OpenAI encerra o gerador de vídeos Sora; negócio com a Disney é cancelado

por David Gerard

A OpenAI encerrará o seu gerador de vídeos Sora:

Estamos nos despedindo do aplicativo Sora. Para todos que criaram com o Sora, compartilharam e construíram uma comunidade em torno dele: obrigado. O que vocês fizeram com o Sora importa, e sabemos que essa notícia é decepcionante.

(Nada do que foi “criado” com o Sora jamais teve qualquer importância.)

(mais…)

Por que a Anthropic não usa o Claude para fazer um bom app do Claude?

O aplicativo para computadores do Claude, da Anthropic, é feito em Electron, uma tecnologia que junta um aplicativo web a uma instância do Chromium em um executável multiplataforma.

Vários apps usam essa tecnologia: Microsoft Teams, Slack, Signal, Discord, Spotify, VS Code. O Electron facilita a criação e manutenção de apps para vários sistemas usando uma linguagem comum, a mesma da versão web desses apps.

Os efeitos colaterais negativos, porém, são tão relevantes quanto. Cada app do tipo aberto consiste em um Chromium a mais rodando, o que pode saturar os recursos do computador, deixando-o lento ou travando. E, embora seja possível fazer adaptações para que o aplicativo “pareça estar em casa” em cada sistema operacional, poucos se dão a esse trabalho. Fica parecendo… um site mesmo, só que numa janela à parte da do navegador.

(mais…)

Indústria da IA não aceita “não” como resposta

Há dias estou com uma frase do David Bushell na cabeça:

Mais alguém notou que a indústria de IA não aceita “não” como resposta? A IA está sendo forçada em cada canto da tecnologia. É incompreensível a eles que alguns de nós não estejam interessados.

David reclamava de ter recebido comunicados da Proton oferecendo a Lumo, sua IA generativa, mesmo tendo sinalizado expressamente que não queria receber mensagens do tipo. O pior é que a Proton, em vez de assumir o erro e desculpar-se, insistiu em justificativas absurdas para dizer que não havia erro. Só cedeu quando um executivo entrou na jogada, e só depois do post viralizar.

(mais…)

Bolhas financeiras não têm data marcada para estourarem, mas sempre há sinais que precedem o evento. O mercado de inteligência artificial, sério candidato a próxima bolha, tem sido abastecido por “negócios circulares” financiados por Nvidia e OpenAI na ordem de US$ 1 trilhão, segundo a Bloomberg. O movimento lembra aquela esquete do Chaves em que ele vende todo o estoque de churros do Seu Madruga para si mesmo usando a mesma única moeda.

Na ação em que a Justiça estadunidense decide qual “remédio” aplicar à Alphabet pela condenação por monopólio do mercado de buscadores, Eddy Cue, vice-presidente de serviços da Apple, disse que, em abril, o volume de pesquisas feitas via Safari encolheu pela primeira vez em na história, ou seja, em quase duas décadas.

Eddy atribui a queda à ascensão de assistentes de IA generativa que entregam resultados de busca mastigados, como Perplexity (com quem a Apple estaria conversando), ChatGPT e Claude.

As ações da Alphabet (Google) tomaram um tombo de 7,5% após a declaração do executivo da Apple, reportada pela Bloomberg. A empresa soltou uma nota contestando a informação, em que diz que “continuamos a ver o crescimento geral de consultas à Pesquisa [do Google]. Isso inclui um aumento no total de consultas provenientes de dispositivos e plataformas da Apple”.

Em quem acreditar? Não sei, mas se havia dúvidas de que uma mudança sísmica está curso, dados como esse ajudam a dissipá-las.

Eddy Cue disse também que a Apple cogita alterar o Safari para que o navegador receba assistentes de IA e que a perspectiva de perder os US$ 20 bilhões anuais, que o Google paga de “caixinha” para ser o buscador padrão do Safari, está lhe tirando o sono. Que pena.

Estou longe de ser o primeiro ou único a apontar a ironia — até porque, explícita — da OpenAI acusar a DeepSeek de infringir sua propriedade intelectual no treinamento dos seus grandes modelos de linguagem (LLMs). A OpenAI alega que os chineses usaram um método chamado “destilação”, que consiste em usar as respostas de um LLM para treinar um novo. Estão dizendo por aí que o ChatGPT é mais um mandado à fila do desemprego pela IA. / ft.com (em inglês)

Nesta sexta (17), a plataforma Read.cv anunciou que foi adquirida pela Perplexity, uma startup de inteligência artificial, e que, com isso, encerrará as atividades. / read.cv, @andy@posts.cv (ambos em inglês)

A Read.cv tinha uma rede social focada em design, a Posts. Em junho de 2024, escrevi a respeito dela. Chamei-a de “a última rede social ‘good vibes’”. Por essa lógica, acabaram-se as redes sociais “good vibes”. / manualdousuario.net

Coincidência ou mau agouro, o anúncio coincidiu com a manifestação da minha opinião de que a única maneira de blindar uma plataforma social (qualquer empreendimento, na real) de bilionários excêntricos e mega-corporações é impossibilitar a sua venda. / manualdousuario.net, youtube.com/@mdu

Nesse contexto, o Mastodon e outras aplicações baseadas no protocolo ActivityPub é a única solução viável que temos hoje.

O fato das plataformas criadas em cima do ActivityPub, como o Mastodon, não terem fins lucrativos é visto como problema para uns, virtude para outros. Eu sou do time que considera virtude.

Caso em tela: o aplicativo Mammoth, que tinha um servidor próprio (moth.social) e havia lançado não faz muito tempo um serviço de assinatura paga para o fediverso, o sub.club, anunciou que está fechando as portas. O app será removido da App Store e o servidor e o sub.club serão encerrados no final de janeiro, a menos que alguém assuma o rojão. / @mammoth@moth.social (em inglês)

Decisão do Cade equipara App Store brasileira à da União Europeia

O Cade, em decisão preliminar de um processo movido pelo Mercado Livre contra a Apple, em 2022, determinou uma série de medidas que quebram os monopólios da distribuição e das compras dentro de apps da Apple no iOS e iPadOS. / gov.br

A notícia veiculada primeiro pela agência Reuters cita apenas que a Apple está obrigada a, em até 20 dias, permitir a compra de serviços ou produtos fora de apps (ou seja, publicizar links para seus próprios sites) e a permitir o uso de opções alternativas de pagamentos dentro de apps. / reuters.com

A pena pelo não cumprimento das determinações é de multa de R$ 250 mil por dia.

A notificação do Cade lista uma medida mais profundas: a distribuição de apps por lojas alternativas e via download direto (“sideloading”) (cláusula 5, I, d), equiparando o cenário brasileiro ao europeu. / sei.cade.gov.br

O TechCrunch lembra que decisões similares já foram ou serão impostas na Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Em cada um desses casos, a Apple instituiu regras específicas restritas às jurisdições. / techcrunch.com (em inglês)

Quantos países mais precisarão obrigar a Apple a ajustar as regras da App Store para que a empresa as mude no mundo inteiro?

Os números do Nintendo Switch são surpreendentes: as vendas cumulativas das três variantes do video game somam 146 milhões de unidades em 7,5 anos, com 127 milhões de jogadores ativos. O Venture Beat reuniu esses e outros números divulgados pela empresa. / venturebeat.com (em inglês)

A propósito, a Nintendo confirmou que o sucessor do Switch será compatível com toda a biblioteca de jogos dele. / videogameschronicle.com (em inglês)

O lucro trimestral somado das cinco big techs estadunidenses (Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft), que divulgaram seus relatórios nesta semana, chegou a US$ 96,7 bilhões. O faturamento no período foi de US$ 448,1 bilhões. / businesswire.com (Amazon), abc.xyz, businesswire.com (Apple), investor.fb.com, microsoft.com (todos em inglês)

Embora o grosso da receita venha de negócios tradicionais, essas empresas estão apostando alto na inteligência artificial generativa.

Levantamento da Bloomberg apontou que quatro delas (Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft) caminham para um “capex” recorde de US$ 200 bilhões em 2024, puxadas pela corrida da IA. / bloomberg.com (em inglês)

Omnivore é vendido à startup de IA ElevenLabs

O Omnivore, popular aplicativo gratuito de leitura, foi adquirido pela ElevenLabs, uma startup de inteligência artificial focada em áudio.

Em um novo e-mail, Jackson avisou que o app do Omnivore será encerrado no dia 15 de novembro e, após esse dia, todos os dados dos usuários serão excluídos. / blog.omnivore.app (em inglês)

O anúncio ainda não foi oficializado. Jackson Harper, criador do Omnivore, adiantou a notícia aos usuários do Omnivore via newsletter. (Print do e-mail.)

Na mensagem, Jackson diz que o foco agora está em expandir o ElevenReader, um app que lê em voz alta, com vozes sintéticas de IA “ultra-realistas”, mas garante que “o código do Omnivore continuará 100% aberto para todos os desenvolvedores”, e que a ElevenLabs garante que a comunidade poderá continuar criando em cima da fundação do Omnivore.

Isso significa que Jackson se afastará do projeto e que o Omnivore agora está à deriva?

O CEO do Duolingo, Luis von Ahn, quer te viciar em aprender

É sempre bom ouvir um executivo que abre números. É o caso desta entrevista com Luis von Ahn, fundador e CEO do Duolingo, a Nilay Patel no podcast Decoder.

Separei alguns destaques da conversa, começando pelos referidos números que chamaram a minha atenção:

  • Os anúncios chatos da versão gratuita do Duolingo respondem por menos de 10% do faturamento. São as assinaturas, que ~10% dos usuários ativos pagam, que sustentam o negócio com ~80% do faturamento. Para Luis, os anúncios “são um bom motivo para as pessoas assinarem”.
  • Apenas 20% dos usuários são estadunidenses. (O Duolingo é uma empresa sediada nos EUA.)
  • O inglês é o idioma mais estudado, por 45% da base de usuários, seguido pelo espanhol e o francês.

Outras curiosidades:

  • O app para iOS é priorizado. O do Android costuma estar entre 6 meses e 1 ano atrás em recursos. Luis diz que há mais desenvolvedores especializados em iOS e é mais fácil desenvolver para a plataforma da Apple, mas que dinheiro também é um fator: o faturamento “per capita” no iOS é quatro vezes maior que o do Android.
  • Apesar disso, a base de usuários Android é maior (60% contra 40% do iOS), em especial no resto do mundo (leia-se: fora dos EUA).
  • Luis pontua, porém, que a principal correlação com usuários pagantes está no país onde moram. “Uma pessoa com um emprego bom e estável em um país rico […] é quem paga pelo Duolingo.” Esse pequeno público (~10%) meio que subsidia o serviço para o resto do mundo.
  • Vencer a alta tolerância de países subdesenvolvidos a anúncios é um desafio para o Duolingo aumentar a receita além dos países ricos. Luis cita a Netflix como um exemplo nessa frente.

A conversa também passou pelo uso de IA generativa no ensino de idiomas. Luis diz que, embora as pessoas manifestem o desejo de treinar o idioma com outros seres humanos, na prática poucos querem isso por vergonha/timidez.

É aí que entram os grandes modelos de linguagem (LLMs), recurso do Duolingo Max, uma assinatura mais cara do serviço.

Os principais problemas dos LLMs, como a tendência a inventar coisas — que arruina sua aplicação em cenários onde precisão é imprescindível —, são ignoráveis na prática da conversação. Se uma personagem do Duolingo inventar alguma coisa durante uma conversa, não há prejuízo ao estudante porque o assunto é só uma desculpa para praticar o idioma.

Há outros bons momentos na conversa, como o foco quase obsessivo do Duolingo com design, a mensuração (meio furada) que atesta que a metodologia funciona e as motivações por trás da gamificação e dos apelos do mascote para que os usuários mantenham a sequência. Se o seu inglês estiver em dia, vale a audição. / theverge.com (em inglês)

Mozilla e a publicidade digital

Dois posts da Mozilla — da CEO da Mozilla Corporation, Laura Chambers, e do presidente da Fundação Mozilla, Mark Surman — fincaram a bandeira do grupo no campo da publicidade digital. / blog.mozilla.org, blog.mozilla.org (ambos em inglês)

Ambos parecem ser reações às críticas recebidas pelo grupo por uma alteração recente no Firefox, que inseriu — em caráter de testes e com alcance limitado — uma opção ativada por padrão para testar a tecnologia chamada “atribuição com preservação de privacidade” (PPA, na sigla em inglês). / blog.mozilla.org (em inglês)

A instrumentalização do Firefox para a utopia da publicidade digital em larga escala que respeita a privacidade é uma de duas partes da estratégia da Mozilla nesse setor. No caso, a do produto. A outra, de infraestrutura, baseia-se na aquisição da Anonym, formada por dois ex-executivos da Meta, em junho. / blog.mozilla.org (em inglês)

Verdade seja dita, embora esses eventos tenham dado maior proeminência à iniciativa, o flerte da Mozilla com a publicidade não é novo, como nos lembrou Mark ao resgatar um post de maio de 2021 intitulado “Construindo um ecossistema baseado em anúncios com mais respeito à privacidade”. / blog.mozilla.org (em inglês)

Laura admite que a ideia não agrada a todos:

(mais…)

Talvez o boicote não seja a melhor forma de protesto

Em junho de 2023, o Reddit parecia estar prestes a implodir. Protestos motivados por uma rasteira que a empresa passou em desenvolvedores de aplicativos alternativos levaram a um “apagão” de comunidades — convertidas para “privadas” por moderadores voluntários, elas ficaram inacessíveis ao público.

Apesar da pressão, o Reddit resistiu. Sem apps de terceiros, consolidou a experiência do usuário nos canais oficiais e, em março, fez a sua esperada abertura de capital na Bolsa de Nova York.

(mais…)