Oito selos, cada um com um emoji à esquerda e uma frase anti-IA, tipo “feito por um humano”, contra um fundo azul.
Selos: Andy Carolan.

O ilustrador Andy Carolan, do Reino Unido, criou uns daqueles selos de 81×31, comuns em sites antigos, para sinalizar sites feitos por seres humanos, sem IA generativa.

No Mastodon, pedi a ele a tradução para o português do Brasil que, com alegria, o Manual compartilha em primeira mão. Baixe-os aqui.

Lutando contra robôs de IA

Segundo as regras do capitalismo, só é pirataria se a parte (supostamente) desfalcada for uma empresa — vide os casos do Napster clássico e o trágico envolvendo Aaron Swartz. Se uma empresa se apropria da propriedade intelectual das pessoas para faturar alto, aí tudo bem, no máximo outra empresa grande a processa para ver no que dá.

A sede insaciável das big techs e startups de inteligência artificial generativa por mais conteúdo era questionável desde que descoberta. À medida em que outras empresas e pessoas donas de sites aumentam as defesas contra os robôs larápios das IAs (o número vem crescendo), os artifícios usados por elas se tornam mais eficientes e, com frequência, inescrupulosos.

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77%

Um estudo da Upwork, plataforma estadunidense de ofertas de emprego, descobriu que 77% dos trabalhadores de empresas que adotaram soluções de inteligência artificial disseram que a tecnologia diminuiu a produtividade e aumentou a carga de trabalho. Ao mesmo tempo, 96% dos executivos entrevistados acreditam que a IA vai aumentar a produtividade. Vários dados reveladores nesse estudo. / upwork.com (em inglês)

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US$ 1,4 bilhão

A Meta concordou em pagar uma multa de US$ 1,4 bilhão ao estado do Texas, nos Estados Unidos, por coletar e usar dados biométricos de milhões de cidadãos sem autorização. / folha.uol.com.br

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US$ 25 bilhões

Entre 2017 e 2021, a Amazon amargou prejuízo de US$ 25 bilhões com sua divisão de dispositivos, como as caixas de som Echo e outros cacarecos com a assistente de voz Alexa. A reportagem do Wall Street Journal não conseguiu dados de antes e depois. / wsj.com (em inglês)

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Segunda, 29/7

A Apple liberou a Apple Intelligence, seu conjunto de ferramentas de IA, nas versões de testes do iOS 18.1 e macOS 15.1. Deve chegar em outubro, mas só para quem usa o sistema em inglês. / 9to5mac.com (em inglês)

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Terça, 30/7

Foi disponibilizado o primeiro Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com previsão de investimentos de R$ 23 bilhões até 2028. O texto prevê um supercomputador e um LLM brasileiro. / agenciabrasil.ebc.com.br

O Google começou a integrar o Pix em sua carteira digital, via parcerias com C6 e PicPay. A disponibilização será gradual. / mobiletime.com.br

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Quarta, 31/7

A Senacon publicou uma nota técnica com quase 100 exigências para plataformas sociais relacionadas à transparência da publicidade que veiculam. Elas têm até dezembro para se adequarem. / nucleo.jor.br

A Bending Spoons, empresa italiana que adquiriu o Evernote uns anos atrás, abriu a carteira outra vez e comprou o WeTransfer. O valor do negócio não foi divulgado. / techcrunch.com (em inglês)

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Quinta, 1º/8

A Intel vai demitir 15 mil funcionários como parte de um plano de corte de custos. / g1.globo.com

A Anthropic lançou o Claude, seu assistente de IA, no Brasil. A assinatura custa R$ 110/mês. / anthropic.com (em inglês)

Progresso tecnológico é usar uma tonelada de energia e água para criar um resultado de pesquisa que é como uma página da Wikipédia, mas escrito de um jeito estranho, ruim de fontes e cheio de erros.

— Mary Gillis.

Via @marygillis@bsky.app (em inglês).

Notícias da semana

Curadoria das principais notícias de tecnologia da semana.

Sexta, 18/7

O Google vai desativar seu encurtador de URLs, o goo.gl. Todos os links do tipo deixarão de funcionar em 25/8/2025. Encurtadores de URLs sempre foram uma má ideia. / developers.googleblog.com (em inglês)

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Segunda, 22/7

O Google desistiu de aposentar o bloqueio a cookies de terceiros no Chrome. Em vez disso, vai introduzir uma “nova experiência” que permita às pessoas fazer uma “escolha informada” que vale para toda a navegação web. Finja surpresa… / privacysandbox.com (em inglês)

O Pix Automático, modalidade de cobranças recorrentes do Pix, foi adiado outra vez, para 16/6/2025. O Banco Central anunciou também alguns reforços na segurança do Pix que passam a valer em 1º/11 deste ano. / bcb.gov.br

A União Europeia notificou a Meta de que seu arranjo de exigir uma assinatura paga como alternativa à vigilância dos usuários do Facebook viola os direitos dos consumidores do bloco. Note que essa rusga em nada tem a ver com a GDPR (lei de proteção de dados pessoais), ou seja, ainda há espaço para mais porradaria. / ec.europa.eu

A Meta liberou a sua assinatura paga, Meta Verified, para empresas no Brasil. São quatro planos, com valores que chegam a R$ 10 mil por ano. / oglobo.globo.com

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Terça, 23/7

A Meta expandiu sua inteligência artificial para mais países, incluindo vários da América Latina, mas deixou o Brasil de fora “devido a incertezas regulatórias”. / about.fb.com

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Quarta, 24/7

Sistema do governo atingido por ataque hacker foi criado no Judiciário e é usado em mais de 300 órgãos. folha.uol.com.br

A beleza da concorrência: na Europa, a AltStore PAL, loja de apps alternativa para o iOS, publicou seus primeiros apps de terceiros — incluindo dois clientes de BitTorrent, categoria de app vetada pela Apple em sua App Store. / fosstodon.org/@altstore (em inglês)

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Quinta, 25/7

A OpenAI anunciou um protótipo (beta) do SearchGPT, seu aguardado buscador web. Pelos vídeos, parece trazer novas ideias à mesa, com a vantagem de não ter que conciliá-las com experiências legadas, como Bing e Google. Tem fila de espera para testar. / openai.com (em inglês)

Saiu o Linux Mint 22 “Wilma”. Esta versão é baseada no Ubuntu 24.04 LTS e terá suporte até 2029. / omgubuntu.co.uk (em inglês)

A melhor maneira de transcrever áudios

Nigel Goodman usou o ditado do teclado de seu celular para escrever uma edição da sua newsletter, o que me lembrou de que nunca falei do Whisper neste Manual do Usuário.

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O que acontece quando você tira seu site do Google?

Em junho, em caráter experimental, tirei o Manual do Usuário dos índices do Google e de outros buscadores web. Sumiu, desapareceu.

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ANPD proíbe Meta de treinar IAs com dados pessoais no Brasil

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais (ANPD) enfim mostrou os dentes e determinou que a Meta suspenda o tratamento de dados pessoais para treinar inteligências artificiais.

A proibição, determinada em caráter cautelar, baseia-se em quatro pilares: ausência de base legal para tratar os dados com essa finalidade; falta de informações sobre as mudanças na política de privacidade; dificuldade excessiva aos usuários para negarem o uso de seus dados; e tratamento de dados de menores de idade sem as devidas salvaguardas.

Vale mencionar o “timing” da determinação, como lembrou Carlos Affonso Souza em sua coluna no Uol: na semana em que estavam previstos o lançamento dos recursos de IA do WhatsApp no Brasil e em que o projeto de lei 2338/23, o PL da inteligência artificial, teve movimentações no Congresso.

A Meta se disse “desapontada” com a determinação. Os argumentos da ANPD me pareceram razoáveis — já viu o labirinto para negar o uso de dados pela Meta?

Carlos Affonso acredita que a determinação, ao focar em uma empresa (e das maiores), passe um recado a toda a indústria. Afinal, existem outras além da Meta fazendo o mesmo tipo de treinamento com dados, incluindo os pessoais.

48%

As emissões de gases do efeito estufa pelo Google aumentaram 48% nos últimos cinco anos. Segundo a própria empresa, por causa da demanda por inteligência artificial. A meta do Google de tornar-se uma empresa neutra em emissões de poluentes até 2030 está posta em xeque. Via Folha de S.Paulo.

Breve análise do Irineu, a IA que resume textos do jornal “O Globo”

O jornal O Globo lançou o Irineu, um projeto para injetar inteligência artificial no periódico carioca. A primeira ferramenta é “um botão nas matérias do site do jornal que oferece aos leitores um resumo curto do texto”.

Não resisti ao exercício simultâneo de dois papéis que detesto (adoro) fazer: ombudsman de jornal alheio e porta-voz do ceticismo com tecnologias fajutas que prometem mais do que entregam.

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Não graças ao Irineu, nessa semana a Nvidia tornou-se a empresa mais valiosa do mundo. Vender pás numa corrida do ouro, afinal, dá muito dinheiro. É sustentável? A Nvidia pulou do mercado de games para o de criptomoedas e, depois, para a IA generativa. Vai ter que vender muito chip para sustentar esse valor (+US$ 3,3 trilhões) a longo prazo. Via G1.

A Bloomberg publicou uma boa linha do tempo (sem paywall) da empresa de Santa Clara, EUA.

Apple finalmente abraça o mau gosto

As expectativas monstruosas para a entrada da Apple na rinha de IA se realizaram na segunda (10), quando a empresa anunciou não a “artificial intelligence”, mas sim a “Apple Intelligence” na abertura da WWDC.

Ambas são “AI”, como dizem os gringos, mas na Apple a “AI” é diferente, o “A” é de “Apple”, ainda que no fundo seja tudo igual, mais do mesmo.

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Mulher loira de vestido na praia, gerada pelo Stable Diffusion 3 Medium, com braços, pernas e busto todos errados.
Imagem: @Perfect-Campaign9551/Reddit.

O novo modelo de geração de imagens da Stability AI, o Stable Diffusion 3 Medium, está gerando imagens aterrorizantes de seres humanos. Dizem as más línguas que é resultado da negativa da startup em usar fotos de gente pelada para treinar a IA. Via Ars Technica [en].

O chatbot de IA do DuckDuckGo

Eu gosto muito da abordagem para IA da Apple pré-“Apple Intelligence”. Há anos a empresa (e o Google pré-ChatGPT, justiça seja feita) espalha pequenas melhorias em seus sistemas sem estardalhaço nem esfregar na cara dos usuários que aquilo é IA. Ou “AI”, que seja.

Um dos usos mais frequentes que faço é o do tradutor embutido no macOS e iOS. Seleciono um texto, clico com o botão direito e, no menu, peço para traduzi-lo. A tradução é ok e tenho botões para copiá-la ou, se possível, substituir o trecho original pelo traduzido.

Enfim. O que quero dizer é que, deixando de lado todas as implicações ambientais, trabalhistas e éticas, às vezes é difícil não usar um ou outro recurso de IA generativa.

Nesses casos, é legal ter uma camada de proteção contra a vigilância das empresas menos comprometidas com a privacidade dos usuários.

A Apple promete essa proteção nas consultas que seus usuários fizeram ao ChatGPT. Não é preciso esperar pela “AI” nem comprar um iPhone 15 Pro para tal, porém.

O DuckDuckGo, que já blindava o usuário da vigilância da Microsoft (o índice do DDG é baseado no Bing), lançou um “AI Chat” que faz o mesmo para grandes modelos de linguagem (LLMs), ou seja, permite conversar com IAs generativas sem que seus dados fiquem expostos a empresas como a OpenAI.

Outro aspecto legal do AI Chat do DDG é a oferta de outros LLMs. Além do ChatGPT 3.5 Turbo, temos o Claude 3 da Anthropic e dois de código aberto: o Llama 3, da Meta, e o Mixtral, da startup francesa homônima.