Duas fotos de uma publicidade de ponto de ônibus. À esquerda, a normal, com uma mulher usando óculos da Meta. À direita, a mesma mulher em um “raio-x” desenhado, com a mensagem “We're always watching” embaixo.
Fotos: Hyperallergic/Reprodução.

De acordo com o site Hyperallergic, o grupo ativista londrino Everyone Hates Elon (“todo mundo odeia o Elon) fez esta intervenção em um anúncio de ponto de ônibus dos novos óculos de pervertidos inteligentes da Meta criados em parceria com a pessoa famosa Kylie Jenner.

A depender do ângulo da pessoa que vê o anúncio, a foto de Kylie se transforma em um “raio-x” do seu crânio e a mensagem passa a ser lida como “Estamos te observando o tempo todo”. Tipo aquelas “imagens 3D” para crianças.

Tudo nessa história é maravilhoso, do nome do grupo ativista ao vandalismo cirúrgico e a referência nada sutil ao clássico Eles vivem, filme de John Carpenter lançado em 1988, onde um par de óculos especiais revela mensagens subliminares por trás de anúncios publicitários.

O Everyone Hates Elon tem um histórico de intervenções do tipo.

Três Quatro novos recursos horríveis da Meta em menos de um mês

Este comentário do Bruno, no Bluesky:

Instagram inaugura ferramenta que rouba todo o dinheiro da sua conta bancária e mata sua família. Saiba como desativar 👇

O Instagram (ainda) não faz isso. A brincadeira dele faz referência à notícia recente de que fotos de perfis abertos no Instagram poderiam ser usadas para gerar novas imagens no WhatsApp com a Meta AI, IA generativa da Meta, dona do Instagram. A imprensa repercutiu e destacou nos títulos o “Como desativar”.

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Estes homens bregas com óculos ridículos querem que você também os use

A Meta, mesma empresa que afirmou em 2021 que hoje você estaria vivendo no “metaverso”, vendeu alguns poucos milhões de óculos com câmeras para pervertidos e, de repente, o novo futuro vislumbrado pela mente doentia de Mark Zuckerberg é da gente usando óculos com câmeras e “inteligência artificial”.

Sim, os CEOs do Vale acreditam que a melhor maneira de mitigar a compulsão por telas a 20 cm do rosto é colocar telas a 20 mm dos olhos.

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O ótimo A rede social (2010), que dramatizou a criação do Facebook, ganhará um filme “complementar” em outubro, The social reckoning (ainda sem título brasileiro).

Desta vez, o filme retratará os eventos da divulgação dos “Facebook Papers”, documentos internos vazados à imprensa em 2021 por Frances Haugen, ex-engenheira da Meta (à época, ainda Facebook).

O primeiro trailer mostra Jeremy Strong no papel de Mark Zuckerberg, o que achei boa escolha: a voz está muito parecida e o ator caracterizado é tão esquisito quanto o original que o inspira. (No primeiro filme, Zuckerberg foi interpretado por Jesse Eisenberg.)

Aaron Sorkin assina o roteiro sozinho e também dirige o novo filme. Uma pena que David Fincher não tenha voltado para dirigir a sequência, digo, o “complemento”. Não senti firmeza no trailer de que teremos um filme à altura do primeiro.

As novidades do WhatsApp que a Meta não te contou

A Meta realizou nesta semana, no Brasil, a versão local do Meta Conversations, evento global em que a empresa apresenta novidades no WhatsApp para empresas.

Lá fora, o destaque foi o “Business Agent”, um agente de IA para empresas que interage com os clientes.

É muita ousadia da Meta anunciar esse negócio na mesma semana em que descobriu-se que o seu agente de IA para SAC passou quase dois meses entregando as credenciais de contas populares no Instagram a qualquer um que pedisse.

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Como robôs de IA te manipulam e minam a sua privacidade

Sob o risco de estar entre as primeiras vítimas da inteligência artificial em uma eventual rebelião das máquinas, restrinjo minhas interações com as IAs generativas (ou robôs de conversação) do presente a uma frieza protocolar.

Acesso o site, pergunto ou peço o que preciso, recebo a resposta, fecho o site. Nada de chamá-la por nome, pedir por favor, agradecer ou ficar de conversa mole. Evito ao máximo antropomorfizá-la. Trato-a pelo que é: uma máquina estatística jorrando palavras que fazem sentido, não uma nova forma de vida senciente — ao menos, até o momento.

Tratar a IA de modo protocolar é, para mim, uma maneira de manter a linha que nos separa bem demarcada a fim de evitar uma improvável — mas não impossível — “psicose de IA”, uma pira em que a pessoa acredita de verdade que a IA tem vida.

Um relatório recém-publicado pelo Centro para Democracia e Tecnologia (CDT, na sigla em inglês), de autoria das pesquisadoras Ruchika Joshi, Adinawa Adjagbodjou e Michal Luria, trouxe mais argumentos favoráveis à minha postura junto às IAs generativas.

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Nada mudou no Instagram; Meta sempre leu suas DMs

Desde 8 de maio, o Instagram parou de oferecer a opção de mensagens diretas (DMs) com criptografia de ponta a ponta (e2ee, na sigla em inglês). O anúncio foi feito de maneira discreta, em uma página da documentação de ajuda da Meta, o que condiz com a importância desse recurso dentro do Instagram. Ao repercutir a notícia, porém, a imprensa fez um trabalho lamentável, esticando a verdade ou descambando para a desinformação mesmo, inflamando a opinião pública a troco de nada.

Sou o primeiro a criticar a Meta, e é por isso que devemos ser cuidadosos nas acusações, sob o risco de enfraquecermos os reais argumentos contra ela e suas práticas.

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Computação Neural: seu chefe acha que a IA vai virar um PC

por David Gerard

O preprint de hoje é “Neural Computers”, da Meta e da KAUST. Ele propõe um novo e fabuloso paradigma de computação, em que uma IA faz todo o trabalho de um computador! Você simplesmente diz ao robô para fazer coisas de computador e ele simula um computador para fazê-las! No futuro fabuloso.

Ouvi de algumas pessoas que seus diretores estão encantados com esse paper. Os chefes estão maravilhados com as *possibilidades* que a IA poderia lhes oferecer.

Quais são essas possibilidades? Zero ideia. Estou olhando para o paper e parece que um marqueteiro fez um PowerPoint e seu chefe mandou ele esticá-lo em um texto. Eis o que os pesquisadores prometem:

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