TV conectada vira espaço de vigilância para publicidade segmentada

Esta matéria do Brazil Journal, escrita por Josette Goulart, traz dados fascinantes do mercado de TVs conectadas.

Segundo o Kantar Ibope, 60% dos domicílios brasileiros já conta com uma TV conectada. A Samsung estima que 74% do tempo de uso da TV é gasto com streaming e apenas 26% com TV linear. Mais que isso, 1/3 das TVs só acessam streaming.

A Samsung trouxe ao Brasil, há dois anos, sua divisão de anúncios para extrair receita dos 15 milhões de TVs que a fabricante tem no país. Os anúncios aparecem na tela inicial e no Samsung TV Plus, um app/canal de streaming gratuito.

Segundo a reportagem:

[…] a empresa consegue saber até mesmo se o televisor estava ligado quando determinada propaganda passou no intervalo do Fantástico, na Globo, ou do Programa do Ratinho, no SBT. (Ou seja, nem mesmo a medição da audiência da TV será a mesma daqui para a frente.)

Por enquanto, é possível escapar dessa vigilância assustadora usando caixinhas de streaming — ainda que, na maioria dos casos, troca-se uma empresa bisbilhoteira por outra.

No futuro, não é loucura imaginar que a receita com publicidade cubra os custos de um chip 5G e o consumo de dados para streaming.

Entendo que as palavras “nova rede social” não emanem os melhores sentimentos nas pessoas, mas tenho curtido passear pela Posts.cv. Com foco em design, ela tem uma energia diferente, mais focada e leve, sem o risco de topar com as discussões vazias ou assuntos exasperados que dominam outros locais de socialização no digital. Nem criei conta lá; só entro, vejo os destaques e fecho.

O segundo pedido mais popular entre os usuários do Telegram é ter uma opção para desativar os stories no aplicativo. (O Signal permite isso.)

Apple culpa Instagram e outros apps por superaquecimento do iPhone 15 Pro/Pro Max

Algumas pessoas que adquiriram o iPhone 15 Pro/Pro Max no lançamento estão reclamando que os aparelhos esquentam muito.

A Apple divulgou um comunicado reconhecendo o problema e dizendo que ele decorre de três fatores:

  1. Maior atividade em segundo plano em um dispositivo novo;
  2. “Uma falha” que será corrigida no iOS 17.1; e
  3. Aplicativos de terceiros mal comportados, como Instagram, Uber e o jogo Asphalt 9.

Este cara no YouTube mostrou um iPhone 15 Pro Max e um iPhone 14 Pro Max esquentarem um bocado apenas com o Instagram aberto.

A Meta, dona do Instagram, liberou uma atualização (302) que, em tese, corrige o problema.

Os “sintomas” são similares ao sentidos pelo meu celular, um singelo iPhone SE (2022), que descobri eram culpa do WhatsApp (outro app da Meta). Comentei o problema neste vídeo. Via Forbes (em inglês).

Letterboxd, rede social de filmes, é vendida

A ótima Letterboxd, uma rede social para cinéfilos criada na Nova Zelândia, foi vendida à Tiny, uma espécie de holding de pequenos negócios digitais com sede no Canadá.

O valor não foi divulgado. Em seu site, a Tiny diz que paga entre US$ 1 milhão e US$ 300 milhões por pequenos negócios digitais. O New York Times ouviu de uma fonte próxima ao negócio que a venda avaliou o Letterboxd em +US$ 50 milhões.

Os dois co-fundadores continuarão à frente do negócio e mantiveram uma fatia dele. A Tiny promete que nada mudará no Letterboxd, nem o modelo de negócio, baseado em anúncios e assinaturas.

Eu e muita gente descobrirmos a Letterboxd durante a pandemia, período em que a base de usuários disparou para 10 milhões de pessoas. A rede é bem aconchegante e emana uma energia boa, diferente da de redes mais comerciais, que focam em crescimento acima de tudo.

Fica a esperança de que as promessas feitas agora de fato se cumpram e que as mudanças sejam para melhor. Via New York Times (em inglês).

A quem ainda está no Twitter, ou X, a nova política de privacidade do serviço começou a valer nesta sexta (29). Ela prevê a coleta de dados biométricos, histórico profissional e de formação dos usuários, além do uso de mensagens diretas (DMs) não criptografadas. Todo o conteúdo passa a poder ser usado para treinar modelos de inteligência artificial.

Excesso de inteligência

A chegada do ChatGPT, da OpenAI, em novembro de 2022, foi a largada de uma nova corrida do ouro.

Empresas na vanguarda do que se convencionou chamar “inteligência artificial” (IA), como Google e Meta, até então não arriscavam colocar chatbots não confiáveis e recursos de edição super poderosos nas mãos de qualquer pessoa.

(mais…)

Um dos receios dos especialistas acerca da inteligência artificial (IA) é o antropomorfismo: a tendência que temos de “humanizar” o que não é humano.

Daí que, nesta quarta (27), na abertura do evento Connect, da Meta, Mark Zuckerberg anunciou 28 IAs com rostos de celebridades norte-americanas, como Snoop Dogg, Tom Brady e Paris Hilton, que “interpretam” personagens especialistas em certos domínios, como esportes, RPG e moda, e podem ser invocadas nos apps de mensagens da empresa. Eles têm até perfis no Facebook e Instagram! Via Meta (em inglês).

[A inteligência artificial] Requer o modelo de negócios de vigilância; é uma exacerbação do que vemos desde o final dos anos 1990 e o desenvolvimento da publicidade de vigilância. A IA é uma maneira, acho eu, de consolidar e expandir o modelo de negócios de vigilância. O diagrama de Venn é um círculo.

— Meredith Whittaker, presidente do Signal, no palco do evento de startups TechCrunch Disrupt, em São Francisco, Califórnia.

Via TechCrunch, @TechCrunch/YouTube (em inglês).

O Spotify vai “dublar” podcasts, com a ajuda de inteligência artificial para manter a voz dos apresentadores, em outros idiomas. O projeto começa com episódios de três podcasts em inglês, dublados para o espanhol e, depois, francês e alemão. Não deve demorar muito para estar ao alcance de qualquer pessoa interessada. Via Spotify (em inglês).

Em nova fase, Matrix quer fazer frente a WhatsApp e afins

O Matrix, padrão para troca de mensagens de maneira descentralizada e com criptografia de ponta a ponta, deu início a uma nova fase.

De acordo com um (longo) post no blog dos desenvolvedores, até então o objetivo era demonstrar a viabilidade do projeto. Agora, eles querem jogar pra valer e fazer frente a aplicativos comerciais centralizados, como iMessage, WhatsApp e Telegram.

Para isso, estão focando em quatro grandes áreas, com destaque para uma nova API, chamada Sliding Sync, que agiliza algumas ações básicas e triviais em soluções centralizadas, porém desafiadoras no modelo descentralizado.

Coisas como sincronizar o estado das conversas ao abrir o app e manter as conversas atualizadas de modo transparente ao usuário final, por exemplo.

Embora a nova abordagem do Matrix 2.0 ainda esteja longe de estar finalizada, já é possível usufruir do trabalho sob algumas condições:

  • Estar em um servidor que tenha a API Sliding Sync, como o dos desenvolvedores do protocolo (matrix.org); e
  • Usar o novo aplicativo Element X (Android, iOS), que usa exclusivamente a API Sliding Sync.

Tenho feito isso, e o resultado é digno de nota. O Element X ainda carece de alguns recursos, mas é bonito, tem uma interface limpa e está bem rápido.

Desde que abordei o Matrix neste Manual, temos migrado aos poucos os grupos do site para lá.

No último fim de semana, criei um “espaço” para nosso site. Funciona como uma espécie de “servidor” do Discord, com salas temáticas.

Se você já usa o Matrix ou quer dar uma olhada, conheça o nosso espaço (#manualdousuario:matrix.org).

AirTag para gatos, organizar fotos no celular e outros links legais

A mesma galera do app Halide, para iOS, lançou o Orion, um monitor de câmeras para iPad com USB-C. Destaque para a apresentação do app (em inglês), toda oitentista (e de muito bom gosto!).

Diz a Meta que mudou o logo do Facebook (em inglês). Eu vi, vi de novo e não notei nada de diferente.

(mais…)

WhatsApp está virando uma mistura de shopping com SAC

O marketing do WhatsApp é todo voltado às relações próximas, pessoais.

No site do aplicativo da Meta, uma mensagem grande diz que “com mensagens e chamadas privadas, você pode ser quem realmente é, conversar com liberdade e se aproximar das pessoas mais importantes da sua vida, não importa onde estejam”.

Quase escapou uma lágrima aqui.

(mais…)

Sempre é um bom dia para experimentar o Mastodon, mas hoje é um especial: foi lançada nesta quinta (21) a versão 4.2, com busca textual completa, melhorias no fluxo de cadastro e em outros detalhes que costumam afugentar curiosos. Via Mastodon (em inglês).

De todas as empresas ocidentais que tentam recriar aqui o modelo chinês do WeChat, de “super app”, o WhatsApp é o melhor posicionado para tornar isso realidade.

Nesta quarta (20), a Meta anunciou o “Flows”, uma ferramenta para grandes empresas — clientes da API Business do WhatsApp — que permite criar formulários personalizados para transações das mais diversas, de escolher o assento ao comprar uma passagem de avião a fazer reservas em restaurantes, sem contar o bom e velho varejo. Será que vinga?