A Meta anunciou a expansão do Meta AI (equivalente ao ChatGPT da OpenAI) para os populares apps da empresa, como Instagram e WhatsApp, e o Llama 3, nova versão do seu grande modelo de linguagem (LLM) de código aberto.

É a maior investida da empresa em IAs generativas até agora, um movimento que leva a previsões… estranhas, como a feita pelo Casey Newton em sua Platformer:

A primeira era do Facebook foi para conversar com amigos e familiares. A segunda, influenciada pelo TikTok, está mais focada em conteúdo de criadores e outras pessoas que você não conhece.

Nesta semana, tivemos um vislumbre da era ainda por vir: uma em que interagiremos regularmente com pessoas e robôs — talvez nem sempre cientes, ou nos importando, com qual estamos falando.

Um avanço significativo é o gerador de imagens do Meta AI. Ele responde a alterações no enunciado quase em tempo real. Dave Winer gravou um vídeo demonstrando o recurso — que, a exemplo das outras novidades, ainda não está disponível no Brasil.

Ainda que não pareçam ser totalmente inúteis, como eram os NFTs, inteligências artificiais generativas exalam um cheiro de cascata, ou de promessas exageradas. E quando coisas como um mouse com botão de IA começam a pipocar, como o que a Logitech apresentou nesta quarta (17), é sinal de que a bolha está inflando.

Creio que não existam muitos usuários do LXQt, um ambiente gráfico levinho para Linux. A esses poucos, uma boa notícia: saiu a versão final do LXQt 2.0, que tem como foco a atualização para o framework Qt6. O suporte ao Wayland ficou para a versão seguinte, 2.1.

Com quase três anos de atraso, a Fairphone lançou nesta semana fones de ouvido sem fios condizentes com sua missão: tanto a caixa quanto os fones em si dos Fairbuds têm baterias substituíveis. (Os de 2021 não tinham.) Saem por € 149 na Europa e não têm a mínima previsão de venda no Brasil.

Análise do Samuel Gibbs (em inglês) no The Guardian.

Talvez a Meta esteja meio certa em ignorar jornalistas e notícias no Threads. (O que não significa que a empresa esteja certa em outras coisas, ou no geral.)

A crise transnacional envolvendo o dono do X (ex-Twitter) e a Justiça brasileira levou muitos tuiteiros, incluindo jornalistas, a procurar abrigo no Bluesky. E, mesmo sem seguir novos perfis, meu feed foi tomado de… notícias. E notícias específicas: do Elon Musk, de política, de desgraças no geral.

Nada contra notícias e jornalismo em geral, é só que nesses ambientes — Twitter e agora Bluesky — a abordagem se dá com o fígado em vez do cérebro. Pesa o clima e cansa um pouco.

A Mozilla está testando a tradução de trechos selecionados no Firefox. Por ora, como mostra o Omg! Ubuntu, está disponível apenas em versões experimentais do navegador.

É um recurso fantástico, similar ao que a Apple introduziu no macOS 12 Monterey, em 2021. Pela natureza do que faço, lido com muito texto em inglês ao longo do dia. Ter um tradutor decente a um clique do mouse, em qualquer lugar do sistema, é um super poder que eu não sabia que precisava.

Na semana em que usei Linux (e o Firefox como navegador principal), recorri à extensão do DeepL, que oferece um recurso similar, ainda que seja meio instável. Tê-lo integrado ao navegador deve ser melhor.

A solução do Firefox é, por óbvio, limitada ao Firefox/navegador. É uma pena, mas melhor que nada.

Se Elon Musk retirar os bloqueios judiciais impostos pelo TSE a contas de lunáticos no X, antigo Twitter, e continuar achincalhando o ministro Alexandre de Moraes (resumo do Núcleo), não é maluquice imaginar um bloqueio do X no país. E… sinceramente, talvez seja uma boa? Seria um lixão a céu aberto a menos na internet brasileira.

Atualização (8/4, às 8h40): Na noite deste domingo (7), Alexandre de Moraes incluiu Musk como investigado no inquérito das fake news do STF e por possíveis crimes de obstrução à Justiça e incitação ao crime. Texto na íntegra.

A Amazon fez barulho na década passada quando abriu lojas físicas nos EUA com o Just Walk Out, que dispensava caixas humanos: o cliente apenas pegava as coisas nas prateleiras e o sistema (supostamente) inteligente detectava e cobrava direto no cartão, sem intervenção humana.

Acontece que, segundo o The Information, o tal “sistema automatizado” consistia em mais de 1 mil indianos monitorando e rotulando as compras remotamente. (Isso explica, por exemplo, por que algumas cobranças levavam horas para serem creditadas.)

A Amazon anunciou nesta terça (2) que vai acabar com o Just Walk Out. Em seu lugar, implementará outro sistema em que o próprio consumidor passará as compras por um leitor embutido no carrinho de compras.

“Inteligência artificial” segue sendo um eufemismo para terceirização de trabalho repetitivo para países pobres. Via The Information e Gizmodo (ambos em inglês).

O Artifact será vendido ao Yahoo. Em vez de agonizar como outras grandes aquisições do grupo (Delicious, Flickr, Tumblr…), o app de notícias será encerrado nos próximos meses e os dois co-fundadores, Kevin Systrom e Mike Krieger (ex-Instagram), servirão de consultores para a transição, leia-se: integrar a IA de recomendações personalizadas do Artifact ao Yahoo News. Como alguém disse por aí, o Yahoo comprou (por um valor não divulgado) um monte de código sem as pessoas que escreveram ele.

Em setembro de 2023, o Google anunciou o fim do Google Podcasts em prol do YouTube Music. Em algum momento depois disso, surgiu uma data exata para o encerramento: 2 de abril de 2024.

Acontece que essa data só vale para os Estados Unidos. Em um post no fórum de ajuda do Google para podcasters, datado de 18 de março, um funcionário da empresa, Cory Peter, explica que o encerramento do Google Podcasts no resto do mundo será em 24 de junho. Quem confia no app do Google para ouvir podcasts tem quase três meses para exportar suas inscrições para outro app.

O Manual do Usuário e o Órbita estão de volta às redes sociais e aplicativos de mensagens. Dê uma olhada na página de canais sociais para saber em quais. Tem uma novidade: um perfil automatizado no Bluesky.

O experimento foi bom, mas os lembretes periódicos em plataformas externas fizeram falta. Em breve trarei o relato completo, com ~dados, do período.

Esta entra para o rol das piores ideias em segurança digital: o Telegram está oferecendo assinaturas pagas em troca de poder enviar SMS de login (segundo fator de autenticação) a partir dos números dos usuários. Não se sabe em que países isso está ativo, só que é exclusivo do Android. De qualquer forma, se aparecer essa “oferta”, ignore — os riscos são enormes. Via @AssembleDebug/X (em inglês).

Em 2023, a Adobe tentou comprar o Canva por ~US$ 20 bilhões. Pressões regulatórias melaram o negócio. Nesta terça (26), o Canva anunciou a compra da Serif, empresa dona da suíte de aplicativos Affinity, uma das melhores alternativas aos aplicativos clássicos da… Adobe. O valor do negócio não foi divulgado, mas um executivo do Canva disse à Bloomberg que foi na casa de “várias centenas de milhões de libras” (a Serif é baseada na Inglaterra), em uma mistura de dinheiro e ações.

O mundo não dá voltas, o mundo capota.

Uma das perguntas imediatas é se o modelo de negócio dos apps Affinity, que é de compra única, mudará sob a direção do Canva, que trabalha com assinaturas. Segundo uma seção de perguntas e respostas no site da Affinity, “não há mudanças planejadas no momento”. As palavras-chaves são “no momento”. Via Canva e Bloomberg/Yahoo (ambos em inglês).

O Bloco de Notas deve ser um dos aplicativos mais usados no Windows e, ainda assim, carece de recursos básicos. Só agora o app está ganhando verificação ortográfica e corretor automático. (Um dia, talvez, alguém dentro da Microsoft resolva arrumar o “desfazer” horrível do Bloco de Notas.) Por enquanto, apenas nas versões de testes do Windows 11. Via Microsoft (em inglês).

Atualização (23/3, às 7h40): Aparentemente, o comportamento esquisito do “desfazer” no Bloco de Notas foi corrigido. Obrigado ao Rodrigo Teixeira Dias e Marcellus, que trouxeram a boa nova nos comentários.

Nunca me ocorreu tentar o reconhecimento facial pelo celular usando a câmera principal (traseira). A ignorância decorrente do ~privilégio — câmeras frontais costumam ser piores que as principais, uma diferença mais dramática em aparelhos baratos e/ou antigos.

Nesta semana, o aplicativo gov.br ganhou uma nova versão com esse recurso. Segundo o Ministério da Gestão e Inovação, “a medida beneficia diretamente quem tem celulares antigos e também pessoas com deficiência, do espectro autista, com doenças neurodegenerativas e idosos”. Via Agência Gov.