Muda tudo na IA na Microsoft: Mustafa Suleyman vira catastrofista do apocalipse da IA

por David Gerard

Em meados de março, a Microsoft anunciou um remanejamento de lideranças. As divisão corporativa e doméstica do Copilot serão unidas e passarão a incluir modelos de IA e o Office 365. Oba.

Mustafa Suleyman não vai mais comandar a IA na Microsoft — esse cargo vai para Jacob Andreou, que chegou à Microsoft vindo do Snapchat no ano passado. Suleyman passará a chefiar exclusivamente a iniciativa de Superinteligência da Microsoft.

Meu primeiro pensamento foi que as vendas de IA estavam ruins e Suleyman estava sendo “rebaixado lateralmente”. Mas é mais estranho do que isso — Suleyman está se tornando um crente do apocalipse da IA.

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OpenAI encerra o gerador de vídeos Sora; negócio com a Disney é cancelado

por David Gerard

A OpenAI encerrará o seu gerador de vídeos Sora:

Estamos nos despedindo do aplicativo Sora. Para todos que criaram com o Sora, compartilharam e construíram uma comunidade em torno dele: obrigado. O que vocês fizeram com o Sora importa, e sabemos que essa notícia é decepcionante.

(Nada do que foi “criado” com o Sora jamais teve qualquer importância.)

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Neste texto eu falo bem da IA

“Como desativar todos os widgets do WordPress sem recorrer a plugins?”

“Quais as principais obras — e por onde começar a lê-las — de Theodor Adorno?”

“Qual a melhor rotina de meditação para um sono profundo?”

“Como excluir um contêiner do Docker pela linha de comando?”

“Vinagre e bicarbonato de sódio formam uma boa combinação para limpeza doméstica?”

“Nos EUA, qual a média de espectadores por filme lançado em determinado ano? Usar um ano recente”

“O que significa uma tela com a tecnologia NCVM IPS?”

***

Desculpe as perguntas aleatórias. São algumas que fiz à IA (Duck.ai e Claude) recentemente. Todas foram respondidas pelos modelos gratuitos oferecidos pelas duas empresas, com diferentes níveis de satisfação. No mínimo, elas me indicaram caminhos promissores para aprofundar a pesquisa, fazer testes e, no fim, resolver o meu problema. (Menos a da bilheteria de filmes nos EUA; parece que faltam dados dos filmes de menor audiência.)

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Nvidia anuncia filtro de IA para jogos e jogadores vão à loucura

Aconteceu uma coisa engraçada no mundo dos video games.

A Nvidia se lembrou que seus chips gráficos também servem para jogos, não só para IA, e anunciou uma tecnologia chamada DLSS 5 que usa o poder deles para, nas palavras da companhia, “adicionar píxeis com iluminação e materiais fotorreais para preencher a lacuna entre renderização e realidade”. Com IA generativa, óbvio.

A reação do público foi bastante negativa, até no vídeo institucional da Nvidia no YouTube. O DLSS 5 meio que transforma o visual dos jogos em vídeos gerados por IA. Mais fotorrealistas que o original, sim, mas a acusação é de que a tecnologia interfere na arte dos jogos.

Os gráficos pós-DLSS 5 de fato se parecem com vídeos gerados por IA, ou aqueles filtros artificiais do Instagram e TikTok, mas não é como se os originais, sem o efeito, fossem muito melhores. Isso me intrigou um bocado, mais que o DLSS 5. Eu não tenho video games há eras e esses gráficos do PlayStation 5 e Xbox Series X não me parecem muito distantes do que me recordo de video games de duas, três gerações atrás. Diante disso, acho que prefiro a versão com filtro de IA da Nvidia…?

Este artigo do Gizmodo estadunidense tem alguns comparativos e vídeos.

Jensen Huang, CEO da Nvidia, não se abalou com as críticas generalizadas. Numa sessão de perguntas e respostas no Nvidia GTC, evento da empresa voltado à IA, ao ser questionado por um repórter, Jensen começou a sua resposta dizendo que “Bem… em primeiro lugar, eles [críticos] estão completamente errados” (vídeo).

Rede de robôs de IA Facebook compra rede de robôs de IA Moltbook

por David Gerard

Existe uma rede social. Digo, ela se considera uma rede social. É cheia de agentes de IA. Eles ficam o dia todo postando lero-lero uns para os outros. Algumas das contas são humanas, aparentemente? Mas é basicamente um grande circulador de lero-lero.

Essa rede se chama Facebook, e ela acabou de comprar a Moltbook.

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Prepare-se para a guerra: robôs de IA na cadeia de mortes

por David Gerard

O termo “inteligência artificial” foi inventado em 1955 para uma proposta de marketing ao Departamento de Defesa dos EUA (DoD, na sigla em inglês). O objetivo do Vale do Silício sempre foi a teta do governo — o estágio final do capitalismo.

Na semana passada, a fornecedora de chatbots Anthropic teve problemas com o Departamento de Defesa. O DoD é muito fã de chatbots. E eles adoram o Claude, da Anthropic. O Claude está espalhado pelos sistemas do DoD, geralmente embutido em softwares da Palantir.

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O meteoro bateu

Não tenho o hábito de acessar as estatísticas da audiência do Manual. Vez ou outra acesso o painel (que é público) para analisar algo específico, e foi numa dessas que reparei, quase por acaso, que a média de acesso dos textos recém-publicados caiu muito.

Não que isso surpreenda. Desde que o Google ativou aqueles resumos de IA no início das páginas com resultados da busca, geral viu os acessos a seus sites caírem. Achismo puro meu, acho também que chatbots de IA, como o ChatGPT, viraram uma chave no público e o acesso aos sites, à web, sofreu um baque por isso.

Faz uma década que repito que números e estatísticas não pautam o que eu faço. Sigo firme nesse princípio, mas mentiria se dissesse que constatar uma redução profunda na audiência do blog não me abalou. Se ninguém lê o que escrevo — ou pior, se apenas robôs “leem” —, o que estou fazendo aqui?

Passei alguns dias angustiado, refletindo sobre esta nova realidade. Sem sucesso. Estou aberto a conselhos e sugestões.

A única ideia saída dessa filosofada existencial foi explorar mais a newsletter. O envio da íntegra dos textões que publico no blog era “opt-in”, ou seja, enviados apenas a quem sinalizava querer recebê-los. A partir de agora, passa a ser “opt-out”, vão para todos, exceto quem sinalizar que *não* quer recebê-los.

Como fazer essa sinalização? No painel do inscrito, também acessível pelo link “Gerencie a sua inscrição” no rodapé de todas as mensagens. (Coloquei uns GIFs animados para destacá-lo melhor.)

Há pouco mais de dois anos, escrevi que via o meteoro metafórico do fim da web no céu. Parece que ele, enfim, bateu.

A diretora de alinhamento de IA da Meta se deixa levar pelo OpenClaw

por David Gerard

Summer Yue é a diretora de alinhamento de IA na Meta. Ela se juntou à empresa quando a Meta comprou 49% da Scale AI e trouxe qualquer pessoa da Scale que valesse a pena contratar.

“Alinhamento de IA” é um ótimo termo para colocar em um título. Foi inventado pelos doidinhos apocalípticos da IA de Eliezer Yudkowsky. Significa um robô realmente inteligente que é controlável o bastante para que possamos usá-lo como nosso escravo.

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O Firefox 148, lançado nesta terça (24), traz um botão geral de desligamento dos recursos de IA do navegador. Abaixo dele há controles seletivos para recursos específicos. Todos ficam em uma nova área nas configurações (about:preferences), chamada “Controles de inteligência artificial”.

Por que a Anthropic não usa o Claude para fazer um bom app do Claude?

O aplicativo para computadores do Claude, da Anthropic, é feito em Electron, uma tecnologia que junta um aplicativo web a uma instância do Chromium em um executável multiplataforma.

Vários apps usam essa tecnologia: Microsoft Teams, Slack, Signal, Discord, Spotify, VS Code. O Electron facilita a criação e manutenção de apps para vários sistemas usando uma linguagem comum, a mesma da versão web desses apps.

Os efeitos colaterais negativos, porém, são tão relevantes quanto. Cada app do tipo aberto consiste em um Chromium a mais rodando, o que pode saturar os recursos do computador, deixando-o lento ou travando. E, embora seja possível fazer adaptações para que o aplicativo “pareça estar em casa” em cada sistema operacional, poucos se dão a esse trabalho. Fica parecendo… um site mesmo, só que numa janela à parte da do navegador.

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IA sempre gera as mesmas senhas “aleatórias”

por David Gerard

Se você pedir a um chatbot de IA um número aleatório de um a dez, ele geralmente escolherá o sete:

O GPT-4o-mini, Phi-4 e Gemini 2.0, em particular, parecem muito mais restritos nessa faixa, escolhendo “7” em cerca de 80% dos casos totais.

Sete é conhecido há muito tempo como o número favorito das pessoas quando perguntadas por algo que soe aleatório. De 1976:

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Como travar sessões do Claude com uma frase

por David Gerard

Existe uma palavra mágica. Você a diz, e o Claude, chatbot da Anthropic, trava:

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Esta é a “string de recusa de testes”. Ela foi adicionada ao Claude 4 para que desenvolvedores possam testar o comportamento de seus apps em tal situação:

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Por que tanta gente odeia texto de IA, mesmo quando ele pode ser bom?  cointeligencia.substack.com

Pedro Burgos, analisando a polêmica de uma colunista da Folha de S.Paulo* que admitiu que seus textos são gerados por IA:

Em colunas de opinião, será que o leitor quer ideias — ou quer testemunhar alguém pensando pela escrita? Se for a segunda opção, como deveria ser a sinalização? Existe um nível de transparência que preserva o pacto sem transformar cada texto em bula de remédio?

Eu nunca vi o disclaimer “o Excel foi utilizado nesta análise financeira”. E se entendermos LLMs como “calculadoras de texto”, precisa sinalizar?

Pedro e eu temos visões muito distintas da IA. Ele usa bastante, é entusiasta. Levanto esse contraste para afirmar que, neste caso, estamos meio que alinhados.

Duvido muito que um texto de próprio punho da Natalia Beauty ficasse muito melhor que o amontoado de platitudes que formam suas colunas. E, a julgar pelos comentários ali, os leitores também não se importam. Um ou outro aponta e critica o uso de IAs generativas. Importante lembrar, porém, que as reclamações à ombudsman ensejaram uma resposta dela na edição de domingo do jornal.

Atualização (11h10): A Natalia publicou um texto explicando seu uso de IA na redação das colunas.

É por esse mesmo motivo que, em publicações de negócios, costumo passar batido por textos de opinião escritos por executivos e fundadores. Na posição de quem vê como a salsicha é feita, são textos genéricos escritos por uma assessoria de imprensa e empurrados aos veículos para valorizar o passe do executivo e/ou da empresa. Obrigado, mas não achei minha atenção no lixo.

Textos opinativos são os mais fáceis de sacar quando feitos por IA. Dados trazidos pelo Pedro apontam que são, também, o formato em que a IA é mais usada. Exceções (como esse mesmo texto do Pedro) demandam um esforço considerável — o prompt que ele usou tinha 34% do tamanho do texto final. Para o bem (raro) e para o mal, pouco importa se a IA foi usada para escrever qualquer coisa.

* A Folha de S.Paulo está me processando.

Trend da IA

Vi-me em um experimento curioso por puro acaso: observar as reações das pessoas avessas à inteligência artificial — meio que todo mundo que usa Bluesky e/ou Mastodon — à “trend da IA”.

O acaso decorre de eu estar alheio ao Instagram. Faz umas três semanas que não abro o app, usando aquele arranjo do bloqueio direto no DNS. Tenho frequentado apenas Bluesky e Mastodon.

A primeira dificuldade foi entender a qual “trend da IA” estavam se referindo. Descobri que é uma de caricaturas, ou da pessoa pedir uma imagem de si mesma em seu trabalho. Ou as duas coisas, não sei.

O mais curioso foi o contato limitado às reclamações. Não vi sequer uma imagem gerada por IA dessa “trend” nos locais que frequento. Desse ponto de vista, a situação toda se parece com uma esquizofrenia coletiva.

Suponho que as pessoas vejam a “trend da IA” no Instagram, no TikTok e no Status do WhatsApp. Do meu lado, tanto faz. Somos seres curiosos e a visão que uma inteligência artificial tem de nós mesmos atiça a curiosidade. Entendo a motivação e acho ela válida.

A divulgação das imagens é mais difícil de entender se fechamos a análise nisso, mas ampliada, como parte de uma questão mais profunda — a da publicização sem limites da vida privada em plataformas ditas sociais —, é como funcionamos no momento. Já as reclamações ruidosas em becos digitais onde as pessoas que geram e curtem essas imagens *não* estão… sei não. Evitável, talvez?

Minha companheira pediu uma caricatura minha à IA, antes de eu saber que era uma “trend”. Saiu algo estereotipado, com erros tangenciais. Não curti, não.

As perdas de emprego são reais, mas a desculpa da IA é falsa

por David Gerard

Ambas as afirmações a seguir são verdadeiras:

  1. Em toda a economia dos EUA, não há um efeito visível da IA sobre contratações e composição dos empregos;
  2. Alguns setores estão absolutamente devastados diretamente pela IA.

Mas também:

  1. Ninguém se importa se foi tecnicamente a IA ou não que tirou seu emprego;
  2. A economia mais ampla já está visivelmente ferrada.

Até a imprensa financeira mais mainstream começa a admitir que alegar que demissões são culpa da IA é uma desculpa falsa para agradar investidores.

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