O relatório de transparência referente ao bimestre agosto–setembro de 2023, do Comitê de Supervisão do Manual do Usuário, pode ser baixado aqui (PDF).
Apenas três situações ensejaram minha intervenção no período entre agosto e setembro de 2023 nos comentários do Manual do Usuário — um deles (2023-35), um pouco mais grave.
O número baixo não decorreu de redução no total de comentários, nem de negligência da moderação. Talvez os assuntos abordados tenham sido mais leves? Não sei. De qualquer forma, é um bom sinal, mas não um absoluto. Uma comunidade sadia deve ter divergências e debates acalorados, sem cair em ofensas e desrespeito.
Sem dados precisos, só no “achômetro”, creio que a do Manual esteja trilhando esse caminho.
Agradeço à Cíntia Reinaux, ao Emanuel Henn e à Michele Michele Strohschein pelo apoio e incrível trabalho que vêm desempenhando no comitê.
Um estudo publicado no final de 2022 na revista científica BMJ Global Health soou o alerta: mais de 1 bilhão de jovens correm o risco de perda de audição devido a fones de ouvido e ambientes com som muito alto.
Estudos anteriores analisados pelos pesquisadores descobriram que, com frequência, o volume em fones de ouvido chega a 105 dB, bem acima dos limites recomendados — 80 dB para adultos e 75 dB para crianças para intervalos curtos; até 70 dB para longa exposição, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA.
Pode parecer um pequeno incremento, mas a escala de decibéis (dB) é logarítmica.
É difícil detectar de ouvido esses limites e a depender do ambiente ou da empolgação com a música ou podcast sendo ouvido, extrapolá-los.
Felizmente, existem maneiras de impedir que os fones de ouvido atinjam volumes danosos aos nossos ouvidos.
Opção nativa no iOS.
O iOS tem um limitador nativo. Entre em Ajustes, depois em Som e Tato, role a tela até o final e toque em Segurança de Fone de Ouvido.
Na tela seguinte você verá a opção Limite de Volume. Ative-a e defina o volume máximo no “slider” imediatamente abaixo, que vai de 75 a 100 dB.
No Android, até onde sei, não existe um limitador nativo. (Ao menos, não no Android 13, versão que tenho instalada no meu celular de testes.)
Atualização (13h50): O leitor Victor K mencionou, nos comentários, que celulares Android da Samsung com a One UI oferecem um limitador de volume nativo. Este vídeo demonstra como configurá-lo.
Existem, porém, vários aplicativos de terceiros com essa funcionalidade. Dos que encontrei, o Voli parece o mais acertado. É gratuito e não exibe anúncios e, embora seja voltado a crianças, funciona ok com adultos também.
Para quem quiser maior controle, o Volume Lock permite configurar limites e travar volumes por tipo — mídia/música, ligações, notificações etc.
O aplicativo é gratuito e exibe anúncios. O Volume Lock Pro, versão paga, remove os anúncios por R$ 23.
No próximo dia 6/12 a Estação Espacial Internacional (EEI) completa 25 anos. Um novo aplicativo da NASA, a agência espacial norte-americana, facilita a observação da estação.
Batizado Spot the Station, o aplicativo usa realidade aumentada e outros recursos do celular, como as notificações, para guiar a pessoa interessada em observar a EEI. (Note que ela só é observável à noite.)
E acho que, com o tempo, talvez até cheguemos ao ponto em que possamos gerar conteúdo [por inteligência artificial, em feeds] diretamente para as pessoas com base no que elas possam estar interessadas.
— Mark Zuckerberg, CEO da Meta.
Compartilhei um texto fantástico no Órbita em que o autor argumenta que os avanços tecnológicos não facilitam a nossa vida, mas sim a torna mais rápida. A IA é um belo exemplo (mencionado lá) dessa percepção equivocada que se tem da tecnologia.
Talvez seja menos um problema da tecnologia, mais dos negócios. O tempo ganho costuma ser apropriado por gente como Zuckerberg, executivos de modo geral, ávidos por mais, mais e mais. Sempre mais.
Não é preciso ir muito longe, nem imaginar cenários futuristas, para medir o impacto que a IA terá na economia.
A brasileira Wine, um clube de assinaturas de vinhos, já usa e abusa de IA gerativa em seu marketing:
“Normalmente [a campanha] é com influenciador e, neste ano, em vez de influenciador usamos a IA”, apontou [Paulo Boesso, head de e-commerce]. “Tivemos um ganho de produtividade de 80% dentro do universo tangível; diminuímos um trabalho de dez horas para duas horas para esta campanha do Sr. Desconto em junho.”
O LookAway é um pequeno aplicativo para a menubar que te lembra de se afastar do monitor a intervalos regulares para cuidar dos olhos.
Existem vários do tipo; o que me chamou a atenção neste é a elegância e o cuidado evidente do desenvolvedor Kushagra Agarwal. Os alertas são suaves, com avisos prévios e a possibilidade de adiá-los ou ignorá-los. O LookAway fica atento a períodos de inatividade e a videochamadas, e adapta o timer nessas circunstâncias.
A descrição do site oficial faz todo sentido: “É sutil, esperto e totalmente personalizável.”
Nas últimas semanas, aumentou o número de usuários do YouTube e de extensões que bloqueiam anúncios se deparando com uma mensagem do YouTube/Google, na plataforma de vídeos, pedindo ou exigindo a liberação de anúncios para continuar sendo usada.
A imagem varia de acordo com quatro estágios. Na mais branda, há um “X” para dispensar a mensagem e continuar assistindo aos vídeos como se nada tivesse acontecido. Na mais severa, o YouTube impede a visualização a menos que o bloqueador de anúncios seja desativado ou o YouTube Premium — o plano pago da plataforma (R$ 24,90/mês) — seja assinado.
Vez ou outra reclamo, digo, comento aqui do receio que tenho com grande atualizações de software. Desde que atualizei para o macOS 14 Sonoma, o Command + `, que alterna entre janelas do mesmo aplicativo, está quebrado no Safari 17. Parece bobo, mas uso bastante. Já saiu o macOS 14.1 e… nada de correção. Via r/MacOS (em inglês).
Na sexta (27), o ex-Twitter anunciou um plano “Premium+” de R$ 84/mês que remove anúncios. Nesta segunda (30) foi a vez da Meta revelar seus planos pagos para Facebook e Instagram na Europa, por € 9,99/mês. As duas plataformas se juntam ao YouTube, que remove anúncios por R$ 24,90/mês.
É bom que exista a alternativa paga e sem anúncios, mas isso não soluciona o problema. Poucos podem ou querem pagar. A oferta de serviços suportados por publicidade não é, a princípio, nociva. As práticas invasivas das big techs, que devassam a privacidade dos usuários para exibir anúncios segmentados, é que são.
Não sei muito bem o que está acontecendo aqui, só que a Nissan anunciou um carro conceito feio (em inglês) com painel interior desenhado pelo estúdio que produz o jogo Gran Turismo.
Há exatamente um ano, Elon Musk tornava-se o dono do Twitter. Literalmente. O empresário pagou US$ 44 bilhões pela empresa inteira e prometeu transformar a rede em uma espécie de “super app”, ou — como ele diz — um “everything app”.
Um ano é pouco tempo, é verdade, mas a essa altura era de se esperar pelo menos sinais de que uma virada positiva está em curso ou é possível. Os sinais existem, mas no sentido contrário.
O fracasso da primeira colaboração entre Meta e EssilorLuxottica (a dona da marca Ray-Ban) na criação de um par de “óculos inteligentes”, em setembro de 2021, baixou muito as expectativas com uma eventual segunda versão.
Anunciado em um evento em setembro, espremido entre o mais badalado Meta Quest 3 e a nova inteligência artificial da Meta, o Ray-Ban Meta não chamou muita atenção de primeira.
Com o produto nas lojas — e nos rostos de repórteres de sites especializados norte-americanos —, porém, veio a surpresa: é um negócio… bem bom?
Os novos Ray-Ban Meta corrigem os pontos fracos do antecessor: a câmera é de boa qualidade (os microfones, excepcionais) e a bateria é ok (e tem uma caixa que se desdobra em bateria portátil com várias recargas).
E eles mantêm a característica mais importante de um produto do tipo: são bonitos, parecem óculos comuns.
Todos os que relataram suas experiências com o Ray-Ban Meta afirmam que os óculos não chamam a atenção, a ponto de ninguém perceber que são óculos especiais, inteligentes.
Bem diferente do Google Glass, por exemplo, que chegou a ganhar algum capital social em 2013, antes de Robert Scoble sepultá-lo com aquela foto medonha debaixo do chuveiro (não vou linkar; de nada).
O mundo é outro, também. Em 2013, a ideia de termos câmeras apontadas para nós o tempo todo, de todos os lados, estava restrita às distopias. Não à toa, o Google Glass foi rejeitado — e não apenas por causa do Scoble.
Óculos insuspeitos com câmeras e microfones de alta qualidade tão discretas que parecem camufladas não são uma ideia radical nem ultrajante em 2023. São, de qualquer forma, um passo extra no caminho da devassa da privacidade e da espetacularização da vida. (O Ray-Ban Meta faz streaming ao vivo no Instagram.)
Por US$ 299, uns trocados a mais que as versões “dumb” dos óculos de sol da EssilorLuxottica, os “smart glasses” se aproximam perigosamente do trivial.
Dos muitos vídeos que vi, recomendo a análise/ensaio da Victoria Song, do The Verge. Ela define a chegada do Ray-Ban Meta como “um ponto de virada”.