“Pix das mensagens”, ou um plano para destronar o WhatsApp no Brasil

RCS é o “SMS 2.0”, um sistema de mensagens com recursos avançados/modernos e atrelado às operadoras em vez da propriedade de uma empresa. O Android é compatível com o RCS há vários anos; a Apple, por pressão de órgãos reguladores mundo afora, só adotou o formato em 2024 e a conta-gotas, dependendo da boa vontade das operadoras de cada país.

Tudo indica que o iOS 26, que deve ser lançado em setembro ou outubro, liberará o RCS para o iPhone no Brasil. Pode ser uma janela de oportunidade.

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Revisitando o Facebook

Em março deste ano, num raro momento de sobriedade da droga “inteligência artificial”, um reformulado Mark Zuckerberg — correntona de ouro no pescoço, cabeleira rebelde — prometeu que o Facebook, ou uma parte dele, voltaria a tempos mais simples, quando a rede social era… bem, uma rede social. Uma época inocente, em que o próprio parecia um boneco de cera e não um dublê de rapper.

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Uma abordagem menos afetuosa da tecnologia

É quase impossível escapar do WhatsApp e muito difícil livrar-se do Instagram. Para muitos, é também indesejável. Amigos, parentes, pessoas queridas e toda a presença de muitos comércios só estão disponíveis em um ou outro (ou em ambos).

Em 2022, quando escrevi a respeito da “abordagem mais afetuosa” com a tecnologia, havia pouco tempo voltara a usar essas e outras plataformas comerciais. Baixei as defesas numa tentativa de estar mais presente, de participar mais.

O problema com empresas como a Meta é que toda concessão do nosso lado é explorada ao máximo.

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Este botão desativa o Meta AI e aumenta a privacidade em conversas no WhatsApp

Lembra quando o WhatsApp era só um aplicativo de mensagens levinho? Saudades. Hoje há tantas funções, tantos anúncios de novidades que, às vezes, algumas úteis passam batidas.

Por acaso, dia desses topei com a “Proteção avançada da conversa”, disponível nas opções de grupos e de conversas individuais. Foi lançada em abril deste ano.

Ao ser ativada, três coisas acontecem:

  • Desabilita a exportação da conversa. Isso dificulta o repasse das mensagens para terceiros e o processamento delas por IAs externas, como o klinsmann ensinou no Órbita.
  • Desabilita o download automático de mídias.
  • Por fim, desabilita o acesso à Meta AI, a irritante IA da Meta que, por padrão, pode ser invocada digitando @meta em uma conversa.

Infelizmente (mas não surpreende), não existe um botão geral para ativar a proteção avançada em todas as conversas; só dentro da opções de cada conversa.

Diante da impossibilidade de usar um aplicativo melhor, como o Signal, é uma boa opção para ativar quando assuntos sensíveis estão sendo debatidos.

Entre a Meta anunciando que sua IA, Meta AI, atingiu 1 bilhão de usuários e o Google que os AI Overviews são usados por 1,5 bilhão, fico curioso em saber quantas dessas pessoas fazem o uso intencional do recurso, ou que preferem-no àqueles que a IA substitui.

Os AI Overviews aparecem no topo das buscas, sem opção de desligamento. O Meta AI suspeito que muita gente aciona sem querer ao tocar naquele botão horrível no WhatsApp, nos resultados da pesquisa dos três apps ou ao tentar marcar uma pessoa em um grupo digitando uma arroba.

Muito fácil chegar a números enormes quando já se tem uma plataforma gigante. Acho que isso nem entra na discussão. A questão é alardeá-los como tais números fossem conquistados, e não impostos.

O julgamento que pode separar Instagram e WhatsApp da Meta

Os julgamentos de casos antitruste nos tribunais estadunidenses talvez sejam a maior contribuição do país à humanidade depois dos ovos beneditinos e da Hollywood dos anos dourados.

Nesta segunda (14), teve início um dos mais aguardados dos últimos tempos, em que a Federal Trade Commission (FTC, espécie de Cade dos EUA) acusa a Meta de monopolizar o mercado de redes sociais pessoais, barrando concorrentes em potencial com as aquisições bilionárias de Instagram e WhatsApp. Um dos possíveis “remédios” é o desmembramento da empresa, restabelecendo Instagram e WhatsApp como alternativas independentes e rivais do Facebook.

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O Governo Federal continua se enroscando mais e mais no WhatsApp.

Por se tratarem de serviços de utilidade pública, faz sentido a adoção do aplicativo da Meta — de longe o mais popular do tipo no país. Ainda assim, fica aquele ~retrogosto ruim de ceder cada vez mais espaço ao WhatsApp em nosso dia a dia…

E, sim, estou ciente de que a assinatura do Manual tem, entre seus benefícios, o ingresso em um grupo fechado no WhatsApp.

O alerta de Yuval Harari aos perigos da inteligência artificial e do… stalinismo?

É possível contar uma mesma história de diferentes maneiras, partindo de múltiplas premissas. Em seu último livro, Yuval Noah Harari adotou as redes de informação como fio condutor da história humana — e base de uma visão apocalíptica da nascente inteligência artificial. Apertem os cintos: o ChatGPT vai nos matar!

Em Nexus: Uma breve história das redes de informação, da Idade da Pedra à inteligência artificial (Companhia das Letras, 2024), Harari surfa a onda da IA com alarmismo. É tudo culpa nossa, humanos insolentes, que ousamos criar “a primeira tecnologia capaz de tomar decisões e gerar ideias por si mesma”, “a maior revolução da informação na história”. Hm, ok.

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A Meta baixou pelo menos 81,7 TB (terabytes), por torrent, de materiais piratas em sites como LibGen, Anna’s Archive e Z-Library, para treinar inteligência artificial. O número apareceu em novos documentos revelados no processo que autores estadunidenses moveram contra a empresa.

O pior é que a Meta teria agido para “‘semear’ [compartilhar] o mínimo possível” a fim de cobrir os rastros do uso ilegal do material, protegido por direitos autorais.

Gente que só baixa e não faz seeding: piores usuários de torrent.

Via Ars Technica.

Nas poucas horas em que o TikTok ficou indisponível nos EUA, os rivais Bluesky, X e até Flipboard (com o novo app Surf, em testes) lançaram “feeds de vídeos” tentando capitalizar o momento. Concorrência justa, como se sabe, é um dos pilares do capitalismo estadunidense. / @bsky.app/bsky.app, @X/x.com, techcrunch.com (todos em inglês)

A Meta entupiu o Instagram de novos recursos — que, de verdade, quem se importa? — e anunciou um clone sem vergonha do CapCut que só será lançado em março. / @mosseri/threads.net (em inglês)

A grande ironia é que o TikTok voltou ao ar por iniciativa da mesma pessoa que, muitos anos atrás, deu início à caça às bruxas que culminou no seu banimento. / g1.globo.com