Robô enxadrista quebra dedo de menino na Rússia e outros links legais

Todo sábado, um amontoado de links curiosos e/ou interessantes. Leia as edições anteriores.

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O melhor iPhone

O iPhone SE é o celular mais insosso que já existiu. Com ele, quase ninguém percebe que você está com um celular novo; quando alguém repara, a conversa termina rápido e invariavelmente em uma frase do tipo “é igual o antigo, só que mais rápido”.

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por Cesar Cardoso

A expansão latino-americana das marcas da BBK Electronics segue um roteiro bem previsível: chega pelo Chile ou pelo México, se expande para países do Pacífico com mercados grandes (Peru ou Colômbia) e, a partir daí, atravessa os Andes para chegar no Brasil. Foi assim com a Realme, está sendo assim com a Oppo, conforme previmos há cinco newsletters atrás (e será assim com a OnePlus e a vivo).

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O ministro das Comunicações, Fabio Faria, disse que vai aos Estados Unidos na próxima terça-feira (2/8) pedir à Apple para atualizar o iPhone para a rede 5G brasileira. A suposta falta dessa atualização seria o impeditivo para que os modelos compatíveis (linha iPhone 13 e iPhone SE de 3ª geração) acessem a rede 5G standalone (o 5G “puro”, na faixa de 3,5 GHz).

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, deve acompanhar Faria nesta importantíssima ~missão crítica. Como os 1% de brasileiros com iPhone 13 nas capitais podem ficar sem 5G?? Ainda bem que o governo está atento a esse absurdo.

Pedi posicionamentos às três envolvidas na história — Anatel, Ministério das Comunicações e Apple.

A Apple não respondeu.

A Anatel disse apenas que eu deveria “entrar em contato com o Ministério das Comunicações”. Reforcei o questionamento, afinal esses modelos de iPhone constam na lista de aparelhos compatíveis com 5G da própria Anatel. Se não são compatíveis, não deveriam ser removidos de lá?

Por qualquer motivo estranho, essa segunda mensagem foi barrada porque “violou as políticas de segurança por ser classificada como SPAM/Phishing”.

O Ministério das Comunicações enviou o seguinte posicionamento:

Os aparelhos homologados pela Anatel para funcionamento com a quinta geração de redes móveis já estão habilitados a operar as duas versões de 5G: o non-Standalone (em rede compartilhada com as outras gerações) e o Standalone (puro). Porém, smartphones da marca Apple necessitam de uma atualização de software para o funcionamento específico do 5G Standalone.

A visita do ministro das Comunicações, Fábio Faria, e do presidente da Anatel, Carlos Baigorri, à sede da empresa nos EUA pretende agilizar a disponibilização dessa atualização para que os usuários brasileiros possam desfrutar do “5G puro” nas próximas semanas.

Por que o estado deveria se envolver nisso, sem falar no envolvimento pessoal do ministro das Comunicações, são perguntas que seguem em aberto. Afinal, não é como se não houvesse modelos já compatíveis com 5G — Samsung e Motorola têm vários à venda. É do interesse exclusivo da Apple, das operadoras e dos seus clientes que essa lacuna seja resolvida. O que o Estado tem a ver com isso? Via Telesíntese.

O Google anunciou um novo adiamento à aposentadoria dos cookies de terceiros no Chrome. A princípio, isso aconteceria agora, em 2022. Em junho de 2021, o prazo foi estendido para 2023 e, agora, estendido de novo, para 2024.

O adiamento é uma resposta ao “pedido mais consistente” que o Google tem recebido da indústria.

Embora não tenham sido concebidos para esse fim, cookies de terceiros são usados largamente por empresas de publicidade para monitorar o comportamento do usuário e formar perfis de consumo para direcionar publicidade.

Não é de se estranhar a demora do Google em aposentar um recurso tão valioso à publicidade invasiva — área que responde pela maior fatia do seu faturamento.

Felizmente, não é preciso esperar pela boa vontade do Google: praticamente todos os rivais do Chrome — Firefox, Safari, Edge — já desativaram o suporte a cookies de terceiros por padrão há anos, garantindo mais privacidade a seus usuários, e não têm planos de incluir uma tecnologia invasiva no lugar deles, como é o caso do Google com o leque de ferramentas chamado Privacy Sandbox, ainda em testes.

Os três navegadores são gratuitos e funcionam tão bem quanto o Chrome. Via Google, 9to5Google (ambos em inglês).

A Meta não aguentou a pressão e anunciou, nesta quinta (28), algumas reversões — tímidas e temporárias, é verdade — no processo de destruição a que submete o Instagram.

O teste com vídeos que ocupam a tela toda foram suspensos e o “conteúdo recomendado”, eufemismo para vídeos virais ruins de perfis que o usuário não segue, “reduzido” — seja lá o que isso signifique na prática; na quarta (27), Mark Zuckerberg disse que 15% do conteúdo mostrado no Facebook é desse tipo, e que no Instagram o volume é maior.

Adam Mosseri, em entrevista a Casey Newton, disse que essas mudanças são temporárias. Afinal, enquanto o Instagram apaga incêndios que ele próprio criou e tenta não perder estrelas da plataforma, o TikTok cresce no reproduzir e morde fatias cada vez maiores da receita de publicidade digital.

Sabe o que seria legal? Se o Instagram fosse um serviço aberto e descentralizado, nos moldes do que a Europa quer impor às plataformas de mensagens. Aí poderia surgir outro aplicativo que se conecta à rede do Instagram, mas que prioriza a linha do tempo cronológica e sem “conteúdo recomendado”. É pedir muito? Via Platformer (em inglês).

Câmeras do iPhone evoluem ano após ano, mas menos do que a Apple nos leva a acreditar

Alguém que leia os materiais de divulgação ou assista às apresentações de novos iPhones da Apple pode ficar com a impressão de que, ano após ano, as novas câmeras do celular da marca melhoram tanto que tornam as antigas obsoletas, quase indesejáveis.

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A queda em receita da Meta no segundo trimestre de 2022 foi de 1% em relação ao mesmo período do ano passado, o que se traduziu em US$ 28,8 bilhões. Para o terceiro trimestre, alerta a empresa, a expectativa é de nova queda, e maior.

O lucro também desacelerou, em 36%, chegando a US$ 6,7 bilhões.

O Reality Labs, divisão da Meta responsável por materializar o metaverso, que Mark Zuckerberg, CEO e manda-chuva da empresa, encara como a próxima grande plataforma digital, causou prejuízo de US$ 2,8 bilhões no trimestre.

Lembrando que, de acordo com Zuckerberg, o metaverso só comecará a dar lucro perto de 2030. Via The Verge (2) (em inglês).

Post livre #327

Toda semana, o Manual do Usuário publica o post livre, um post sem conteúdo, apenas para abrir os comentários e conversarmos sobre quaisquer assuntos. Os comentários fecham segunda-feira ao meio-dia.

Apple, Google, Microsoft e Amazon usaram ouro ilegal de terras indígenas brasileiras

Apple, Google, Microsoft e Amazon usaram ouro ilegal de terras indígenas brasileiras, por Daniel Camargos no Repórter Brasil:

Você não sabe disso, mas ao ler esta reportagem você pode estar usando ouro extraído ilegalmente de terras indígenas brasileiras. Celulares e computadores das marcas Apple e Microsoft, bem como os superservidores do Google e da Amazon, têm filamentos de ouro em sua composição. Parte desse metal saiu de garimpos ilegais na Amazônia, passou pela mão de atravessadores e organizações até chegar nos dispositivos das quatro empresas mais valiosas do mundo, revela uma investigação da Repórter Brasil.

Documentos obtidos pela reportagem confirmam que essas gigantes da tecnologia compraram, em 2020 e 2021, o metal de diversas refinadoras, entre elas a italiana Chimet, investigada pela Polícia Federal por ser destino do minério extraído de garimpos clandestinos da Terra Indígena Kayapó, e a brasileira Marsam, cuja fornecedora é acusada pelo Ministério Público Federal de provocar danos ambientais por conta da aquisição de ouro ilegal. A extração mineral em terras indígenas brasileiras é inconstitucional, apesar dos esforços do governo Jair Bolsonaro (PL) para legalizá-la.

Zuck aumenta a temperatura

Zuck aumenta a temperatura (em inglês), por Alex Heath e David Pierce no The Verge:

“Realisticamente, é provável que haja um monte de pessoas na empresa que não deveriam estar aqui”, disse Zuckerberg na chamada de 30 de junho, de acordo com uma gravação obtida pelo The Verge. “E parte da minha expectativa ao aumentar as expectativas e ter metas mais agressivas, e aumentar a fervura só um pouquinho, é que alguns digam que este lugar não é para vocês. E, para mim, tudo bem com essa seleção natural.”

Os comentários no Workplace, a versão interna do Facebook para funcionários da empresa, dispararam. “É tempo de guerra, precisamos de um CEO para tempos de guerra”, escreveu um deles. “Modo fera, ativado”, postou outro funcionário.

Outros não acreditavam no que tinham acabado de ouvir. “Mark acabou de dizer que há um monte de pessoas nesta empresa que não pertencem aqui[?]”, perguntou um funcionário. Outro respondeu: “Quem os contratou?”

Se uma reunião geral da empresa serve para reunir as tropas, esta foi sem dúvida mais divisória do que galvanizadora. Mas Zuckerberg cumpriu a promessa de transparência: seus funcionários agora entendem o que ele realmente acha deles.

Faça o Instagram ser o Instagram de novo. (Pare de tentar ser o TikTok, eu só quero ver fotos fofas dos meus amigos.) Atenciosamente, todo mundo. Por favorrrrrrrr

— Kylie Jenner, em story a seus 360,9 milhões de seguidores no Instagram.

Não adianta reclamar da tiktokzação do Instagram — a menos que você seja uma Kardashian e a segunda pessoa com mais seguidores do mundo na plataforma.

Foi o que fez Kylie Jenner nesta segunda (25), o que motivou um constrangedor “mea culpa” de Adam Mosseri, diretor responsável pelo Instagram, na manhã desta terça (26).

No vídeo, Mosseri tenta explicar por que o Instagram está mostrando vídeos que ocupam a tela toda, dando ênfase a vídeos em detrimento das fotos e mostrando conteúdo de perfis que o usuário não segue. Em outras palavras, explica (sem explicar na real) por que o Instagram está copiando desesperadamente o TikTok. Via @mosseri/Twitter, The Verge (ambos em inglês).

A Agência Pública, primeira agência de notícias sem fins lucrativos do Brasil, lançou nesta segunda (25) o Projeto Sentinela, uma aliança entre jornalistas e acadêmicos para investigar as campanhas de manipulação do debate público e a desinformação online nas eleições de 2022, com especial foco naquelas que ameaçam a estabilidade democrática.

O Projeto Sentinela é fruto de uma parceria da Pública com o pesquisador David Nemer e o Berkman Klein Center for Internet & Society da Universidade de Harvard.

O Manual do Usuário entra nessa como veículo parceiro do projeto, ao lado de outras três redações — Núcleo Jornalismo, Galileu e MobileTime.

Daqui até as eleições de outubro, republicaremos os conteúdos do Projeto Sentinela. A primeira já está no ar.