Uma semana usando Linux

No final de 2023, descolei um mini PC para realizar experimentos diversos. Nesta semana, pus em prática um deles: usar (quase que) exclusivamente Linux.

Ao longo da semana, registrei as dificuldades, descobertas, curiosidades e tudo mais que achei relevante a fim de escrever um relato, como se fosse um diário. Este texto, no caso.

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Perguntas sobre usar apenas Linux

Neste episódio do podcast, respondo perguntas que os assinantes do Manual me fizeram a respeito do experimento de usar apenas Linux durante uma semana. No site, publiquei um relato detalhado.

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Mande o seu recado ou pergunta, em texto ou áudio, no Telegram, pelo e-mail podcast@manualdousuario.net ou comentando na página deste episódio.

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Meu muito obrigado ao Alysson, Renato Navarro, Nicholas Prade, Arthur e Oscar Duarte. Vocês são lindos!

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Heynote, um bloquinho de anotações para desenvolvedores

Ícone do Heynote, o nome do aplicativo em duas linhas, com fundos em tons diferentes de verde.

Sou um grande entusiasta dos bloquinhos de texto — não posso ver um que já fico alvoroçado. O Heynote traz como diferencial o foco em desenvolvedores.

Além do óbvio suporte às sintaxes de diversas linguagens de programação, o Heynote trabalha com blocos para dividir as anotações.

Aperte Ctrl + Enter para criar um novo bloco. A separação funciona também para a seleção do conteúdo, ou seja, um Ctrl + A seleciona apenas o conteúdo do bloco em foco.

Ah, também serve de calculadora “esperta”, do tipo que cria variáveis e faz pequenas conversões — parecida com aplicativos como Numi e Soulver.

Desenvolvido por Jonatan Heyman, o Heynote tem o código aberto.

Heynote / Linux, macOS e Windows / Gratuito

LibreWolf, um fork mais privado do Firefox configurado de fábrica

Silhueta branca de um lobo dentro de um círculo azul.

O LibreWolf é, nas palavras dos desenvolvedores, “uma versão customizada do Firefox, focada em privacidade, segurança e liberdade”.

Isso talvez confunda algumas pessoas. O Firefox já não é “focado em privacidade, segurança e liberdade”? Sim, mas sendo um produto de alcance maior, é preciso encontrar o equilíbrio entre proteções e facilidade de uso.

Sem essa amarra, o LibreWolf se posiciona como um fork do Firefox configurado de fábrica com as melhores opções de privacidade e segurança. O que é um adianto para quem compartilha das preocupações do projeto.

Parte do seu apelo é esse mesmo: um punhado de configurações alteradas do padrão do Firefox. Não só, porém. Outras vantagens do LibreWolf são a remoção de alguns incômodos (Pocket, estou olhando para você), uBlock Origin instalado por padrão e recursos de conveniência que ferem a natureza livre do software, como DRM para vídeos, desativados.

Algo não mencionado, mas que me agrada bastante no LibreWolf, é o visual e recursos espartanos dele. É algo mais direto ao ponto. E se algum recurso fizer falta (para mim, por exemplo, é o Firefox Sync), é bem provável que dê para reativá-lo com alguns cliques.

LibreWolf / Linux, macOS e Windows / Gratuito

Download (site oficial) »

Onde estão os bons apps de e-mail?

Será que estou mal acostumado ao Apple Mail? Ou apenas acostumado a ele? Afinal, é quase uma década usando-o diariamente. Após passar por vários outros aplicativos de e-mail no último fim de semana, fiquei com a impressão de que não fazem mais bons apps de e-mail, ou comparáveis ao Apple Mail.

Tive essa revelação enquanto configurava o Fedora 39 em um desses “mini PCs”, para ficar mais próximo do sistema e usá-lo vez ou outra. E não é como se eu quisesse algo elaborado, certamente nada que envolva “IA” nem que processe meus e-mails em servidores alheios. (E que não custe US$ 30/mês, rs.) Tudo que peço é um app com interface e atalhos que fazem sentido e que converse com os protocolos IMAP e SMTP. É pedir muito?

Antes de enveredar pelo Linux, aproveitei que o Windows 11 veio pré-instalado no computador para dar uma olhada no “novo” Outlook, a rendição da Microsoft ao elefante na sala, o webmail.

Se você usa Windows e ainda não teve a infelicidade de topar com o novo Outlook, é apenas uma casca em torno do Outlook da web, aquele acessível pelo navegador. Bom para a Microsoft, para os 766 parceiros dela que recebem dados dos usuários, e só. Não, não é bom para você.

Windows superado, instalei o Fedora padrão, com o ambiente gráfico Gnome, e iniciei a minha via crucis pelos clientes de e-mail no Linux. Primeira parada: Thunderbird.

Mesmo com a repaginada visual em curso, o Thunderbird continua… esquisito. São muitos botões, atalhos estranhos ao sistema, visual fora do lugar. Vários desses problemas são comuns ao Firefox, mas, por motivos que não consigo articular, o Firefox não me passa essa sensação. Poderia usá-lo? Sim, meio a contragosto. Funciona. Vamos testar outros apps antes de bater o martelo.

O próximo da lista foi o Evolution, uma espécie de equivalente ao Thunderbird para o ambiente Gnome: lida com e-mail, calendário, listas de tarefas, notas. (Só faltou mensagens via Matrix, coisa que o Thunderbird incorporou não faz muito tempo.) Com um pouco de paciência dá para tirar os excessos de botões e barras e deixar o Evolution mais agradável, ou menos feio. Não num nível ideal, porque tem muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas ok, não é de todo ruim.

Continuei os testes. O aplicativo seguinte, Geary, é o que mais se parece com o Apple Mail. Simples, focado em e-mail, atalhos no teclado ok, funciona mais ou menos dentro do que se espera de um app moderno.

O problema é que o Geary padece de alguns defeitos injustificáveis a essa altura. O pior deles é o das colunas fixas.

Por motivos que talvez nem Deus explique, não é possível redimensionar as colunas de pastas/filtros, lista de mensagens e mensagem aberta. Para piorar, a coluna da lista de mensagens tem quase a mesma largura da da mensagem, mesmo em telas enormes.

A situação é essa desde abril de 2021. O histórico do Geary é acidentado, com longas lacunas de baixa ou nenhuma manutenção. Esse defeito, porém, é uma regressão. Não era assim e não poderia ter ficado assim, jamais.

Cheguei ao extremo de testar o Claws antes de dar por encerrado meu giro por apps de e-mail. Gosto e só escrevo e-mails em texto puro (text/plain), logo, por que não? Talvez eu me adaptasse com dedicação e paciência para arrumar a configuração padrão, um tempo que não quero gastar com isso.

Será que a maioria já migrou para o webmail em computadores, aplicativo só no celular? Para quem usa app de e-mail no computador: qual? Esqueci de testar algum? Sou todo ouvidos.

O Authy costuma aparecer nas recomendações de leitores do Manual quando pedem por aplicativos de OTP. Aos que usam o app, atenção: a versão para computadores (Linux, macOS e Windows) será descontinuada em agosto de 2024. Via Central de ajuda do Authy (em inglês), que também será fechado, só que na próxima segunda (15).

Switcheroo, um simpático conversor de imagens para Linux

Ícone do aplicativo Switcheroo. Uma imagem colorida, com borda branca e duas setas arredondadas no meio.

Não faltam sites e aplicativos para converter imagens entre os vários formatos disponíveis. O Switcheroo é mais um, mas um honesto (que apenas faz o seu trabalho) e bem feito.

Na real, o Switcheroo é uma interface gráfica para o ImageMagick, talvez o mais completo conjunto de ferramentas para trabalhar com imagens. O aplicativo facilita as coisas, porque para usar diretamente o ImageMagick, só decorando um monte de comandos em texto no terminal.

Na prática, o Switcheroo trabalha com estes formatos de arquivo: jpeg, png, webp, svg+xml, heif, image/heic, bmp, avif, jxl, pdf, tiff, gif e x-icon. Ufa!

E, além de converter imagens entre esses formatos, ainda traz alguns truques legais, como definir a qualidade da imagem, alterar a densidade de pixels em imagens svg e alterar a resolução e proporção. Ah, e trabalha em lotes.

O Switcheroo é um aplicativo para Linux, parte do Gnome Circle, uma iniciativa do projeto Gnome para destacar e oferecer suporte a bons apps independentes. O código é aberto e o download, feito via Flathub.

Switcheroo / Linux (Gnome) / Gratuito

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Ansel

Ícone do Ansel: um diafragma de câmera semi-aberto.

Pessoas que fotografam por profissão ou hobbistas usam aplicativos especializados em edição e organização de imagens — como o Lightroom, da Adobe, ou o Photomator.

Entre os de código aberto, o Darktable talvez seja o mais robusto e conhecido. Só que nem todos estão satisfeitos com ele, a começar por Aurélien Pierre, desenvolvedor e designer que, desde 2018, contribuía com o código do Darktable.

Pierre ficou tão irritado com os rumos do projeto que decidiu criar um “fork”, ou seja, um novo projeto a partir do Darktable. Nasceu ali o Ansel.

Ele ficou, tipo… realmente irritado. Neste textão, Pierre explica os motivos do seu desencanto e por que o Ansel é melhor. Eu não sei, mas a justificativa faz sentido e ele parece se importar.

Ansel / Linux (Appimage) e Windows / Gratuito

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Fractal 5

Ícone do Fractal: um balão de mensagem retangular, com um redemoinho em dois tons de azul.

A beleza de protocolos abertos é a diversidade de aplicações criadas em torno deles. Vide o Matrix e seus muitos apps, como o Fractal.

O Fractal 5 (código-fonte) foi lançado com muitas novidades, a começar pelo fato de ter sido “completamente reescrito” e, agora, compatível com o que há de mais moderno no ambiente gráfico Gnome e nas bibliotecas do Matrix. A nova versão é resultado de dois anos e meio de trabalho.

Em novidades mais pragmáticas, o Fractal 5 traz suporte a criptografia de ponta a ponta e múltiplas contas com “single sign-on” (SSO), além de vários recursos já presentes em outros apps compatíveis com Matrix, como reações, edição de mensagens, recibos de leitura e respostas diretas.

Fractal 5 / Linux (Gnome) / Gratuito.

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Foliate 3.0

Ícone do Foliate: livro aberto, com uma folhinha que lembra uma pena.

Quem lê livros digitais no Linux/Gnome tem no Foliate um excelente aplicativo para tal finalidade.

A nova versão (3.0), lançada no domingo (12), foi refeita do zero com base nas bibliotecas mais recentes do Gnome (GTK 4 e Adwaita) e um mecanismo próprio para exibir os livros.

Outra novidade legal, ainda que pouco aplicável no momento, é a compatibilidade com telas pequenas e sensíveis a toques.

O Foliate abre diversos formatos de arquivos (*.epub, *.mobi, *.pdf, *.cbz etc.), tem suporte a marcadores e anotações, diversas opções de tipografia e dicionário embutido. O código é aberto.

Foliate / Linux (Gnome) / Gratuito.

ogpk (opengraph peek)

Ícone do Terminal do pacote de ícones Papirus.

O protocolo Open Graph é quase onipresente na web: tags que são lidas por redes sociais, aplicativos de mensagens e outros, que se convertem em cartões mais bonitos que o link cru (subjetivo; eu prefiro links crus).

Existem diversas maneiras de verificar as tags OpenGraph. O aplicativo ogpk (de “opengraph peek”), criado por Alasdair Monk, é uma delas: com ele, é possível visualizar tais tags pelo terminal, incluindo a imagem (og:image).

A sintaxe é bem simples:

ogpk [link]

Caso queira exibir a imagem na saída, adicione o parâmetro --p, assim:

ogpk [link] --p

Também é possível criar um arquivo *.json com os resultados:

ogpk [link] --json

ogpk / Linux, macOS / Gratuito.

Como lidar com atualizações anuais de sistemas operacionais?

Neste episódio do podcast, falo das atualizações de sistemas operacionais. Do iOS ao Windows, passando por macOS e os diferentes sabores de Linux, todos têm cadências próprias, quase sempre muito aceleradas, de atualizações — e nem sempre pelos motivos mais nobres. No monólogo, falo como lido com isso.

Citei dois posts sobre o Daylio, um aqui no Manual e outro no meu blog pessoal.


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30 anos de Debian

São raros os softwares com o “ethos”, o histórico e a influência do Debian, a segunda distribuição (distro) Linux mais antiga ainda ativa.

Nesta quarta (16), completou-se 30 anos do seminal e-mail que o saudoso Ian Murdock enviou a uma lista de discussões anunciando a criação do “Debian Linux Release”.

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30 anos de Debian, com Paulo “phls” Santana

Neste episódio do podcast, conversei com o Paulo “phls” Santana no aniversário de 30 anos do Debian. Paulo é desenvolvedor oficial do projeto Debian e participante ativo do Debian Brasil. Falamos das peculiaridades dessa distribuição Linux, seu papel no ecossistema e por onde alguém que queira se voluntariar pode começar.

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O Asahi Linux, que tenta adaptar o Linux aos chips M1/M2 da Apple, tem uma nova “casa”: o Fedora passa a ser a nova distribuição oficial do projeto.

O trabalho, desenvolvido desde o início de 2022, tem sido feito em estreita colaboração com os desenvolvedores do Fedora, com as adições e mexidas do Asahi “subindo” para os repositórios oficiais da distro (“upstream”).

A princípio, o Asahi Linux será distribuído em um “sabor” à parte da distro oficial/padrão do Fedora — o Fedora Asahi Remix. No longo prazo, o objetivo é que esse “Remix” seja incorporado ao Fedora oficial/padrão. A primeira versão pública do Fedora Asahi Remix será lançada no final de agosto. Via Asahi Linux, Fedora Magazine (ambos em inglês).