Meta está construindo um modelo gigante de IA para alimentar todo o seu “ecossistema de vídeo”, diz o executivo

A Meta está usando GPUs da Nvidia para criar um sistema de recomendação de vídeos mais viciante. Os primeiros resultados mostraram um aumento de 8–10% no tempo gasto com Reels no Facebook.

Vinte empresas envolvidas com inteligência artificial — incluindo Google, OpenAI, Meta, Microsoft e TikTok — firmaram um acordo na Alemanha a fim de combater o uso enganoso de IA nas eleições em +40 países previstas para acontecer em 2024.

É tipo um “Conar da IA”, pautado por sete princípios e algumas promessas vagas de combate a maus usos, mais transparência e conscientização dos eleitores. Melhor que nada, mas parece pouco diante do potencial da IA gerativa para fins pouco ou nada democráticos.

Não demorou muito para a Meta sacanear jornalistas no Threads, repetindo um roteiro já gasto de… sacanear jornalistas. Na sexta (9), Adam Mosseri disse que “contas políticas” não serão recomendadas pelo algoritmo do Threads e do Instagram. (O que define uma conta como “política”? Boa pergunta.)

Muita gente que apostou na rede da Meta diante da decadência do Twitter se sentiu traída. O que é estranho, porque não é a primeira nem a segunda vez que a Meta sacaneia jornalistas. Via @mosseri@threads.net, Washington Post (em inglês).

A próxima parte crucial do nosso plano é aprender com os dados únicos e loops de feedback em nossos produtos… No Facebook e no Instagram, há centenas de bilhões de imagens compartilhadas publicamente e dezenas de bilhões de vídeos públicos, o que estimamos ser maior do que o conjunto de dados Common Crawl, e as pessoas também compartilham um grande número de postagens de texto público em comentários em nossos serviços.

Mark Zuckerberg
CEO da Meta

Common Crawl é o maior conjunto de dados da web disponível, com +250 bilhões de páginas coletadas no intervalo de 17 anos. Foi usado pela OpenAI na criação do GPT 3.

É nas conferências com investidores, e não em depoimentos no Congresso, que os CEOs falam sem muitas amarras do que realmente importa. Não poderia ter exemplo melhor disso do que as falas de Zuckerberg um dia depois de pedir desculpas às famílias de adolescentes vítimas de abusos no Instagram (e só depois de ser coagido por um senador). Via Bloomberg (em inglês).

Adolescentes no Instagram e as ferramentas de controle parental

A mãe chega em casa após um dia de trabalho extenuante, incluindo algumas horas no transporte público. Toma um banho e já corre para preparar o jantar para ela e seus dois filhos. Depois da refeição, enquanto assiste à novela, ela saca o celular, abre a Central da Família da Meta e revisa as atividades e configurações dos perfis dos filhos no Instagram.

A história acima aconteceu com aproximadamente zero mães, pais ou responsáveis.

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O site The Markup fez um experimento com 709 usuários do Facebook e descobriu que, em média, 2.230 empresas enviam dados de cada um deles para cruzar com os da rede social da Meta. Mas, ok, a Meta diz que não vende os dados dos usuários…

Não é o único caso.

Vez ou outra me deparo com comentários surpresos de gente que topa com avisos de quantidades inconcebíveis de “parceiros” para quem empresas que dependem de publicidade invasiva repassam dados dos usuários:

A Meta liberou uma nova opção de privacidade no Facebook, a do histórico de links. Implementada por pressão regulatória, ela vem ativada por padrão e o histórico é usado para segmentar anúncios.

Acho estranha a ideia de ter que enveredar por labirintos de opções para que o serviço que utilizo não me espione. A tática não é nova (valeu um puxão de orelha da União Europeia em julho passado), e demonstra a quem a Meta realmente serve (dica: não é você nem eu).

Se por qualquer motivo você ainda usa o Facebook, a Central de Ajuda da plataforma explica como desativar o histórico (apenas no aplicativo para Android e iOS). Via Gizmodo (em inglês).

Quando a Meta lançou o Threads e anunciou que ele usaria o protocolo ActivityPub, para integrar-se ao fediverso/Mastodon, desconfiei.

Nesta quarta (13), quase seis meses depois do lançamento da rede, Zuck disse no Threads que estavam “testando a integração”. Continuei cético.

Hoje (14) pela manhã, abri o Mastodon e dei de cara com o perfil do Threads de Adam Mosseri, executivo à frente do Threads e Instagram, no meu feed, acessível pelo Mastodon (procure por @mosseri@threads.net).

Ainda estou cético, mas agora um pouco menos.

No mesmo dia em que o Google lançou seu novo grande modelo de linguagem, o Gemini, a Meta anunciou um punhado de novos recursos de IA em testes ou já disponíveis.

Coincidência? Provavelmente sim.

Os novos recursos estão listados no link ao lado, com imagens. Via Meta (em inglês).

Cerca de 50 empresas, universidades, órgãos de pesquisa e governamentais e fundações sem fins lucrativos se juntaram na AI Alliance, uma espécie de associação para a promoção de modelos de inteligência artificial de código aberto.

O grupo, que conta com alguns pesos-pesados, como Meta e IBM (que encabeçam a aliança), AMD, Oracle, NASA e CERN, parece uma tentativa de fazer frente às três notáveis ausências da lista que trabalham com IAs proprietárias: Google, Microsoft (que financia a OpenAI) e a própria OpenAI, que, apesar do nome, não tem nada de “open”.

Outra ausência notável para nós é a de uma representante brasileira entre os membros fundadores. Não tem.

Sem alarde, a Meta desfez a integração entre Messenger e DMs do Instagram. Isso foi parte de uma jogada estratégica da empresa, entre 2019 e 2020, para embolar seus aplicativos a fim de dificultar uma ruptura em eventuais processos antitruste. O processo não veio (ainda), mas a Europa aprovou uma lei (Digital Markets Act) que obriga o WhatsApp a ser interoperável com outros apps de mensagens, o que provavelmente explica a mudança de curso da Meta. Via Central de Ajuda do Instagram.

Canais do WhatsApp: novo recurso, velhos hábitos

Por muito tempo, o WhatsApp era posicionado como um aplicativo de mensagens entre pessoas, um a um, no máximo em pequenos grupos. Tentativas de distribuir conteúdo em massa usando gambiarras, como múltiplos grupos, eram coibidas.

Isso mudou. Em 2022, a Meta engrenou uma sequência de novidades no WhatsApp que segue com força total até agora, reposicionando o app para brigar por mercados que rivais como Discord e Telegram criaram ou conquistaram.

É para conversar com os amiguinhos, sim, mas também para se informar, comprar, organizar os grupos do condomínio, do trabalho, enfim, passar o maior tempo possível ali dentro. O WhatsApp é o mais próximo que o Ocidente tem de um “super app”.

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Curioso que para veicular anúncios, a Meta consegue ler nossos pensamentos, mas quando é para detectar crianças usando o Instagram, o negócio fica “complexo”. Via New York Times (em inglês).

Google e Meta anunciaram que, em 2024, o backup do WhatsApp em celulares Android passará a contar no espaço gasto na conta Google — no plano gratuito, de 15 GB. Imagino que muita gente vai ingressar no meu movimento de um digital mais efêmero sem ao menos saber. Via Central de ajuda do WhatsApp.

O que vem depois do celular?

Após anos de promessas grandiosas, um TED que mais pareceu comercial de TV e US$ 240 milhões em investimentos, a Humane, startup fundada por um casal de ex-executivos da Apple, revelou seu primeiro produto: o AI Pin, uma espécie de broche inteligente.

Seria apenas um produto curioso, inovador, não fossem as tais promessas grandiosas. Com o AI Pin, a Humane quer substituir o celular.

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