Na última quinta-feira (24), a Uber anunciou um acordo com os aplicativos de táxis da cidade de Nova York. Todos eles, 14 mil táxis, serão integrados à plataforma da Uber e poderão ser chamados pelo aplicativo. Os preços do táxis na Uber serão similares às da categoria UberX, mas os taxistas poderão ver os valores de antemão e recusarem corridas sem prejuízo.

Em entrevista ao Wall Street Journal, Andrew Macdonald, diretor de mobilidade global da Uber, afirmou que o objetivo da empresa é ter todos os táxis do mundo em sua plataforma até 2025. “É certamente [um objetivo] ambicioso, mas acho que é possível”, disse.

Embora não seja uma novidade (a Uber já havia firmado acordos pontuais com taxistas em outros países), o acordo em Nova York marca uma guinada para a empresa que, por anos, polarizou disputas acirradas, às vezes violentas, com taxistas. Via Wall Street Journal (em inglês).

Nos últimos dias, plataformas digitais anunciaram reajustes nos preços para refletir a inflação e a alta no preço dos combustíveis:

  • 99: Aumento de 5% no preço do quilômetro rodado.
  • iFood: Aumento de 13% na rota mínima (de R$ 5,31 para R$ 6) e de 50% no quilômetro rodado (de R$ 1 para R$ 1,50).
  • Uber: Aumento temporário de 6,5% no preço das corridas.

Os reajustes de 99 e Uber já estão valendo. Os do iFood entram em vigor no dia 2 de abril.

A remuneração de motoristas e entregadores foi apontada como um dos problemas mais graves no relatório da Fairwork. Das seis plataformas analisadas, apenas a 99 garantia o salário mínimo aos trabalhadores. Via LABS.

Uber, 99, Rappi e iFood têm notas pífias em avaliação sobre trabalho decente no Brasil 

Uber, 99, Rappi e iFood têm notas pífias em avaliação sobre trabalho decente no Brasil, por Tatiana Dias no The Intercept:

Nessa edição do relatório [da Fairwork], a primeira feita no Brasil, foram avaliadas seis empresas — e a nota máxima foi 2, colocando o país entre os piores lugares do mundo para os trabalhadores de plataformas.

Rappi, GetNinjas e Uber Eats zeraram — isso significa que não pontuaram absolutamente nada nos critérios de “trabalho decente”. O Uber atingiu a mísera nota 1. O iFood e a 99, as empresas melhor avaliadas, conseguiram uma risível nota 2 — e isso depois de se movimentarem, ao saberem da existência do ranking, para cumprir alguns dos critérios levantados pelos pesquisadores.

A íntegra do relatório pode ser baixada no site da Fairwork.

A Uber lançou nesta quarta (16) uma atualização em seu app para permitir que os usuários passageiros vejam detalhes da sua nota no aplicativo. Na nova Central de Privacidade, é possível ver os volumes totais de avaliações — quantos motoristas te deram cinco, quatro, três, duas ou uma estrelas.

As avaliações não são atualizadas em tempo real, a fim de previnir que o usuário possa associar avaliações aos motoristas.

A Uber diz que o recurso está disponível no mundo inteiro, a todos os usuários. A Central de Privacidade fica nas configurações do aplicativo. (Aqui, ainda não apareceu.) Via Uber (em inglês).

Ações individuais frente a problemas globais: uma abordagem mais afetuosa

Foto em close, em ângulo isométrico, do logo do Instagram na tela de um celular.

A nossa dificuldade de pensar em grande escala nos coloca em enrascadas vez ou outra. Confrontados por problemas gigantescos, como a emergência climática ou o abuso de poder desmedido das grandes empresas, nosso primeiro impulso é corrigir hábitos. “Fazer a nossa parte.”

Nada tira o mérito dessas atitudes, mas elas implicam carregar um fardo insustentável para o indivíduo. Não é por aí que esses grandes problemas, nascidos não das ações e escolhas individuais de bilhões de pessoas, mas de políticas públicas, campanhas milionárias de marketing, práticas desleais, força bruta e outros eventos de grande escala, serão resolvidos.

Essa reflexão ensejou este texto e uma leve mudança de curso na postura minha e do Manual do Usuário.

(mais…)

Uber enfrenta um concorrente improvável no Brasil: o app de táxi do governo 

Uber enfrenta um concorrente improvável no Brasil: o app de táxi do governo (em inglês), por Charlotte Peet no Rest of World:

Martins Delcourt faz parte de um número crescente de brasileiros que estão abandonando a Uber em prol dos táxis, que agora estão ficando mais baratos e fáceis de encontrar. De acordo com a Sindicato dos Taxistas Autônomos da cidade do Rio, a demanda pelos serviços do Taxi.Rio, que agora opera em várias cidades do Brasil, aumentou em 60% no final de 2021. O Taxi.Rio ganhou cerca de 38.000 usuários mensais em 2021, de acordo com dados oficiais da prefeitura.

No aplicativo Taxi.Rio, a mordida que a prefeitura dá no faturamento dos motoristas é de 5%. Nos apps comerciais, a das empresas pode chegar a 30%.

É uma pena que esses apps sejam tão negligenciados. O Taxi.Rio, que agora pode ser usado por outras cidades interessadas na tecnologia e que parece ser dos melhores, tem uma nota baixíssima na App Store (2,8) e muitas reclamações ali e na Play Store. Baixei o URBS Taxi Curitiba (2,2 na App Store) e o estado é abismal. Não faz login nem completa o cadastro. Veja o estado do formulário de cadastro. É pedir muito um app minimamente funcional?

O serviço de entregas de restaurantes do Uber Eats será desativado no Brasil em 8 de março. A saída da Uber deverá consolidar ainda mais o segmento nos dois líderes, iFood e Rappi. No Brasil, restará o serviço de entregas de mercado e outros estabelecimentos, feito pela Uber em parceria com a startup chilena Cornershop. Outra mudança no app do Uber Eats é que a partir desta quinta (6) a modalidade de pagamento com dinheiro em espécie deixa de ser oferecida. A Uber ressaltou que o serviço de caronas segue funcionando e que o volume de viagens já é maior que no período anterior à pandemia. Via CNN, LABS News.

A 3ª Turma do Tribunal Superior do Trabalho (TST) reconheceu o vínculo empregatício entre um motorista e a Uber. Outras turmas da corte (4ª e 5ª) já haviam decidido em sentido contrário, o que levará o assunto a uma subseção a fim de uniformizar o entendimento do tribunal. Via Folha de S.Paulo.

A Uber encontrou um jeito ~esperto de resolver os problemas das longas esperas por corridas e a insatisfação dos motoristas com os custos de operar na plataforma: aumentar o valor das corridas chamando o reajuste de “nova modalidade”.

O Uber Prioridade, disponível inicialmente em Campinas (SP), Curitiba (PR) e Belém (PA), é definido pela empresa como “mais uma oportunidade de ganhos para os motoristas e, para os usuários, a possibilidade de embarques mais rápidos”. Ele aparece na lista de modalidades e é opcional, pelo menos enquanto o índice de rejeição de viagens ou o tempo de espera permanecerem toleráveis no UberX comum.

A Uber não informou, no comunicado à imprensa, a variação percentual do Uber Prioridade em relação ao UberX. Diz apenas que a nova modalidade custa “um pouco mais”. Perguntei à empresa se essa informação existe e, caso receba uma resposta, atualizarei esta notinha. Via Uber.

Atualização (11h20): Segundo a assessoria da Uber, o Uber Prioridade custará em média 20% a mais que o UberX tradicional. “Esse percentual pode alterar dependendo de variáveis como horário e local, mas a média é de 20% mesmo.”

Confusa a comunicação da Uber sobre o reajuste motivado pela alta dos combustíveis, anunciado na noite desta sexta (10). A empresa informou que o valor da tarifa seria reajustado em até 35% na modalidade UberX, mas que ele não afetaria o custo para o usuário. Segundo correções em alguns jornais (Folha de S.Paulo, G1), o repasse afeta os motoristas. O que ainda é nebuloso — quer dizer que os motoristas pagarão o pato? Não também. Segundo a correção do G1, “a informação correta é de que este aumento não será repassado ao passageiro, o que aumenta é o repasse de ganhos para os motoristas do aplicativo”. Então a Uber vai absorver o prejuízo? Pela lógica, sim, mas ainda segundo o G1, “a companhia não detalhou até a última atualização dessa reportagem como o aumento do valor repassado para os motoristas será absorvido pela empresa de forma a evitar uma alta no preço da viagem para o passageiro”.

A situação na 99 é mais simples — pelo menos por ora, ou até fazerem uma correção — e os preços serão reajustados, entre 10% a 25%, para o usuário final. Via G1, Folha de S.Paulo.

Desolador o impacto da alta dos combustíveis no trabalho dos motoristas e entregadores de aplicativos. Via G1.

Do gasto diário de um motorista, a gasolina representa entre 40% e 50%. A taxa paga aos aplicativos gira em torno de 25%. Para boa parte dos condutores, há ainda o pagamento de parcelas do veículo ou locação.

A Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) estima que 25% dos motoristas deixaram de dirigir na cidade, em relação ao total do início de 2020.

Nos apps de delivery, a pandemia teve um efeito contrário ao dos motoristas na pandemia, aumentando a demanda e, com isso, o número de entregadores circulando nas ruas, o que fez cair os preços das corridas. O segundo impacto em um ano, o do aumento no preço dos combustíveis, tem feito muitos deles trabalharem mais — e ficarem mais suscetíveis a acidentes:

O aumento de acidentes de moto é flagrante. Os últimos números do Infosiga SP mostram que o número de acidentes com motociclistas na capital paulista saltou de 1.011 em abril de 2020 para 1.584 em junho de 2021 (alta de 56,6%). As mortes subiram 58,8%, de 17 para 27.

No Twitter, o usuário @bubblegui viralizou com uma postagem denunciando supostas alterações no funcionamento da Uber que, segundo ele, explicariam por que “está tão ruim de usar Uber”. Algumas passagens causaram estranhamento, então fui conversar com a Uber para tentar descobrir o que ali é verdade e o que não é.

@bubblegui, ou gui, com sua foto na praia de óculos escuros e o GIF de um meme na descrição do seu perfil, afirma que “a Uber alterou a forma como cobra e distribui as viagens de algumas semanas pra cá”. Agora, além da região do destino da corrida, os motoristas estariam vendo também “uma estimativa do tempo e distância da viagem”, o que os desestimularia de aceitarem corridas demoradas, mas de curta distância.

A Uber nega ter alterado a distribuição de corridas, mas confirma que os motoristas agora dispõem de mais informações. O texto abaixo é da empresa:

A Uber não alterou o sistema de distribuição de viagens. O que ocorreu é que, recentemente, algumas cidades como o Rio de Janeiro passaram a ter um novo cartão de oferta desenhado para atender pedidos de que o motorista parceiro tivesse mais informações sobre a viagem antes de aceitar. O que ele vê no cartão, agora, é: o valor que ele irá receber pela viagem, a distância e tempo de onde ele está até o passageiro, a duração e a quilometragem estimada da viagem (igual ao usuário) e o destino do passageiro. Com isso, cada motorista parceiro fica mais à vontade para escolher as viagens que fazem mais sentido para a rotina dele.

“Outro ponto é que o dinâmico agora é um valor fixo, então para o motorista é muito melhor quando pega uma viagem curta com dinâmico”, diz nosso amigo do Twitter. Segundo a Uber, meia verdade (ênfase deles):

Não, o preço dinâmico continua sendo ativado, temporariamente, em situações de alto desequilíbrio entre oferta e demanda. O que ocorreu é que em algumas cidades, entre elas o Rio de Janeiro, a multiplicação do preço dinâmico foi recentemente substituída pela adição. Pesquisas com os parceiros que usam esse sistema mostraram que eles não viram mudança em seus ganhos ou viram seus ganhos aumentarem, em comparação com quem usa a multiplicação. Na prática, no sistema de adição o montante extra é somado ao preço final da viagem independentemente do tamanho dela. No entanto, mesmo no sistema de adição, o tamanho desse montante continua, sim, variando conforme a demanda por viagens.

No trecho mais estranho, que colocou em xeque a postagem, @bubblegui afirma que “as viagens passaram a ter preço 100% fechado”, ou seja, que “se o passageiro mudar o trajeto, o motorista não ganha um centavo a mais; se pegar transito, idem”. Segundo a Uber, nada mudou nessa área e a informação, portanto, está incorreta:

Não, o sistema de preços da Uber continua realizando ajustes para mais ou para menos nos casos em que o tempo e a distância finais da viagem variam de maneira significativa em relação ao pedido original.

O usuário do Twitter diz, por fim, que o Uber Promo prejudica o motorista, pois a diferença de preço para o UberX normal seria custeada por quem dirige. Perguntei à Uber se é verdade. Resposta:

Não. O Uber Promo oferece viagens a preços menores, portanto os usuários pagam menos, a Uber ganha menos e os motoristas parceiros também. Os motoristas parceiros são livres para escolher se querem ou não atender essa modalidade, que só fica disponível em algumas horas do dia (fora dos horários de pico, quando a quantidade de chamados de UberX cai e o parceiro fica mais tempo esperando entre uma viagem e outra).

@bubblegui não está de todo errado, mas… né, também não está 100% correto. Talvez ele seja motorista da Uber? Não sei. Eu não morro de amores pela Uber, tenho severas ressalvas à empresa, mas é preciso ser justo, especialmente na crítica.

Este post não alcançará uma fração mínima da repercussão do fio original do Twitter — no momento desta publicação, com 3,9 mil retuítes e 27,5 mil curtidas só no primeiro post. Vida que segue.

Depois de perder uma batalha judicial de cinco anos, nesta quarta (17) a Uber passou a tratar seus motoristas como funcionários no Reino Unido. Com isso, eles terão direito a salário mínimo, férias remuneradas e aposentadoria. Até o momento, a empresa não quebrou e, segundo um porta-voz, a mudança não deverá acarretar aumento nos preços aos consumidores. Via BBC News.

Na sexta (18), a Suprema Corte do Reino Unido decidiu que motoristas da Uber têm direitos trabalhistas, como salário mínimo e férias remuneradas. (Por lá, existe ainda a figura do funcionário, que é distinta e tem mais direitos, como licença maternidade e contestar demissões.) A Uber diz que a decisão só se aplica aos dois motoristas que moveram a ação julgada, em 2016, mas o precedente deve afetá-la e a outras plataformas de bicos no país. Via G1, The Guardian (em inglês).