O Google anunciou um novo adiamento à aposentadoria dos cookies de terceiros no Chrome. A princípio, isso aconteceria agora, em 2022. Em junho de 2021, o prazo foi estendido para 2023 e, agora, estendido de novo, para 2024.

O adiamento é uma resposta ao “pedido mais consistente” que o Google tem recebido da indústria.

Embora não tenham sido concebidos para esse fim, cookies de terceiros são usados largamente por empresas de publicidade para monitorar o comportamento do usuário e formar perfis de consumo para direcionar publicidade.

Não é de se estranhar a demora do Google em aposentar um recurso tão valioso à publicidade invasiva — área que responde pela maior fatia do seu faturamento.

Felizmente, não é preciso esperar pela boa vontade do Google: praticamente todos os rivais do Chrome — Firefox, Safari, Edge — já desativaram o suporte a cookies de terceiros por padrão há anos, garantindo mais privacidade a seus usuários, e não têm planos de incluir uma tecnologia invasiva no lugar deles, como é o caso do Google com o leque de ferramentas chamado Privacy Sandbox, ainda em testes.

Os três navegadores são gratuitos e funcionam tão bem quanto o Chrome. Via Google, 9to5Google (ambos em inglês).

Apple, Google, Microsoft e Amazon usaram ouro ilegal de terras indígenas brasileiras

Apple, Google, Microsoft e Amazon usaram ouro ilegal de terras indígenas brasileiras, por Daniel Camargos no Repórter Brasil:

Você não sabe disso, mas ao ler esta reportagem você pode estar usando ouro extraído ilegalmente de terras indígenas brasileiras. Celulares e computadores das marcas Apple e Microsoft, bem como os superservidores do Google e da Amazon, têm filamentos de ouro em sua composição. Parte desse metal saiu de garimpos ilegais na Amazônia, passou pela mão de atravessadores e organizações até chegar nos dispositivos das quatro empresas mais valiosas do mundo, revela uma investigação da Repórter Brasil.

Documentos obtidos pela reportagem confirmam que essas gigantes da tecnologia compraram, em 2020 e 2021, o metal de diversas refinadoras, entre elas a italiana Chimet, investigada pela Polícia Federal por ser destino do minério extraído de garimpos clandestinos da Terra Indígena Kayapó, e a brasileira Marsam, cuja fornecedora é acusada pelo Ministério Público Federal de provocar danos ambientais por conta da aquisição de ouro ilegal. A extração mineral em terras indígenas brasileiras é inconstitucional, apesar dos esforços do governo Jair Bolsonaro (PL) para legalizá-la.

Antecipando-se ao Digital Markets Act (DMA), o Google anunciou que permitirá o uso de sistemas de pagamento alternativos a aplicativos (e só, não vale para jogos) na região da União Europeia. Nesse arranjo, os aplicativos terão que pagar uma taxa apenas três pontos percentuais abaixo da cobrada pelo Google em seu sistema de pagamento próprio.

O percentual é similar ao que a Apple descontando nos locais e circunstâncias em que tem sido obrigada a abrir a App Store para sistemas de pagamento alternativos, como para os apps de namoro na Holanda (de 30% para 27%) e para todos na Coreia do Sul (de 30% para 26%). Nesses termos, não parece uma saída vantajosa… Via Google, Apple (2) (todos em inglês).

O Google lançou a primeira versão estável do ChromeOS Flex nesta quinta (14). (Sim, agora “ChromeOS” se escreve assim, tudo junto.) O sistema é uma variante mais democrática do Chrome OS que vem equipado de fábrica. Ele pode ser instalado em centenas de computadores antigos (veja a lista) e promete dar vida nova aos já abandonados pelas fabricantes, como modelos de mais de uma década da Apple, por exemplo.

Embora seja quase igual, o ChromeOS Flex tem menos recursos que o Chrome OS que sai de fábrica nos Chromebooks. A principal ausência é o suporte a aplicativos Android. E, sempre bom lembrar, em qualquer caso é obrigatório o uso com uma conta Google logada, ou seja, todos os seus movimentos são monitorados e registrados pelo Google. Download aqui. Via Google (em inglês).

Prabhakar Raghavan, um vice-presidente sênior do Google, disse em um evento organizado pela revista Fortune que as novas gerações não recorrem de imediato ao Google para procurar um lugar para almoçar.

Em vez disso, cerca de 40% do grupo — jovens norte-americanos com idades entre 18 e 24 anos — abre o TikTok e o Instagram para encontrar restaurantes em vez do Google ou do Google Maps, como gente velha costuma fazer.

A notícia é um tanto surpreendente, mas aí penso em mim e, embora não seja mais jovem já faça algum tempo, me vejo replicando esse comportamento.

Quando quero saber o horário de funcionamento, cardápio ou dar uma olhada no ambiente de um restaurante, café ou coisa do tipo, com frequência acesso o Instagram antes do Google Maps, ou em detrimento do Google Maps.

O dado vem de uma pesquisa feita pelo próprio Google e ainda não divulgada publicamente. Por um lado, talvez gere preocupação em Mountain View; por outro, é algo bem-vindo como defesa contra quem acusa o Google de monopólio. Via TechCrunch (em inglês).

Will Cathcart, diretor responsável pelo WhatsApp, foi ao Twitter alertar os usuários de um aplicativo, o Hey WhatsApp, da HeyMods, que era na realidade uma emboscada para instalar malwares (vírus) em celulares e roubar dados pessoais das vítimas.

O Hey WhatsApp não era distribuído pela Play Store. Mesmo assim, o Google, a pedido da Meta, conseguiu remover o Hey WhatsApp dos celulares onde fora instalado, via Google Play Protect.

Cathcart disse que a Meta tomará outras medidas para impedir que a HeyMods continue operando e prejudicando usuários do WhatsApp. E pede para que todos fiquem atentos com os aplicativos que amigos e familiares usam para conversar pelo WhatsApp, evitando as versões alternativas e falsas — um alerta já dado pelo Manual do Usuário. Via @wcathcart/Twitter (em inglês).

O YouTube anunciou medidas para tentar conter canais de spam que tentam se passar por entidades legítimas e outras pessoas. São duas mudanças principais:

  • Não será mais permitido ocultar o contador de inscritos em um canal.
  • Alguns caracteres especiais não poderão mais ser usados nos nomes dos canais.

O Google também liberou uma opção mais agressiva do filtro de comentários, que, entre outras coisas, promete ser mais rígido com contas/usuários que tentam se passar por outras pessoas. Via YouTube (em inglês).

O porto-riquenho Javier Soltero, tido como responsável pela última grande reformulação dos aplicativos de produtividade do Google, está de saída da empresa.

Soltero chegou ao Google em 2019, vindo da Microsoft, com a missão de arrumar a casa dos aplicativos e serviços de produtividade do Google — à época, chamados G Suite.

Credenciais, ele tinha: foi seu trabalho na divisão de Office da Microsoft, onde chegou em 2014, após a Microsoft comprar sua startup, a Acompli, que chamou a atenção do Google.

E o trabalho deu resultado. Nesses três anos, a base de usuários do agora Google Workspace cresceu mais de 50%. Soltero personificava os esforços do Google nessa área e agora fica a dúvida se seu trabalho terá continuidade ou se teremos mais turbulências nessa área. Via Protocol, @jsoltero/Twitter (ambos em inglês).

A grande barreira da inteligência artificial

A grande barreira da inteligência artificial, por Cezar Taurion no Neofeed:

As diferenças entre humanos e máquinas são brutais e o próprio nome IA é incorreto. O artigo Nonsense on stilts joga um pouco de luz nessa questão. Seu autor, Gary Marcus, que publicou o excelente livro Rebooting AI, mostra que o LaMDA não é senciente e está muito longe de ser.

Por exemplo, nós humanos temos o pensamento abstrato. Fazemos analogias e criamos conceitos. Podemos ver uma foto e imaginar toda uma história em torno dela. Podemos ouvir um relato e visualizar as cenas ocorridas, embora não estivéssemos lá.

Os algoritmos de DL são modelos que criam representações matemáticas de pixels. São treinados “vendo” milhares e milhares de imagens de carros que estejam rotulados como “carros”. Quando recebe uma nova foto de carro, ele tenta fazer o casamento matemático com os modelos de pixels que já “aprendeu”. Quando dá match, ele aponta que é um carro. Se não der match, ele aponta para o padrão que mais se aproxima estatisticamente, que pode ser algo como uma tampa de lixeira.

Os usuários remanescentes do Google Hangouts (alguém?) terão que migrar para o Google Chat até novembro deste ano, avisa o Google.

Em seu blog corporativo, o Google publicou um cronograma para o encerramento do Google Hangouts:

  • Desde esta segunda (27), usuários do Hangouts no celular e da extensão para o Chrome são recebidos com uma mensagem pedindo para que usem o Google Chat no Gmail, o aplicativo/extensão dedicado ou, no caso do Chrome, a versão web.
  • A partir de julho, quem ainda usa o Hangouts no Gmail será migrado automaticamente para o Chat no Gmail.

Via Google (em inglês).

A Itália proibiu o uso do Google Analytics, popular serviço de aferição e análise de audiência para sites e aplicativos, na última quinta (23).

É o terceiro país da União Europeia a barrar o serviço, junto à Áustria e França, sob o mesmo argumento: de que o Analytics viola o GDPR, a lei de proteção de dados pessoais do bloco. Segundo o governo italiano, a violação se dá porque “[o Google Analytics] transfere dados dos usuários aos Estados Unidos, um país sem um nível adequado de proteção de dados”.

O site Is Google Analytics Illegal, criado pela PostHog, alternativa ao Google Analytics de código aberto, está monitorando as proibições do Google Analytics pelo mundo. Via Autoridade de Proteção de Dados Italiana (em italiano e inglês).

Que o histórico de aplicativos de mensagens do Google é uma bagunça, não é novidade. Que o GTalk, o primeiríssimo (e o mais querido) desses apps, ainda estava ativo, isso sim é uma surpresa.

O Google avisa que o suporte ao GTalk em aplicativos de terceiros, como Pidgin, Trillian e Adium, será encerrado na próxima quinta-feira (16). (O GTalk funcionava no protocolo aberto XMPP, o que permitia acessá-lo de outros aplicativos.)

O GTalk foi lançado em 2005, dentro do Gmail. Em 2013, perdeu protagonismo dentro do Google para o Hangouts, parte do Google+ (lembra?). Os aplicativos oficiais foram descontinuados em 2017 e agora, enfim, sai de cena o suporte a apps de terceiros — o último prego no caixão do GTalk.

Demorou tanto para o GTalk dormir em paz que, agora, o Hangouts nem existe mais (acho). Em seu lugar, o Google agora recomenda o Google Chat, o aplicativo de mensagens do Google Workspace. Via Google, blog do Google (2017), Wikipedia (todos em inglês).

Há anos o Google e as operadoras tentam emplacar o RCS, sucessor do SMS com recursos ricos, como grupos, multimídia e criptografia de ponta a ponta.

Na última Google I/O, o Google deu um puxão de orelha na Apple, que se recusa a adotar o RCS, e se gabou de já ter 500 milhões de pessoas usando o RCS no Android.

Esse alcance sofreu um abalo. Na Índia, o Google teve que desativar temporariamente o RCS devido à onda de spam por mensagens, liderada por grandes bancos e financeiras do país.

Em nota ao TechCrunch, o Google reconheceu que “algumas empresas estão infringindo as nossas políticas antispam para enviar mensagens promocionais a usuários na Índia” e que “trabalha com a indústria para melhorar a experiência dos usuários”. Via TechCrunch (em inglês).

Nas próximas semanas, o Google Duo, aplicativo de videochamadas para consumidores domésticos, receberá todas as funcionalidades do Google Meet, como limite de cem usuários em chamadas em grupo e desfoque do segundo plano.

Até o fim do ano, o aplicativo móvel do Google Duo será rebatizado como Google Meet, ou seja, não será necessário baixar um novo aplicativo, a menos que você já tenha o aplicativo do Google Meet. Nesse caso, o Google recomendará baixar o novo (que era o Google Duo).

O histórico de aplicativos de comunicação do Google é uma salada difícil de entender. Comparar os produtos disponíveis com rivais talvez ajude a entendê-la.

O Google Duo foi lançado como o “Facetime do Google”. O Google Meet, como o “Zoom do Google”. Existem ainda outros aplicativos ativos, como o Google Chat (o “Slack/Teams do Google”) e o Mensagens (o “WhatsApp do Google”).

No fim, talvez nada disso importe muito porque agora todos esses aplicativos estão dentro do Gmail, que virou um espaço de trabalho, ou Workspace (o “Office 365 do Google”), para empresas e indivíduos. Via Google (em inglês).

Sei que tem muitas conversas e propostas legislativas sobre desinformação ocorrendo por aí neste momento. Então, vamos investir muito no Brasil.

— Sundar Pichai, CEO do Google.

O Estadão foi um dos 11 veículos que entrevistaram Sundar por videochamada. A frase é genérica, mas fica a esperança de que o Google esteja mais atento às tentativas de manipulação eleitoral em suas plataformas, como o YouTube. Via Estadão.