A Amazon, enfim, vai lançar um Kindle com tela colorida. O dispositivo, parte da linha totalmente renovada, vazou no site espanhol da loja. Tem previsão de lançamento para 30/10, por US$ 279,99 lá fora, ou 154,5% mais caro que o Kindle básico. Será que ver as capas dos livros e grifos em cores vale essa diferença? / theverge.com (em inglês)

Começaram a aparecer as primeiras impressões do Kindle Colorsoft no mundo anglófono. É, em resumo, um Kindle Paperwhite com tela colorida. / theverge.com (em inglês)

Dois trechos do do The Verge, assinado por David Pierce:

Em uma breve demonstração no evento de lançamento da Amazon, fiquei impressionado com a tela do Colorsoft. Não é uma tela de iPad, mas é nítida e brilhante o suficiente para fazer HQs se destacarem sem ficarem tão saturadas. A desvantagem mais óbvia é que, quando há uma imagem colorida na página, a tela pisca por inteiro quando você vira a página; [o responsável pelo Kindle na Amazon, Kevin] Keith diz que isso só acontece quando há uma imagem grande o bastante na tela, mas aconteceu comigo mesmo com algumas imagens bem pequenas. Mas essas imagens parecem boas!

E:

A maior vantagem de uma tela colorida até agora é que ela deixa a interface um pouco mais agradável. Sua tela inicial e biblioteca ficam melhores para navegar, agora que você pode ver as capas dos seus livros em cores. Também é um grande salto para a tela de bloqueio, que agora apresenta imagens de espera muito mais vibrantes enquanto [o Kindle] repousa em sua mesa de cabeceira. (Keith acha que uma galera “aesthetics” do BookTok vai adorar a tela colorida.) A única função realmente específica das cores é que agora você pode fazer destaques coloridos e depois procurá-los por cor no aplicativo Kindle no celular.

A propósito, a Apple atualizou o iPad mini com duas novas cores, 128 GB no modelo de entrada e um chip A17 Pro. Ainda não tem data de lançamento no Brasil, mas já tem preço sugerido: a partir de R$ 6 mil. / apple.com

[…] O chamado “boom da IA” em que estamos agora na real vende duas coisas, e nenhuma precisa ser muito boa: uma maneira de automatizar o trabalho que você não valoriza o suficiente para contratar um ser humano para fazê-lo ou, no mínimo, uma maneira de esconder os seres humanos que fazem esse trabalho para que você possa se sentir melhor a respeito da miséria que você paga a eles.

— Ryan Broderick.

Bom resumo — ainda que meio cínico — do que a inteligência artificial generativa, e talvez num geral, representa de fato.

O comentário foi feito em um texto sobre os robôs Optimus, da Tesla, mostrados na última quinta (10), desta vez controlados remotamente por seres humanos. / garbageday.email (em inglês)

/ano 11

O Manual do Usuário sempre refletiu o que acontece comigo fora da internet.

O site surgiu, no final de 2013, como a antítese do ritmo acelerado do Gizmodo, onde eu era repórter na época. Daí o “slow web” e tudo mais.

Durante o curso de comunicação (2013–2016), as influências de lá se manifestaram na linha editorial, com tentativas — algumas ok, outras meio nada a ver — de análises que se pretendiam acadêmicas.

A partir de 2017 e já em Curitiba, veio a fase concomitante e pós-Gazeta do Povo, quando pesei na carga político-ideológica1 em uma espécie de resposta imunológica ao ambiente micro (redação) e macro (Brasil) onde me vi. Sinto que ela se encerrou nas eleições de 2022, quando declarei meu voto aqui.

Faz alguns meses que me dei conta de que estou numa espécie de ressaca desde então. Ressaca de 2022 e dos anos anteriores.

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Alarmo, o relógio-despertador da Nintendo

A Nintendo lançou o Alarmo, um relógio-despertador de cabeceira com sensor de movimentos e cinco temas baseados em suas franquias, como Mario e Zelda. (E a promessa de atualizações gratuitas no futuro.) O sensor funciona como uma espécie de “adiar” sem sair da cama, mas só funciona para quem dorme sozinho. Lá fora, por US$ 99,99 (~R$ 560). / nintendo.com, youtube.com (ambos em inglês)

“Expropriação” do Advanced Custom Fields pela Automattic

A Automattic “expropriou” o plugin Advanced Custom Fields (ACF) da WP Engine no diretório do WordPress e o rebatizou de Secure Custom Fields (SCF). / wordpress.org (em inglês),

O movimento foi apresentado como um “fork”, ou seja, uma derivação do original. O que seria válido, mas não o é porque o SCF substituiu o ACF no diretório de plugins do WordPress e nas instalações ativas do ACF. (Note que até a URL ainda diz advanced-custom-fields.) Foi a tomada hostil de um dos plugins mais populares do ecossistema WordPress apenas para pressionar um desafeto do “dono da bola” a quem ele tenta extorquir. / wordpress.org

O “fork” foi feito com base em uma falha de segurança (legítima) descoberta no ACF e negligenciada pela WP Engine. A cláusula 18 das diretrizes do diretório de plugins, invocada por Matt, dá ao WordPress o direito de “… fazer alterações em um plugin, sem o consentimento do desenvolvedor, no interesse da segurança pública”. / github.com/wordpress (em inglês)

O que Matt não conta no post em que anunciou o SCF é que a WP Engine não pode atualizar o plugin porque todos os seus funcionários foram expulsos dos sistemas do WordPress.

A WP Engine já havia corrigido a falha e publicado orientações par atualizar o ACF por fora do fluxo normal do WordPress.org. / advancedcustomfields.com (em inglês)

Além de corrigir a falha, o SCF removeu todas as chamadas para a versão paga do ACF.

Pelo X, o perfil @WordPress (Matt?) respondeu ao do ACF dizendo que restaurará o acesso da WP Engine aos sistemas se eles desistirem do processo judicial, desculparem-se e “ficarem numa boa com o uso da marca”, ou seja, pagar 8% da receita à Automattic. Acho que não vai rolar. / @WordPress@x.com (em inglês)

A repercussão da atitude de Matt vai além do WordPress. É a manifestação mais óbvia (e perigosa) do risco a que DHH, da 37signals, se referiu em seu post original. / world.hey.com/dhh (em inglês)

DHH voltou à carga para criticar a tomada do ACF pela Automattic no diretório do WordPress. / world.hey.com/dhh (em inglês)

Matt publicou uma “resposta ao DHH” em seu blog e levou a trocação para o lado pessoal. Atacou o colega pelos vários softwares proprietários da 37signals, indicou terapia a ele e até criticou seu carro de corrida de (supostos) US$ 2 milhões. Que vença a briga. / ma.tt (em inglês)

O mercado de tecnologia empurra soluções capengas e baratas como substitutas às reais. Por que, por exemplo, falar com um ser humano no atendimento de empresas se robôs podem fazer o mesmo serviço custando menos, ainda que sejam piores?

A IA segue a mesma lógica.

Na quinta (10), tempestades solares “baixaram” a aurora boreal, trazendo o show de luzes natural a regiões onde ele não costuma ser visto. / g1.globo.com

No Threads, o perfil da Meta sugeriu, a quem perdeu o espetáculo, que “fizesse o seu próprio com [imagens artificiais d]a Meta AI”. O texto é acompanhado por algumas feitas pela IA. Um dos posts mais deprimentes da história dos posts ruins de marcas (todos) em redes sociais. / @meta@threads.net

Apps novos e atualizados

Bluesky 1.92: A nova versão do Bluesky permite fixar posts no perfil, tem novas opções estéticas, filtro de idiomas e outros pequenos incrementos. / Android, iOS, Web / bsky.app (em inglês)

Firefox 131.0.2, Thunderbird 128.3.1esr: Navegador e cliente de e-mail receberam a correção de falha crítica. Se ainda não os atualizou, faça isso agora. / Linux, macOS, Windows / mozilla.org, thunderbird.net

Mastodon 4.3: Finalmente saiu! Com notificações agregadas, atribuição de autoria em links, novos filtros e vários retoques visuais. / Web / blog.joinmastodon.org (em inglês)

OneDrive: A Microsoft apresentou várias novidades para o seu serviço de armazenamento na nuvem. Destaques para pastas coloridas no Windows 11, novo app de celulares focado em fotos e IA (se isso te interessa). / Android, iOS, Windows, Web / techcommunity.microsoft.com (em inglês)

Plasma 6.2: Mais uma atualização cheia de refinamentos do ambiente gráfico do KDE e novos recursos para quem trabalha com mesas digitalizadoras. / Linux / kde.org (em inglês)

Poke: Enquanto o Invidious não volta, outro front-end alternativo para o YouTube com foco em privacidade. / Web / poketube.fun

Rune: Um player de música moderno com o visual atemporal do saudoso Zune Player. / Windows / github.com

Ubuntu 24.10: O mais novo Ubuntu chegou, com Gnome 47 e outros pacotes atualizados. / Linux / ubuntu.com (em inglês)

Links legais

Que adorável este curso de HTML para pessoas. (Só seria melhor se tivesse uma versão em pt_BR.) / htmlforpeople.com (em inglês)

Em Cidadão Simulator, você assume o papel de editor recém-contratado de um jornal que precisa agradar a grupos de interesse para manter seu emprego. / ohdeerduo.itch.io

Fotos de pessoas tirando fotos. / picsofpeopletakingpics.ju.mp

A rede mundial de janelas na web. / windowweb.world

Fazendo barulho mexendo o mouse (ou o dedo) com efeitos visuais. / noise.jake.fun

Um site e bookmarklet que converte páginas web para Markdown. / fuckyeahmarkdown.com

Como enfrentar a vergonha alheia

Em Como enfrentar o ódio, Felipe Neto, um dos maiores influenciadores que o YouTube já expeliu, relata sua transformação de detrator raivoso dos governos petistas a cabo eleitoral de Lula em 2022.

Raro caso de alguém que conseguiu ser chato nos dois polos do espectro político, Felipe fez barulho com seu livro: dois meses antes do lançamento, já era a maior pré-venda da história da Companhia das Letras, com 10 mil cópias vendidas1.

Ao longo de ~360 páginas divididas em cinco partes, Felipe mistura diário pessoal com história política, teorias da comunicação e psicologia para explicar como “venceu o ódio”.

O autor youtuber aproveitou a oportunidade para passar a limpo seu passado de “palavrões e piadas de cunho sexual” e outras desventuras não recomendáveis a menores de 18 anos e rebater acusações de que é uma influência perversa às crianças.

A ânsia em desmitificar essa mentirada (sério, nada a ver) acaba o levando a exagerar em alguns momentos, como quando afirma que “até 2016, não pensávamos que crianças pudessem acessar o YouTube”. Digo, se fosse “antes de 2006”, vá lá, mas em 2016 o YouTube já era famoso por ser uma espécie de Rivotril infantil.

Ao terminar a leitura de Como enfrentar o ódio, notei que a história se desenrola como em um filme, em três atos. Intencional ou não, vou aproveitar essa estrutura e ilustrá-la com memes, porque é assim que o jovem se comunica e espero que parte da audiência do Felipe leia este texto.

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A mesa de trabalho do fotógrafo Alberth Klinsmann

Sou Alberth Klinsmann, um potiguar de 33 anos, fotógrafo e empreendedor apaixonado por tecnologia.

Minha jornada profissional é diversificada, com formação em marketing e especialização em gestão de marcas, além de experiências em design, gestão de projetos, inteligência de mercado e comunicação corporativa.

Hoje, lidero uma empresa que oferece serviços de fotografia e vídeo para outras empresas. Todas essas experiências, de alguma forma, influenciam nesse espaço que estou compartilhando com vocês. Além disso, possuo um canal no YouTube e mais recentemente criei um blog.

Estou passando por um momento de transição e de mudanças, e se você está lendo isso depois de outubro de 2024, o escritório que está nas fotos e que vou descrever a seguir não existe mais. No entanto, desde 2020, quando comecei a montá-lo, esse espaço se tornou meu refúgio criativo e produtivo.

O escritório em casa se tornou uma prioridade durante a pandemia. Percebi que trabalhar de casa era a melhor forma para mim. Em 2021, deixei meu emprego e me dediquei integralmente ao meu negócio, passando a maior parte do tempo nesse espaço que montei com cuidado.

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“A comunidade [do WordPress] está um caos”

Matt Mullenweg, o ditador benevolente vitalício do WordPress, acrescentou uma caixa de seleção no formulário de autenticação do WordPress.org em que se lê: “Não tenho associação com a WP Engine de maneira alguma, financeira ou de outra espécie.” Pegou super mal. / manualdousuario.net

Os efeitos da despirocada de Matt começam a ser mais sentidos entre aqueles que contribuem para fazer do WordPress um dos projetos FOSS mais populares do mundo. “A comunidade está um caos”, disse alguém que não quis se identificar à 404 Media. / 404media.co (em inglês)

Os que criticam Matt estão optando por fazê-lo de modo anônimo, temendo represálias. Há pelo menos três pessoas que foram banidas do WordPress.org e/ou Slack do WordPress por questionarem a caixa de seleção anti-WP Engine no WordPress.org. / @LinuxJedi@x.com, @JavierCasares@x.com, @rmccue@aus.social (todos em inglês)

No melhor estilo “a pior pessoa que você conhece tem um bom argumento” (é um meme), DHH, da 37signals, fez um ataque frontal à postura de Matt em seu blog e equiparou a exigência de 8% do faturamento da WP Engine por direitos autorais a uma tática mafiosa. / world.hey.com (em inglês)

Matt e um advogado da Automattic, Neil Peretz, apareceram no Hacker News para rebater acusações de que o executivo controla todas as partes do projeto WordPress. Neil publicou um post no site da Automattic que, de verdade, parece ter sido escrito pelo ChatGPT e, no fim, não elucida coisa alguma. / automattic.com (em inglês)

No X, alguém sugeriu que talvez seja uma boa desligar e religar Matt para ver se ele volta a funcionar direito. “Por ‘desligar’ você quer dizer que minha vida deveria acabar?”, respondeu ele. Esse homem não está bem da cabeça. / @photomatt@x.com (em inglês)

Anteriormente: Matt Mullenweg no limiar da sanidade (parte 1), WP Engine processa Matt Mullenweg e a Automattic (parte 2).

Mozilla e a publicidade digital

Dois posts da Mozilla — da CEO da Mozilla Corporation, Laura Chambers, e do presidente da Fundação Mozilla, Mark Surman — fincaram a bandeira do grupo no campo da publicidade digital. / blog.mozilla.org, blog.mozilla.org (ambos em inglês)

Ambos parecem ser reações às críticas recebidas pelo grupo por uma alteração recente no Firefox, que inseriu — em caráter de testes e com alcance limitado — uma opção ativada por padrão para testar a tecnologia chamada “atribuição com preservação de privacidade” (PPA, na sigla em inglês). / blog.mozilla.org (em inglês)

A instrumentalização do Firefox para a utopia da publicidade digital em larga escala que respeita a privacidade é uma de duas partes da estratégia da Mozilla nesse setor. No caso, a do produto. A outra, de infraestrutura, baseia-se na aquisição da Anonym, formada por dois ex-executivos da Meta, em junho. / blog.mozilla.org (em inglês)

Verdade seja dita, embora esses eventos tenham dado maior proeminência à iniciativa, o flerte da Mozilla com a publicidade não é novo, como nos lembrou Mark ao resgatar um post de maio de 2021 intitulado “Construindo um ecossistema baseado em anúncios com mais respeito à privacidade”. / blog.mozilla.org (em inglês)

Laura admite que a ideia não agrada a todos:

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O ClassicPress (lembra?) segue ativo. Após um novo fork do WordPress, o projeto agora tomou um rumo próprio, que começa a render frutos.

No blog deles, Tim Kaye está comentando o trabalho de modernização de bibliotecas JavaScript velhíssimas ainda em uso no WordPress. As atualizações deverão deixar o painel administrativo do ClassicPress mais ágil e adaptado a telas sensíveis a toques.

Tudo bem que o WordPress tem um legado gigantesco, que dificulta qualquer mudança, mas desconfio que o foco no editor de blocos Gutenberg, padrão desde 2018, não deixe espaço para… detalhes. / classicpress.net, classicpress.net (ambos em inglês)

Soube que Denise Tremura, a @detremura do Twitter, concorreu a uma vaga de vereadora em São José do Rio Preto (SP) no pleito do último domingo (6). / @jupa.bsky.social/Bluesky

Fazia muito tempo que não ouvia falar dela. Em meados da década passada, @detremura dominava os trending topics do Twitter com mobilizações do tipo “sdv” (segue de volta). Escrevi uma matéria a respeito em 2016.

Com apenas 173 votos, Denise fracassou em sua tentativa de ingressar na política. Talvez em 2028?

Relatório da moderação de comentários (setembro de 2024)

Mais um mês tranquilo ali embaixo, na área de comentários.

O nosso maior problema (que não é dos grandes) não são agressões gratuitas; é, sim, um excesso de ironia e sarcasmo que… parece-me que cria um ambiente mais hostil. Ou talvez eu só esteja muito sensível, sei lá.

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