Movimentos estranhos em público

A compulsão por telas é um problema generalizado — quem diz que não tem, é porque ainda não se deu conta. Eliminar a tela, mantendo o aparato tecnológico conectado à internet, é uma possível saída?

Venho pensando nisso desde que coloquei um Apple Watch no meu pulso. (Ele já saiu dali.) O relógio da Apple realizou a profecia feita por Claudinho e Buchecha em 1998 e, de repente, eu conseguia controlar o calendário — e muitas outras coisas — sem utilizar as mãos.

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Uma contradição no relato do meu quase atropelamento

Alguém no Tildes apontou uma contradição no final do relato do meu quase atropelamento, onde digo que, desde o incidente, passei a usar o Loop Engage que reduz 16 dB, o que é bem menos que o cancelamento de ruído dos AirPods Pro 2, estimado em 27 dB.

“A redução de 11 dB é muito maior do que os números por si só aparentam”, escrevi. Nesse caso, os 16 dB que o Loop Engage reduz seriam, também, uma redução significativa.

Ele tem razão. Se o objetivo da minha mudança de comportamento é manter a atenção máxima ao meu entorno, qualquer redução na audição joga contra esse intuito.

Desde quinta passada (18), quando li esse comentário, passei a experimentar a rua no seu volume normal. Sem Loop Engage, sem fones, nada: com ouvidos “nus”.

Como era de se esperar, após uns dois anos ininterruptos andando na rua com algo nos ouvidos atenuando o barulho, foi estranho. Por outro lado, o incômodo foi menor do que eu esperava. Talvez a minha tolerância tenha aumentado nesse intervalo?

Alguém me sugeriu usar o “modo Adaptativo” dos AirPods. Desde 2023, alguns modelos contam com esse recurso, uma espécie de união dos outros dois originais. Segundo a Apple,

O modo Adaptativo combina o Cancelamento Ativo de Ruído e o modo Ambiente para controlar o nível de ruído que você ouve nos fones de ouvido com base nas mudanças nas condições de ruído no ambiente. Você pode personalizar o Áudio Adaptativo para permitir mais ou menos ruído.

Sempre usei esses fones no “8 ou 80”, ou seja, com cancelamento de ruído ou no modo ambiente. Vivendo e aprendendo.

De qualquer forma, o modo adaptativo não resolve o problema de imagem. Continuaria sendo uma pessoa que parece distraída por seus fones de ouvido.

Esse problema de imagem se intensificou na sexta (19). No intervalo da partida entre Brasil e Haiti, pela Copa do Mundo, surpreendi-me ao ver na TV o jogador Vinícius Jr. bailando, todo pleno, em uma cidade barulhenta, porém isolado do caos sonoro graças aos seus AirPods Pro™ 3 com “o melhor cancelamento ativo de ruído do mundo em fones intra-auriculares”, em um comercial da Apple. Aí fica difícil.

Quase fui atropelado

No início de junho, durante uma visita aos meus pais no interior do Paraná, decidi trocar a ida à musculação por uma passada na farmácia à luz dos primeiros sinais de uma crise de enxaqueca, o melhor momento para tomar um remédio e evitar uma piora.

A farmácia mais próxima fica a cerca de 1,5 km. Calcei o tênis de corrida para unir o útil ao agradável: uma caminhada leve para buscar o remédio.

Saindo da farmácia, decidi mudar a rota para dar algumas voltas em uma pracinha onde, quando morava lá, costumava ir para caminhar.

Quase chegando à casa dos meus pais, atravessei uma avenida movimentada, sem sustos. Do outro lado, tive um lapso e, por um momento, imaginei que a rua transversal fosse de uma mão só. (Ela de fato é do outro lado da avenida.)

Olhei para um lado, nenhum carro ou moto à vista. Fui.

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Fones de ouvido sem fio: uma análise tardia

Desde os primórdios deste Manual, tenho como meta o “slow web”, que aqui se traduz em ser o último a tratar de um assunto. (Está no texto de inauguração!) Mesmo ciente disso, não imaginava que algum dia abordaria um com oito anos de atraso.

Enfim, cá estamos. Vamos falar de fones de ouvido sem fios.

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Meu mouse preferido custa menos de R$ 40

Quem sai em busca de um mouse novo costuma se deparar com o Logitech MX Master no topo das listas de indicações (preço sugerido1: R$ 700). O que eu uso no dia a dia custa uma fração disso, ou 1/17 para ser exato. Eles valem o que custam?

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Acho super legal o entusiasmo e o esforço do Eric Migicovsky para ressuscitar o relógio Pebble. (O visual e as especificações finais do Pebble Time 2 acabaram de sair.) Dito isso, pergunto-me se o Pebble tem espaço no mercado em 2025, com as prateleiras repletas de alternativas mais capazes, bonitas e/ou baratas. É um negócio só para nostálgicos e o próprio Eric, certo?

Duas fotos, lado a lado, da webcam Piranha Plant, da Hori, com a “boca” aberta e fechada.
Fotos: HORI/Divulgação.

A HORI anunciou uma webcam compatível com o GameChat do Switch 2 com o formato da Piranha Plant. Além de mais barata que o modelo oficial (e sem graça) da Nintendo, a da Hori pode ser “destacada” do vaso para ser conectada direto no video game e — o mais legal — “fecha a boca” para bloquear fisicamente a câmera quando não está em uso. Na Alemanha, sai por € 39,99.

PS: Hoje eu aprendi que o nome dessa personagem é “Piranha Plant”. Eu sequer imaginava que ela tivesse um nome.

A Apple liberou no Brasil, nesta terça (25), o uso dos AirPods Pro 2 como aparelho auditivo de uso clínico. Para quem tem perda auditiva, é uma maneira econômica de mitigar o problema. (Pois é, “Apple” e “econômica” na mesma frase, sem ironia.)

Outra novidade que chega aqui é a redução de som alto, que atua nos modos Ambiente e Áudio Adaptável dos AirPods Pro 2. Na condição de alguém sensível aos barulhos do mundo e que comprou fones de ouvido mais pelo cancelamento de ruído que por qualquer outra coisa, é muito bem-vinda.

Dois relógios lado a lado: Core Time 2 (preto, com tela colorida) e Core 2 Duo (branco, com tela preto e branco).
Foto: Core Devices/Divulgação.

Olha quem voltou! E que rápido — não faz dois meses que o Google abriu o código do PebbleOS. Os relógios são produtos da Core Devices, a nova empresa de Eric Migicovsky, fundador da finada Pebble.

O Core 2 Duo (US$ 149) é um Pebble 2 com componentes internos atualizados. Já o Core Time 2 é o “relógio dos sonhos” do Eric, com tela colorida, caixa e botões de metal e sensor de batimentos cardíacos.

São relógios para um público bem específico. Neste post, Eric diz que eles não são para quem precisa de “um relógio perfeito e bem acabado”, para atividades esportivas/exercícios físicos, e que não devem ser comparados ao Apple Watch. Ainda assim, bem bacana. Parece que a loja rePebble envia para o Brasil (frete de US$ 25), mas ai meu bolso com esse dólar caro…

Eric publicou outro post para ajustar as expectativas de quem tem iPhone. As limitações artificiais da Apple torna a experiência com os novos relógios pior. “A solução mais fácil é comprar um celular Android”, segundo ele 😁