Segunda (16) foi dia de novos sistemas operacionais da Apple em um ano deveras estranho, com as principais novidades prometidas pela empresa ficando de fora — até a nova animação da Siri só virá no iOS 18.1.

Alguns iPad Pro com chips M4 pararam de funcionar e… foi isso de problemas graves. Isso e, claro, as reclamações de sempre de “coisas mudaram de lugar”, exacerbadas por mudanças significativas (e meio sem sentido) em aplicativos básicos (Fotos, em especial) e áreas que pareciam congeladas no tempo (Central de Controle). / macmagazine.com.br

Já tive fases de atualizar assim que possível. (De usar betas, nunca.) Mesmo curioso com o novo aplicativo Senhas e o espelhamento do iPhone no macOS, contive-me.

No mesmo dia, a Apple liberou atualizações de segurança — iOS 17.7 e macOS 14.7. Instalei-as e vida que segue. Quando saírem as versões ponto qualquer coisa do iOS 18 e macOS 15, eu penso em atualizar os meus dispositivos. / mjtsai.com (em inglês)

A Mozilla vai encerrar sua instância no Mastodon em dezembro. A notícia, como era de se imaginar, foi mal recebida por meio que todo mundo no fediverso e fora dele.

A nova CEO da Mozilla tem reduzido as investidas fora das competências principais do grupo, mas ao mesmo tempo investido mais em inteligência artificial “ética”, o que para muitos é uma contradição em termos. De qualquer forma, quanto custa um servidor do Mastodon com algumas centenas de usuários? No mínimo, era um espaço para a própria Mozilla e seus funcionários terem presença em um ambiente que se alinha aos seus ideais.

O anúncio da Mozilla fez com que outras empresas e instituições dentro do fediverso se posicionarem. Comissão Europeia e Vivaldi (o navegador, não o falecido compositor italiano), por exemplo. / techcrunch.com, @mozilla@mozilla.social (ambos em inglês)

Antonio Vivaldi nasceu na Itália, não na Áustria, como informava a nota. (De onde eu tirei isso? Sei lá.)

A Senacon intimou fabricantes de celulares que pré-instalam apps de bets em seus celulares. (Fiquei intrigado com a prática; um leitor disse, no nosso grupo no Signal, que o Motorola Edge 50 Pro dele oferece um desse no primeiro uso.) Sobrou até para a LG, que faz uns bons anos deixou de vender celulares. / gov.br

Essa e outras medidas do governo me lembram a atitude governamental contra as plataformas sociais das big techs, tentativas vãs de apagar um incêndio com um copo d’água. Para se ter ideia da profundidade do buraco, a Agência Pública mostrou como adolescentes estão torrando os R$ 200/mês do programa Pé-de-Meia, do governo federal, em jogo do tigrinho. / apublica.org

Tudo isso é desolador, mas ninguém pode se dizer surpreso: a finalidade de jogos de azar, sempre se soube, é viciar pessoas em perder dinheiro.

O “retorno” do Flappy Bird não tem relação com seu criador, o vietnamita Dong Nguyen. Ele tirou a poeira do seu perfil no X, onde não postava desde 2017, para fazer o alerta e dizer que não vendeu o jogo e que não apoia criptomoedas.

Uma empresa estadunidense, a Gametech Holdings, comprou os direitos autorais de Flappy Bird após eles terem expirado, no final de 2023, e os cedeu à recém-criada “Flappy Bird Foundation”. (A história é meio confusa e cheia de lacunas.)

Sem muita surpresa, a “foundation” tem gente ligada até o pescoço com iniciativas de criptomoedas e NFTs e o jogo clássico do Flappy Bird já foi lançado no Telegram integrado ao TON, a criptomoeda da plataforma. (Telegram que, não sei se você soube, “pivotou” de app de mensagens para plataforma para esquemas questionáveis envolvendo criptomoedas.)

Dong Nguyen sempre teve razão. / arstechnica.com (em inglês)

Alguém descobriu que o LinkedIn usa o conteúdo publicado na plataforma para treinar inteligências artificiais generativas. Tem um botão enterrado nas configurações que, promete o LinkedIn, bloqueia o seu conteúdo de ser usado para esse fim. Siga por aqui para acessá-lo.

Não sei se esse botão é novo, só sei que o uso de conteúdo para treinamento de IA não é de agora. Em março, publiquei no próprio LinkedIn:

Não que seja surpreendente, mas desanimei em saber que o LinkedIn está usando tudo que escrevo aqui para treinar IA. Coisa chata, parece que agora tem alguém bisbilhotando tudo, o tempo todo e em todo lugar.

Talvez o melhor a se fazer seja parar de escrever no LinkedIn.

Depois de AliExpress, Shopee e Shein, outro peso-pesado do varejo oriental chegou ao Brasil fazendo barulho. Em julho, o app da chinesa Temu foi o mais baixado no Brasil, com 7,7 milhões de downloads, segundo a consultoria AppMagic.

O receituário é, em parte, similar ao das rivais continentais — promoções o tempo todo, ofertas relâmpago, preços baixos e produtos de qualidade duvidosa. Há, porém, um componente extra na estratégia de crescimento da Temu: a “gamificação”.

A Folha de S.Paulo destrinchou os jogos da Temu. Seduzidos por promessas de brindes e descontos, consumidores são instados a interagir em jogos digitais e infernizar amigos para que se cadastrem na loja.

Sem surpresa, as “missões” vão ficando progressivamente mais difíceis e, mesmo quando o consumidor vence o jogo, a premiação decepciona. Uma das personagens ganhou uma pochete e uma torre de brinquedo.

(Conheci ali os “paradoxos de Zenão”. Adoro essas pequenas pérolas de saber polvilhadas sobre o texto noticioso.)

Esse tipo de “jogo” pode ser novo no varejo, mas é figurinha manjada em estratégias de crescimento. TikTok e Kwai, também empresas chinesas, tornaram-se titãs no mercado brasileiro abusando dela desde 2021, pelo menos. Joguinhos do novo mercado de mini-apps do Telegram, como o infame “Hamster Kombat”, idem.

Em qualquer caso, vale a velha lógica do capitalismo: não existe almoço grátis — nem dinheiro fácil obtido de maneira lícita.

Em 2019 dei uma olhada no Chromecast de terceira geração. Classifiquei o produto de “objeto de transição”, ou seja, categoria que seria varrida do mercado no futuro próximo.

Levou cinco anos para acontecer. Ao anunciar o Google TV Streamer, sua nova caixinha de streaming para o mercado estadunidense, o Google informou o encerramento da produção dos Chromecasts. A empresa alegou que a ampla oferta de smart TVs, streaming e a tecnologia Google Cast embarcada em milhões de outros dispositivos tornaram o dispositivo Chromecast obsoleto.

Tudo verdade, mas ainda existe uma lacuna nesse mercado: a da caixinha ou smart TV com foco em privacidade. O único dispositivo do tipo, ainda que com ressalvas, é o caríssimo Apple TV. A demanda pode até ser pequena, mas ela existe. Alguém disposto a supri-la?

R$ 1,5 bilhão

Levantamento da ACI Worldwide estima que criminosos desviaram R$ 1,5 bilhão com golpes do Pix em 2023 —aqueles em que a vítima é induzida a fazer a transferência para uma conta do criminoso usando as próprias credenciais. / folha.uol.com.br

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64%

A pesquisa TIC Educação 2023, do Cetic.br, revelou que 64% das escolas brasileiras restringem a horários e/ou locais o uso de celulares pelos alunos. Em 28%, a proibição é total, o que deixa apenas 7% das escolas com o uso liberado. / desinformante.com.br

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61,1%

Em junho, 61,1% das transações presenciais no Brasil foram feitas por aproximação/NFC, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Em junho de 2021, esse tipo de pagamento presencial representava apenas 13,9% do total. / mobiletime.com.br

77%

Um estudo da Upwork, plataforma estadunidense de ofertas de emprego, descobriu que 77% dos trabalhadores de empresas que adotaram soluções de inteligência artificial disseram que a tecnologia diminuiu a produtividade e aumentou a carga de trabalho. Ao mesmo tempo, 96% dos executivos entrevistados acreditam que a IA vai aumentar a produtividade. Vários dados reveladores nesse estudo. / upwork.com (em inglês)

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US$ 1,4 bilhão

A Meta concordou em pagar uma multa de US$ 1,4 bilhão ao estado do Texas, nos Estados Unidos, por coletar e usar dados biométricos de milhões de cidadãos sem autorização. / folha.uol.com.br

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US$ 25 bilhões

Entre 2017 e 2021, a Amazon amargou prejuízo de US$ 25 bilhões com sua divisão de dispositivos, como as caixas de som Echo e outros cacarecos com a assistente de voz Alexa. A reportagem do Wall Street Journal não conseguiu dados de antes e depois. / wsj.com (em inglês)

Se um dia com a saúde debilitada já atrapalha muito (eu que o diga, semana passada), imagine ser atropelado por um caminhão?

Foi isso o que aconteceu com Evan Prodromou, um dos criadores do protocolo ActivityPub, no início de julho. O saldo foi de nove costelas fraturadas, um pulso quebrado e fraturas nos ossos da face. Para piorar, ele estava na Califórnia. (Ele é canadense.)

Evan estava finalizando um livro sobre o ActivityPub e à frente da implementação de criptografia de ponta a ponta no protocolo. Tudo isso, óbvio, ficou em segundo plano nas últimas semanas.

Ainda em recuperação, Evan conseguiu postar uma atualização em seu blog.

Boa recuperação a ele!

Dias agitados para os todo-poderosos de plataformas digitais com uma quedinha por conspirações.

De um lado, Elon Musk do X (antigo Twitter) divulgou um “deep fake” óbvio da nova candidata democrata à presidência dos EUA, Kamala Harris. Não que isso importe lá, mas o ato infringe os termos de uso do X.

De outro, Pavel Durov, CEO do Telegram, declarou ser doador de esperma e já ter mais de 100 filhos biológicos. O motivo do que ele chamou de “dever cívico” seria uma suposta “escassez de esperma saudável”, alegação que ele vincula a uma meta-análise de 2017 desbancada por outra pesquisa em 2021. Durov vai “abrir o código do seu DNA” (o que estou escrevendo!?) para facilitar que seus descendentes se encontrem. Imagine a frustração de descobrir-se filho desse maluco?

8,5 milhões

O caos proporcionado pela CrowdStrike na sexta passada (19) derrubou 8,5 milhões de computadores com Windows. O número equivale a 1% da base instalada, segundo a Microsoft — um 1% bem importante, pois a CrowdStrike só trabalha com grandes clientes corporativos. Via Microsoft (em inglês).

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US$ 10

Na quarta (24), a CrowdStrike enviou cupons do UberEats de US$ 10 para clientes afetados pela falha catastrófica da sexta anterior (essa do número acima). Pior: os cupons não funcionavam porque, segundo relatos, a Uber marcou a conta da CrowdStrike como fraudulenta. (Tecnicamente, este é um “número minúsculo”.) Via TechCrunch (em inglês).

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R$ 5 milhões

A Senacon multou Oi, TIM e Vivo em R$ 5 milhões pela publicidade enganosa acerca do 5G. Segundo o despacho publicado no Diário Oficial da União, as três operadoras divulgaram “mensagens publicitárias referentes a 5G que induziram os consumidores ao erro, por não informarem com clareza e adequação as limitações da tecnologia DSS.” Via Mobile Time.

O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional simplificaram a jornada de iniciação de pagamentos para permitir o uso do Pix em carteiras digitais, ou seja, em pagamentos por aproximação e pagamentos online facilitados. A previsão é de que a novidade chegue aos consumidores em 28/2/2025. Via Banco Central.

48%

As emissões de gases do efeito estufa pelo Google aumentaram 48% nos últimos cinco anos. Segundo a própria empresa, por causa da demanda por inteligência artificial. A meta do Google de tornar-se uma empresa neutra em emissões de poluentes até 2030 está posta em xeque. Via Folha de S.Paulo.

O Diário Popular, jornal que cobria a região Sul do Rio Grande do Sul, encerrou suas atividades no último dia 12, após 133 anos de história. No mesmo dia em que a última edição impressa circulou, o site do jornal saiu do ar, sumindo com ~20 anos de história e gerando indignação entre colaboradores e leitores. (Soube do caso pelo Luís Felipe dos Santos.)

A indisponibilidade do site não foi planejada pela direção do jornal, segundo uma fonte que pediu para não ser identificada. Ao saber do encerramento da edição impressa, a empresa responsável pela hospedagem tirou o site do Diário Popular do ar.

O site voltou ao ar cerca de quatro dias depois. Até quando ficará disponível, não se sabe — ainda que os custos de hospedagem de um site estático sejam irrisórios.

O episódio é um lembrete de que é preciso pensar formas de preservar as versões digitais de jornais brasileiros.