Não dá mais para confiar no Google

Uma das sacadas geniais de Tim Berners-Lee, criador da World Wide Web e fundador do W3C, consórcio que define os padrões da web, foi “doar” sua criação à humanidade — sem patenteá-la nem cobrar royalties.

De pequenos empreendimentos excêntricos (eu!) à big tech, todos usufruímos da criação de Berners-Lee. É o ambiente digital mais democrático que já existiu.

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Tenho pensado em como aplicativos de mensagens de texto, como WhatsApp e Telegram, se transformaram na UI/UX dominante para resolver problemas, organizar eventos, dialogar com empresas e outras interações sociais.

Há muitos méritos nesse paradigma; o maior deles, acho, a acessibilidade. Por outro lado, será que não estaríamos melhores lidando com mais interfaces, cada uma adequada à demanda em questão?

Ligações telefônicas, por exemplo, são mais humanas e mais eficientes para resolver mal-entendidos e pequenos gargalos no dia a dia. E-mail, fóruns baseados em tópicos, sites bem feitos para e-commerce… tudo isso caiu em desuso ou perdeu muito espaço para balões de texto e grupões no WhatsApp.

A Meta anunciou a expansão do Meta AI (equivalente ao ChatGPT da OpenAI) para os populares apps da empresa, como Instagram e WhatsApp, e o Llama 3, nova versão do seu grande modelo de linguagem (LLM) de código aberto.

É a maior investida da empresa em IAs generativas até agora, um movimento que leva a previsões… estranhas, como a feita pelo Casey Newton em sua Platformer:

A primeira era do Facebook foi para conversar com amigos e familiares. A segunda, influenciada pelo TikTok, está mais focada em conteúdo de criadores e outras pessoas que você não conhece.

Nesta semana, tivemos um vislumbre da era ainda por vir: uma em que interagiremos regularmente com pessoas e robôs — talvez nem sempre cientes, ou nos importando, com qual estamos falando.

Um avanço significativo é o gerador de imagens do Meta AI. Ele responde a alterações no enunciado quase em tempo real. Dave Winer gravou um vídeo demonstrando o recurso — que, a exemplo das outras novidades, ainda não está disponível no Brasil.

Recursos do Android que causam inveja a quem usa iPhone

Desde 2015, meu celular principal é um iPhone. Nessa quase uma década, acompanhei com atenção os movimentos da única alternativa viável, o Android do Google.

Em que pese minha preferência pelo iOS, há boas ideias do lado de lá que eu gostaria que fossem copiadas pela Apple.

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Talvez a Meta esteja meio certa em ignorar jornalistas e notícias no Threads. (O que não significa que a empresa esteja certa em outras coisas, ou no geral.)

A crise transnacional envolvendo o dono do X (ex-Twitter) e a Justiça brasileira levou muitos tuiteiros, incluindo jornalistas, a procurar abrigo no Bluesky. E, mesmo sem seguir novos perfis, meu feed foi tomado de… notícias. E notícias específicas: do Elon Musk, de política, de desgraças no geral.

Nada contra notícias e jornalismo em geral, é só que nesses ambientes — Twitter e agora Bluesky — a abordagem se dá com o fígado em vez do cérebro. Pesa o clima e cansa um pouco.

Se Elon Musk retirar os bloqueios judiciais impostos pelo TSE a contas de lunáticos no X, antigo Twitter, e continuar achincalhando o ministro Alexandre de Moraes (resumo do Núcleo), não é maluquice imaginar um bloqueio do X no país. E… sinceramente, talvez seja uma boa? Seria um lixão a céu aberto a menos na internet brasileira.

Atualização (8/4, às 8h40): Na noite deste domingo (7), Alexandre de Moraes incluiu Musk como investigado no inquérito das fake news do STF e por possíveis crimes de obstrução à Justiça e incitação ao crime. Texto na íntegra.

Quase ninguém liga se seu site não está nas redes sociais

Em março de 2024, fiz um experimento no Manual do Usuário: parei de distribuir o conteúdo do site em redes sociais e aplicativos de mensagens.

O resultado foi que… pouca coisa mudou.

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Leis de privacidade não são culpadas pelos popups de cookies que poluem sites

A Wired analisou os 10 mil sites mais populares e descobriu que muitos deles compartilham dados dos visitantes com +1 empresas.

Isso não é novidade para quem presta atenção naqueles alertas/popups de cookies. (Ou lê este Manual.) O que me chamou a atenção foi o motivo de agora sabermos o número de empresas com quem os sites compartilham dados. De lá:

Em novembro de 2023, a IAB Europe atualizou seu Framework de Transparência e Consentimento em resposta a decisões judiciais dizendo que não estava em conformidade com o GDPR [lei de proteção de dados pessoais] da Europa, para incluir a disposição de que as empresas devem divulgar com quantos parceiros estão compartilhando dados do usuário nas páginas iniciais de seus sites. Townsend Feehan, CEO da IAB Europe, diz que a atualização “inclui uma série de iterações significativas”, que fornecem às pessoas mais informações sobre quais dados podem ser compartilhados e incluem mudanças como disponibilizar uma opção de “rejeitar tudo” com destaque.

Os popups de cookies são odiados por todos, e muita gente culpa a União Europeia e o GDPR por essa praga na web.

O pulo do gato é que o GDPR só menciona a palavra “cookie” uma vez, e num contexto exemplificativo. Os popups de consentimento são uma gambiarra incômoda criada por uma indústria viciada em espionar leitores/usuários — tão viciada que não sabe trabalhar de outro jeito. Este texto (em inglês) explica o dilema. (Não sou especialista em direito europeu, logo não posso garantir a acurácia jurídica das informações.)

Sabe por que o Manual não mostra um popup pedindo consentimento para usar cookies? Porque não compartilho os dados (poucos, nenhum pessoal ou identificável) coletados quando você acessa este site. O problema não é o GDPR nem os cookies.

Brave, Firefox e Opera ganharam mais usuários na Europa. E agora?

A entrada em vigor do Regulamento Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês), em 7 de março, apresentou aos cidadãos da União Europeia uma tela de escolha ao abrirem o Safari no iOS 17.4 ou configurarem novos dispositivos Android. (O porquê dessa discrepância me escapa.)

Os primeiros resultados parecem animadores. Ao menos, as empresas beneficiadas com a medida demonstraram empolgação:

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TSE erra a mão em nova obrigação às plataformas digitais para as eleições de 2024

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou novas resoluções para as eleições municipais deste ano.

Entre elas, há uma que traz novas regras relacionadas à propaganda eleitoral na internet. Na visão deste leigo aqui, há dois aspectos que merecem atenção.

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Cenas de uma web que agoniza

Vi uma chamada da newsletter Platformer que me interessou pelo título (“Cenas de uma web que agoniza”) e a ilustração (prints do detestável Arc Search, que usa inteligência artificial para mastigar páginas da web e cuspir uma nova com informações surrupiadas).

Cliquei e topei com outra cena da morte da web: um paywall.

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Adolescentes no Instagram e as ferramentas de controle parental

A mãe chega em casa após um dia de trabalho extenuante, incluindo algumas horas no transporte público. Toma um banho e já corre para preparar o jantar para ela e seus dois filhos. Depois da refeição, enquanto assiste à novela, ela saca o celular, abre a Central da Família da Meta e revisa as atividades e configurações dos perfis dos filhos no Instagram.

A história acima aconteceu com aproximadamente zero mães, pais ou responsáveis.

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Resposta do Olhar Digital à análise de sites de tecnologia brasileiros

por Bruno Capozzi

Nota do editor: Na última quinta (18), recebi um e-mail do Bruno, editor-executivo do Olhar Digital, com a promessa de uma resposta, em breve, à análise de sites de tecnologia brasileiros que publiquei neste Manual no dia 12/1. Como ela veio em prosa, pedi autorização ao Bruno para publicá-la na íntegra aqui.

Primeiramente, obrigado pelas considerações e por entrar em contato conosco. Achei sua análise bastante interessante. Tomei a liberdade de escrever um texto corrido para responder suas questões.

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Talvez seja melhor manter os apps de mensagens separados

Todos os dias, faço uma curta peregrinação digital: passo por cinco ou seis aplicativos de mensagens para saber das novidades e responder pessoas. Seria ótimo se fosse um só, não?

Eu achava que sim, e mais gente — que sabe programar e/ou tem recursos — também. Embora os principais aplicativos de mensagens do mercado não trabalhem com rivais, soluções como Beeper, Texts e Element One conseguem, ainda que na base da gambiarra, juntar as mensagens do WhatsApp, Signal, Telegram e outros, todos sob um único ícone na tela do celular.

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Cedo ou tarde, qualquer pessoa que se interesse por tecnologia para seres humanos se dá conta de que o software proprietário é um beco sem saída. É por esse motivo que, apesar de ser um plano totalmente contraproducente, tenho flertado cada vez mais com a ideia de abandonar o ecossistema da Apple. Será que rola ainda em 2024?

Um bom lembrete do Brent Simmons, que tirou a poeira do seu blog após a Apple anunciar que vai cobrar 27% (!) de compras feitas na web a partir de links em apps do iOS que a Justiça estadunidense a obrigou a liberar.