O fim do Windows XP: com o término do suporte estendido, Microsoft recomenda atualização

Fim do suporte ao Windows XP é hoje, 8 de abril.
Imagem: Microsoft.

Pouco mais de 12 anos depois de lançado, chega ao fim hoje, 8 de abril, o suporte ao Windows XP, sistema operacional da Microsoft que, segundo o StatCounter, está presente em mais de 18% de todos os computadores conectados à Internet. Por que demorou tanto para ele ser aposentado? Quais as saídas? Confira essas respostas.

O fim do suporte, que já foi adiado algumas vezes, significa o seguinte: daqui em diante, a Microsoft não oferecerá suporte de espécie alguma, nem disponibilizará atualizações de segurança para o Windows XP1. Na prática, quaisquer brechas ou falhas de segurança que forem encontradas serão exploradas sem que algo possa ser feito, dada a natureza fechada do sistema. Todas elas passam a ser potencialmente perigosas, potencialmente ataques do tipo dia zero.

Quem quiser continuar usando o sistema ou não puder migrar para uma versão mais recente não tem nada a temer num primeiro momento. Chegar ao fim do suporte não significa que o Windows XP magicamente deixará de funcionar; ele continuará rodando, só não terá mais atualizações. É um risco que se corre e que aumenta, gradualmente, com o passar do tempo.

O sucesso do Windows XP

Bliss, o wallpaper padrão do Windows XP.
Foto: Microsoft.

O Windows XP é largamente usado ainda hoje em muito pela sua versatilidade. Ele foi a primeira versão 32 bits do Windows destinada a usuários domésticos, o que na prática se traduz em um sistema mais robusto, menos suscetível a lentidões e à necessidade de reinicializações, coisas comuns até então, com os Windows 98 e Me. Antes, a arquitetura NT era reservada aos Windows para servidores.

O Windows XP também serviu de base para inúmeras variantes. Foi o primeiro da família a ganhar uma versão para processadores 64 bits, teve outra destinada a tablets, versões para sistemas embarcados (“embedded”), sem falar nas adaptações para mercados derivadas de determinações da justiça, como o Windows XP N e K para Europa e Coreia do Sul, respectivamente, que vinham sem o Windows Media Player.

Seu sucessor, o Windows Vista, foi mal recebido no início de 2006 devido à exigência de hardware muito avançado (e caro) para os padrões da época. Com a fama de “pesado”, o leve Windows XP continuou sendo vendido em paralelo e recebeu um gás extra alguns anos depois, devido a essa virtude, com a ascensão dos netbooks, notebooks menores com configurações bem tímidas. As vendas do Windows XP só cessaram em 22 de outubro de 2010, um ano após o lançamento do Windows 7.

O legado do Windows XP

Caixa automático com a tela de inicialização do Windows XP.
Foto: Nitzan Brumer/Flickr.

Estima-se que 95% dos caixas automáticos de bancos rodem o Windows XP. Na China, novamente de acordo com o StatCounter, 49% dos computadores rodam o Windows XP. No Brasil, ele ainda está instalado em 14% dos computadores. Não é difícil, andando por aí, encontrar vestígios do antigo sistema.

Nesse intervalo de 12 anos já foram lançadas três grandes atualizações pós-XP. A fama de sistema “pesado” ganha com o Vista se dissipou com o Windows 7, mas as mudanças drásticas de paradigmas trazidas pelo Windows 8 gerou receios similares a quem se mantém fiel ao Windows XP.

Embora, teoricamente, o fim do suporte não traga problemas em um primeiro momento, a atualização para alguma versão mais recente é altamente recomendada. Os novos Windows são mais rápidos, mais seguros e têm a garantia de atualizações da Microsoft — o suporte estendido ao Windows 7, por exemplo, vai até janeiro de 2020

Coincidentemente (ou não), no mesmo dia em que do Windows XP chega ao fim a Microsoft lança o Windows 8.1 Update, segunda atualização do Windows 8 com novidades que miram em agradar os usuários de teclado e mouse, em vez daqueles munidos de telas sensíveis a toques.

A versão anterior do sistema, o Windows 8.1, está à venda na loja da Microsoft a partir de R$ 410 e garante a atualização gratuita para a 8.1 Update. Outra saída, indicada pela empresa na página de apoio aos viúvos do XP, é trocar de computador.

Para mais informações:

  1. Existe uma exceção, um programa da Microsoft chamado Custom Support. Destinado a grandes clientes e (bem!) pago, empresas e organizações participantes desse programa receberão atualizações para o Windows XP nos próximos meses ou até anos.

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5 comentários

  1. Tem uma coisa que muito se fala e poucos profissionais em info se atentam, mas há muitos e muitos usuários que não tem outra opção a não ser continuar com o sistema antigo. E os fatores são diversos: desde o hardware, que é o mais comum; até os softwares instalados, estes mutias vezes incompatíveis com os sistemas mais atuais. E o custo de implantação de um novo sistema muitas vezes é oneroso demais, não compensando ao usuário a re-implantação.

    Imagino que um firewall de terceiros já ajude um pouco na proteção de um sistema defasado, não posso afirmar isso categoricamente, mas talvez seja uma solução àqueles que ainda dependem de um XP.

    Pode se alegar que é possível usar um Linux + Wine ou um Virtual Box (clona o HD e joga em uma imagem à se rodar no Virtual Box ou similar). Mas alguns destes programas tem “trava de cópia” baseada no HD.

    Enfim. Uma coisa que não vejo muito as pessoas colocando em análise é o porque de muitos não deixarem o XP.

    1. Quando se trata, geralmente é de forma exageradamente critica: é tudo empresa retrógrada que não investe em TI.

      Minha empresa, por exemplo, precisa usar Windows XP devido ao suporte que damos para clientes que usam versões antigas de nosso sistema baseada em versões antigas do Oracle.

      Além disso, o desenvolvimento de sistemas ainda é uma área muito ruim: sempre dá problemas. Não é uma questão de dinheiro apenas, projetos de TI raramente funcionam bem e o cliente acaba criando problemas que não existiam no sistema antigo.

      Se muitos não trocam de SO porque não querem perder tempo se ambientando, trocar grandes sistemas é a mesma coisa 10000x pior.

      1. “é tudo empresa retrógrada que não investe em TI.” – Cara, as pessoas não querem investir, só querem uma ferramenta que funcione. É o que bato na tecla as vezes quando entro em discussão com alguém de TI: Informática é um Meio, e não um Fim. Computadores e programas são ferramentas de trabalho e diversão, assim como um carro, moto, caminhão, ônibus e outros servem para ir de ponto A a B.

        De fato, sim, deve haver um investimento em informática, mas eu não tou falando de empresas grandes e mão-de-vaca, mas sim de profissionais que trabalham com baixa renda. O cara da pizzaria que trabalha com um sistema que na época (uns 10 anos atrás) ele pagou 3 mil reais. E para este cara, estes 3 mil tem que fazer o programa funcionar por pelo menos 20, 30 anos.

        Hoje, programa de computador é acessório. Isso é que muitos de TI deveriam pensar.

        1. Não sei se fui claro, mas como eu quis dizer que as pessoas são exageradamente críticas em relação as empresas. Ou seja, que há muitos bons motivos para manter o Windows XP e o sistema em IE6 e não é apenas falta de interesse.

          Para empresas pequenas realmente não há motivos para mexer: se minha padaria estivesse funcionando bem com Windows XP e IE6, eu mesmo não mudaria de sistema.

          Para empresas grandes, acho que as coisas mudam um pouco de figura. Dependendo da escala, investir em tecnologia pode ser estratégico. Ou seja, investir em TI pode ser fundamental para os objetivos da empresa.

          Algumas auditorias, por exemplo, exigem implantação de ERPs para conceder certificado porque isso garante a homogeneidade de processos. Inclusive, um dos grandes trabalhos do Tim Cook na Apple foi introduzir um ERP para conseguir otimizar a produção da Apple e conseguir os lucros exorbitantes.

          Em resumo, concordo com você: tem muita pessoa que sobrevaloriza TI. Só que acho bem importante para empresas muito grandes investir porque sempre há processos para serem melhorados.

          1. Acho que para mim, talvez pelo seu estilo de linguagem, não senti clareza mesmo no primeiro comentário.

            Foi mal. Mas é essa linha de pensamento que penso. Se a pessoa vê utilidade e necessidade em TI, que se invista. Só que do jeito que o mercado anda, o mais interessante é os profissionais ofertarem para abranger uma grande demanda. “Vender o peixe” ao invés de “esperar o peixe fisgar a vara”. =)

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