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Sobre o rigor da ciência dos mapas da Apple

Três prints de pontos turísticos de San Francisco exibidos, em versão tridimensional, no Apple Mapas do iOS 15.
Imagens: @SnazzyQ/Twitter.

Os novos mapas da Apple de lugares onde todo mundo usa iPhone e uma casa custa no mínimo US$ 1 milhão, como a baía de San Francisco, me lembraram aquele conto curtinho do Jorge Luis Borges, Sobre o rigor da ciência, uma crítica aos limites da representação promovida pelos especialistas — que, analisada à luz desses novos mapas, torna-se quase literal.

O detalhismo dos prédios e pontos turísticos tridimensionais da Apple é encantador, mas é preciso ter sempre em perspectiva a que fim se destina um aplicativo de localização e navegação curva a curva.

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9 comentários

  1. mas a apple vai num outro caminho, não? se o mapa de Borges tinha a pretensão de representar de tal forma fiel a realidade que quase a substituía, os mapas da Apple parecem apostar no caminho do cartunesco e do escapismo — numa versão aparentemente mais doce, colorida e em alguma medida infantil do real, repleta que é desses tantos prédios fofos. Quase um mundo de marshmellow.

    1. Talvez. Ocorreu-me essa possibilidade. De qualquer forma, os mapas da Apple em San Francisco, cartunescos ou não, são mais detalhados que qualquer outro mapa digital. Um detalhe que me chamou a atenção e que foge disso é o detalhamento das ruas, que não é cartunesco — é uma representação o mais fiel possível às duas e suas marcações.

      E não sei, também, se esse nível agrega mais do que atrapalha no uso corriqueiro, quando se está, por exemplo, usando o aplicativo para trafegar pelas ruas em um carro. Desconfio, porém, que há um ponto em que a fidelidade deixa de ser útil e passa a disputar o sentido de realidade com a própria realidade. Que importa ver uma Golden Gate tridimensional bonita (cartunesca ou não) quando estou passando por ela?

      1. fiquei pensando que esse esmero com a representação de sinalização de trânsito em um nível bastante detalhado e local teria a ver com melhorar a experiência de uso do aplicativo para pedestres e ciclistas… mas isso faz pouco sentido de um ponto de vista de negócios

        aí pensei que pode ter a ver com preparar já o terreno para carros autônomos da empresa

        1. De alguma forma ajuda. Eu sinceramente prefiro que as pessoa usem como referencia a quantidade de ruas e o tempo de viagem, pois prédios podem ser modificados com o tempo

    2. Mesmo no antigo IGO/Nav’N Go, passando pelo Here WeGo, sempre houve algum tipo de detalhamento de pontos de referencia e edificações.

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