Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Blender 4.3: O vídeo das novidades desta versão tem quase meia hora. A página é longa e traz os destaques bem ilustrados. / Linux, macOS, Windows / blender.org (em inglês)

digiKam 8.5: O editor de imagens do KDE ganha suporte nativo aos chips da Apple, melhorias significativas no reconhecimento facial e as esperadas correções de falhas. / Linux, macOS, Windows / digikam.org (em inglês)

FreeCAD 1.0: Demorou mais de 20 anos, mas a primeira versão estável do FreeCAD, um modelador CAD em 3D. / Linux, macOS, Windows / blog.freecad.org (em inglês)

Pinning: Este aplicativo exibe eventos da agenda e tarefas do aplicativo Lembretes em uma visualização de linha do tempo. Nessa, acaba servindo também de “contagem regressiva”. / iOS, visionOS, watchOS / apps.apple.com

Vellum: Um aplicativo simples e gratuito que ajuda a recriar fotos sobrepondo uma já tirada ao viewfinder da câmera. / iOS / apps.apple.com

WhatsApp: O app mais usado do Brasil ganhou um recurso que muitos aguardavam: transcrição de mensagens de áudio. Ela é feita no próprio dispositivo, sem envio dos áudios à nuvem da Meta. / Android, iOS / blog.whatsapp.com

Eu amo que o primeiro assunto do novo grupo de assinantes no WhatsApp foi a exposição do número de telefone dos participantes. (Ou: como saber que você está entre leitores do Manual do Usuário sem que eles se identifiquem como leitores do Manual do Usuário.)

De mudança para o WhatsApp (sim, o WhatsApp)

O balanço do uso do Signal para a nossa comunidade rendeu bons comentários (por e-mail!) de apoiadores.

A Patrícia disse:

O Telegram parecia mais animado #imho… (mais interações de assuntos mais diversos)

O Leandro manifestou a situação de — imagino — muitos que estão ali:

Meu único uso do Signal é o grupo do Manual, mas olhando de curioso na minha lista de contatos, estão os mais aleatórios possíveis: [lista de contatos aleatórios]

O comentário do Vinícius me levou a uma nova camada de reflexão:

Particularmente achei que a mudança do grupo para o Signal, embora entenda os motivos, tirou um diferencial da assinatura do manual. O grupo antes era bem movimentado, acessava sempre, com muitas conversas sobre cultura, comportamento, etc. Após o Signal ficou mais morno, com menor volume de mensagens e conversas mais nichadas em questões de programação/pessoal da TI. Acredito que muitas das pessoas, como eu, só instalaram o mensageiro pelo grupo do manual. Daí entro quando lembro, às vezes passo alguns dias e menos assim há poucas mensagens “atrasadas”, algumas dezenas.

Após ler o texto, agora, abri o app (que, pelos registros do meu celular, tinha aberto na segunda-feira — há 4 dias — e há 40 mensagens não lidas. Claro que quantidade não é um dado que indica muita coisa sozinho, o ponto é a diminuição mesmo na interação. O que, para mim, era um chamariz da assinatura, meio que morreu. Concordo que os rumos que o Telegram tomou são questionáveis e repito que entendo os motivos da mudança, mas para mim o resultado foi esse. =(

O “rumo questionável” que o Telegram tomou foi transformar o aplicativo em veículo para criptomoedas. É… uma pena.

Por fim, o do Paulo em resposta à edição de domingo da newsletter (que envio a assinantes):

Eu entendo a relutância de muitos (eu às vezes tenho isso) de usar o WhatsApp, mas seria interessante centralizar tudo em um único app (pra mim, no caso) com os grupos e contatos pessoais. O Telegram era mais fácil porque, ainda que não seja o meu app primário, ele concentra muitos robôs de serviços que eu uso, além de poder guardar conversas/anotações/listas de forma simples, coisa que o WhatsApp ainda não faz (de forma simples, faz mas de forma meio capenga). O Signal “ostracizou” ainda mais o grupo pra mim, porque não ter um app web/tablet dificulta muito pra mim de ler ou de me lembrar de ler o grupo. Não é nada demais, mas eu sinto que o Signal é uma barreira pra lembrar do grupo do Manual.

Estamos aqui para experimentar, por isso, à luz desses e outros comentários de assinantes que não estão no ou não curtiram o Signal, decidi migrar o grupo para o WhatsApp. Por alguns motivos:

  • Goste dele ou não, é o app mais usado no Brasil;
  • Apesar das investidas da Meta para transformá-lo em SAC 2.0 e cavalo de Troia para a inteligência artificial da empresa, a Meta AI, conversas entre indivíduos e em grupos ainda são criptografadas de ponta a ponta;
  • O recurso de comunidades é um pouco complexo, mas não para o público do Manual, que pode se beneficiar da organização;
  • Tenho revisto a minha política de boicote às big techs. Embora ainda priorize tecnologias que contornam as grandes do setor, por coerência não há problema em adotar o WhatsApp — já usamos/lido com Apple, Amazon, Oracle, Automattic… a lista é longa e inescapável, se quiser dialogar com um público mais amplo.

Antes de tomar essa decisão, perguntei aos três insatisfeitos (haha) das mensagens acima o que achavam do WhatsApp, hipótese que foi bem recebida.

Quem já apoia o Manual receberá, ainda hoje (11), o link de convite para o grupo no WhatsApp. Se você ainda não assina o projeto, faça isso agora para participar.

Apps novos e atualizados

Atualizações de apps importantes e novidades que podem ganhar um espaço no celular ou computador.

Audacity 3.7: Destaque para melhorias na compatibilidade no Linux e vários retoques na interface. / Linux, macOS, Windows / github.com/audacity (em inglês)

Celeste: Não é um app novo, mas não conhecia. O Celeste é uma interface gráfica para o rclone, ou seja, facilita a sincronia de arquivos entre computador e sistemas de armazenamento na nuvem. / Linux / github.com/hwittenborn (em inglês)

Chrome: O navegador do Google ganhou um “detector de desempenho” que identifica abas problemáticas e oferece um botão para corrigir o problema. / Linux, macOS, Windows / blog.google (em inglês)

Fantastical: Um dos aplicativos mais tradicionais para plataformas da Apple ganhou versão para Windows. A assinatura é a mesma. / Windows / flexibits.com (em inglês)

Fedora 41: O novo Fedora vem com Gnome 47, o aguardado DNF 5 (nova versão mais rápida do gerenciador de pacotes) e um novo spin baseado gerenciador de janelas Miracle. / Linux / fedoramagazine.org (em inglês)

Instapaper 9: O destaque da versão é o suporte a etiquetas (tags). O Instapaper está tentando converter algumas assinaturas de órfãos do Omnivore (ficou sabendo?): até o fim de novembro, quem importar artigos de outro serviço ganha 2 meses do Premium. / Android, iOS, macOS, Web / blog.instapaper.com (em inglês)

PeaZip 10: Compactador de arquivos de código aberto, o PeaZip passou por um banho de loja na décima versão. / Linux, macOS, Windows / peazip.github.io

Telegram: “O Telegram deu seu primeiro passo para tornar-se uma plataforma de vídeos”, ameaçou, digo, disse Pavel Durov. O primeiro passo é a capacidade do app de alterar a resolução dos vídeos a depender da qualidade da conexão. / telegram.org

WhatsApp: Aqueles filtros na lista de mensagens (grupos, favoritos etc.) foram rebatizados de listas e poderão ser personalizados. Essa pedra estava cantada, né? / Android, iOS / blog.whatsapp.com

Meta AI no WhatsApp: Privacidade e desativação da inteligência artificial

Para muita gente, a Meta AI que pipocou no WhatsApp é a primeira interação com IA generativa. O encontro tem causado algumas frustrações e gerado ansiedade.

Sem rodeios: não é possível desativar a Meta AI.

Poderia ser, mas não é do interesse da Meta, que quer, com esse movimento, tomar a dianteira na corrida da IA generativa. Acostume-se com aquela rodinha colorida na busca.

Há relatos de que dá para remover a bolinha que aparece no topo da tela, ao lado dos botões de câmera e iniciar conversa. A opção Mostrar botão Meta AI estaria na área Conversas, nas configurações do WhatsApp. Aqui, porém, não a encontrei. / idec.org.br

Neste site, é possível impedir o uso de interações com a Meta AI para treinar as IAs da Meta.

Note que conversas pessoais e em grupos são criptografadas de ponta a ponta e não são usadas para esse fim. A solicitação acima diz respeito apenas a conversas com a Meta AI e a mensagens em que a IA é invocada em um grupo. / faq.whatsapp.com

Curioso que esse comportamento acabou sendo uma frustração para alguns, como o Gustavo. Não dá para agradar a todos. / manualdousuario.net/orbita

O descaso da Meta com a moderação de conteúdo é visível na Meta AI, inteligência artificial generativa que apareceu no WhatsApp e outras plataformas da empresa. / about.fb.com

A Folha de S.Paulo notou que ao ser questionada sobre o segundo turno da eleição para prefeito em São Paulo, a Meta AI fornece informações erradas e até sem sentido, como atribuir a liderança nas pesquisas a um candidato que não está na disputa. / folha.uol.com.br

Repliquei o experimento com os candidatos de Curitiba. A Meta AI começa a responder, mas no meio da “digitação” o texto some e é substituído por uma mensagem padrão, que direciona o usuário ao site do TSE. Veja o vídeo.

E pensar que a mesma Meta que libera uma IA que pode dar “respostas imprecisas ou inapropriadas” (palavras da empresa) a uma semana do segundo turno em várias capitais, em 2022 adiou em meses o lançamento das comunidades no Brasil para não zoar as eleições.

Meu primeiro contato com a Meta AI foi em um grupo de amigos no WhatsApp, que perguntaram o que ela sabia do “Rodrigo Ghedin”. Para a IA, sou “conhecido por sua participação em programas de debate e análise política” e tenho “uma longa trajetória profissional, tendo atuado em jornais, revistas e emissoras de televisão”. Nem eu sabia dessas coisas!

Mudança na forma de salvar contatos no WhatsApp tem duas consequências concorrenciais

O WhatsApp agora permite salvar contatos no próprio WhatsApp, ou seja, independente da agenda de contatos do celular. / blog.whatsapp.com

Além disso, a empresa prometeu para “em breve” a possibilidade de adicionar e gerenciar contatos pelo WhatsApp Web e app do Windows, e suporte a nomes de usuários a fim de dispensar o número de telefone ao adicionar alguém. (O Signal tem isso desde fevereiro de 2024.)

Segundo a Meta, os contatos salvos em seus servidores usando um novo sistema de armazenamento criptografado, chamado Identity Proof Linked Storage (IPLS). / engineering.fb.com

Há dois desdobramentos concorrenciais que, por óbvio, a Meta não comenta no comunicado à imprensa.

Primeiro, ao restringir os contatos ao WhatsApp, o “povoamento” de outros apps de mensagens que competem com ele se torna mais difícil. A agenda de contatos do celular é compartilhada por todos os apps, a critério apenas do usuário; os contatos salvos no WhatsApp nesse novo modelo, por outro lado, ficam limitados ao WhatsApp.

O segundo diz respeito a uma novidade em privacidade que a Apple implementou no iOS 18:

A permissão do app Contatos foi aprimorada e permite que você escolha quais contatos compartilhar com um app. / support.apple.com

Até o iOS 17, um aplicativo como o WhatsApp tinha acesso a todos os contatos ou a nenhum. No iOS 18, existe a possibilidade do acesso seletivo — como já existia com a permissão das fotos, por exemplo.

Curioso para ver se essa mudança no WhatsApp disparará algum alerta em órgãos antitruste.

Sai o WhatsApp, entra o… BraZap?

A não-notícia da Folha de S.Paulo, que atribuiu supostos ilícitos à conduta do ministro do STF e ex-presidente do TSE, Alexandre de Moraes, no enfrentamento dos atos golpistas de 8 de janeiro, reverberou no governo federal.

Segundo o próprio jornal, Ricardo Capelli, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), “decidiu fazer uma licitação para contratar empresas nacionais que possuem aplicativos similares ao WhatsApp”.

O objetivo é nobre, mas a motivação carece de fundamento. Que pese o WhatsApp ser de uma empresa estadunidense e um software proprietário, ele usa o protocolo de criptografia do Signal, padrão ouro da área, sem histórico de brechas ou violações.

(Sempre é bom lembrar que criptografia de ponta a ponta não tem serventia quando uma das pontas é comprometida. Joesley Batista que o diga.)

O que me incomoda nessa proposta é ter como critério principal a nacionalidade do fornecedor. É preferível que seja uma empresa brasileira e poderia ser um requisito, mas o que mais beneficiaria a segurança e privacidade das comunicações seria a adoção de um protocolo aberto e confiável, como o Matrix.

O risco de responder sob pressão uma ameaça inexistente é trocar o WhatsApp por algo muito pior, mas com o selo “made in Brazil”. Quais as chances disso acontecer?

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 12/8

A Apple vai começar a morder 30% das assinaturas do Patreon feitas pelo app para iOS. Na ânsia de aumentar a geração de receita, a Apple achou uma boa “taxar” em 30% artistas, jornalistas e outros perfis pobretões que conseguem ser remunerados diretamente pela audiência. Boa sacada, Tim Cook. / news.patreon.com (em inglês)

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Terça, 13/8

O Flipboard deu mais um passo na integração ao fediverso e agora dá para seguir qualquer um que esteja em outro serviço compatível com ActivityPub, como Mastodon, Pixelfed ou Threads. / about.flipboard.com (em inglês)

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Quarta, 14/8

A Justiça Federal de São Paulo concedeu liminar pedida pelo Ministério Público obrigando a Meta a, em até 90 dias, cessar o uso de meta dados do WhatsApp em outras plataformas da empresa, como Facebook e Instagram. / oglobo.globo.com

No iOS 18.1, a Apple vai abrir o acesso ao chip NFC e APIs de segurança a aplicativos de terceiros, permitindo interações sem contato (“contactless”) fora do Apple Pay e Apple Wallet. O Brasil será um dos sete países contemplados. / apple.com (em inglês)

A Meta encerrou o Crowdtangle, ferramenta de análise do Facebook e Instagram muito usada por pesquisadores e jornalistas. / npr.org (em inglês)

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Quinta, 15/8

As AI Overviews, respostas geradas por inteligência artificial antes dos resultados do Google, chegaram ao Brasil. Aqui, foram batizadas de “Visões Gerais criadas por IA”. / blog.google

WhatsApp: cada vez mais complexo e inescapável

O WhatsApp, aplicativo mais popular do Brasil, é inescapável. Os poucos que prefeririam não usá-lo, por qualquer motivo, se veem cada vez mais impossibilitados à medida que o app da Meta se transforma em uma espécie de utilitário, um pré-requisito para interações das mais diversas. Ao mesmo tempo, vem sendo desfigurado para abrigar novas funcionalidades que deixam seu uso mais difícil.

(mais…)

Para o seu azar, Zuckerberg está fascinado com IA

Mark Zuckerberg está fascinado com inteligência artificial, o que talvez seja má notícia para os usuários do Facebook, Instagram e WhatsApp.

Na conferência com acionistas, quarta passada (24), Zuck deu um banho de água fria na audiência quando disse que os investimentos pesados em IA levarão anos para dar retorno.

Até aí, tudo bem — quem liga para acionistas. A questão é como a IA dará retorno. Fala do próprio (via The Verge):

Existem várias maneiras de construir um negócio enorme aqui, incluindo escalar [apps de] mensagens para empresas, introduzir anúncios ou conteúdo pago em interações de IA e permitir que as pessoas paguem para usar modelos de IA maiores e acessar mais poder computacional. E além disso, a IA já está nos ajudando a melhorar o engajamento do aplicativo, o que naturalmente leva a mais visualizações de anúncios e a melhorar os anúncios em si para oferecer mais valor.

Hoje, imagens de Jesus feito de camarões e garrafas pet geradas por IA já infestam o Facebook, mas ainda são pedidas por seres humanos. Nem quero imaginar o futuro dos usuários da Meta quando a IA tomar o controle.

Um dia antes do papo com acionistas, a Meta expandiu o Meta AI, seu rival do ChatGPT, para uma dúzia de países onde o inglês é predominante.

O Meta AI está na busca do WhatsApp e do Instagram, em grupos do WhatsApp, em grupos do Facebook. Em um grupo no Facebook de pais de crianças especiais, o chatbot despirocou e disse ser pai de uma (via X).

Nos grupos do Facebook, o Meta AI entra na conversa quando é invocado por um ser humano ou em posts que não recebem respostas até uma hora após a publicação — foi o caso da insanidade acima.

Nem os clientes da Meta — anunciantes — escaparam. Desde meados de março, campanhas automatizadas por IA, alardeadas como sendo do tipo “configure e esqueça”, estão torrando a grana alocada em anúncios até 10 vezes mais caros que a média e ninguém sabe o porquê.

Tenho pensado em como aplicativos de mensagens de texto, como WhatsApp e Telegram, se transformaram na UI/UX dominante para resolver problemas, organizar eventos, dialogar com empresas e outras interações sociais.

Há muitos méritos nesse paradigma; o maior deles, acho, a acessibilidade. Por outro lado, será que não estaríamos melhores lidando com mais interfaces, cada uma adequada à demanda em questão?

Ligações telefônicas, por exemplo, são mais humanas e mais eficientes para resolver mal-entendidos e pequenos gargalos no dia a dia. E-mail, fóruns baseados em tópicos, sites bem feitos para e-commerce… tudo isso caiu em desuso ou perdeu muito espaço para balões de texto e grupões no WhatsApp.

Talvez seja melhor manter os apps de mensagens separados

Todos os dias, faço uma curta peregrinação digital: passo por cinco ou seis aplicativos de mensagens para saber das novidades e responder pessoas. Seria ótimo se fosse um só, não?

Eu achava que sim, e mais gente — que sabe programar e/ou tem recursos — também. Embora os principais aplicativos de mensagens do mercado não trabalhem com rivais, soluções como Beeper, Texts e Element One conseguem, ainda que na base da gambiarra, juntar as mensagens do WhatsApp, Signal, Telegram e outros, todos sob um único ícone na tela do celular.

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Conversando com a Luzia no WhatsApp

O ChatGPT foi o software que mais rápido atingiu 100 milhões de pessoas — em apenas dois meses. Quase um ano depois, durante o primeiro evento para desenvolvedores da OpenAI, foi revelado que o chatbot ainda é usado por 100 milhões de pessoas pelo menos uma vez por semana.

São números gigantescos, mas não tão grandes (ainda?) quanto os de redes sociais e aplicativos de mensagens. Esses, por já fazerem parte da rotina das pessoas, podem acabar se tornando catalisadores da IA gerativa.

Não que a ideia seja exatamente nova. Chatbots existem há uns bons anos e, até o lançamento da OpenAI, eram tidos como ineficientes e apenas uma pedra no caminho até um atendente humano.

Talvez ainda seja cedo para fazer essa comparação, mas lá vai: o ChatGPT pode ter sido o “momento iPhone” dos chatbots, quando uma tecnologia já disponível deixa de ser mera curiosidade ou ferramenta para poucos e se transforma em indispensável para bilhões de pessoas.

Falar em aplicativos de mensagens no Brasil é falar de WhatsApp. O app da Meta (e o Telegram) é palco para a Luzia, persona e startup espanhola que se coloca como “a IA que todo mundo sabe como usar”, nas palavras do CEO, Álvaro Higes.

Diálogo no WhatsApp com a IA Luzia, em que peço para ela não usar ponto final nas mensagens, ela topa, mas continua usando.
A IA está tão evoluída que já é capaz de debochar com sutileza. Imagem: Manual do Usuário.

Bebendo de diversos modelos de linguagem, como os da OpenAI, Llama (Meta) e Stable Diffusion, a Luzia é um contato que responde a… bem, a qualquer dúvida ou pedido. Ela tira dúvidas, transcreve áudios, gera imagens e até ajuda a escrever código.

Em outubro, quando levantou US$ 10 milhões em uma rodada de investimentos série A, 16 milhões de pessoas conversavam com a Luzia. A conversa, por ora, é gratuita, e Higes garante que sempre haverá uma parte de recursos sem custo.

Muita gente, mas uma gota no oceano de +2 bilhões de usuários do WhatsApp.

Era apenas questão de tempo para que a Meta se voltasse à IA gerativa para seus aplicativos. Em novembro, em um evento dedicado à tecnologia, Mark Zuckerberg anunciou um chatbot da empresa, o Meta AI, e “personas” especializadas em certos assuntos, como esportes e moda, interpretadas por celebridades, como Tom Brady e Paris Hilton.

As IAs da Meta ainda não estão disponíveis em todo canto, apenas nos EUA. Elas sinalizam um futuro repleto de IAs especializadas, para finalidades distintas.

O grande salto deve ocorrer quando os chatbots vierem de todos os lugares, e não só da própria Meta ou de startups especializadas no assunto. Quando isso acontecer, tomara que sobre um espaço para nós, seres humanos.

Sem alarde, a Meta desfez a integração entre Messenger e DMs do Instagram. Isso foi parte de uma jogada estratégica da empresa, entre 2019 e 2020, para embolar seus aplicativos a fim de dificultar uma ruptura em eventuais processos antitruste. O processo não veio (ainda), mas a Europa aprovou uma lei (Digital Markets Act) que obriga o WhatsApp a ser interoperável com outros apps de mensagens, o que provavelmente explica a mudança de curso da Meta. Via Central de Ajuda do Instagram.