O enorme crescimento do Telegram não veio de graça. Segundo o Wall Street Journal, a empresa está emitindo dívida no valor de US$ 1 a 1,5 bilhão para manter os servidores ligados e saldar uma dívida com investidores que entraram naquele esquema de criptomoedas que o Telegram lançou em 2017. (Deu ruim, os Estados Unidos melaram o negócio e, no final de abril, o Telegram precisará pagar US$ 700 milhões a investidores nada satisfeitos com o investimento, pois perderam grana.)

A matéria cita alguns caminhos que o Telegram deverá buscar para gerar receita. Além de um IPO, fala também em anúncios. (O próprio Durov, CEO do Telegram, já havia dito isso em seu canal oficial.) Os anúncios seriam veiculados apenas em canais (tipo o do Manual) e não seriam gerenciados pelo Telegram, mas por empresas parceiras espalhadas pelo mundo. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

A partir de 1º de julho, o Google passará a cobrar 15% sobre itens digitais e serviços de apps distribuídos pela Play Store até US$ 1 milhão em vendas em cada ano. A nova política, que representa um corte de 50%, vale para todos, do desenvolvedor indie que vive do app à Netflix e ao Spotify. O que passar de US$ 1 milhão no ano será taxado em 30% (e somente o excedente, ou seja, o primeiro milhão continuará taxado em 15%). Via Android Developers Blog (em inglês).

Eu esperaria algo assim da Apple, dado o histórico das duas empresas. A solução que a Apple inventou para aliviar a pressão sobre o monopólio da App Store é super complicada e coloca desenvolvedores cujo faturamento anual ronda US$ 1 milhão em um dilema que poderia ser evitado — cessar as vendas para não furar o teto e perder o benefício, ou furá-lo e ter todo o faturamento do ano taxado em 30%?

O Cade proibiu o iFood de fechar novos contratos de exclusividade com restaurantes. A reclamação foi feita em outubro de 2020 pela Abrasel, e contou com o apoio das rivais Rappi e Uber. Contratos já assinados continuam valendo. Via LABS.

A Totvs comprou 92% da RD Station, startup líder em automação de marketing digital no Brasil, com sede em Florianópolis (SC), por R$ 1,86 bilhão. Via Brazil Journal.

Já sabíamos, mas não deixa de ser triste ver a Sony saindo do país. No fim de março, a fabricante japonesa deixará de vender câmeras, TVs e equipamentos de áudio no Brasil. Por aqui, apenas as operações de games, cinema, música e soluções profissionais continuarão. Via @sonybrasil/Twitter.

Em tempo: a loja oficial da Sony está com alguns descontos dignos de queima de estoque.

O Twitter avisou, em um  evento para acionistas, que em breve oferecerá suporte a perfis pagos, ou “Super Follows”. Muitas comparações foram feitas com o OnlyFans, mas o potencial é um tanto maior. Além de tuítes exclusivos, contas pagas poderão oferecer newsletters, criar comunidades (grupos, outra novidade para breve) e iniciar conversas por áudio ao vivo entre os apoiadores. Em uma tacada só, o Twitter substituiria Clubhouse, OnlyFans, Substack e Patreon. Ainda sem data de lançamento. Via The Verge (em inglês).

A “celularia” que trouxe a Blu de volta ao Brasil

A rede de franquias paraense Casa do Celular anunciou no início de fevereiro um acordo de exclusividade com a fabricante norte-americana Blu para distribuir seus celulares no Brasil.

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E-mails internos do Facebook revelados pela Justiça dos Estados Unidos mostraram que o chamado “potencial de alcance” dos anúncios em sua plataforma, uma métrica exibida quando os anunciantes estão configurando seus anúncios e que é determinante na decisão do valor a ser investido, estava “profundamente errada”. A direção do Facebook soube do erro por anos e quando uma correção foi proposta por um gerente de produtos, rejeitou-a porque o “impacto no faturamento” do Facebook seria “significativo”. Via @jason_kint/Twitter, Financial Times (em inglês, com paywall).

Sem divulgar valores, nesta semana o Twitter anunciou a compra da Revue, um serviço de newsletters, e imediatamente implementou mudanças: liberou os recursos “Pro” para usuários gratuitos e baixou a comissão cobrada das newsletters pagas para 5%, metade da do Substack. O modelo de negócio da Revue é similar ao do Substack, rival que teve um crescimento meteórico em 2020. Para mudar essa história, o Twitter vai alavancar sua rede social para promover as newsletters da Revue. O histórico da empresa com aquisições do tipo não é bom, porém — lembra dos fiascos que foram as do Periscope e do Vine? Via Twitter (em inglês), @wongmjane/Twitter (em inglês).

Enche o coração ver rico se dar mal, mas a história do r/WallStreetBets manipulando o valor de mercado da GameStop para lucrar em cima das vendas a descoberto (um “short squeeze”) de fundos hedge é mais complexa que isso. A história em si já é complexa; refiro-me ao contexto do evento.

As pessoas do r/WallStreetBets que organizaram o “hack” são niilistas com tendências antissistêmicas. Lembram sabe quem? Trumpistas/golpistas do Capitólio. Proto-terroristas do #Gamersgate. Jornadas de Junho/bolsonaristas ferrenhos. Tudo parece muito bonito, inspirador, até que a essência da coisa é subvertida (ou revelada) e nos deparamos com algo grotesco.

Não me entenda mal: o mercado de capitais é grotesco. Da ideia original de popularizar riscos e lucros, hoje ele é um fim em si mesmo. E é disso que decorre muitas das suas irracionalidades e injustiças, que o transforma em um cassino. (Não há maneira melhor de explicar a venda a descoberto do que sendo uma grande aposta.) O que o r/WallStreetBets fez foi instrumentalizar, na força bruta, algumas dessas irracionalidades para prejudicar os donos da banca e (importante dizer) enriquecer no processo. Há muito mais ressentimento e oportunismo do que senso de justiça norteando as ações deles.

Estamos (ou deveríamos estar) vacinados com o papo de “pior que tá, não fica”, e… bem, não precisa ir muito longe para sacar o ethos dos caras: a descrição do r/WallStreetBets é “Like 4chan found a bloomberg terminal illness.”

A Alphabet, holding do Google, anunciou nesta quinta (21) que encerrará o Loon, uma das “grandes apostas” (“moonshots”) do conglomerado que tinha por objetivo prover conexão à internet via enormes balões. Segundo o comunicado da empresa, “o caminho para a viabilidade comercial se provou muito maior e mais arriscado do que esperávamos.” Via Alphabet (em inglês).

O Loon foi testado e usado em alguns países. No momento, fornece internet ao Quênia. O Brasil foi palco de testes em 2014.

A Globo fez barulho nesta quinta (22) para anunciar novidades em podcasts para 2021. A maior delas é a expansão do Globoplay para o formato: agora, os mais de 80 podcasts da casa estão acessíveis pelo aplicativo de streaming. Felizmente, eles seguem disponíveis em outras plataformas. “Ainda que a gente lance projetos especiais com o Globoplay, a grande maioria dos nossos podcasts permanecerá nas plataformas de áudio disponíveis,” disse Guilherme Figueiredo, head de áudio digital da Globo.

A expansão dos podcasts na Globo contempla o lançamento de programas gravados por gente de fora do grupo — Kaique Brito, Jeska Grecco, Samir Duarte e Amanda Dias — e parcerias comerciais com nomes fortes do setor, como a produtora B9 e Ivan Mizanzuki, do popular Projeto Humanos. Via Gshow.

A empresa [LG] está considerando todas as medidas possíveis, incluindo venda, retirada e redução do negócio de smartphones.

— Representante da LG

Kwon Bong-seok, CEO da LG, enviou um comunicado aos funcionários avisando que a divisão de celulares da companhia, que acumula mais de cinco anos e ~US$ 4,5 bilhões em prejuízos, pode deixar de existir em 2021. O motivo, segundo nota de um representante da empresa enviada a um jornal coreano, seria a competição acirrada no mercado global de celulares. Via The Korea Herald (em inglês).

A Netflix fechou 2020 com 203,6 milhões de assinantes no mundo inteiro, crescimento anual de 21,9%. Talvez mais importante que essa marca seja a declaração dada aos acionistas de que a empresa “não precisa mais levantar financiamento externo para nossas operações cotidianas.” Na última década, a Netflix emprestou US$ 15 bilhões para financiar uma estratégia arriscada de sobrevivência: o investimento em produções próprias/exclusivas. No fim, parece que foi uma estratégia vencedora. Via Folha, CNBC (em inglês).

Dilema comum de quem vai às compras em busca de um celular novo: pego um intermediário deste ano ou um topo de linha do ano passado? A Qualcomm, que fornece os chips da maioria dos celulares à venda, vai tentar resolver o impasse com o novo Snapdragon 870 5G, anunciado nesta terça (19). Na prática, é o Snapdragon 865 Plus de 2020 rebatizado e com uma ou outra melhoria — e, possivelmente, um preço mais em conta. Via Android Police (em inglês), @pinguinsmoveis/Telegram.