É uma prática recorrente entre as fabricantes Android lançar versões “mini” dos seus topos de linha, mas o Xperia Z1 Compact, da Sony, tem uma característica que o diferencia dos demais: os mesmos componentes internos da versão maior. Enquanto LG e Samsung recorrem a processadores mais fracos, menos memória e câmeras pioradas, a Sony manteve os mesmos componentes do Xperia Z1 na versão Compact, com tela de 4,3 polegadas.
Só agora, seis meses depois de anunciá-lo, a Sony lançou o Xperia Z1 Compact nos EUA. Isso reacendeu a esperança de ver o modelo no Brasil porque… ora, por que não?
Então perguntei à assessoria da Sony se ele seria lançado por aqui e a resposta foi… “não”. Valeu a tentativa.
A fábrica da Samsung em Campinas (SP) foi assaltada na madrugada desta segunda-feira (7), no Parque Imperador, às margens da Rodovia Dom Pedro I. Segundo a Polícia Civil, aproximadamente 20 criminosos renderam funcionários e vigias, e usaram sete caminhões próprios para levar cerca de 40 mil peças, entre tablets, celulares e notebooks. A carga é avaliada em R$ 80 milhões, de acordo com os policiais responsáveis pela investigação. Ninguém ficou ferido.
(…)
Para a Polícia Civil, os criminosos tinham muitas informações sobre os procedimentos da empresa. O caso foi encaminhado para a Delegacia de Investigações Gerais (DIG), e estiveram no local funcionários da Samsung, da empresa de segurança privada, além de representantes de uma seguradora. Imagens da multinacional, rodovias e da cidade são avaliadas em busca de pistas sobre suspeitos.
Das coisas que sinto falta no iOS, o Operadora DDD é uma delas. Esse app para Android faz todo o trabalho sujo de manter atualizado ou modificar números em tempo real de acordo com a sua operadora, uma forma de aproveitar os descontos que elas dão para ligações entre seus próprios clientes e evitar pagar fortunas quando se liga para os das concorrentes.
A nova versão do Operadora DDD ganhou um visual mais refinado e conta agora com um modelo de assinatura. Custa US$ 1 por ano e dá direito aos seguintes recursos:
Inserção do nome da operadora do contato em seu número na tela de discagem.
Restauração de backup.
Histórico de alteração de operadora de todos os contatos.
A versão gratuita continua funcional e deve ser suficiente. Pelo custo-benefício, porém, vale a pena assinar ainda que apenas para apoiar o ótimo trabalho do Denis Souza.
A RSA Data Security emitiu alerta sobre um malware chamado Bolware.
Segundo a investigação, que é conduzida pela Polícia Federal do Brasil e o FBI, o Bolware pode ter comprometido quase meio milhão de boletos e gerado prejuízo na casa dos R$ 8,57 bilhões. Além de fraudar esses documentos, o malware ainda captura credenciais usadas para acessar sites. A RSA diz ter detectado quase 200 mil instâncias do Bolware em diferentes IPs, todos rodando Windows.
Em pauta está o “boleto” (oficialmente “Boleto Bancario”), um método de pagamento popular no Brasil que é usado por consumidores e a maioria dos pagamentos B2B. Os brasileiros podem usar boletos para completar compras online através do site do seu banco, mas diferentemente de pagamentos com cartão de crédito — que podem ser contestados e revertidos –, os feitos via boletos não estão sujeitos a cobranças e só podem ser reembolsados via transferência bancária.
Enquanto os culpados não são identificados e o esquema, derrubado, a RSA recomenda a utilização de apps móveis para realizar o pagamento através da leitura do código de barras. O método usado pelo Bolware para comprometer boletos consiste em trocar o código numérico na hora do pagamento, mas ele é incapaz de modificar o código de barras.
Outra saída, essa indicada pela FEBABRAN, é recorrer ao DDA, ou débito direto autorizado. Nunca tinha ouvido falar disso. Parece uma boa, mas este site horrendo que explica o sistema com uma animação tosca feita em Flash não é o tipo de coisa que transmite segurança.
A ativação do Google Now por um comando de voz (“Ok Google”), antes exclusividade do Moto X, agora está disponível para qualquer Android capaz de rodar o assistente do Google. Segundo o Felipe, no Giz, os comandos por voz a partir de qualquer parte do sistema vêm com a versão 3.5.15 do app Pesquisa Google.
Fiz alguns testes em um Nexus 4 atualizado e, pelo menos aqui esse “qualquer parte do sistema” ainda não está disponível — no do Felipe também não. A ajuda diz que essa capacidade é restrita aos “falantes de inglês nos EUA”. Existe a possibilidade da documentação estar desatualizada — e fica a esperança de que seja o caso e, com o tempo, a ativação do comando em qualquer tela/app funcione com o português também.
Com o Google Now Launcher ativado, consegui usar o comando “Ok Google” a partir da tela inicial também, somando-se ao próprio Google Now. É pouco? É, mas já é alguma coisa. Saudades de programar o despertador falando com o Moto X…
O Projeto de Lei nº 4.534/2012, em trâmite no Congresso Nacional, tem por objetivo modificar a Lei do Livro, de 2003. Para ser mais preciso, atualizar a definição do que é livro. No meio do debate, surgiu uma polêmica: o e-reader, o equipamento destinado exclusivamente ao consumo dos livros digitais, deve ser tratado como livro? (mais…)
Se você torce o nariz quando ouve alguém dizer “note” para se referir a notebook, “feice” para o Facebook ou “whats” para o WhatsApp, não deve ser nada simpático ao inexplicável “zapzap” que também é usado por muita gente aqui no lugar desse último. Em breve, porém, o que até agora era uma mania boba pode se tornar a maneira certa de falar de um app. Não do WhatsApp, mas do nacional ZapZap.
Ele está no Google Play, tem versão web e o site oficial promete uma no iPhone para breve. O app, criado por Erick Costa, analista de sistemas e desenvolvedor SharePoint de 33 anos, usa o código do Telegram, um app parecido com o WhatsApp e cheio de boas intenções, para oferecer uma experiência com o tempero brasileiro.
Na vibe da Copa do Mundo, o ZapZap é ufanista: todo verde e amarelo, tem como imagem de fundo padrão o escudo da seleção canarinho penta campeã mundial, e traz como ícone dois balões de diálogo nas cores nacionais, com a bandeira do Brasil em um deles.
Tirando as mensagens do app em português e o (discutível) esquema de cores da interface, de resto ele é exatamente idêntico ao app oficial do Telegram:
ZapZap e Telegram, lado a lado.
Erick Costa, a mente por trás do ZapZap
Conversei brevemente com o Erick via Facebook para tirar algumas dúvidas sobre o ZapZap. Ele diz que o app foi fruto de muito estudo para recompilar o Telegram, e se autointitula como o primeiro brasileiro a alcançar o feito. Ao se deparar com o app pronto, escolheu ZapZap porque precisava de um nome “bem brasileiro”.
Erick conta ainda que durante o desenvolvimento do ZapZap fez algumas melhorias em relação ao Telegram original, quase todas focadas em desempenho — uma das bandeiras do app é ser “o mais rápido do mercado, leve e preparado até para as piores redes de acesso”. Usando os dois apps em paralelo não consegui identificar as alardeadas vantagens salvo a tradução, mas fica aí o registro.
ZapZap.
Com 63 mil downloads em um mês no Google Play, o ZapZap já tem uma base se não considerável, digna de nota. Quando perguntado se esse sucesso não teria sido fruto de usuários distraídos que procuram pelo WhatsApp original usando seu apelido genuinamente nacional, Erick foi bem pragmático na resposta: “Acredito que não exista engano. WhatsApp é uma coisa, ZapZap é outra”. Medo de Zuckerberg? Que nada:
“Se [o Facebook] fizer [alguma coisa] acho legal, assim meu aplicativo só ficará mais famoso. Mas ele não tem como, nem a marca dele ainda foi registrada.”
Uma chance ao Telegram
O Telegram ganhou certa notoriedade quando o WhatsApp foi comprado pelo Facebook. A ideia de que a privacidade no app de mensagens pudesse ficar comprometida sob a nova gerência deu início a uma busca por alternativas.
Com um protocolo seguro, foco em segurança e APIs e código aberto, o Telegram é quase um projeto beneficente dos irmãos milionários Nikolai e Pavel Durov, co-fundadores da VK, maior rede social da Rússia. A história e a missão do Telegram, bem contada neste post do The Verge, é inspiradora. Mas é aquela coisa: ela é solenemente ignorada quando seus amigos o chamam pelo WhatsApp para combinar o bar de sexta ou mandar vídeos e fotos bobos naqueles grupos que vivem no mudo. Migrar uma base gigante e engajada para um app similar, ainda que melhor, é bem difícil.
Nesse sentido o ZapZap pode servir de atalho para o Telegram ganhar presença no país, por mínima que seja. No estágio atual, com 60 mil downloads (quantos continuam usando o app após baixá-lo, ninguém sabe), não faz nem cócegas no WhatsApp, que alega ter 38 milhões de usuários no Brasil. Mas antes 60 mil do que nenhum, certo?
Erick diz não ter planos muito ambiciosos para o ZapZap, apenas continuar atualizando o app para a base já instalada (“virou mania e todo mundo está usando”) e os novos usuários que virão. Com estratégias meio estranhas, como pedir aos usuários para clicarem nos anúncios a fim de fazê-los sumir (?) e sorteios de SIM cards do TIM Beta na página oficial do Facebook, o ZapZap mostra muita brasilidade e malemolência (e um pouco de ingenuidade) até em sua divulgação. Não deve desbancar o WhatsApp, mas é mais um símbolo que corrobora a criatividade do brasileiro, esse cara surreal e divertido.
Em meados dos anos 2000, quando câmeras digitais compactas ainda eram maioria e estávamos limitados às 12 fotos que o Orkut permitia enviar, a fotografia digital encontrava nos fotologs o caminho mais fácil para chegar à Internet.
Era uma época mais ingênua, com fotos mais granuladas e resoluções menores. O local onde a maioria que gostava de tirar e publicar fotos era o Fotolog.net, mas outros, como Vibeflog e Flogão, corriam por fora e conquistavam adeptos. Além da publicidade, esses serviços ofereciam planos pagos com vantagens, como maior número de comentários, personalização e música de fundo. Eram, pois, modelos sustentáveis, mas que não resistiram ao atropelo de redes sociais maiores, como o próprio Orkut, depois que relaxou o limite de fotos, e o Facebook, que terminou o que a rede social do Google havia começado e praticamente monopolizou a publicação online de fotos de nós mesmos e de amigos.
Hoje os flogs só são lembrados em duas situações. Quando não em sessões nostálgicas de quem viveu seu auge, é por jornalistas que encontram pérolas arqueológicas de astros recém-saídos da adolescência — Ganso e Leandro Damião, para ficarmos só no esporte, que o digam. Mas os flogs não são só isso. Sem muita invencionice, parados no tempo, eles seguiram em frente, e um desses serviços, o Flogão, acabou evoluindo para algo meio difícil de entender: virou o ponto de encontro de jovens que idolatram caminhões.
Flogão dos caminhões
Descobri esse “pivot” do Flogão durante a gravação do Radiolink, um projeto de extensão do curso de Comunicação e Multimeios da UEM. Um dos temas daquele programa foi flogs, e em meio a muitas histórias do passado despontou essa curiosa roupagem moderna do Flogão: ele foi invadido por caminhões, que aparecem no bloco dos VIPs (contas pagas), entre os flogões mais populares, são os mais comentados… A página inicial do Flogão de 2014 está dominada por caminhões.
Intrigado, resolvi investigar como o Flogão passou de selfies e fotos de gente para veículos de grande porte.
Para entender essa mudança tão grande no público-alvo, inicialmente procurei os responsáveis por ela: os flogueiros, como eles se chamam.
Logo de cara, Luiz, 15 anos, de Cascavel-PR, revelou o mistério: a maioria dos flogueiros é formada por filhos de caminhoneiros, jovens que, como ele, adoram a profissão, ainda não têm idade para dirigir e curtem muito um “caminhão mais arrumado, com frente rebaixada, traseira levantada, um tanque bem polido… sabe? Caminhão levado no capricho”.
Luiz mantém, com dois amigos, o Conexão 277, um Flogão VIP (pago). Além do tema pouco usual, a escolha do Flogão com tantas outras opções gratuitas disponíveis, como Instagram, Flickr e Facebook, era outra dúvida grande. Sendo um membro mais recente dessa onda de flogueiros de caminhões, Luiz apenas seguiu o fluxo. “[Escolhi o Flogão] porque já nas antigas existiam Flogões de caminhões”. Ele começou em 2012, mas diz que em 2008 já havia Flogões do gênero. Estar entre seus pares é uma vantagem importante para ele, pois facilita encontrar e ser encontrado por outros jovens que curtem caminhões.
Imagem: Conexão 277.
Apesar da opção pelo Flogão, ele reclama um pouco do descaso. Vez ou outra o sistema “buga” e bagunça as estatísticas, ou rejeita fotos. Outra crítica recai em Flogões que, aproveitando-se desses bugs, trapaceiam e inflam artificialmente as estatísticas. Não existe sistema perfeito.
A arte de tirar fotos de caminhões
Danillo Araújo, 17, de Luziânia-GO, é outro apaixonado por caminhões que mantém um Flogão, o Elite Goiana. Ele também entrou nessa recentemente, no final de 2012, e assim como o Luiz escolheu o Flogão pelo público que já estava lá: “Acho que não teria tanto público nesses sites [Flickr, Instagram], já que 80% do Flogão é destinado a caminhões. Ele se tornou muito conhecido, então quem quer ver fotos [de caminhão], vai diretamente aos Flogões”.
Os dois contaram como é o processo de tirar fotos. Em ambos os casos, os meninos vão a um posto de combustível e ficam esperando pelos caminhões mais bacanas (“aqueles que têm acessórios e andam sempre limpos”, conta Danillo). Tiram fotos e, quase sempre, recebem um retorno dos caminhoneiros.
A prática é nacional, então vários motoristas já sacaram os flogueiros e mantêm uma relação amistosa com eles, param para conversar, se interessam e querem saber mais sobre o assunto. Uns poucos torcem o nariz e ficam até bravos com o pessoal dos Flogões, mas a maioria dos menos amistosos são apenas precavidos. Perguntam para que são as fotos, desconfiam das respostas que recebem… Uns acabam convencidos das boas intenções dos flogueiros, mas sempre tem aquele que acha ruim, independentemente das explicações, ter o seu caminhão fotografado por adolescentes.
Vez ou outra a polícia interfere. Meio sem entender, apenas mandam os meninos para casa. Luiz conta de uma situação em Toledo, cidade próxima a Cascavel, também no Paraná. Um grupo de flogueiros menores de idade foi abordado pela polícia, que os mandou para casa sob a ameaça de, em caso de reincidência, serem encaminhados ao conselho tutelar.
Parece exagero, mas uns poucos flogueiros tornam o receio válido. Luiz conta que costuma ficar com seus amigos na sombra de alguma árvore, esperando os caminhões passar e sempre tirando fotos fora da pista, em locais seguros. Nem todos têm essa prudência: “tem piá que não, que faz por merecer, se joga no meio da pista pra tirar foto, deita no chão… bobeira, sabe? Outros se jogam no meio da pista e balançam as mãos para os motoristas darem ‘quebras de asa’, sabe?”
Não, não sei. O que é quebra de asa?
O perigo da quebra de asa — e da superficialidade da mídia
Ano passado o Fantástico, da Rede Globo, veiculou uma matéria que alertava sobre a “quebra de asa”, manobra em que o motorista joga a carroceria do caminhão para o lado, fazendo uma espécie de zigue-zague na pista. Pouco tempo depois a RPC, afiliada paranaense da Rede Globo, exibiu outra reportagem mostrando (mas não identificando) flogueiros que pedem aos motoristas para que façam a manobra a fim de tirarem fotos.
A matéria não foi muito longe e ignorou completamente a motivação dos que ficam na beira das rodovias pedindo pela perigosa manobra. Eles existem, mas são, segundo Luiz e Danillo, exceções que mancham a reputação dos flogueiros. Luiz me disse:
“Na maioria das vez os próprios flogueiros pedem para eles fazerem isso. Nós não achamos legal; além de danificar o caminhão, [a quebra de asa] oferece grandes riscos. (…) É revoltante. Por causa de alguns bestas, todos os outros ficam mal vistos.”
O YouTube está repleto de vídeos de quebra de asa, vários feitos por flogueiros, alguns assustadores, como este. Infelizmente, uma prática sadia e que valoriza o caminhoneiro, profissional muitas vezes esquecido ou ignorado, é deixada em segundo plano por causa de uns poucos inconsequentes que extrapolam a segurança e buscam esse tipo de emoção pra lá de questionável.
Um dos rapazes que procurei para conversar, aliás, cancelou a entrevista temendo represálias no trabalho. Por e-mail, disse que “os ‘flogueiros’, como somos chamados, estão sendo vistos de uma forma negativa conforme esta passando na televisão, sendo que nem todos ficam no acostamento se arriscando para conseguir filmar uma quebrada de asa”. Afinal, é mais fácil ser sensacionalista.
E o Flogão?
Imagem: Flogão.
Pelo que apurei dessas conversas, o Flogão virou o que é hoje meio que por acaso, pelo comportamento de manada dos flogueiros mais novos. Alguém começou a subir fotos de caminhões lá atrás e depois dele, outros seguiram o exemplo.
O abandono do serviço é evidente. Além dos problemas técnicos relatados pelo Luiz, o layout não muda há anos e as estatísticas de visitação dos flogões mais populares dão uma pequena dimensão do quão baixo é o alcance obtido hoje.
Tentei conversar com alguns profissionais que estavam no Flogão entre 2007 e 2008, sem sucesso. O máximo que descobri foi uma negociação, posteriormente revertida, que levou o Flogão ao Power.com, uma startup brasileira que tinha por objetivo concentrar diversas redes sociais em uma interface centralizada. O Power.com chegou a aparecer no TechCrunch e fez barulho na época. Um ano depois, em 2009, arranjou briga com o Facebook acerca da portabilidade de dados e, em 2011, fechou as portas. No tempo em que esteve lá, houve uma profunda reformulação no código do Flogão e tentativas fracassadas de expandi-lo.
Desde que voltou a ser independente, o Flogão não viu melhorias em seu sistema ou na oferta de recursos. Entrar no site em 2014 é como voltar ao passado, com a diferença de que no lugar de pessoas existem caminhões adornando os endereços mais badalados.
Da mesma forma que o Flickr passou de um jogo online para uma rede social de fotos e que o Twitter absorveu replies e retuítes, recursos que surgiram organicamente entre os usuários do serviço, o Flogão passou por uma mudança que veio de fora para dentro, um acidente de percurso que talvez seja o único responsável por mantê-lo no ar até hoje.
Com Facebook, WhatsApp e Instagram processando bilhões de fotos diariamente, sobra pouco espaço para redes estagnadas e notoriamente menos dinâmicas, como os fotologs de dez anos atrás. O nicho caminhoneiro criou um ambiente diferente de qualquer coisa na Internet, um lugar fascinante, escondido nas ruínas do que era, há pouco tempo, um lugar bem popular na Internet.
Foram anos de discussões acaloradas e cinco meses travando a pauta da Câmara, mas enfim o projeto do Marco Civil da Internet (Projeto de Lei 2126/11) foi aprovado. O texto, da propositura à aprovação, mudou em pontos-chave e, nos últimos momentos antes da sessão da Câmara dos Deputados que enfim votaria o projeto, muito se falou sobre a ameaça à neutralidade da rede. Por que tanta preocupação em relação a esse ponto?
#MarcoCivil aprovado com neutralidade da rede, liberdade de expressão e proteção à privacidade! #eqp
Sabe quando aquele seu tiozão se refere à Internet como “a grande rede dos computadores”? Embora brega, há um fundo de verdade nessa declaração. A Internet, grosso modo, é mesmo uma grande rede. Pela sua natureza aberta, com protocolos livres de patentes que conversam entre si, o processo de se conectar a ela é relativamente simples para qualquer… pessoa, empresa ou coisa. E assim, de ponto em ponto, de IP em IP, criou-se uma rede monstruosa que caminha para cobrir o mundo inteiro e conectar todos os seres humanos.
Existe uma hierarquia no trajeto que os dados fazem do servidor até o seu navegador web, ao cliente de e-mail ou qualquer aplicação que você use aí em casa ou no trabalho que dependa da Internet. A relação entre provedor (GVT, NET, Vivo) e cliente (eu e você) é, como este artigo da Quartz explica, apenas o fim de uma longa estrada. Lá no começo estão os backbones e as CDNs, redes de distribuição que funcionam como intermediárias entre serviços/sites e provedores, atuando meio que em conjunto para viabilizar o fluxo de (enormes quantidades de) dados. Algumas das CDNs mais famosas são Akamai, Level 3 e Cogent.
Existem quedas de braço, acordos e negociações sendo feitos nos bastidores da Internet desde sempre. Embora as questões levantadas pelo dilema da neutralidade recaiam, em sua maioria, nos provedores, elas atingem também essas empresas e estruturas menos conhecidas do público e que não ganham tantas manchetes nos veículos de comunicação.
Todos os grandes sites (Google, Facebook, Microsoft, Netflix) usam CDNs que negociam com as operadoras a distribuição desse conteúdo. Quando a balança desequilibra, ou a demanda foge dos termos contratados, o tempo fecha. Exemplo recente? A relação entre Netflix, CDNs e os três principais provedores dos EUA — Comcast, Verizon e AT&T.
Essa medida, que abre um precedente no debate sobre a neutralidade nos EUA, foi tomada pela dificuldade que as CDNs estavam tendo em conseguir levar esses dados, mais do que os provedores esperavam. Eles, os provedores, começaram a reclamar e agir. Como? Restringindo a conexão para uma aplicação específica, a Netflix. De repente a rede deixou de ser neutra, deteriorando o tráfego de um serviço que consome muitos recursos — com 30 milhões de assinantes, o Netflix responde por quase 1/3 do tráfego de Internet gerado no hemisfério norte em horário nobre.
Ninguém quer, mas alguém tem que pagar a conta. A Netflix até criou um programa, o Open Connect, para levar servidores próprios para os provedores, bancados e mantidos por profissionais seus, a fim de aliviar a carga. Funciona na Europa, América Latina e em outros locais; lá, nos EUA, os provedores se mostraram avessos à inciativa. A discussão ainda vai longe, mas nesse meio tempo, temendo perder clientes por constrições na conexão e consequentemente vídeos de baixa qualidade, a Netflix pagou o pedágio da Comcast. Repetindo, ela abriu um precedente. E um perigoso.
Essas negociações de bastidores importam, mas o que mais se discutiu aqui, com a questão do Marco Civil, foi o último elo da cadeia, a relação provedor-cliente.
Sem a neutralidade, as operadoras poderiam inventar quaisquer critérios para vender o acesso à Internet. Hoje, existe um convencionado que funciona desde os primórdios da banda larga: a velocidade de acesso. Você pode achar injusto pagar mais para ter mais velocidade, mas não tem como reclamar da isonomia da navegação. Seja no plano mais rápido ou no mais lerdo, o conteúdo é acessado da mesma forma, sem distinção.
Imaginar um cenário diferente disso é fácil. Pensemos, pois, em um plano especial de vídeos. Quem quiser ter acesso ao Netflix e YouTube pagaria, digamos… R$ 20 a mais na fatura. Ou um plano básico, que dá direito apenas a e-mail, Facebook, Twitter e YouTube, por uma mixaria. Quer jogar? Olha aqui o plano Gamer Ultimate Plus, com acesso privilegiado ao Steam, League of Legends e, de graça, um joguinho por mês. Custa só R$ 120 e dá direito àquele plano básico ali de cima na faixa.
O que se tem atualmente é uma Internet similar à Dona Justiça: cega, que não faz distinção acerca do que o usuário pede. Parece o ideal, certo? É para mantê-la assim que os defensores ferrenhos da neutralidade brigam tanto pela aprovação do Marco Civil. Mas há desdobramentos que extrapolam os (sempre perigosos) discursos extremados entre defensores da liberdade absoluta e os das teles.
Quem já compartilhou uma conexão com colegas ou familiares folgados sabe como é. Basta que alguém abra o YouTube ou o BitTorrent e a rede se torna imprestável: não há conexão que resista a serviços que consomem muita banda. O fornecimento de Internet é como uma rede doméstica, só que em um nível maior. Todos os usuários de um provedor compartilham os mesmos tubos de acesso. Pode ser meio chocante para você, mas a conexão, embora não dê para pegar e guardar em um pote na estante, é um recurso finito.
A redação do Marco Civil impede qualquer tipo de distinção do tráfego mesmo quando esse tipo de intervenção beneficiar a maioria dos usuários. Exemplo clássico: aeroporto. Nesse e em outros locais com grande concentração de pessoas o acesso à rede móvel fica seriamente prejudicado pela demanda. Como falta esse senso de finitude da Internet à maioria, dois caras acessando o YouTube dali atrapalham todos os outros que só querem fazer tarefas mais leves e muito mais importantes, como verificar o e-mail antes do voo e abrir o cartão de embarque no smartphone.
O serviço dos provedores que atuam no Brasil, principalmente os de conexões móveis (3G/4G), é ruim? Sim, mas poderia ser pior. Ou, com mais flexibilidade, melhor. É natural a desconfiança — anos liderando rankings de reclamações não deram a eles uma reputação exatamente boa –, mas o engessamento da neutralidade da rede pode trazer consequências indesejadas também. Com o acesso igualitário para todo e qualquer serviço, talvez a demanda suba e, com ela, os preços também. E aí o que era para ser benéfico ao povo pode acabar criando mais barreiras para o acesso universal.
Pesa a favor das teles, ainda, o histórico. Em quase duas décadas a oportunidade de fragmentar a rede para cobrar mais esteve sempre aí. E o que aconteceu? Nada. Nenhum provedor jamais recorreu a ela. Talvez não seja vantajoso, talvez a queimação de filme não valha os ganhos potenciais que fragmentar a Internet trariam. As queixas de traffic shaping, que vez ou outra assolam alguns provedores nacionais, são bem ruidosas e mancham a reputação de certos nomes. Quem aí não xinga a mãe do dono do provedor tal quando, mesmo com um plano de 200 Mb/s o YouTube se arrasta para carregar vídeos em 140p? Qualquer um. Mas pense maior que isso: será que sem o traffic shaping outros serviços não seriam prejudicados a ponto de dificultar a realização de tarefas simples, como acessar o e-mail e entrar em sites de notícias?
Alguns ativistas pró-Marco Civil citam cenários apocalípticos para defendê-lo; não é por aí. Ter a empatia de entender o lado de quem fornece o acesso é um passo importante para que a discussão caminhe no sentido de chegar a um consenso do que é bom para a maioria. Talvez fosse o caso de as operadoras começarem a fiscalizar e colocar em prática as restrições de banda contratuais — aquela quantidade tal de tráfego mensal que, pelo menos entre os provedores residenciais, nunca é levada a sério. Tratamento isonômico da conexão pela qual quem usa mais, paga mais. Talvez. O debate não exaure aqui e, como todos os outros pontos desse deve ter nuances que merecem ser explicados.
Neutralidade ou 0800?
Não é só na ponta do acesso, na relação provedor-cliente, que a ausência de neutralidade pode gerar consequências. Uma outra prática é potencialmente mais danosa à livre concorrência na Internet que qualquer tentativa de fragmentação do acesso por parte dos provedores. Aliás, talvez essa seja a prática a ser combatida.
Grandes sites podem chegar a acordos com os provedores para priorizar suas ofertas em detrimento dos concorrentes. A Netflix pagou uma grana boa à Comcast para servir seus clientes decentemente, mas nada impede que, nesses mesmos termos, um serviço que compita com ela pague ainda mais ao provedor para ter mais banda disponível e, consequentemente, qualidade superior.
Posto de outra forma, esse tipo de acordo pode gerar vantagem artificiais e injustas.
Parece loucura? Sim. Mas o mais maluco é que esse tipo de coisa já acontece. Em vários países, inclusive no Brasil, Facebook e Twitter têm acordos com as operadoras móveis para fornecer aos usuários acesso gratuito a seus serviços. O Bradesco entrou na onda, levantando mais questionamentos sobre o ferimento da neutralidade. Nos EUA, a AT&T estendeu a ideia e a empacotou para empresas interessadas. O sistema, batizado lá de Sponsored Data, já é usado por uma empresa de planos de saúde, outra de publicidade móvel e uma última de soluções de comércio móvel.
Isso afeta a neutralidade? Há entendimentos nos dois sentidos. Entre os que não veem nada errado nisso, o raciocínio é de que essa oferta equivale a um 0800, a um SAC das empresas que ingressam em programas como o Sponsored Data. O problema é que isso causa um desequilíbrio na concorrência. Se, apropriando-se de um exemplo que li recentemente não me lembro onde, o Google tivesse bancado a banda do Google Videos quando o YouTube despontou, qual seria o site de vídeos mais popular do mundo hoje?
O caminho que falta
A neutralidade é um assunto delicado e demanda muita reflexão e debate. Sim, ainda mais reflexão e debate. A redação final do Marco Civil da Internet mitigou o receio dos defensores da Internet livre e previu explicitamente, no caput do artigo 9º, o tratamento “de forma isonômica [de] quaisquer pacotes de dados, sem distinção por conteúdo, origem e destino, serviço, terminal ou aplicação”. Uma vitória para quem defende a neutralidade absoluta.
Em comunicado à imprensa, o SindiTelebrasil, sindicato nacional que representa as operadoras de telefonia, disse ter “recebido positivamente” a aprovação do Marco Civil, “mesmo não sendo em sua totalidade a proposta que o setor considera ideal para a sociedade”. Ele reitera a manutenção, nos termos da nova lei, de serviços já oferecidos, como os acessos gratuitos a redes sociais, projetos educacionais e ao que o sindicato se refere nominalmente como “Internet 0800, em que a conexão é paga pelo site que está oferecendo o serviço”. Tipo o Sponsored Data da AT&T nos EUA, uma oportunidade saborosa para grandes corporações, com muita grana em caixa, acelerar a adoção de serviços, de atropelar concorrentes menores e, quem sabe, até melhores.
O próximo passo é a aprovação no Senado, onde o texto poderá receber alterações e será debatido novamente e, depois, a sanção presidencial. O artigo 9º dependerá de regulamentação pela Presidência via “determinação constitucional fiel à execução da lei” (seja lá o que for isso) e, na redação final, entrou a necessidade de consulta à Anatel e ao Comitê Gestor da Internet para tanto. As exceções à neutralidade serão, exclusivamente, para “serviços de emergência e aos requisitos técnicos necessários à prestação adequada dos serviços”, e sempre com transparência e avisos prévios aos consumidores.
É sempre salutar lembrar que o Marco Civil da Internet trata de outras questões além da neutralidade. E também que ele é, para todos os efeitos, uma espécie de lei de base, que não tem caráter punitivo e que pretende apenas dar diretrizes básicas ao acesso à Internet no país. Apesar disso, alguns artigos são decisivos para moldar o futuro da rede por aqui, um deles o da neutralidade.
A sensação que se tem é que uma vitória foi conquistada, mas a que preço? Um dos princípios constitucionais, o da isonomia, diz que deve-se tratar os iguais na medida da sua igualdade e os desiguais, na medida da sua desigualdade. Ao promover a neutralidade absoluta, parece-me que nos distanciamos disso e damos à Internet termos rigorosamente idênticos para todo mundo. A neutralidade é importante, sim, mas não é uma questão simples, direta, como a maioria pinta por aí. Resta saber como ela funcionará na prática, mas só testemunharemos isso depois da sanção presidencial. Ainda vai demorar.
Um pouco tarde para as compras deste Natal, os Correios em parceria com a Senacom divulgaram um boletim de proteção ao consumidor com orientações importantes sobre a importação de produtos por pessoas físicas. A falha no timing é perdoável porque, apesar de mais frequente no fim do ano, comprar de sites estrangeiros se tornou uma prática comum para muita gente aqui — nos últimos dois anos, houve um aumento de 389% em encomendas do tipo.
DealExtreme, AliExpress, Tmart, Etsy, eBay… Muitos sites enviam produtos para o Brasil, uns até sem cobrar frete. Como lá algumas categorias de produtos saem bem mais em conta que aqui, por que não importá-los?
Existe regras na compra de produtos de fora. Tal ato é, como o boletim enfatiza, um de importação. O documento de sete páginas condensa o que importa em uma linguagem acessível, prevê casos excepcionais e vem com um punhado de links para entender melhor a burocracia da importação.
Importante: as regras descritas abaixo, como bem lembrou o leitor Leandro, valem para quando a encomenda é recebida pelos Correios. Nas palavras dele: “se vier por courier como DHL, FedEx ou UPS, é um pouco diferente, já que os Correios não participam do processo e todo o desembaraço é feito pela transportadora”. Um caso alternativo famoso que o Leandro cita é o da Amazon, que faz algum tempo passou a enviar mais coisas além de livros e periódicos cobrando os impostos na hora da compra.
Livros, jornais e periódicos são isentos de imposto, bem como presentes dados de pessoa física para pessoa física desde que o valor aduaneiro, ou seja, a soma do valor, frete e seguro (se houver), não ultrapasse US$ 50.
Algumas lojas oferecem o “serviço” de remover rótulos e outros indicadores de que se trata de uma compra, para que o produto pareça um presente. Como é prática antiga (e fajuta), imagino que o pessoal da Receita esteja atento a esse jeitinho. Não cola mais.
Medicamentos acompanhados de receita médica também não pagam imposto, mas precisam passar pela fiscalização da ANVISA.
Tributação de encomendas
A tributação de encomendas feitas por pessoa física cai no Regime de Tributação Simplificada, ou RTS, que dispensa a contratação de despachante para o despacho/desembaraço. O teto em valores para essa categoria é de US$ 3.000; acima disso é preciso a contratação de um despachante e aí o processo fica caro e complexo.
Entre US$ 500,01 e US$ 3.000, as despesas aumentam. Além da alíquota de 60%, incide também ICMS (varia de estado para estado) e uma taxa de despacho aduaneiro no valor de US$ 150. A contratação de um despachante é opcional.
Todas as encomendas que chegam ao Brasil estão sujeitas à fiscalização da Receita Federal. Ela tem por objetivo confirmar as informações anexadas à encomenda, inclusive os valores declarados, e verificar se o produto se enquadra em um dos casos especiais que dependem de anuência de outro órgão para entrar no país — o boletim dos Correios lista essas situações na terceira página.
O site da Receita esclarece como essa verificação é feita. Entre outras coisas, informa que a verificação pode ser realizada por amostragem de volumes e embalagens, o que explica porque aquele seu primo que importa o mundo nunca foi pego. Ele apenas deu sorte de nunca ter caído nessa amostragem.
Cuidados na compra
O boletim é um amigão e dá dicas de boas práticas sobre como se precaver para o caso de problemas na compra. Por melhor que seja a reputação da loja em questão, imprevistos acontecem.
Logo de cara, ele esclarece que os Correios não têm acordos comerciais com site algum lá de fora. Eles apenas fazem a ponte entre fornecedor e consumidor desde que no país de origem a postagem no país de origem tenha sido feita através da administração postal oficial por uma modalidade que seja distribuída no Brasil pelos Correios. Dessa forma, ao entrar no país a encomenda ganha aquele código de rastreamento para acompanhar o trânsito dela pelo site dos Correios.
É preciso ficar atento ao site também. Da mesma forma que existe muita loja charlatã no Brasil, no exterior não é diferente. Em conglomerados como eBay e Etsy, que funcionam de modo parecido com o MercadoLivre, ou seja, são vitrines para pequenos vendedores, atenção redobrada. Vale pesquisar a reputação do vendedor, se ele teve muitas reclamações, coisas que os próprios sites fornecem aos interessados.
Guarde todos os comprovantes e tire screenshots da oferta, do anúncio, do que puder. Mesmo internacional, ainda assim se trata de uma relação de consumo, logo ela está protegida pelo Código de Defesa do Consumidor e pode-se recorrer ao PROCON para reclamar de irregularidades na relação. Antes de apelar para a justiça, tente conversar com a loja. Já recorri ao suporte da DealExtreme e em algumas negociações no eBay; nesses casos os vendedores foram muito atenciosos e resolvemos tudo por email mesmo.
A legislação aduaneira exige a guarda de documentos relacionados à importação por cinco anos. Eles podem ser pedidos pela Receita Federal ou pelo Banco Central.
O prazo máximo para a entrega de uma encomenda importada é de 180 dias. Caso um produto venha com avaria e precise ser devolvido para reparos ou troca, deve-se recorrer à Exportação Temporária. Este PDF explica o trâmite.
Comprar nos exterior sem sair do Brasil é uma boa pedida para pagar menos e ter acesso a produtos que não estão à venda ou são difíceis de encontrar em algumas cidades brasileiras. Use as dicas acima com sabedoria e boas compras!