Um dinossauro contempla o fim da web
Em 2023, por diversas vezes me peguei pensando na web, no site do Manual e no que o futuro nos reserva.
Em 2023, por diversas vezes me peguei pensando na web, no site do Manual e no que o futuro nos reserva.
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Para listas temporárias e/ou diárias, o Hotlist é uma boa pedida.
O aplicativo cria uma lista na barra de menus do macOS, e ali fica toda a interface dele. É possível criar novas tarefas, riscá-las, tudo como manda o figurino. O ícone do app na barra é um contador de tarefas pendentes.
Outros detalhes legais do Hotlist é que ele é recheado de atalhos no teclado, se integra com apps de terceiros e tem um sistema de plugins baseado em JavaScript.
O app é gratuito. Na tela de “compra”, basta selecionar “0” para obtê-lo sem custos. Se quiser dar uns trocados ao Rik Schennink (desenvolvedor) em agradecimento, basta escolher o valor na mesma tela.
Hotlist / macOS / Gratuito.
Seguindo uma tradição da última sexta-feira de novembro, em 2023 a assinatura do Manual do Usuário continua custando o mesmo de sempre — a partir de R$ 9/mês ou R$ 99/ano.
Não existe desconto de Black Friday para a assinatura porque ela não tem natureza de consumo. A assinatura é um ato de generosidade feito para manter o projeto no ar. Daí não faz sentido “desconto de Black Friday”, né?
Se, em vez de apoiar o projeto, você estiver na pira de gastar, ou quiser fazer os dois, continue lendo.
Produtos com a marca do Manual estão com descontos para esta Black Friday. Aqui é desconto de verdade!
8qb6cdt3.A interação no grande post colaborativo do Órbita está frenética, com a tendência de acelerar nas próximas horas.
Se você conhece uma boa promoção ou está em busca de bons achados desinteressados, é um dos melhores lugares para garimpar.
O LineageOS, uma “ROM” alternativa do Android, está instalado em apenas 1,5 milhão de dispositivos. É uma gota no oceano de (no mínimo) 2,5 bilhões de dispositivos com esse sistema no mundo.
O projeto dá uma sobrevida a celulares antigos, mantendo-os atualizados e seguros mesmo após perderem o suporte da fabricante. É o tipo de solução que talvez não seja simples dentro de uma empresa, mas muito mais eficaz no combate à catástrofe climática do que… sei lá, tirar cabos e carregadores da caixa de celulares novos.
O velho Moto G7 Play que uso para testes parou de receber atualizações da Motorola em fevereiro de 2021, com o Android 10. Graças ao LineageOS, rodo nele o Android 13 com atualizações regulares de segurança — a mais recente foi liberada nesta quarta (22). Via 9to5Google (em inglês).
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Dos mesmos criadores do Procreate, foi lançado nesta quarta (22) o Procreate Dreams, um aplicativo de animação para iPadOS.
Segundo os desenvolvedores, o Dreams permite “criar animações envolventes desenhadas à mão, motion graphics e aprimorá-los com imagens, vídeos e som”.
A julgar pelo vídeo de apresentação, é como se o Procreate clássico tivesse ganho uma poderosa camada de edição de vídeo.
E para a alegria de quem se interessou, o Dreams também é uma compra única, sem assinatura.
Procreate Dreams / iPadOS / R$ 99,90.
Sam Altman está de volta ao comando da OpenAI. Seu retorno, anunciado na madrugada desta quarta (22), foi condicionado a mudanças no conselho (detalhes na Axios) e a uma investigação independente dos eventos ocorridos desde sexta (17).
Foi uma vitória do executivo de 38 anos, apesar dos mistérios que rondam o caso e do histórico controverso de Altman.
Na terça (21), o New York Times publicou um novo bastidor afirmando que a relação entre os diretores e Altman estava ruim havia um ano, e piorou com a popularidade do CEO.
Nesse intervalo, Altman teria tentado remover Helen Toner, da Universidade de Georgetown, por um paper crítico à OpenAI que ela publicou junto a outros pesquisadores.
É difícil tomar um lado nessa disputa, porque ambos parecem errados por motivos distintos. Altman representa o Vale do Silício, a ideologia californiana, o lucro acima de tudo e o culto à personalidade que, naquelas bandas, é invejado e desejado.
O (agora) antigo conselho, com suas conexões com o movimento do altruísmo eficaz e a abordagem fatalista da IA, não é muito melhor.
Dito isso, e para fugir um pouco da novela do fim de semana: qual é a do Altman?
O Washington Post jogou luz a um episódio grave de 2018 até então não reportado: a demissão de Altman da Y Combinator.
Em 2019, Paul Graham, fundador da incubadora, mentor de Altman e quem o colocou como CEO da Y Combinator em 2014, saiu de sua casa no Reino Unido e foi até São Francisco para demitir Altman pessoalmente.
Fontes familiares com o assunto disseram à reportagem do WaPo que Altman colocava seus interesses pessoais à frente dos da incubadora e tinha uma sede de poder insaciável.
Há rumores de que essa mesma questão apareceu na crise da OpenAI. Altman estaria capitalizando sua imagem para levantar investimentos no Oriente Médio e com o SoftBank/Masayoshi Son para criar uma nova startup de hardware com inteligência artificial.
Altman parece ser bom de conversa, capaz de vender gelo para esquimó, aquele tipo, que todo mundo conhece, que fala muito e fala bem.
Um pequeno perfil publicado pelo Financial Times na terça (21) tenta explicar a gênese do executivo-estrela.
Uma das fontes (anônima) da matéria resumiu assim:
“Seu super poder é trazer as pessoas para o seu lado, moldar narrativas, empurrar situações de modo que elas trabalhem a seu favor. Isso faz com que seja impossível supervisioná-lo.”
Quase todos os ~770 funcionários da OpenAI, incluindo o co-fundador e membro do conselho que articulou sua demissão, Ilya Sutskever, assinaram uma carta aberta pressionando o conselho para restabelecer Altman como CEO.
Uma das fontes do WaPo, que trabalhou junto a Altman, resumiu assim a personalidade dele:
“Sam vive no limite do que as outras pessoas são capazes de aceitar. Às vezes, ele vai longe demais.”
Via Washington Post, Financial Times, New York Times (em inglês).
Diversos relatos no Reddit acusam o Google de acrescentar um atraso artificial, de 5 segundos, ao site do YouTube quando aberto pelo Firefox.
Mudando o user-agent para o Chrome, ou seja, “enganando” o YouTube para que o site pense que o acesso é via Chrome, o atraso some.
Questionado pelo site 404 Media, o Google não negou o atraso, mas disse tratar-se de parte da investida contra bloqueadores de anúncios: “Usuários que têm bloqueadores de anúncios instalados podem experimentar um acesso aquém do ótimo, independentemente do navegador que estejam usando.”
Deve ser coincidência que apenas um navegador rival esteja apresentando o “acesso aquém do ótimo”.
Note que não é um problema generalizado, tal qual a blitz anti-bloqueadores de anúncios do Google. Eu tentei reproduzir o problema aqui, sem sucesso. A 404 Media e publicações especializadas em Android, como o Android Authority, também não.
Em nota relacionada, o Google retomou o cronograma do novo formato para extensões do Chrome, chamado Manifest V3, que deve enfraquecer as que bloqueiam anúncios.
A partir de junho de 2024, versões de testes do Chrome trarão a novidade. Nos meses seguintes, a depender dos “dados” obtidos nas versões de testes, o Manifest V3 chegará à versão estável.
Quem usa bloqueadores de anúncios no Chrome terá suas extensões desativadas, caso elas não tenham sido adaptadas, ou convertidas para versões mais simples, adequadas ao Manifest V3.
Talvez seja um bom momento para dar outra/uma nova chance ao Firefox. Ele já é o navegador recomendado pelo uBlock Origin, a melhor extensão de bloqueio de anúncios, e, em breve, essa distinção ficará ainda maior.
(O Firefox adotará o Manifest V3 para fins de compatibilidade, só que sem os limites arbitrários que limitam bloqueadores de anúncios que o Google adotou.) Via 404 Media, Ars Technica (em inglês).
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Alguns anos atrás, foi moda a categoria de aplicativos “CRM pessoal”, que pega a ideia do CRM corporativo (gerenciador de relacionamentos) e a adapta às nossas relações pessoais.
O app Clay é um que surgiu naquela onda. Nessa semana, o app chegou à versão 2.0 com uma nova-velha abordagem: o mundo corporativo, com uma versão para equipes. De quebra, ganhou um banho de loja e tornou o plano pessoal gratuito (limitado a 1 mil contatos).
Com o Clay, é possível puxar interações do e-mail e de redes sociais, registrar detalhes, eventos (como aniversários) e encontros com contatos e definir lembretes para não passar muito tempo sem dar um alô às pessoas que importam em sua vida.
A empresa garante que dados de conexões e outras informações do usuário são criptografadas de ponta a ponta (política de privacidade, em inglês).
Clay / iOS, macOS, web e Windows / Gratuito (uso pessoal).
Google e Meta anunciaram que, em 2024, o backup do WhatsApp em celulares Android passará a contar no espaço gasto na conta Google — no plano gratuito, de 15 GB. Imagino que muita gente vai ingressar no meu movimento de um digital mais efêmero sem ao menos saber. Via Central de ajuda do WhatsApp.
Para muita gente, o Mastodon foi uma promessa que não se realizou. Em novembro de 2022, quando o desmonte do Twitter começou, o Mastodon era a solução perfeita: estava pronto, era só pegar e usar.
Eu já usava o Mastodon havia três anos àquela altura. Fiquei empolgado com a perspectiva de uma migração em massa. Ela aconteceu, ainda que menor do que poderia ter sido e sem efeitos duradouros.
Eu poderia apostar que, até o fim do ano, a Netflix ou algum outro streaming comprará os direitos da novela da demissão de Sam Altman da OpenAI (partes 1 e 2).
Nesta segunda (21), Ilya Sutskever, membro do conselho apontado como principal articulador do complô para derrubar Altman, disse estar arrependido e assinou uma carta aberta, junto a +90% dos ~700 funcionários da OpenAI, chamando o conselho de incompetente e dando um ultimato: ou restabelecem Altman e pulam fora, ou vão todos trabalhar na Microsoft.
Todo mundo erra, mas é raro ver alguém classificar o seu eu de três dias atrás de um completo idiota.
De seu lado, a situação de Altman e Greg Brockman, que parecia resolvida, ainda não está. A dupla não descarta voltar à OpenAI, ou seja, ainda não fecharam com a Microsoft.
Em meio a tudo isso, tentei mudar o foco e pensar nas consequências em vez de seguir mergulhado no drama. O que muda? E para quem?

Autointitulado “o melhor gerenciador de área de transferência para Windows”, o Pasteboard parece bem legal. (Se é o melhor, deixo em aberto.)
Um gerenciador de área de transferência salva e permite recuperar tudo que é copiado na memória com o famoso Ctrl + C.
Como o Windows 10/11 já traz esse recurso, o Pasteboard oferece alguns extras, como uma barra visual ao ser invocado (com Ctrl + Shift + V), pesquisa pelo conteúdo salvo, possibilidade de afixar itens recorrentes e até renomeá-los. Lembra o Paste, do macOS.
O Pasteboard é gratuito e sempre será. Quando os aplicativos para celulares chegarem, porém, é bem provável que haja uma cobrança para a sincronia sem fios entre computadores e celulares.
Pasteboard / Windows 10/11 / Gratuito. Download (Microsoft) », Download (Gumroad) ».
O Dicionário de Cambridge elegeu o verbo “alucinar” a palavra do ano. No caso, a nova definição usada no contexto da inteligência artificial: “Quando uma inteligência artificial alucina, ela produz informações falsas.” Via Universidade de Cambridge (2) (em inglês).
O fim de semana pareceu um episódio de Succession na OpenAI, com tentativas de restabelecer Sam Altman como CEO, de derrubar o conselho que o demitiu na sexta (17) e uma interferência forte da Microsoft, maior financiadora da startup e dona de quase 50% do braço comercial da OpenAI, pega de surpresa pela demissão do executivo.
No fim, o conselho prevaleceu e apontou um novo CEO (Emmett Shear, co-fundador e ex-CEO da Twitch), e a Microsoft levou Altman, Greg Brockman (co-fundador e ex-presidente da OpenAI) e “colegas”, para “liderarem uma nova equipe de pesquisa em IA avançada” dentro da empresa. Satya Nadella, CEO da Microsoft, disse ainda que sua empresa segue comprometida com a OpenAI. Via @satyanadella/LinkedIn, The Verge (em inglês).
Atualização (11h): A versão original desta nota afirmava que a Microsoft detém quase 50% da OpenAI. Na real, ela detém quase 50% do braço comercial, com intuito de lucro, da OpenAI. (A estrutura corporativa da OpenAI é uma salada.) Perdão pelo deslize!
Apple, Comcast, Disney, IBM, Lionsgate, Oracle, Paramount Global, União Europeia, Warner Bros Discovery suspenderam a veiculação de anúncios no Twitter (ou X) porque o dono, Elon Musk, demonstrou (no mínimo) simpatia ao antissemitismo e ao supremacismo branco em interações na plataforma.
Quando empresas desse calibre acham que um lugar é radioativo a ponto de quererem distância, talvez seja o momento de você, de nós procurarmos outro canto para passar o tempo na internet… Via Axios, Associated Press, New York Times, CNBC (em inglês).