Dados de “Pokémon Go” são usados para treinar IA de geolocalização

por Manual do Usuário

Se existe uma certeza na tecnologia em 2024, é que todo dado será extraído e usado para treinar inteligências artificiais. Nem o simpático Pokémon Go escapa a essa regra. / gamerant.com

A Niantic, dona do jogo, criou um “grande modelo geoespacial (LGM, na sigla em inglês, em alusão aos LLMs) com base em imagens vindas do seu “Sistema de Posicionamento Visual (VPS).

Um recurso chamado “Pokémon Playground”, que cria espaços no mundo real compartilhados pelos jogadores de Pokémon Go para deixarem bichinhos a fim de serem fotografados, serviu de isca para induzir as pessoas a alimentarem o VPS. / nianticlabs.com (em inglês)

A Niantic se defendeu dizendo que a varredura dos locais era completamente opcional e que apenas andar por aí com o jogo aberto não ajuda a treinar um modelo de IA. Ufa!

Segundo a empresa,

O LGM permitirá que os computadores não apenas percebam e entendam espaços físicos, mas também interajam com eles de novas maneiras, formando um componente crítico de óculos de realidade aumentada e áreas que vão além, incluindo robótica, criação de conteúdo e sistemas autônomos. / nianticlabs.com

Num dia você baixa um joguinho inocente de Pokémon, no outro descobre que pode ter ajudado a treinar futuros drones autônomos assassinos. Tomara que isso conte alguns pontos com a Skynet no juízo final.

Cadê você?

Novas ondas da tecnologia de consumo geram novos hábitos, alguns deles estranhos. Quando a internet móvel em celulares se popularizou, por exemplo, muita gente achou divertido dizer ao mundo por onde passava em aplicativos como o Foursquare.

Embora os motivos para alguém não fazer isso sejam vários e óbvios e o Foursquare seja apenas uma sombra do que foi naqueles anos malucos, uma variação da prática continua muito viva e, para alguns, embrenhada no cotidiano.

Na newsletter de tecnologia da Bloomberg, Ellen Huet comentou a transformação do aplicativo Buscar, da Apple, em uma espécie de mini-rede social baseada em geolocalização.

Existem bons motivos para dividir com alguém a sua localização precisa e em tempo real, como combinamos de nos encontrarmos com alguém. O uso inicial era esse, explica Ellen, mas, hoje, ela diz que o compartilhamento “se transformou em um sinal de intimidade digital e confiança”. Para os mais novos, é ainda pior:

O hábito digital também se tornou mais popular entre as gerações mais jovens. Alguns na geração Z veem isso como um rito de amizade ou um marco indicando proximidade.

O Snapchat tem um recurso tão popular quanto o Buscar da Apple — ao menos nos Estados Unidos. A Meta, que oferece o mapa no WhatsApp, vem testando o recurso no Instagram, com uma abordagem menos utilitária, mais parecida com a do Snapchat.

Um pouco influenciado pela leitura (em andamento) de A geração ansiosa, em que Jonathan Haidt explica a fixação dos jovens pelo celular, em parte, pelo que chama de “segurismo”, um eufemismo bobo dele para a superproteção dos adultos, me peguei pensando se esse Big Brother com os amigos em um mapa digital não é mais um sintoma da solidão crônica que todos, independentemente da idade, enfrentamos nesses áridos anos 2020.

Em 2024, os mapas do OpenStreetMap serão convertidos para vetores, o padrão nesse tipo de aplicação. Os mapas de lá não são assim ainda devido ao fluxo de atualização, que publica alterações feitas por voluntários quase em tempo real. Por isso, dizem os mantenedores, o OpenStreetMap teve que criar sua própria tecnologia de mapas vetoriais. Ainda não há data para a implementação. Via Blog do OpenStreetMap (em inglês).

A Fundação Linux anunciou nesta quinta (15) a criação da Overture Maps Foundation, uma iniciativa para criar padrões abertos para mapas digitais.

Os membros fundadores são Amazon, Meta, Microsoft e TomTom — a iniciativa passa a sensação de ser uma investida da indústria para fazer frente à liderança do Google no setor.

A Overture usará dados abertos de cidades, do OpenStreetMaps e dos membros fundadores. O objetivo, segundo a Fundação Linux, é “criar dados abertos de mapas confiáveis, fáceis de usar e interoperáveis”.

A Overture em si não produzirá aplicações para o usuário final, porém. Os dados abertos gerados e organizados por ela serão usados como base para produtos baseados em mapas. O foco, ou os “clientes” da nova fundação, são desenvolvedores.

Espera-se que o primeiro conjunto de dados básicos, com camadas como prédios, ruas e informações administrativas, seja liberado no primeiro semestre de 2023. Via VentureBeat, TechCrunch (ambos em inglês).

Um grupo bipartidário de procuradores-gerais estaduais norte-americanos informou na segunda-feira (24) ter ajuizado processos contra o Google em seus respectivos estados.

O motivo, desta vez, é o emprego de táticas enganosas (“dark patterns”) pela empresa para coletar dados de localização dos usuários. Mesmo quando esses usuários desativavam o compartilhamento de tais dados com o Google, a empresa continuava a capturá-los usando recursos/opções paralelas a fim de usá-los para direcionar anúncios.

Pelo Twitter, Karl A. Racine, procurador de Washington DC, disse que “desde 2014, o Google tem vigiado sistematicamente seus usuários não importa quais configurações eles façam”.

Procuradores norte-americanos têm ido com tudo atrás do Google. Um processo no Texas alega práticas comerciais abusivas em serviços como Google Ads. O Google foi pra defensiva, criticando as alegações do processo como “mais calor do que luz, nós não acreditamos que elas cumpram o padrão legal para levar esse caso a julgamento”. Via Bloomberg (em inglês), O Globo.

No Apple Mapas, aplicativo de mapas nativo do iOS, é possível iniciar um trajeto com orientações curva a curva, bloquear o iPhone e continuar recebendo orientações sonoras e visuais na tela. Dica do MacMagazine.

Esse comportamento é ótimo para quem anda de carro seguindo as orientações do GPS, pois caso o celular seja levado por uma daquelas quadrilhas “limpa-contas”, o celular estará bloqueado. Foi exatamente isso o que aconteceu ao vereador Marlon Luz (Patriotas), de São Paulo, quando saída da Câmara na noite de 17 de junho. Seu iPhone estava no painel do carro, com o Waze aberto, quando foi roubado por alguém. Em menos de duas horas, a quadrilha desviou R$ 67 mil das contas de Marlon. Via G1.

Infelizmente, o recurso parece ser daqueles que só a Apple pode usar. O MacMagazine fez testes com o Google Maps e o Waze, e eu, com o HERE WeGo, sem sucesso. O duro é depender do Apple Mapas, que, no Brasil, parece estar ainda está muito aquém dos concorrentes.

Três prints de pontos turísticos de San Francisco exibidos, em versão tridimensional, no Apple Mapas do iOS 15.
Imagens: @SnazzyQ/Twitter.

Os novos mapas da Apple de lugares onde todo mundo usa iPhone e uma casa custa no mínimo US$ 1 milhão, como a baía de San Francisco, me lembraram aquele conto curtinho do Jorge Luis Borges, Sobre o rigor da ciência, uma crítica aos limites da representação promovida pelos especialistas — que, analisada à luz desses novos mapas, torna-se quase literal.

O detalhismo dos prédios e pontos turísticos tridimensionais da Apple é encantador, mas é preciso ter sempre em perspectiva a que fim se destina um aplicativo de localização e navegação curva a curva.

Documentos internos do Google revelados em um processo movido pelo advogado geral do estado do Arizona, em 2020, mostram que é quase impossível a um usuário deixar de compartilhar dados de localização com o Google, e que essa dificuldade é intencional. Além da coleta explícita, o Google faz uso de outros meios para obter o mesmo dado, como sinais de Wi-Fi e dados de outros sites sem ligação direta com a empresa.

Os documentos revelam, também, que quando o Google testou uma versão do Android com opções mais simples de privacidade, os usuários fizeram uso delas e tal comportamento foi encarado como um “problema”. Via Insider (em inglês).

Três prints do novo HERE WeGo: 1) Novo logo e tela de abertura; 2) Visão geral do mapa de Curitiba; e 3) Detalhes de um ponto de interesse, o MASP em São Paulo.
Imagens: Here WeGo/Reprodução.

Sem alarde (sério, nem um postzinho em blog), a HERE deu uma bela repaginada no HERE WeGo, seu app de mapas e direções para celulares. Além do novo logo, a interface do app agora tem cores mais leves e, no geral, um visual mais moderno.

A grande vantagem do HERE WeGo para outros apps do gênero é que ele permite baixar mapas e pontos de interesse para ser usado sem conexão à internet. Gratuito, para Android e iOS.

Mapa do Brasil à direita, com gráfico do índice de isolamento social à esquerda.
Imagem: Inloco/Reprodução.

No começo da pandemia, o índice de isolamento social da Inloco, startup recifense especializada em geolocalização, era muito citado no acompanhamento dos primeiros passos do SARS-CoV-2 no Brasil. (Até rendeu uma matéria legal aqui no site.) Com o recrudescimento da pandemia, lembrei-me dele. Embora estejamos longe da aderência das primeiras semanas, houve um sutil aumento no índice a partir da metade de novembro. Via Inloco.

A estranheza da estética algorítmica de Flight Simulator

por Kyle Chayka

O colunista do New York Times Farhad Manjoo publicou uma curiosa coluna sobre o novo Flight Simulator da Microsoft, jogo que usa uma grande quantidade de dados do OpenStreetMap, filtrados através do Bing Maps, para criar uma renderização tridimensional do mundo inteiro. Os dados foram traduzidos algoritmicamente em um ambiente enorme; cada casa, arranha-céu ou montanha tornado interativo. Você pode pilotar um avião virtual passando por uma réplica virtual da sua casa.

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Como a In Loco consegue saber por onde você anda sem infringir a LGPD

Muitos brasileiros descobriram a existência da In Loco, uma startup de Recife (PE), no final de março. Especializada em geolocalização e atuante no segmento B2B, a In Loco usou os dados de localização dos mais de 60 milhões de celulares que monitora para criar o Índice de Isolamento Social (IIS), um mapa dinâmico que mostra quais estados estão mais ou menos comprometidos com o distanciamento social na luta contra a COVID-19.

O mapa é impressionante. Ele demonstra precisamente quando o Brasil passou a levar a sério a pandemia (20/3) e como o pico daquele fim de semana (69,6% no dia 22), que teve na sexta-feira discurso do presidente Jair Bolsonaro se referindo à COVID-19 como “uma gripezinha” e uma entrevista sua no Programa do Ratinho, do SBT, jamais se repetiu. O mapa também é um pouco inquietante e, não bastasse isso, a In Loco firmou acordos com pelo menos 20 estados para repassar dados anonimizados e agregados para ajudar no combate à COVID-19. Em meio a tudo isso, a pergunta que fica é: como uma empresa relativamente desconhecida acumulou tantos dados de tantos celulares no país sem chamar a atenção do grande público?

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O Strava, um app que monitora exercícios físicos, tem um mapa global de calor com os trajetos dos seus usuários. A base para o gráfico consiste em um bilhão de atividades desenvolvidas em 27 bilhões de quilômetros, o equivalente a 200 mil anos de atividades. Outros números enormes e os detalhes técnicos da versão, que foi atualizada recentemente e está mais precisa e bonita, estão neste post. (O mapa existe desde 2015.)

O mais legal é descobrir, na sua cidade, quais as áreas mais usadas pelos  usuários do Strava para a prática de exercícios. Em Maringá, interior do Paraná, os contornos do bosque, parque do Ingá e do estádio de futebol da cidade ficam mais intensos. O velódromo, ao lado do estádio, se destaca — mas por ter mais praticantes ou porque os praticantes usam, em maior proporção e por mais tempo, o app do Strava?

Detalhe do mapa de calor do Strava fechado na região central de Maringá-PR.
Imagem: Strava/Reprodução.

Detalhe curioso: o Strava recorreu ao Mapbox e ao OpenStreetMap para gerar os mapas. Há vida além do Google Maps.

Parecia um bom plano, o de dividir o Foursquare em dois. Mas aí tiraram as prefeituras do novo app para check-ins, o Swarm e… bem, o povo não gostou.

Embora o discurso oficial pós-racha seja de prosperidade e alguns números o sustente, o Foursquare ouviu as preces e trouxe de volta as prefeituras — porque o esquema novo-agora-antigo “não era muito divertido,” afinal.

As regras são simples: você será o Prefeito de um lugar se fez mais check-ins que todo mundo nos últimos 30 dias.

Apenas um check-in por dia é contabilizado para fins da disputa das prefeituras, e os do último mês já estão valendo para determinar quem é prefeito do quê. Eu, provavelmente de nada, já que desinstalei o Swarm tem um bom tempo. Mas agora, com prefeituras… Você dará uma nova chance ao app?

Se sim, baixe-o aqui.