez do Lumia 930, novo topo de linha da Nokia. É meio que a versão internacional do Lumia Icon, belo smartphone lançado exclusivamente pela Verizon nos EUA. A única diferença, além das redes suportadas, está nas cores. Sai o preto e branco do Icon, entram novas opções coloridas no Lumia 930.
Os atuais aparelhos, todos eles, receberão o Windows Phone 8.1 no “inverno”, a partir do final de junho.
Windows 8.1: de volta às raízes
O Windows 8 foi um passo maior que a perna dado pela Microsoft. Precoce ou errado desde o começo, ele não conseguiu encantar o consumidor. Aos fiéis, acostumados a usar o sistema com teclado e mouse, sobraram frustrações com a interface direcionada a telas sensíveis. A quem se dispôs a comprar um tablet, por que apostar em uma plataforma nova, “verde”, quando outras mais maduras e estabelecidas estão disponíveis, por preços similares, quando não mais baratas?
O trem começou a voltar aos trilhos com o Windows 8.1, mas ainda faltavam mais mudanças, faltava mais amor a quem ainda não se arriscou a aposentar o mouse, ou nem pretende fazê-lo. O Windows 8.1 Update, estranho nome da próxima atualização, chega ainda mais rapidamente que a versão 8.1: em vez de esperarmos um ano, desta vez foram só quatro meses. Pouco tempo, mas o suficiente para a Microsoft fazer bastante coisa.
Imagem: Microsoft.
A tela Inicial continua lá, só está mais amigável ao mouse. Agora, botões para desligar e pesquisar aparecem proeminentes na tela, no canto superior direito, ao lado da foto do usuário. O bloco de configurações é padrão e fica mais à vista do que escondido nas configurações da Charm Bar.
Imagem: Microsoft.
A mudança mais drástica na tela Inicial aparece ao se clicar com o botão direito do mouse em um bloco: menus de contexto! Parece mais prático, sem dúvida, mas isso gera uma inconsistência enorme com os apps modernos, que não oferecem esse mecanismo de controle — neles, um clique com o botão direito abre a barra inferior ou superior. Meio estranho esse comportamento, e apenas reforça a dificuldade que é manter dois paradigmas de uso embaixo do mesmo teto.
Isso tudo vale só para computadores com teclado e mouse. O Windows (com uma ajudinha das fabricantes) é esperto e sabe o tipo de equipamento em uso. Para quem tem um tablet, essas e outras mudanças, como a barra de título nos apps modernos, com menu geral e botões de minimizar e fechar, não serão sentidas.
Outra novidade exclusiva para os usuários de teclado e mouse é a inicialização direta na Área de trabalho clássica. Isso, somado à nova barra de tarefas (no rodapé da tela) persistente mesmo em apps modernos, pode ser um prego no caixão da tela Inicial. Se para quem usa e depende de apps clássicos as visitas àquela tela cheia de blocos dinâmicos e coloridos já eram raras, as mudanças no Windows 8.1 Update devem acabar com elas. A barra de tarefas fica oculta, mas pode ser chamada em qualquer ponto do sistema. Exibe apps modernos abertos, inclusive com suporte a miniaturas e comandos nelas, bem como apps afixados pelo usuário — o da Loja do Windows, aliás, vem ali por padrão.
A pesquisa do sistema, potencializada pelo Bing, agora exibe apps da Loja que não estão instalados mas que têm algo a ver com o termo pesquisado. Após a instalação de um app novo, a visualização de todos os apps destaca os recém-chegados. No Windows 8.1 era difícil separar o novo do antigo e com essa simples mudança fica mais fácil fazer a distinção.
Uma novidade importante, mas que não será sentida por quem já tem seus equipamentos, é a dieta na qual a Microsoft submeteu o Windows. Paul Thurrott diz que esse esforço, conhecido internamente como 116 (de 1 GB de RAM, 16 GB de espaço) inclui mais de 200 otimizações para permitir que o Windows rode em configurações fracas — e consequentemente, baratas. O objetivo, aqui, é conter o avanço de tablets Android e notebooks com Chrome OS. E isso, somado à gratuidade do Windows para dispositivos com telas menores que 9 polegadas, outro anúncio feito nesta Build, pode ser uma combinação decisiva para fabricantes e consumidores em potencial. Além do Windows nessa configuração, o Windows Phone também tornou-se gratuito — já tínhamos visto indícios disso na Índia.
O Windows 8.1 Update será lançado no dia 8 de abril através da Loja do Windows. Será, como ocorreu com a atualização anterior, gratuito.
Um vislumbre do futuro
Não contente em falar tudo o que pretende lançar nos próximos meses, a Microsoft ainda deixou promessas, aparentemente encaminhadas, do que virá a seguir.
O menu Iniciar voltará, com uma abordagem híbrida: de um lado, os apps mais usados, como era até o Windows 7; do outro, os blocos dinâmicos do Windows 8. A empresa não disse quando ou em que versão esse menu fará sua estreia, mas o prometeu para breve. Na mesma tela, outra novidade surpreendente: apps modernos rodando em janelas. E assim se completará a viagem em círculo do Windows 7 até essa futura versão que deixará tudo como era antes.
O Office, que recentemente ganhou uma boa versão para iPad, será refeito. O mesmo app rodará em computadores, tablets e smartphones, cortesia dos apps universais para Windows. Demorou, mas enfim desenvolvedores poderão criar um app apenas para Windows e Windows Phone, podendo inclusive cobrar uma única vez do usuário. As interfaces serão adaptáveis e cada plataforma poderá ter código e convenções visuais próprias. Desenvolvimento é uma área nebulosa para mim, mas as reações da plateia e de analistas foram positivas, sinal de que a Microsoft fez o dever de casa corretamente.
Você lerá por aqui análises de ambas as atualizações. O objetivo deste post, agora, era mais apresentar o que vem por aí. Parecem coisas boas, embora tenha sentido falta de novidades, no sentido estrito da palavra. O Windows Phone ainda corre para se equiparar aos concorrentes, o Windows, para resolver os erros das versões anteriores. Gasta-se muita energia para adequar os sistemas ao que o usuário quer ou espera, logo é natural que faltem braços, tempo e energia para inovar. De tudo o que foi anunciado nessa Build, a Cortana parece a coisa mais legal (e com potencial!). Enfim, melhor esperar esses produtos chegarem ao mercado para falar melhor deles.
Parece que foi ontem, mas o Windows 8 já está no mercado há um ano e meio. Para qualquer empresa de desenvolvimento média ou grande, prazo generoso para portar ou criar um app. Considerando a fase de testes do sistema, que embora não trouxesse a Loja do Windows, em certa altura passou a permitir o desenvolvimento e depuração de aplicativos Metro/imersivos, lá se vão mais de dois anos.
O Windows 8, analisando bem, não é carente de grandes apps. Os principais estão lá, disponíveis na Loja: Facebook, Twitter, Foursquare (em versão exclusiva, ainda que de utilidade duvidosa, para tablets), Netflix, Skype… Com uma ou outra exceção, são apps inferiores aos equivalentes de plataformas rivais, mas marcam presença e amenizam a impressão de se estar em um deserto de apps ao iniciá-lo pela primeira vez.
Screenshot: Mozilla.
Na última sexta-feira (14), o novo ecossistema da Microsoft teve uma baixa considerável. Johnathan Nightingale, vice-presidente do Firefox, anunciou o cancelamento do Firefox para Windows 8 em um blog oficial. A justificativa para encerrar um trabalho que vinha de longa data foi o baixo interesse dos usuários (grifo meu):
“Nos meses que se seguiram [desde o lançamento da versão beta], na medida em que a equipe testava e refinava o produto acompanhamos a adoção [da versão] Metro. Pelo que pudemos ver, ela é nula. Em qualquer dia nós temos, por exemplo, milhões de pessoas testando versões de pré-lançamento do Firefox para desktop, mas nunca vimos mais do que mil usuários ativos diários no ambiente Metro.”
Esse dado alarmante da Mozilla, de que menos de mil pessoas por dia testavam a versão moderna do Firefox, denota um problema de longa data: o desinteresse pelos apps em tela cheia e interface imersiva que estrearam com o Windows 8.
Em maio de 2013, a Soluto, que oferece uma solução de assistência remota e otimização de sistemas para Windows, liberou dados de uso do Windows 8 colhidos de usuários do seu app. Uma amostragem pequena e que exclui o Windows RT (a versão para processadores ARM que, apesar de rodar apenas apps modernos, vira e mexe fica sem eles, como no recente caso do VLC), mas que fortalece o discurso de que os usuários ignoram apps modernos em prol dos tradicionais, aqueles que rodam na área de trabalho clássica.
Cerca de 60% dos usuários de Windows 8 em sistemas sem tela sensível a toques abre menos de um app moderno por dia a cada semana. Em equipamentos touchscreen, esse perfil responde por 44% dos usuários analisados — melhor, mas ainda preocupante se levarmos em conta que a interface ideal, a tela que aceita comandos, está presente.
De quem é a culpa? Não dá para apontar o dedo para uma única causa. Na verdade, é uma série de fatores compartilhada entre Microsoft, desenvolvedores, fabricantes. A própria ideia inicial da Microsoft, de contemplar cenários tão distintos em um único sistema, dispersa a atenção, fragmenta a experiência e joga contra todos os esforços, sejam quais forem, em promover apps modernos.
Para a Microsoft, não ter o Firefox para Windows 8 é um forte sinal de desconfiança em relação à plataforma. Mas nem sempre ter a atenção dos concorrentes é exatamente bom. Em uma das últimas versões do Chrome, o Google se aproveitou de uma abertura nas políticas do sistema exclusiva para navegadores e recriou, dentro do Windows 8, o Chrome OS. Como um cavalo de Troia, o Chrome pode ser tudo o que o usuário vê no sistema, caso ela queira limitar-se a isso.
Ser ignorado ou servir de base para um sistema concorrente? Ambas as opções são indigestas e, alguns poucos anos atrás, impensáveis para o Windows. O mundo dá voltas, e rápido.
Minha barra de tarefas no notebook tem três ícones fixos: Windows Explorer, navegador padrão e um que, reza a lenda, é um gato vermelho atropelado na estrada. Esse último é o indefectível ícone do IrfanView, um simpático visualizador de imagens para Windows.
Não lembro quando exatamente descobri o IrfanView, só me recordo vivamente de ter simpatizado com o app logo de cara. Sua função, pelo menos superficialmente, é simples e limitada: abrir imagens. Fosse só isso ele já seria sensacional: é difícil surgir um formato que o IrfanView seja incapaz de lidar e, mesmo nesses casos, geralmente um plugin resolve a incompatibilidade.
Por mais simples que seja uma operação, ela demanda instrumentos, padrões e um workflow minimamente estruturado. É assim com o Manual do Usuário: um blog de um homem só, um homem preparado para ler, escrever, fotografar e filmar.
É bem comum usarmos momentos de ócio no fim do ano para reavaliarmos partes da vida, refletir onde erramos e onde acertamos e, nessa, fazer pequenos (ou grandes) ajustes. Resolvi usar parte desse tempo para contar a vocês o que uso (ou pretendo usar em 2014) no trabalho que desempenho aqui. Além de útil, quero também trocar figurinhas nos comentários, descobrir apps, equipamentos etc. É um post com segundas intenções :-)
Como adaptar um sistema com mais de 20 anos para um novo segmento de hardware que tem menos de três? Essa era a missão da Microsoft com o Windows 8: levar seu icônico sistema operacional para o novo mundo de telas sensíveis a toques. O caminho escolhido foi conciliar passado e presente, juntar tudo e oferecer aos usuários um pacote “sem concessões”.
Um ano depois, a aposta não parece ter sido tão bem sucedida. Com o Windows 8.1, lançado oficialmente no mundo inteiro “hoje” (na realidade, amanhã, mas como o parâmetro é a meia noite na Nova Zelândia você já pode baixá-lo), a Microsoft tem à sua frente mais uma chance. Esse hiato foi suficiente para corrigir os problemas da versão anterior?
É difícil avaliar um sistema assim, “2-em-1”, porque é preciso considerar dois cenários bem distintos entre si ou, como espera a Microsoft, um utópico em que eles sejam unificados e trabalhem em harmonia. É sob essa última ótica que a análise abaixo se pauta.
Ignorando a porção moderna, o Windows 8.1 funciona como qualquer outra versão recente do sistema. Não traz nada exatamente novo ou revolucionário, mas funciona — e encare isso como um elogio. Os novos apps em tela cheia, a parte feita para tablets, porém, ainda precisa melhorar. Muito. Mas vamos devagar…
Com o Windows 8.1, você ganha muitas arestas aparadas, mais atenção a detalhes, apps nativos melhorados e mais respeito a quem, por necessidade ou comodidade, prefere ficar na parte “velha” do sistema, na área de trabalho clássica. E o melhor de tudo, sem colocar a mão no bolso.
Atualização gratuita
Quem já roda o Windows 8 pode fazer a atualização gratuitamente via download através da Loja. É só baixar (3,63 GB para a versão Pro) e mandar instalar, como se faz com qualquer sistema da Era Pós-PC.
Usuários que estão em versões antigas terão que pagar, e pagar bem: o Windows 8.1 custa R$ 410, e a versão Pro, R$ 699. Tanto a versão via download, quanto a física, em “caixinha”/DVD, estarão disponíveis, e elas são completas — ano passado a Microsoft só comercializou, a princípio, versões de atualização do Windows 8.
O processo de atualização varia dependendo da versão pré-instalada:
A partir do Windows 7, rola a atualização e todos os arquivos permanecem intactos. O usuário perde apenas os aplicativos instalados.
A partir dos Windows Vista ou XP, não tem jeito: o processo de atualização é, na realidade, uma instalação limpa. Faça um bom backup dos seus arquivos antes de começar.
Onde o Windows 8 pecou
A maior parte das críticas ao Windows 8 tinha como alvo a confusa interface moderna. Em configurações dependentes de teclado e mouse, é preciso utilizar os cantos da tela para revelar comandos vitais ao seu funcionamento. Com uma tela sensível a toques, gestos a partir das bordas cumprem esse papel.
Sem indicadores claros, ainda hoje é comum se deparar com usuários de longa data de versões anteriores do sistema que, no comando da penúltima, não conseguem alternar entre aplicativos, ou voltar à Tela Inicial.
Em usabilidade, isso decorre da falta do que se chama “discoverability”, ou seja, a capacidade de uma interface se fazer entender, de ser intuitiva. É uma das premissas de dispositivos baseados em toques: embora criticado e abandonado recentemente pela Apple, o esqueumorfismo do iOS original tinha muitos nuances que reforçavam sua natureza touchscreen, elementos da interface que diziam, sem falar muito, “toque-me, eu faço alguma coisa”. Coisa da qual o Windows 8, em grande parte, carece.
Como o Windows 8.1 tenta corrigir os erros do passado
Que pese a verdade, o Windows 8.1 não resolve por completo esse problema, ele apenas se mostra mais preocupado com o usuário incauto. A nova versão pega na mão de quem o usa pela primeira vez e o conduz em um tour, aparentemente completo, pelas suas estranhas convenções. Itens familiares que retornam e muitos indicadores e tutoriais cumprem esse papel introdutório.
O botão Iniciar, por exemplo, antes oculto por padrão no canto inferior esquerdo e ativável com o passar do mouse, volta a ser fixo. Quem não retorna é o menu Iniciar; a função do botão continua sendo levar o usuário à Tela Inicial, cheia de blocos dinâmicos com informações atualizadas em tempo real.
Outra providência tomada pela Microsoft foi a produção de tutoriais em vídeo e flechas destacadas indicando os cantos quentes da interface nos primeiros momentos de uso. Alguém pode encarar isso como uma falha grotesca de design, seguindo a lógica de que indicadores tão explícitos para ações tidas como básicas sinalizam uma interface quebrada para início de conversa. Como seria bem difícil a Microsoft voltar atrás em certas decisões, a mim a mais acertada parece ser mesmo tentar consertar o estrago já feito.
A impressão, no geral, é de que com o Windows 8 havia uma confiança exacerbada por parte da Microsoft. Confiança de que o sistema venderia feito água como as últimas versões (incluindo até o desastroso Vista que, até o lançamento do Windows 7, já tinha vendido 400 milhões de cópias) e de que as pessoas aprenderiam a usar uma interface bem diferente da qual estavam acostumadas, baseada em gestos e ações incomuns com o mouse. Em seu review, David Pogue revela que um executivo da Microsoft disse algo nessa linha na época do lançamento do Windows 8:
“Se o Windows 8 não for fácil o bastante para ser entendido sem a leitura de telas de ajuda, então nós falhamos.”
Pelas mudanças vistas no Windows 8.1, a versão anterior falhou e falhou feio. Nenhum sistema baseado em gestos caiu no gosto popular ainda, e não foi o Windows que conseguiu quebrar essa tradição.
Mais amor ao clássico e à personalização
Deixando de lado a atenção com esse atrasado porém válido adendo à experiência básica do sistema, o Windows 8.1 aposta em refinamentos. Como comentei no hands-on da versão Preview quando ela estava fresquinha, em junho, a porção moderna está mais rica em recursos e parece mais madura.
A primeira leva desses novos apps era vergonhosamente limitada. A nova ainda não parece fazer frente aos apps clássicos em utilidade e desenvoltura, mas é definitivamente mais robusta, a ponto de a Microsoft classificar o app de email nativo, um dos mais criticados (e com razão), como “a melhor experiência de email em um tablet”. O de fotos agora permite edições simples, e há novos e bem-vindos apps, dos básicos (calculadora, alarme, gravador de áudio) a uns bem peculiares (lista de leitura, um de receitas, outro controverso de saúde). O sistema como um todo está mais atraente e flexível, o que, para um negócio tão largamente usado e com tantos perfis diferentes no comando, é algo bem-vindo.
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Saúde e Bem Estar
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Temos os tutoriais, o botão Iniciar de volta, apps nativos mais robustos. Vale destacar, também, os novos itens de personalização. Em um ano de Windows 8, raras foram as vezes em que me aventurei pela porção moderna do sistema — e esse cenário, pelo menos com usuários com quem converso vez ou outra, gente mais próxima, está longe de ser exceção.
A área de trabalho clássica, no Windows 8, parece uma coisa desleixada, uma parte renegada que a Microsoft teve que engolir para não afetar tanto clientes corporativos. No mundo real, ela deve ter visto via telemetria e em pesquisas de opinião que, não, ainda não é a hora de abdicar dela. Sendo assim, é bom ver mais amor ao clássico no Windows 8.1.
De pronto, duas mudanças tornam a integração clássico-moderno mais suave. O papel de parede da área de trabalho pode, agora, ser replicado no fundo da Tela Inicial. É um detalhe quase bobo, mas que une sutilmente duas partes do sistema tão distintas em todos os demais. Outro bacana é a possibilidade de entrar direto na área de trabalho após o logon. Isso pode relegar a Tela Inicial a um ostracismo ainda maior àqueles que só clicam no bloco da área de trabalho após ligar o equipamento, mas de qualquer forma é bom ver a vontade do usuário prevalecer.
A Tela Inicial também recebeu melhorias. Novas animações para o fundo, flexibilização do padrão de cores para a interface, dois novos tamanhos para os blocos. A exibição de apps em lista pode ser definida como padrão, um formato mais funcional para mouse e teclado. Nada muito drástico, mas pequenas mudanças que agregam.
Apps modernos podem ser colocados lado a lado nas proporções que o usuário quiser, e mais de dois dividem a tela numa boa — dependendo da resolução que você usar. As amarras foram afrouxadas, e os supostos problemas que levaram a Microsoft a engessar tanto o Windows 8 não se verificam na prática. Tudo bem, tudo bem: às vezes o redimensionamento de um app fica estranho (Twitter, por exemplo), mas isso é Windows. Você pode fazer o que quiser, só que sem a garantia de que tudo vá funcionar como o desejado. Melhor que seja assim.
As peças mais importantes: SkyDrive e Bing
Sempre achei o SkyDrive um negócio muito legal e pouco aproveitado pela Microsoft. De um ano para cá, a empresa vem dando mais atenção ao serviço. E não é por menos: se ser uma empresa de serviços e produtos é o novo foco da Microsoft, ter uma solução “tudo-em-um” na nuvem é essencial.
No Windows 8.1, o SkyDrive vira o local padrão para salvar arquivos. O app moderno é o Windows Explorer moderno. Ele vem pré-instalado, melhor integrado na porção clássica do sistema (nada de dois apps para a mesma coisa) e usa um mecanismo pra lá de genial chamado Smart Files que borra as linhas que separam o armazenamento local do na nuvem.
Com os arquivos inteligentes, o SkyDrive torna indexável todo o conteúdo existente em sua conta, na nuvem, sem que eles estejam armazenados localmente. Arquivos na nuvem são sincronizados parcialmente, apenas com pré-visualizações (imagens) e meta dados, habilitando pesquisas e outras atividades gerenciais. Quer usar um? Abra-o e o sistema fará o download instantaneamente, liberando o acesso offline. Vai ficar longe da Internet e precisará de um arquivo específico? Clique com o botão direito e marque-o para estar disponível nessa situação.
Em desktops, com HDs que extrapolam a casa do tera byte, não é algo de muito impacto, mas em tablets com até 16 GB, isso pode vir a calhar. Conceitualmente é um mecanismo similar ao do Google Play Music, app/serviço do Google para Android que faz um cache dinâmico das suas músicas armazenadas na nuvem.
O Bing Smart Search é o equivalente ao Spotlight, da Apple, no universo Windows. Ele pesquisa conteúdo local, na nuvem, na web, contextualiza e faz umas tabelinhas espertas com apps como o Xbox Music, SkyDrive e o da Wikipedia. A exemplo de todo mecanismo de busca em sistemas modernos, ele deixou de ser um app dedicado para ser embutido no sistema. Quer usá-lo? Abra a Charm bar e comece a digitar. Como deveria ter sido desde o começo.
Está bom, mas pode ser melhor
Não tem sido raro ver produtos chegando ao consumidor precocemente, sem a lapidação que se espera de um lançamento comercial. A Microsoft teve três anos para construir o Windows 8 a partir do 7, mas ainda assim parece ter faltado tempo. Um ano a mais, esse ano gasto para a realização do Windows 8.1, poderia ter sido útil para uma recepção menos azeda. Recepção essa que pode sair cara para a Microsoft: dá para recuperar a confiança perdida? Ou a primeira impressão é a que fica?
Foto: Rodrigo Ghedin.
As reclamações dos usuários devem ter tido um papel importante no processo de atualização para o Windows 8.1, logo é provável que nem com todo o tempo do mundo a Microsoft acertaria de primeira. Agora, com atualizações aceleradas, lançadas anualmente, ainda há muito trabalho a ser feito. Mesmo melhor com o lançamento de hoje, frente a iOS e Android o Windows ainda fica devendo.
Agradar a usuários de notebooks e computadores e, ao mesmo tempo, de tablets, é difícil. São cenários diferentes e, um ano depois, sejamos francos: essa história de sistema sem concessões é simplesmente ruim. Existem concessões, várias delas, e os passos que o Windows 8.1 dá para trás a fim de agradar usuários insatisfeitos confirmam essa teoria. É um diferencial de mercado, e um bem curioso, mas como discutia dia desses no Twitter, não é por ser um diferencial que uma decisão de design se torna necessariamente boa para quem importa, ou seja, para mim e para você.
Talvez estejamos em uma era primitiva, em uma equivalente ao que o Android era até 2011, ou à que o próprio Windows foi antes do XP. De repente, com SoCs poderosos em equipamentos leves e confiáveis, daqui a dois, três anos o que o Windows 8 se transformar será a melhor solução para o consumidor médio. Hoje, ele se apresenta como um sistema confuso, tentando conciliar dois universos muito distintos entre si, trazendo mais dor de cabeça do que vantagens para consumidores, de desktops/notebooks e de tablets/telas sensíveis a toques.
Se você tiver grana para um bom ultrabook e um tablet, os dois separados, vá com esse combo. É uma solução bem mais acertada e confortável de usar do que um híbrido desengonçado com Windows. E se nem o Surface, carro-chefe da plataforma feito por quem faz o software, impressiona, o que esperar dos demais?
O Windows 8.1 dá passos firmes na direção certa, resolve várias complicações da versão anterior, mas ainda sofre de decisões de projeto impossíveis de serem mudadas agora. O ritmo anual de atualizações e essas com a promessa da gratuidade formam uma base sólida para que as mudanças necessárias sejam implementadas, mas talvez o problema seja mais profundo, talvez seja irremediável. O futuro pode ser promissor, mas o presente, embora melhor, ainda não convence.