Netflix, “modo deus” e o paradoxo da escolha

A Netflix começou a liberar um novo layout na web e o The Verge conversou com Todd Yellin, VP de inovação de produto do serviço, sobre as mudanças.

Uma coisa que chamou a atenção foi o efeito que o “modo deus,” um hack que expande os vídeos de uma fileira a fim de exibi-los todos de uma vez só, teve nos usuários. (Paralelamente ao hack criado pelo desenvolvedor Renan Cakirerk a Netflix testou a alteração com alguns usuários novos.) Em vez de assistirem a mais coisas, quem foi submetido ao experimento viu menos.

O culpado disso é o paradoxo da escolha, um conceito que ficou famoso no Brasil com aquela esquete da Porta dos Fundos sobre o Spoleto. Yellin diz que a suspeita da Netflix é de que “as pessoas ficaram sobrecarregadas.” Nem sempre ter muitas opções é a melhor opção.

Embora não traga o “modo deus,” a nova interface, que até mês que vem deve chegar a todos os usuários, mexe no carrossel: agora, em vez de rolar a passos de tartaruga, um toque nas setas laterais move a fileira inteira de filmes.

Quantas horas você precisa trabalhar para pagar um plano de dados móvel

A Jana tem uma plataforma chamada mCent que oferece amostras de apps com conectividade gratuita através de parcerias com mais de 200 operadoras ao redor do mundo. (Pense numa Internet.org sem a panfletagem beneficente.) Graças a isso, a empresa libera vez ou outra alguns estudos estatísticos sobre o estado da Internet móvel no mundo.

O último mostra que hardware não é mais a maior barreira ao acesso. Desde 2013 o preço mínimo do smartphone caiu pela metade; hoje, ele é de US$ 31. A Jana estima que em 2020 seremos 6,1 bilhões de pessoas com smartphones.

O problema, atualmente, é a conectividade. De acordo com o mesmo levantamento, na Índia 50% dos usuários mantêm seus aparelhos com a conexão de dados desativada por padrão. Nos mercados emergentes, 85% dos proprietários de smartphones usam planos pré-pago.

Chamou-me a atenção o Brasil no ranking de horas trabalhadas para bancar um plano de dados de 500 MB/mês. Numa outra pesquisa do começo do ano, a Jana nos posicionou na lanterna, dizendo que era preciso trabalhar quase 35 horas (!) para cobrir esse custo. Já no post mais recente, o gráfico aponta 13 horas. Como é improvável que tenhamos melhorado tanto em tão pouco tempo, pintou a dúvida: qual é o certo?

O salário mínimo no Brasil hoje é de R$ 788. Considerando uma jornada de 44h semanais, e quatro semanas de trabalho por mês, nosso ganho fica em R$ 5,40/hora. De acordo com um levantamento recente do Tecnoblog, um plano pós-pago de 500 MB/mês custa, em média, R$ 49,90 (Oi e Vivo). Assim:

49,9 / 5,4 = 9,24 horas

Ainda não é exatamente barato e o fato de ser R$ 49,90 numa tacada só, num compromisso mensal, afasta esse cenário da realidade. O brasileiro usa pré-pago. (Pelos dados mais recentes que encontrei, de junho de 2013, a nossa realidade, de 83% da base no pré-pago, bate com a estimativa da Jana, de 85%.) Independentemente das discrepâncias, essa ainda é uma grande barreira — não só aqui, aliás. Continue lendo “Quantas horas você precisa trabalhar para pagar um plano de dados móvel”

Pesquisa aponta WhatsApp como o app preferido dos brasileiros

Uma pesquisa realizada pelo Opinion Box a pedido do site Mobile Time trouxe algumas constatações interessantes sobre o mercado de apps brasileiro. A mais curiosa é que, se tivessem que escolher apenas um app, mais da metade dos entrevistados (53%) optaria pelo WhatsApp.

A pesquisa, que obteve respostas de 1280 pessoas donas de smartphones (81,4% no Android, 8,7% no Windows Phone, 7,7% no iPhone e 2,2% em “outros”), também mostrou a força do Facebook por aqui. Dos 20 apps mais comuns nas telas iniciais dos entrevistados, os quatro primeiros são da empresa — na ordem: WhatsApp, Facebook, Instagram e Messenger. O Google emplaca vários, também, sendo o YouTube o melhor colocado (5º lugar); quatro bancos estão na lista (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Caixa) e o único jogo é Candy Crush (14º).

Por fim, a pesquisa também perguntou se as pessoas já tinham comprado algum app. O resultado é frustrante para quem vive disso: 84,7% disseram nunca ter desembolsado um tostão nisso. O maior motivo, para 45,8% desse grupo, é “não ver necessidade” para o gasto. É a segunda vez que o Mobile Time realiza essa pesquisa e na primeira, de abril de 2014, a porcentagem de usuários que nunca compraram um app era de 67%.

Dica do leitor Barbaric Boomerang.

Spam eleitoral via WhatsApp

Lauro Jardim, na Veja:

Nada como um ano eleitoral para aguçar a criatividade das pessoas. Se o eleitor já era importunado com mensagens eleitorais no celular, agora as empresas miram o WhatsApp para oferecer planos mirabolantes aos candidatos. A última oferta irrecusável foi enviada por e-mail aos gabinetes da Câmara dos Deputados.

A empresa que presta o (des?)serviço tem sede em Belém e cobra de sete a onze centavos por mensagem, dependendo do volume contratado — de 500 mil até 10 milhões. A oferta chegou por e-mail aos gabinetes da Câmara dos Deputados com a garantia de listas de números atualizados em todos os estados. O objetivo é servir de reforço para as campanhas eleitorais.

Dada a popularidade do WhatsApp não é de se espantar que ferramentas do tipo existam. Na verdade demorou para elas aparecerem. Elas provavelmente burlam os termos de uso do serviço; o WhatsApp até oferece um mecanismo de broadcasting, mas ele é limitado a 50 destinatários (no smartphone, pelo menos). Pela rápida pesquisa que fiz aqui, os spammers usam um software chamado WhatsApp Panel, WhatsApp Bot ou WPanel e confiam em proxies para atingir o objetivo.

Pensando pelo lado positivo, de repente esse spam via WhatsApp pode ser uma boa para escolher em quem não votar.

Atualização (20h30): É assim que o spam de um candidato ao governo do Rio de Janeiro chega ao WhatsApp dos eleitores:

https://twitter.com/vinnysacramento/status/494241313559433217

O novo visual do Manual do Usuário

Deixei as outras novidades do Manual do Usuário para fevereiro a fim de colocar logo no ar o novo layout do blog. E aí, gostou?

Ele é responsivo, o que significa que se adapta automaticamente às telas menores de tablets e smartphones. É nas grandonas, porém, que o layout brilha — dê uma olhada no review do Moto X, já adaptado. Dá para colocar fotos enormes no meio do texto, vídeos, preencher as laterais com gráficos e imagens menores… Fica lindo.

Alguns detalhes precisam ser arrumados, como o “Responses”/”Comments” não traduzido, mas o grosso está pronto. Se flagrar alguma coisa fora do lugar, deixe um comentário aí embaixo.

E não ache que isso é tudo. Tem mais coisa boa a caminho. 2014 será divertido.

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