Ainda estou esperando alguém que me convença de que criptomoedas só servem para ilicitudes e especulação. Enquanto isso, os exemplos que reforçam essa opinião seguem se acumulando.

A história do ex-garçom Glaidson Acácio dos Santos, da GAS Consultoria Bitcoin, do Rio de Janeiro (RJ), é inacreditável. Em seis anos, ele movimentou R$ 38 bilhões em um esquema de pirâmide que prometia retornos surreais aos “investidores”. Metade desse valor, R$ 16,7 bilhões, foi movimentada em apenas 12 meses. Via O Globo.

Para colocar isso em perspectiva, se esse montante fosse classificado como receita (são coisas diferentes, eu sei), a GAS Consultoria Bitcoin estaria entre as 50 maiores empresas do Brasil em 2020, segundo o ranking Valor 1000.

Apesar do uso do bitcoin como fachada para enganar os “investidores”, Glaidson era, pessoa física, investidor da criptomoeda: ele chegou a colocar R$ 1,2 bilhão na Binance em troca de 4,6 mil bitcoins. Via O Globo.

Pix Troco: 1) Usuário do Pix vai a uma padaria (por exemplo). 2) Faz uma compra de R$ 20. 3) Faz um Pix de R$ 30 para o estabelecimento. 4) Recebe R$ 10 em espécie. Pix Saque: 1) Usuário do Pix vai a uma loja de departamento (por exemplo). 2) Faz um Pix de R$ 50 para o estabelecimento, sem fazer compras no local. 3) Usuário retira esse valor no estabelecimento comercial, que atuou como um agente de saque.
Imagem: Banco Central/Divulgação.

O Banco Central anunciou que o Pix Troco e o Pix Saque poderão ser oferecidos a partir de 29 de novembro. Para os usuários pessoas físicas e microempreendedores individuais, o serviço poderá ser usado gratuitamente até oito vezes por mês. Os estabelecimentos aderentes à novidade poderão receber uma tarifa da “instituição de relacionamento” que varia de R$ 0,25 e R$ 0,95. O esquema acima explica como funcionam as duas novas modalidades do Pix, ambas baseadas em QR codes ou aplicativo do prestador do serviço. Via Banco Central.

Dois dados importantes da pesquisa de mensageria móvel do Mobile Time/Opinion Box publicada nesta quinta (1):

  • Apenas 7% dos usuários de WhatsApp cadastraram um cartão de débito no WhatsApp Pagamentos. Dos que não embarcaram nessa, a maioria (50%) não tem interesse no serviço e 33% não confia em ceder dados de cartão ao WhatsApp. Aquele bloqueio do recurso pelo Banco Central, pouco antes da liberação do Pix, parece ter sido providencial. E a má fama do Facebook, justificadamente, segue crescendo.
  • O Telegram já está em 53% dos celulares brasileiros. Em um ano, cresceu 18 pontos percentuais. O clima de terra de ninguém do Telegram, somado a essa ascensão meteórica, pode se transformar em um campo de batalha sem regras nas desde já conturbadas eleições do ano que vem.

Via Mobile Time (2).

O Nubank enfim liberou suporte ao Apple Pay em seus cartões de crédito. Sobrou algum bancão ou fintech popular que ainda está fora desse sistema? Via Nubank.

A Coreia do Sul aprovou a primeira lei do mundo que obriga grandes lojas de aplicativos, como as de Apple e Google, a permitirem sistemas de pagamento alternativos. A empresa que descumprir a lei, que ainda depende da sanção do presidente Moon Jae-in, poderá ser punida em até 3% do seu faturamento no país.

No Android (Google) e no iOS (Apple), desenvolvedores de aplicativos só podem receber dos usuários pelos sistemas de pagamentos nativos, das donas do sistemas operacionais. Pela conveniência, Apple e Google/Alphabet cobram 30% do valor pago. Elas alegam que esse arranjo garante mais segurança aos usuários, um argumento cada vez mais difícil de colar mundo afora. Em vários lugares, as duas empresas estão na Justiça se defendendo de tentativas de abrir suas lojas para sistemas de pagamento alternativos, como o movido pela Epic, de Fortnite, contra a Apple nos Estados Unidos. Via Wall Street Journal (em inglês, com paywall).

O Banco Central (BC) anunciou na última sexta-feira (27) uma série de alterações no Pix visando inibir sequestros relâmpagos e outros crimes motivados pelo sistema de pagamentos. As principais são:

  • Limite de R$ 1 mil para transferências das 20h às 6h, com possibilidade de aumentá-lo (no geral ou para contatos específicos), com prazo mínimo de 24h para efetivação do pedido de alteração.
  • Possibilidade de limites distintos para dia e noite.
  • Possibilidade de retenção de de transações por até 30 minutos (de dia) ou 60 minutos (noite) para análise de risco da operação.

Segundo Roberto Campos Neto, presidente do BC, 90% das transações com Pix é de valores inferiores a R$ 500. “[A] intervenção protege o patrimônio das pessoas, não diminui usabilidade e desincentiva crimes como sequestro relâmpago”, disse Roberto.

As novas regras ainda não têm data para começarem a valer. Via CNN (2).

Greve de streamers

No final de julho, a Twitch, plataforma de streaming audiovisual da Amazon, regionalizou os valores cobrados na América Latina das assinaturas de canais (“subs”, no jargão do meio). No Brasil, o valor do sub, antes de R$ 22,90 e atrelado ao dólar (US$ 4,99), passou a ser de R$ 7,90. Para muitos streamers, foi a gota d’água para manifestarem suas crescentes insatisfações com a plataforma. Alguns deles iniciaram uma campanha propondo um “apagão”, ou uma greve, na próxima segunda-feira (23).

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Em Axie Infinity, a diversão é ganhar dinheiro

por Paula Gomes

Quando meu cunhado me ligou, em uma manhã de sábado, perguntando se eu queria “ganhar dinheiro jogando”, achei que fosse um meme recente, alguma piada perdida no feed algorítmico do Twitter. Não era. Ele tinha acabado de ler uma matéria sobre o jogo Axie Inifinity que o deixara empolgado.

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A Serasa lançou um recurso chamado Lock & Unlock que promete “minimizar as chances de o consumidor sofrer alguma fraude financeira”. Exclusivo para usuários “Premium” (R$ 19,90/mês, atualmente com 400 mil assinantes), o recurso bloqueia o score de crédito para consultas por empresas, então se alguém tentando se passar por você tentar um empréstimo ou a contratação de um produto de crédito, o bloqueio ao score sinalizará à empresa concedente de que você (você de verdade, não o fraudador) não está em busca de crédito.

A descrição soa como o pedido de resgate para um sequestro de dados. Afinal, a Serasa coletou meus dados sem eu pedir ou autorizar (obrigado, Cadastro Positivo!) e agora quer me cobrar para esconder esses mesmos dados de estelionatários. É isso mesmo ou entendi errado? Na dúvida, perguntei à própria Serasa que, por meio da assessoria, enviou a (não-)resposta abaixo:

O Serasa Score é uma informação que as empresas podem utilizar no processo de decisão para conceder ou não um crédito ao consumidor, juntamente de outras informação como, por exemplo, documentos, comprovantes de renda, histórico de dívidas etc., sempre de acordo com suas políticas internas.

Normalmente, quando um fraudador busca crédito em nome de outra pessoa, utiliza seus documentos indevidamente. Nesses casos, como o bloqueio do Serasa Score pode indicar que o consumidor não está em busca crédito no momento, essa pode ser uma ferramenta muito importante para que o consumidor e a empresa possam prevenir as fraudes.

O Serasa Score foi lançado para acesso gratuito do consumidor em 2017, e desde então mais de 60MM de brasileiros já consultaram e aprenderam sobre como cuidar da sua pontuação para facilitar o acesso ao crédito.

No mínimo, o Lock & Unlock deveria ser gratuito.

Desolador o impacto da alta dos combustíveis no trabalho dos motoristas e entregadores de aplicativos. Via G1.

Do gasto diário de um motorista, a gasolina representa entre 40% e 50%. A taxa paga aos aplicativos gira em torno de 25%. Para boa parte dos condutores, há ainda o pagamento de parcelas do veículo ou locação.

A Associação dos Motoristas de Aplicativos de São Paulo (Amasp) estima que 25% dos motoristas deixaram de dirigir na cidade, em relação ao total do início de 2020.

Nos apps de delivery, a pandemia teve um efeito contrário ao dos motoristas na pandemia, aumentando a demanda e, com isso, o número de entregadores circulando nas ruas, o que fez cair os preços das corridas. O segundo impacto em um ano, o do aumento no preço dos combustíveis, tem feito muitos deles trabalharem mais — e ficarem mais suscetíveis a acidentes:

O aumento de acidentes de moto é flagrante. Os últimos números do Infosiga SP mostram que o número de acidentes com motociclistas na capital paulista saltou de 1.011 em abril de 2020 para 1.584 em junho de 2021 (alta de 56,6%). As mortes subiram 58,8%, de 17 para 27.