Todos os leiautes que o Manual já teve

Em dez anos no ar, o site do Manual do Usuário já teve alguns leiautes. Foram menos de dez, se não me falhe a memória, o que acho um bom número.

Com a ajuda da Wayback Machine, consegui resgatar todos (?) os leiautes da nossa história. Ao menos, as versões para computadores — que são sempre mais legais, pois oferecem mais espaço para trabalhar.

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Da relevância (ou não) do Google Pixel

por Cesar Cardoso

Quem acompanha o Pinguins Móveis sabe que cada vez menos presto atenção aos lançamentos de novos Google Pixel. Acho que nunca expliquei o porquê, certo? Vamos lá.

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Twitter não serve mais como fonte de informação confiável

Na manhã do último domingo (8), Elon Musk indicou dois “bons” perfis de notícias de guerra para seus 150 milhões de seguidores no Twitter se informarem do conflito entre Israel e o Hamas.

As duas recomendações do bilionário são notórias fontes de desinformação. Em maio, elas espalharam o boato de que a Casa Branca havia sido bombardeada, por exemplo.

Ao se dar conta da gafe, Musk apagou o post. Antes disso, ele havia acumulado +11 milhões de visualizações.

Era apenas questão de tempo — e um evento dramático — para que a decadência do Twitter se revelasse da pior maneira possível. Ao longo de quase um ano, incentivos errados e decisões desastrosas em série de Musk transformaram a rede em um dos piores lugares para obter informações confiáveis.

Ativistas e especialistas em inteligência coletiva têm perdido um tempo precioso desmentindo imagens de video game e vídeos antigos, repostados no Twitter para direcionar narrativas e/ou gerar dinheiro com o programa de divisão de receita publicitária (mal) implementado por Musk.

Não é que a desinformação digital tenha surgido agora nem seja exclusividade do Twitter. É que, ali, ela está fora de controle.

Em quase um ano, Musk demitiu ~75% dos funcionários do Twitter, dispensou todos os milhares de terceirizados que moderavam conteúdo, desdenhou da imprensa, potencializou discursos extremistas, criou os piores incentivos para que a desinformação florescesse na plataforma.

A situação é tão grave e peculiar que Thierry Breton, comissário da União Europeia, enviou uma “carta urgente”, em tom duro, apontando infrações do Twitter ao Digital Services Act e exigindo providências de Musk em um prazo de 24 horas.

O Twitter, hoje, é o que todas as redes extremistas/alternativas — Gab, Truth Social, Parler — sempre sonharam em ser: um espaço frequentado por milhões de pessoas, controlado por um extremista e onde dinheiro e truculência falam mais alto em uma suposta “guerra cultural” que estaria em curso.

Muita gente boa continua no Twitter, entre outros (poucos) motivos, “para se informar”. Sinto dizer, mas o antigo Twitter não existe mais e o que sobrou em seu lugar não serve para isso.

Com informações da Associated Press e Wired (ambos em inglês).

Notícias para começar o dia

Nota do editor: Nas notinhas publicadas no início da manhã, pensei em fazer esse apanhado do dia anterior. Quando houver uma conversa correspondente no Órbita, incluirei um link direto para lá.

A partir de 1º de novembro, alguns serviços da Receita Federal só serão acessíveis por uma conta prata ou ouro do gov.br. [Receita Federal]

A Sony anunciou uma versão menor do PlayStation 5. Lá fora, chega em novembro. [Blog do PlayStation, comente no Órbita]

O Google vai estimular o uso de chaves-senha (passkeys) quando alguém fizer login em contas pessoais. [Google]

A Microsoft voltou atrás e não vai mais contar em dobro o espaço usado por imagens colocadas em álbuns no OneDrive. (É cada ideia…). [Microsoft]

Manuais antigos, capinhas ruins da Apple e outros links legais

Uma maravilhosa coleção de manuais antigos (em inglês).

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Topa tudo por dinheiro

Kate Knibbs, repórter da Wired, descobriu um fenômeno bizarro no YouTube: canais que leem obituários de pessoas comuns, em grandes volumes.

Na apuração, Kate descobriu que os canais fazem isso de olho na receita com publicidade que o Google divide com youtubers.

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Na China, usar VPN pode dar ruim

por Shūmiàn 书面

As regras não são muito claras e o uso de VPN — sistema para forjar um IP de outro país — na China é algo bastante comum, sobretudo entre pessoas com mais recursos financeiros. Mas o caso de um programador da província de Hebei, vizinha a Pequim, chamou atenção depois que ele entrou na mira do governo por ter usado o recurso para realizar seu trabalho.

De acordo com o China Digital Times, o programador foi multado por uso de VPN para atender um cliente no exterior, usando plataformas indisponíveis para o público chinês, como o Zoom. O trabalhador foi multado em um total de mais de US$144 mil, uma soma de três anos (2019-2022) de seu salário mais uma multa.

Principal forma de furar o Grande Firewall chinês, a VPN tem se mostrado cada vez mais instável na China, como contamos aqui. O caso do trabalhador não é o único envolvido em apurações. Contamos recentemente a história de uma mulher que foi surpreendida ao ter a polícia à sua porta para prender o marido: ele usava secretamente o serviço para manter um site no exterior com críticas a Pequim.

https://www.youtube.com/watch?v=wEVaHobjbPw

O Google lançou, nesta quarta (4), o Android 14. A princípio, apenas os celulares Pixel (do 4 5G em diante, nunca vendidos no Brasil) recebem o sistema. De outras fabricantes, “até o fim do ano”.

A exemplo do iOS 17, o Android 14 também traz poucas novidades, todas incrementais. Há um pouco de IA gerativa (papéis de parede criados a partir de frases), boas novidades em acessibilidade e coisas que o iOS já fazia, como localização aproximada para apps e PIN de seis dígitos — fiquei intrigado com essa. Via Google (em inglês).

TV conectada vira espaço de vigilância para publicidade segmentada

Esta matéria do Brazil Journal, escrita por Josette Goulart, traz dados fascinantes do mercado de TVs conectadas.

Segundo o Kantar Ibope, 60% dos domicílios brasileiros já conta com uma TV conectada. A Samsung estima que 74% do tempo de uso da TV é gasto com streaming e apenas 26% com TV linear. Mais que isso, 1/3 das TVs só acessam streaming.

A Samsung trouxe ao Brasil, há dois anos, sua divisão de anúncios para extrair receita dos 15 milhões de TVs que a fabricante tem no país. Os anúncios aparecem na tela inicial e no Samsung TV Plus, um app/canal de streaming gratuito.

Segundo a reportagem:

[…] a empresa consegue saber até mesmo se o televisor estava ligado quando determinada propaganda passou no intervalo do Fantástico, na Globo, ou do Programa do Ratinho, no SBT. (Ou seja, nem mesmo a medição da audiência da TV será a mesma daqui para a frente.)

Por enquanto, é possível escapar dessa vigilância assustadora usando caixinhas de streaming — ainda que, na maioria dos casos, troca-se uma empresa bisbilhoteira por outra.

No futuro, não é loucura imaginar que a receita com publicidade cubra os custos de um chip 5G e o consumo de dados para streaming.

Entendo que as palavras “nova rede social” não emanem os melhores sentimentos nas pessoas, mas tenho curtido passear pela Posts.cv. Com foco em design, ela tem uma energia diferente, mais focada e leve, sem o risco de topar com as discussões vazias ou assuntos exasperados que dominam outros locais de socialização no digital. Nem criei conta lá; só entro, vejo os destaques e fecho.

O segundo pedido mais popular entre os usuários do Telegram é ter uma opção para desativar os stories no aplicativo. (O Signal permite isso.)

Apple culpa Instagram e outros apps por superaquecimento do iPhone 15 Pro/Pro Max

Algumas pessoas que adquiriram o iPhone 15 Pro/Pro Max no lançamento estão reclamando que os aparelhos esquentam muito.

A Apple divulgou um comunicado reconhecendo o problema e dizendo que ele decorre de três fatores:

  1. Maior atividade em segundo plano em um dispositivo novo;
  2. “Uma falha” que será corrigida no iOS 17.1; e
  3. Aplicativos de terceiros mal comportados, como Instagram, Uber e o jogo Asphalt 9.

Este cara no YouTube mostrou um iPhone 15 Pro Max e um iPhone 14 Pro Max esquentarem um bocado apenas com o Instagram aberto.

A Meta, dona do Instagram, liberou uma atualização (302) que, em tese, corrige o problema.

Os “sintomas” são similares ao sentidos pelo meu celular, um singelo iPhone SE (2022), que descobri eram culpa do WhatsApp (outro app da Meta). Comentei o problema neste vídeo. Via Forbes (em inglês).

Letterboxd, rede social de filmes, é vendida

A ótima Letterboxd, uma rede social para cinéfilos criada na Nova Zelândia, foi vendida à Tiny, uma espécie de holding de pequenos negócios digitais com sede no Canadá.

O valor não foi divulgado. Em seu site, a Tiny diz que paga entre US$ 1 milhão e US$ 300 milhões por pequenos negócios digitais. O New York Times ouviu de uma fonte próxima ao negócio que a venda avaliou o Letterboxd em +US$ 50 milhões.

Os dois co-fundadores continuarão à frente do negócio e mantiveram uma fatia dele. A Tiny promete que nada mudará no Letterboxd, nem o modelo de negócio, baseado em anúncios e assinaturas.

Eu e muita gente descobrirmos a Letterboxd durante a pandemia, período em que a base de usuários disparou para 10 milhões de pessoas. A rede é bem aconchegante e emana uma energia boa, diferente da de redes mais comerciais, que focam em crescimento acima de tudo.

Fica a esperança de que as promessas feitas agora de fato se cumpram e que as mudanças sejam para melhor. Via New York Times (em inglês).

A quem ainda está no Twitter, ou X, a nova política de privacidade do serviço começou a valer nesta sexta (29). Ela prevê a coleta de dados biométricos, histórico profissional e de formação dos usuários, além do uso de mensagens diretas (DMs) não criptografadas. Todo o conteúdo passa a poder ser usado para treinar modelos de inteligência artificial.

Excesso de inteligência

A chegada do ChatGPT, da OpenAI, em novembro de 2022, foi a largada de uma nova corrida do ouro.

Empresas na vanguarda do que se convencionou chamar “inteligência artificial” (IA), como Google e Meta, até então não arriscavam colocar chatbots não confiáveis e recursos de edição super poderosos nas mãos de qualquer pessoa.

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Um dos receios dos especialistas acerca da inteligência artificial (IA) é o antropomorfismo: a tendência que temos de “humanizar” o que não é humano.

Daí que, nesta quarta (27), na abertura do evento Connect, da Meta, Mark Zuckerberg anunciou 28 IAs com rostos de celebridades norte-americanas, como Snoop Dogg, Tom Brady e Paris Hilton, que “interpretam” personagens especialistas em certos domínios, como esportes, RPG e moda, e podem ser invocadas nos apps de mensagens da empresa. Eles têm até perfis no Facebook e Instagram! Via Meta (em inglês).