Calendário em uma folha só imprimível

Sei que estamos na reta final de 2024, mas achei que valia a menção a este calendário em uma folha só imprimível. (E a torcida para que saia uma atualização em 2025.) / neatnik.net

Vários leitores (obrigado!) notaram que basta acrescentar um parâmetro à URL para ter calendários de anos diferentes, assim: https://neatnik.net/calendar/?year=2025

Bitwarden pode estar se afastando de licenciamento FOSS

Uma issue aberta no repositório do gerenciador de senhas Bitwarden na quinta (17) questiona se o app para computadores ainda é um software livre. O problema é uma nova “dependência” que impede o desenvolvimento de aplicativos derivados do Bitwarden. / github.com/bitwarden (em inglês)

Após a repercussão, o perfil da empresa no X informou que trata-se de um “bug no pacote” que será corrigido e que “o Bitwarden segue comprometido com o modelo de licenciamento de código aberto em vigor há anos”. / @Bitwarden@x.com (em inglês)

Seria um final feliz para um mal-entendido não fossem outros indícios preocupantes e ainda não esclarecidos.

Em julho, outra issue, esta no repositório do SDK (kit de desenvolvimento de software), chamou a atenção para o uso de uma licença não livre (FOSS), o que impede a compilação do aplicativo do Bitwarden para a loja F-Droid. / github.com (em inglês)

Na primeira resposta, Kyle Spearrin, fundador e CTO do Bitwarden, disse que:

Não há planos de ajustar a licença do SDK no momento. Continuaremos publicando no nosso próprio repositório no F-Droid.

Até a manhã desta terça (22), o comentário tinha +260 reações negativas e a issue voltou a receber comentários após ser mencionada na outra, do suposto “bug no pacote”.

Outro indício no subreddit do Bitwarden, em uma conversa a respeito do já referido bug no pacote. O usuário u/xxkylexx, que se identifica como desenvolvedor do Bitwarden, disse que:

Tudo que fazemos não é FOSS há muitos anos. Temos vários produtos corporativos/para empresas que vendemos sob uma licença de código-fonte proprietário disponível. Essencialmente um modelo de “núcleo aberto”. Não temos planos de mudar essa estratégia. / reddit.com/r/Bitwarden (em inglês)

Vale lembrar: em setembro de 2022, o Bitwarden levantou US$ 100 milhões em uma rodada de investimentos. / manualdousuario.net

Novos desdobramentos da “guerra nuclear” de Matt Mullenweg contra a WP Engine

A “guerra nuclear” de Matt Mullenweg contra a WP Engine está mudando de campo de batalha. Além do processo já movido pela empresa contra o dono do WordPress, ela pediu uma liminar à Justiça que obrigue Matt a devolver o acesso às contas no WordPress.org. / theverge.com (em inglês)

Matt choramingou em seu blog que o pedido da WP Engine é uma afronta à sua “liberdade de expressão”. ma.tt (em inglês)

Em outra frente, a empresa Very Good Plugins enviou uma notificação extrajudicial à Automattic exigindo que a empresa removesse a versão gratuita do plugin WP Fusion do seu diretório — aquele que Matt clonou do WordPress.org para dar mais visibilidade à hospedagem da Automattic, o WordPress.com, onde o acesso a plugins gratuitos está condicionado à compra dos planos mais caros. O pedido foi atendido. / wpfusion.com (em inglês)

Faltou um capítulo da novela neste Manual: o de quando Matt ofereceu 6 meses de salário a funcionários da Automattic que discordassem da sua “guerra nuclear” com a WP Engine. Ao todo, 159 aceitaram a proposta. / ma.tt (em inglês)

Segundo a 404 Media, Matt fez outra proposta indecorosa na quarta (15), desta vez oferecendo 9 meses de salário. / 404media.co (em inglês)

A reportagem, que falou com alguns funcionários que seguem na Automattic, também relata um clima de paranoia e recuperou uma história bizarra de que Matt estaria interceptando e-mails de confirmação da Blind, uma plataforma para funcionários de empresas conversarem anonimamente.

Segundo um blog que alega ser mantido por um ex-funcionário da Automattic, as propostas de Matt para expurgar “traidores” têm gerado caos dentro da companhia, a ponto de Matt ter que postar, no Slack, para que os funcionários que toparam cair fora continuassem trabalhando mais alguns dias porque faltam braços. “Não é o momento para um monte de gente sair ao mesmo tempo.” / antimattic.net (em inglês)

Os EUA são meio que uma terra sem lei trabalhista, e ainda assim o que Matt tem feito talvez seja ilegal no estado da California. De acordo com o blog, empregados têm direito a cinco dias úteis para consultarem advogados ao receberem propostas de demissão voluntária.

Compre 2 livros e ganhe 60% off no mais barato, Amazon / R$ 100 off em Artesanato, Amazon / Lavadora de roupas Samsung WW11T (11 kg, 127V por R$ 2.399, Amazon / Celular Moto g85 por R$ 1.609, Mercado Livre / Celular Galaxy S23 (256 GB) por R$ 2.573,10 (no Pix), Mercado Livre

Um estudo da Universidade de Sydney descobriu que trabalhar de pé não traz benefícios cardiovasculares e, pior, aumenta os riscos de problemas circulatórios. / sydney.edu.au (em inglês)

Passar o dia sentado tampouco ajuda, alertam os pesquisadores. Fora os comumente associados ao sedentarismo, descobri que existem problemas específicos da região glútea, como a “síndrome do bumbum morto”. / folha.uol.com.br

Os pesquisadores australianos — que descobriram que ficar o tempo todo de pé não é saudável — alertam para o real vilão: o sedentarismo.

Para quem passa o dia sentado na frente do computador, fazer pequenas pausas, caminhadas, descer e subir escadas mitigam os malefícios do sedentarismo. Em uma pesquisa anterior, o dr. Matthew Ahmadi, que liderou o estudo, descobriu que 6 minutos de exercícios intensos ou 30 minutos de moderados para intensos por dia diminui os riscos de doenças cardíacas mesmo em pessoas que passam mais de 11 horas diárias sentadas. / url.au.m.mimecastprotect.com (em inglês)

Após três anos fechado para novas contas gratuitas, o Write.as voltou a oferecê-las nesta sexta (18). O serviço é a instância principal do WriteFreely, um sistema de blogs de código aberto compatível com o protocolo ActivityPub. É dos mais simples — não substitui um WordPress da vida —, mas bom o bastante para quem só quer um espaço na web sem anúncios para escrever vez ou outra. / write.as (em inglês)

Os únicos pré-requisitos para usar o Write.as/WriteFreely são entender alguns termos em inglês, para navegar pela interface, e Markdown para formatar os posts — o editor visual é restrito aos planos pagos.

Números enormes

A Aliança FIDO está trabalhando em uma especificação para padronizar a transferência chaves-senhas (passkeys) entre apps/plataformas. No anúncio, revelou que 12 bilhões de contas digitais já podem ser acessadas por elas. / fidoalliance.org (em inglês)

O Bluesky ganhou mais de 1,2 milhão de novos usuários em dois dias após o X de Elon Musk avisar que o bloqueio não impedirá mais alguém de ver as postagens de perfis públicos e alterar os termos de uso na maciota para treinar inteligências artificiais com o conteúdo da plataforma. É como alguém disse por lá: o Bluesky é engraçado porque é a única plataforma cujo crescimento está condicionado ao ódio coletivo contra uma pessoa. / @bsky.app/Bluesky (em inglês)

Apps novos e atualizados

Fossify Launcher: Um “lançador” para Android do sucessor espiritual do finado Simple Mobile Tools. Parece bem simples (e talvez ainda um pouco cru), como todos os apps do projeto. / Android / github.com/FossifyOrg (em inglês)

Infuse 8: Um dos melhores softwares de “media center” para plataformas Apple, o Infuse ganhou um novo visual e compatibilidade com o Vision Pro. / iOS, macOS, tvOS, visionOS / firecore.com (em inglês)

Inkscape 1.4: Um punhado de novidades, todas explicadas e ilustradas no anúncio oficial, focadas em acessibilidade e personalização. / Linux, macOS, Windows / inkscape.org (em inglês)

Obsidian 1.7: As “novidades reluzentes” da versão são a introdução de um histórico no Obsidian Sync e a edição de pré-visualizações de páginas. Há uma lista enorme de melhorias. Destaque para a velocidade de abertura e uso de memória. / Android, iOS, Linux, macOS, Windows / obsidian.md (em inglês)

Pageboy: Um gerador de sites estáticos que não depende da linha de comando nem de um sistema de templates. Legal! Custa US$ 13. / macOS / pageboy.app

Photomator 3.4: Atualização do editor de fotos do Pixelmator foca em novas ferramentas para organização. / iOS, macOS / pixelmator.com (em inglês)

Threads: Por algum motivo que só deve fazer sentido dentro da Meta, o Threads agora conta com um indicador que denuncia quando o usuário está online. / Android, iOS, Web / @mosseri@threads.net (em inglês)

TickTick 7.4: O app de listas de tarefas ganhou uma nova visualização semanal. Lembra alternativas mais simples, como TeuxDeux e Tweek. / Android, iOS / youtube.com/@GetTickTick (em inglês)

Papéis de parede bonitos da Microsoft

A linguagem visual da Microsoft sempre foi… controversa. Nos últimos anos, porém, a empresa aprendeu a fazer vídeos legais e tal talento se reflete nesta coleção de papéis de parede bonitões. Até o Clippy saiu bem na foto — digo, no papel de parede (“Nostalgic Scenes”). / microsoft.design

Futuros alternativos da web

Que é difícil combater problemas sistêmicos com ações individuais, nós já sabemos. Isso não significa, porém, que pequenas atitudes simples e, por vezes, benéficas ao indivíduo devam ser ignoradas.

Nesta quarta (16), Cory Doctorow escreveu em seu blog que “você deveria usar um leitor de RSS”. Você deveria mesmo! Digo isso desde antes do finado Google Reader surgir e continuo, a exemplo do Cory, repetindo sempre que posso.

É bem provável que você já use, de uma forma ou de outra, feeds estruturados do tipo RSS1. Quem ouve podcasts, por exemplo, depende desses feeds. É graças a eles que os apps ficam sabendo de novos episódios e conseguem baixá-los sozinhos.

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A mesa de trabalho (em Portugal) do programador André

Sou o André. Moro em Portugal há 3 anos, atualmente numa cidadezinha chamada Ovar.

Trabalho com TI há mais de 20 anos. Já fui programador, suporte, gestor e agora novamente programador. Trabalho com Python e alguma coisa em Vue.js (mas não sou fã de desenvolver front-end!), prestando serviço para uma empresa alemã como terceirizado a partir de uma empresa portuguesa. Apesar de disso, não sou o típico “nerd”. Não gosto de filmes de heróis, não gosto de ficção científica, não jogo jogos eletrônicos (meu último vídeo game foi um saudoso Nintendo 64) e não gosto de café. Estou trabalhando apenas remotamente, mas como eu “não sou todo mundo” (MÃE, Minha), preferia a época que eu podia ir para o escritório de vez em quando. Sei lá, sinto falta das conversas, das pessoas…

No meu cantinho, que fica num dos três quartos do apartamento que eu moro, é onde passo boa parte dos dias da semana. (No fim de semana em geral só passo por ele para ir para o terraço e o anexo, que é onde gostamos de fazer churrasco, jogar jogos de tabuleiro ou só tomar umas cervejas ou vinhos.) Investi pouco nele, o suficiente para me manter com um mínimo de conforto. Na mesa, que hoje está bem organizada, você vai ver:

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O CEO do Duolingo, Luis von Ahn, quer te viciar em aprender

É sempre bom ouvir um executivo que abre números. É o caso desta entrevista com Luis von Ahn, fundador e CEO do Duolingo, a Nilay Patel no podcast Decoder.

Separei alguns destaques da conversa, começando pelos referidos números que chamaram a minha atenção:

  • Os anúncios chatos da versão gratuita do Duolingo respondem por menos de 10% do faturamento. São as assinaturas, que ~10% dos usuários ativos pagam, que sustentam o negócio com ~80% do faturamento. Para Luis, os anúncios “são um bom motivo para as pessoas assinarem”.
  • Apenas 20% dos usuários são estadunidenses. (O Duolingo é uma empresa sediada nos EUA.)
  • O inglês é o idioma mais estudado, por 45% da base de usuários, seguido pelo espanhol e o francês.

Outras curiosidades:

  • O app para iOS é priorizado. O do Android costuma estar entre 6 meses e 1 ano atrás em recursos. Luis diz que há mais desenvolvedores especializados em iOS e é mais fácil desenvolver para a plataforma da Apple, mas que dinheiro também é um fator: o faturamento “per capita” no iOS é quatro vezes maior que o do Android.
  • Apesar disso, a base de usuários Android é maior (60% contra 40% do iOS), em especial no resto do mundo (leia-se: fora dos EUA).
  • Luis pontua, porém, que a principal correlação com usuários pagantes está no país onde moram. “Uma pessoa com um emprego bom e estável em um país rico […] é quem paga pelo Duolingo.” Esse pequeno público (~10%) meio que subsidia o serviço para o resto do mundo.
  • Vencer a alta tolerância de países subdesenvolvidos a anúncios é um desafio para o Duolingo aumentar a receita além dos países ricos. Luis cita a Netflix como um exemplo nessa frente.

A conversa também passou pelo uso de IA generativa no ensino de idiomas. Luis diz que, embora as pessoas manifestem o desejo de treinar o idioma com outros seres humanos, na prática poucos querem isso por vergonha/timidez.

É aí que entram os grandes modelos de linguagem (LLMs), recurso do Duolingo Max, uma assinatura mais cara do serviço.

Os principais problemas dos LLMs, como a tendência a inventar coisas — que arruina sua aplicação em cenários onde precisão é imprescindível —, são ignoráveis na prática da conversação. Se uma personagem do Duolingo inventar alguma coisa durante uma conversa, não há prejuízo ao estudante porque o assunto é só uma desculpa para praticar o idioma.

Há outros bons momentos na conversa, como o foco quase obsessivo do Duolingo com design, a mensuração (meio furada) que atesta que a metodologia funciona e as motivações por trás da gamificação e dos apelos do mascote para que os usuários mantenham a sequência. Se o seu inglês estiver em dia, vale a audição. / theverge.com (em inglês)