O PicPay está entrando de cabeça no universo das criptomoedas. A fintech capixaba lançará uma exchange em agosto e quer trabalhar com cerca de 100 criptomoedas até o fim do ano.

O segundo passo, mais ambicioso, será lançar uma “stablecoin” atrelada ao real brasileiro, a Brazilian Real Coin (BRC). (Uma “stablecoin” é uma criptomoeda que mantém paridade de valor com uma moeda fiduciária, ou assim promete.)

Embora possa ser negociada em outras exchanges, o PicPay quer alavancar sua base de 30 milhões de usuários e pontos de venda integrados para popularizar a BRC para pagamentos. Via Neofeed.

Por que esta quebra das criptomoedas é diferente

Por que esta quebra das criptomoedas é diferente (em inglês), por Frances Coppola na CoinDesk:

O ecossistema de cripto ligou-se fortemente ao sistema financeiro tradicional e o dólar domina os mercados de cripto tal como o faz nos mercados financeiros tradicionais. E na medida em que os mercados de cripto cresceram, cresceu também o valor em dólar da indústria de criptomoedas.

Mas esses dólares não são reais. Eles existem apenas no ambiente virtual. Não são, e nunca foram, garantidos pela única instituição no mundo que pode criar dólares reais, o Fed [Banco Central dos Estados Unidos]. O Fed não tem qualquer obrigação de assegurar que aqueles que fizeram quantias gigantescas de “dólares virtuais” possam trocá-los por dólares reais. Assim, quando a bolha de cripto estoura, os “dólares virtuais” simplesmente desaparecem. Se você não conseguir trocar seus dólares virtuais por dólares reais, a sua riqueza é uma ilusão.

Os únicos dólares reais na indústria de criptomoedas são os pagos pelos novos participantes quando fazem as suas primeiras compras de criptomoedas. O resto da liquidez do dólar nos mercados de cripto é fornecida por moedas estáveis atreladas ao dólar [“stablecoins”]. Estas dividem-se em dois grupos: as que têm dólares reais e/ou ativos líquidos seguros denominados em dólares que as suportam, e as que não os têm. Não há o bastante do primeiro tipo para viabilizar que todos possam converter [suas criptomoedas] em dólares reais, e não há qualquer garantia de que o segundo possa ser convertido em dólares reais. Assim, com efeito, toda a indústria de cripto está ligeiramente reservada.

Há agora uma corrida para trocar as exchanges de criptomoedas pelos poucos dólares reais ainda disponíveis. Como sempre acontece em mercados não regulados, aplica-se a lei da selva. Aqueles que têm os maiores dentes recebem os dólares. Talvez “baleias” seja o nome errado para elas. Crocodilos são mais similares.

No site oficial da Novi, carteira digital da Meta, há um anúncio dizendo que o programa piloto, lançado nos Estados Unidos e na Guatemala, será encerrado em 1º de setembro.

O nome Novi foi anunciado em maio de 2020, substituindo o anterior (Calibra). Originalmente, a Novi trabalhava com a Libra/Diem, criptomoeda da Meta/Facebook que foi descontinuada em janeiro. Com o fim da criptomoeda própria, a Meta passou a atrelá-la a uma “stablecoin” (USDP). No meio do caminho, David Marcus, que liderava os esforços da Meta em criptomoedas, saiu da empresa.

O encerramento da Novi significa o fim, também e por ora, dos planos da Meta para criptomoedas, mas não para criptoativos. A empresa tem apostado forte em dar suporte a NFTs no Instagram e no Facebook. Via Bloomberg (em inglês).

Relatório da Receita Federal revelou que Glaidson Acácio dos Santos, o “faraó dos bitcoins”, preso em agosto de 2021 por uma série de golpes que movimentaram +R$ 16 bilhões (com “b” mesmo), lavou R$ 228 milhões atrás das grades usando sua advogada, Eliane Medeiros de Lima, como laranja.

A notícia, intrigante por si só, fica ainda mais complexa: em abril, Glaidson se filiou ao Democracia Cristã e anunciou no início de junho que é pré-candidato a deputado federal.

O Brasil não é para amadores. Via Folha de S.Paulo.

A economia de Axie Infinity, o jogo “earn-to-play” da Sky Mavis, parece ter dado um mergulho para a morte em 2022. (Em agosto de 2021, o Manual mergulhou no jogo para entender e explicar a sua dinâmica.)

Segundo a Bloomberg, o valor das duas criptomoedas atreladas ao jogo, os Axie Infinity Shards (AXS) e as Smooth Love Potion (SLP), derreteram. O AXS, que no topo chegou a valer US$ 165, está sendo negociado a US$ 14 na manhã desta terça (13). A SLP, que bateu US$ 0,40 no pico, vale agora US$ 0,00378 (menos de um centavo de dólar).

A baixa afugentou os jogadores. O número deles, que chegou a ultrapassar os dois milhões em novembro passado, está agora em cerca de 650 mil. Os que ficaram não ajudam as criptomoedas a recuperarem seu valor pelo que o economista Lars Doucet chama de problema do “dragão sonolento”:

Axie está preso no problema do “dragão sonolento”: Toda vez que o valor da SLP começa a subir, os dragões — as pessoas que estão esperando para transformar suas SLP em dinheiro — acordam e liquidam suas fortunas, empurrando de volta o preço para baixo.

Não chega a ser surpresa que um jogo medíocre cujo único incentivo é fazer dinheiro tenha implodido. A Sky Mavis sacou isso, ainda que tardiamente, e agora faz um trabalho para exaltar a porção “play” do “play-to-earn”: removeu referências a ganhos na promoção de Axie Infinity, lançou uma variação do jogo livre do esquema de criptomoedas, Axie: Origin, e tem organizado reuniões públicas com jogadores em que a direção garante que vai ficar tudo bem. Acredita quem quiser. Via Bloomberg (em inglês).

A “stablecoin” TerraUSD (ou UST), que supostamente acompanhava o valor do dólar e estava condicionada à criptomoeda Luna, derreteu e não vale mais nada. Na quinta (12), por volta das 23h (horário de Brasília), a blockchain da UST parou de funcionar pela segunda vez em menos de 24 horas.

A ideia de uma stablecoin, ou moeda estável, é manter a paridade com o dólar. No caso da UST, isso era garantido por um “smart contract” na blockchain que ajustava automaticamente o valor da moeda de acordo com as negociações entre ela e a Luna, a outra moeda do mesmo grupo empresarial, Terraform Labs, fundado e controlado pelo sul-coreano Do Kwon. O valor da Luna flutuava, mas o da UST era sempre mantido em US$ 1.

A coisa saiu de controle dentro das regras da blockchain. Faltou combinar com os investidores. Resumidamente, acabou a confiança da maior parte deles, o que levou a UST a entrar em uma “espiral da morte”, um círculo vicioso financeiro que a transformou em pó digital. Matt Levine, colunista da Bloomberg, explica didaticamente (em inglês).

Na Coreia do Sul, Kwon pediu proteção da polícia depois que investidores frustrados com o prejuízo começaram a rondar sua casa.

Agora pela manhã (13), a Terraform Labs informou que a blockchain voltou a operar com algumas mudanças para tentar a UST.

Outras “stablecoins” sentiram o baque e também perderam a paridade com o dólar, à exceção das duas maiores, tether e USDC. Até quando? Ninguém sabe. Via @terra_money/Twitter (2), Bloomberg, Coindesk (todos em inglês); mt.co.kr (em coreano).

Quando El Salvador adotou o bitcoin como moeda oficial, em setembro de 2021, ofereceu aos cidadãos uma carteira digital chamada Chivo para que eles transacionassem usando a criptomoeda.

Um estudo publicado recentemente pelo Birô Nacional de Pesquisa Econômica, grupo de Massachusetts, EUA, descobriu que a Chivo é um fiasco. Nas 1.800 residências consultadas, praticamente metade havia baixado o aplicativo, mas, desses, 61% já o abandonou. Quem manteve o app tem usado ele para transacionar dólares. Segundo o próprio Banco Central salvadorenho, em fevereiro, apenas 1,6% das transações no Chivo envolveram bitcoins. Via Rest of World (em inglês).

Após três meses de debate, a Wikimedia Foundation, que cuida da Wikipédia, decidiu interromper o recebimento de doações em criptomoedas. A fundação usava o serviço Bitpay e recebia doações em bitcoin, bitcoin cash e ether. A votação foi vencida com folga — 71,17% votaram a favor da proposta feita por Molly White, do (ótimo) Web3 os going great.

Na decisão, a Wikimedia Foundation deixou aberta a possibilidade de voltar ao assunto no futuro. Em janeiro, a Fundação Mozilla parou de receber doações do tipo. Leia-a na íntegra:

A Wikimedia Foundation decidiu descontinuar a aceitação direta de criptomoedas como meio de doação. Começamos a aceitar criptomoedas em 2014 a partir de pedidos dos nossos voluntários e comunidades de doadores. Estamos tomando esta decisão com base no recente feedback dessas mesmas comunidades. Especificamente, encerraremos a nossa conta no Bitpay, o que eliminará a nossa capacidade de receber diretamente crioptomoedas como método de doação.

Continuaremos monitorando esta questão, e agradecemos o feedback e a consideração destinada a este assunto em evolução por pessoas de todo o movimento Wikimedia. Manteremo-nos flexíveis e receptivos às necessidades dos voluntários e doadores. Mais uma vez, obrigado a todos os que deram contribuições valiosas a este tema cada vez mais complexo e mutável.

Via Coindesk, Wikimedia Foundation (ambos em inglês).

Lembra do NFT do primeiro post de Jack Dorsey no Twitter, vendido por US$ 2,9 milhões em março de 2021?

Seu dono, o empreendedor iraniano de criptoativos Sina Estavi, resolveu colocá-lo à venda em um leilão na OpenSea. Ele esperava arrecadar US$ 48 milhões com a revenda.

Foi um fiasco. Até esta quarta (13), quando a CoinDesk, uma publicação especializada em criptomoedas, noticiou o leilão, o maior lance havia sido de US$ 280, um prejuízo de 99,99%.

Após a publicação, alguns lances maiores foram feitos. No momento em que escrevo esta nota, o maior é de US$ 6,8 mil, o que ainda representa uma queda de 99,76% em relação ao preço original.

Paris Marx, no Twitter:

Quer dizer que aqueles grandes negócios como a venda do Beeple de US$ 69 milhões e o post no Twitter de Jack de US$ 2,9 milhões foram projetados para ganhar manchetes de modo a incentivar as pessoas a despejar dinheiro em bens especulativos onde a maior parte dos ganhos seria capturada por um pequeno número de baleias?

Surpreendente.

É assim que pirâmides começam a desmoronar? Via CoinDesk.

Musk, Thiel, Andreessen e a “current thing”

Musk, Thiel, Andreessen e a “current thing” (em inglês), por Brad Stone na Bloomberg:

Quinta-feira passada, em uma conferência de criptomoedas em Miami, Peter Thiel disparou contra os inimigos percebidos do bitcoin. Em um discurso sinuoso, chamou Warren Buffett de “vovô sociopata de Omaha” e apelidou os CEOs do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, e da BlackRock, Larry Fink, de “gerontocracia financeira” que reprime a ascensão de jovens cripto-inflamados. Ele também se opôs ao ESG — a lógica de investir com base em critérios socialmente conscientes como impacto ambiental, justiça social e boa governança.

[…]

Nas últimas duas semanas, [Marc Andreessen,] o co-fundador da Netscape e da empresa de capital de risco Andreessen Horowitz, postou surpreendentes 350 vezes ou mais no Twitter. Os posts são enquadrados principalmente em termos elípticos, mas condenatórios, que se referem à “the current thing”, um meme popular entre os membros da direita extremamente virtual.

[…]

O que se passa? Aqui estão três tecnólogos de alto nível, exorbitantemente ricos, que parecem buscar uma satisfação da meia-idade no shitposting — o ato de escrever “comentários deliberadamente provocativos ou fora do assunto nas redes sociais, geralmente para perturbar os demais ou divergir do debate principal”, segundo o dicionário Oxford.