Quando a tela do notebook da designer Therry Lee queimou, ela recorreu a um técnico para consertá-la. Ele arrumou a tela, mas abusou da confiança e boa-fé dela para acessar fotos e vídeos pessoais de Therry.

No fio em que compartilha essa história de terror, Therry explica como descobriu o acesso indevido e dá algumas dicas gerais. O ponto crítico da situação é este aqui: “Ele me pediu a senha do notebook (13h01) para instalar drivers necessários da tela, eu dei (sim, eu dei, eu confiei, eu acreditei como qualquer um).”

Nunca, jamais, em hipótese alguma forneça a senha do seu computador ou celular a terceiros. Quando tiver que levar o computador à assistência, certifique-se de que o disco esteja criptografado. Caso a assistência exija acesso ao computador (para instalar algo ou rodar testes), faça backup, formate-o e entregue ele seu os seus dados.

Nem sempre isso é possível ou fácil. Em um notebook com a tela quebrada, como no caso da Therry, seria necessário um monitor (ou TV) e um cabo HDMI para conectá-lo e fazer esse ajuste. O que não invalida a recomendação de nunca, jamais, em hipótese alguma fornecer a senha do computador ou celular para quem quer que seja. Via @therrylee/Twitter.

Atualização (4/6/2022): A versão original desta nota orientava o(a) leitor(a) a criar outro usuário administrador no computador para entregá-lo à assistência técnica. Conforme apontado nos comentários, essa orientação pode não ser suficiente, a depender do nível técnico da assistência e de outras configurações do computador, para impedir o acesso não autorizado aos arquivos. A orientação foi alterada para uma mais rígida e segura.

O YouTube expandiu suas regras contra desinformação médica na plataforma. A partir de agora, serão removidos vídeos “com alegações falsas de que vacinas aprovadas são perigosas, causam danos crônicos à saúde e não reduzem as chances de transmitir/contrair doenças ou conteúdo com desinformação sobre as substâncias contidas nesses imunizantes”. As novas diretrizes se aplicam a todas as vacinas aprovadas e consideradas seguras pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Elas são retroativas, ou seja, atingem vídeos antigos, mas deve levar algum tempo para que surtam efeito em toda a plataforma. Via YouTube.

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.

A Amazon anunciou um punhado de novos produtos em um evento nesta terça (28). O principal foi o robô doméstico Astro — parece um aspirador de pó, mas ele não tem essa habilidade. O Astro faz vários truques comuns da Alexa (seu “rosto” é um Echo Show 10 colado em uma base com rodas, motores, câmeras e sensores). Sua velocidade é de até 1 metro por segundo e ele tem uma câmera do tipo periscópio e um pequeno compartimento de cargas na parte de trás. A própria Amazon admite que o Astro ainda é meio inútil, mas acredita que esse tipo de produto será comum nas casas norte-americanas dentro de uma década, por isso aposta nele desde já. Via Amazon (em inglês), The Verge (em inglês).

Quase ao mesmo tempo em que a Amazon falava do Astro, a Vice publicava documentos internos vazados da empresa em que engenheiros questionam a precisão da identificação de rostos do Astro e criticam a fragilidade do hardware e a “inteligência” do produto. Sem surpresa, um deles, que trabalhou no projeto, definiu o Astro como “um pesadelo de privacidade”. O privilégio de colocar um robô da Amazon que te persegue dentro de casa custa US$ 999 lá fora, apenas para “convidados”. Via Vice (em inglês).

De todas as bugigangas anunciadas, duas chegarão ao Brasil e já tiveram seus preços locais revelados: a segunda geração do Echo Show 81 (R$ 999, lançamento em 7 de outubro) e o novo Echo Show 151 (R$ 1.899, sem data de lançamento), uma espécie de monitor/quadro digital de 15,6″.

  1. Ao comprar por este link, o Manual do Usuário ganha uma comissão. O preço que você paga não se altera. De qualquer forma, o Manual do Usuário desaconselha a aquisição de quaisquer produtos com Alexa.

O Facebook anunciou um fundo de US$ 50 milhões para investir em iniciativas do “metaverso”. O dinheiro será gasto ao longo de dois anos em “programas e pesquisa externa para nos ajudar nesse esforço”. Esse valor representa 0,03% da receita do Facebook nos anos de 2019 e 2020 somados.

No anúncio, assinado por Andrew Bosworth, vice-presidente do laboratório de realidades do Facebook, e Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais, mais uma vez o Facebook tenta explicar o que é esse tal de metaverso: “Um conjunto de espaços virtuais onde você pode criar e explorar com outras pessoas que não está no mesmo espaço físico que você”. E também o que ele não é: “[…] não é um produto único que uma empresa possa criar sozinha. Assim como a internet, o metaverso existe esteja o Facebook lá ou não.” Por que o Facebook deveria estar envolvido ou liderando isso é uma pergunta que fica no ar.

Andrew e Nick ainda dizem que o Facebook está criando o metaverso “com responsabilidade”, o que, a julgar pelo histórico desastroso da empresa neste universo, é uma afirmação no mínimo difícil de confiar neste momento.

Alguém mais cínico poderia dizer que toda essa história de metaverso é mero diversionismo para tirar o foco dos escândalos em série em que o Facebook está envolvido desde 2016 e aliviar a pressão em Mark Zuckerberg e Sheryl Sandberg. Talvez seja isso mesmo — se for e der certo, vai sair barato. Via Facebook (em inglês).

Nesta segunda (27), o TikTok anunciou ter alcançado a marca de 1 bilhão de usuários ativos mensais (MAUs, na sigla em inglês; a métrica é padrão para mensurar usuários em redes sociais).

É o primeiro aplicativo criado por outra empresa que não Facebook e Google a atingir essa marca. E dos mais rápidos: levou apenas 5 anos.

Para contexto, o Facebook demorou 8 anos para chegar a 1 bilhão de usuários. Foi em 2012 e, de lá para cá, a empresa de Mark Zuckerberg mais que dobrou esse número. Via TikTok (em inglês).

O Facebook acredita que o Instagram Kids, versão da rede social para menores de 13 anos que estava desenvolvendo, é uma boa ideia, mas decidiu suspendê-la para trabalhar com pais, especialistas e legisladores a fim de demonstrar o valor e a necessidade do produto. Segundo Adam Mosseri, head do Instagram, as crianças já estão conectadas, então é melhor construir experiências adequadas à idade em vez de deixá-las usar as versões “para adultos”. Via Instagram (em inglês).

Estranha essa lógica da inevitabilidade. Crianças adoram açúcar e, se deixássemos por conta delas, comeriam açúcar o dia inteiro. Não significa, porém, que liberar açúcar seja a saída, muito menos que deixar a distribuição de açúcar às Nestlé da vida seja uma boa ideia. Mosseri escreve que o YouTube e o TikTok têm versões para menores de 13 anos como se isso validasse seu argumento. É como se em vez da Nestlé, a dieta das crianças ficasse sob os cuidados de Nestlé, Mondelez e Ferrero.

E, convenhamos: de todas as empresas do mundo, por que alguém confiaria justamente no Facebook para isso? A mesma empresa que, sabendo que 1/3 das meninas adolescentes que usam o Instagram desenvolvem problemas com a própria imagem, fez o que pode para ocultar esse resultado dos seus próprios funcionários e do mundo externo?

Sobre essa pesquisa, a propósito, saiu outro post oficial, esse assinado por Pratiti Raychoudhury, VP e head de pesquisa do Facebook, rebatendo a reportagem do Wall Street Journal que revelou os estragos causados pelo Instagram ao público menor de idade. Ele traz algumas correções pontuais — algumas parecem coerentes, outras, forçadas. A pesquisa e os slides que a reportagem do WSJ viu não foram divulgados, o que deixa uma nuvem espessa de incertezas sobre as alegações do Facebook. Se para qualquer empresa a divulgação da íntegra desse material seria o mínimo, imagine para o Facebook? Via Facebook (em inglês).

O iFood inovou e lançou o primeiro simulador de emprego precarizado do mercado. A experiência funciona dentro de um servidor brasileiro do jogo GTA V, o Cidade Alta. Nela, o jogador assume o papel de um entregador e pode receber cupons em troca do trabalho — de dinheirinho virtual e de dinheiro de verdade, para usar no app do iFood.

Segundo Paulo Benetti, CEO da Outplay, dona do servidor onde a dinâmica do iFood acontece, “as experiências e os desafios são muito similares ao dia a dia de um entregador da vida real”. Curioso para saber se o entregador virtual passa fome caso sofra um acidente e fique impossibilitado de trabalhar, se ele pode ser desligado a qualquer momento sem explicações ou se tem que fazer mais horas com o tempo porque o valor das entregas vai minguando na medida em que mais entregadores são recrutados. Via Canaltech.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou o edital e marcou a data do leilão do 5G para dia 4 de novembro. O Ministério das Comunicações espera que todas as capitais tenham suas redes 5G instaladas até julho de 2022. Via O Globo.

Na condição de alguém que não lê o Twitter pelos apps oficiais, às vezes me choca o estado lastimável da experiência que eles proporcional. Nesta semana, o Twitter prometeu atacar um problema crônico: impedir que a timeline atualize e tire de foco o post que o(a) usuário(a) está lendo.

A rede social reconheceu o óbvio, que essa “é uma experiência frustrante”, mas aparentemente não é tão simples manter menos de 280 caracteres parados na tela por tempo suficiente para que alguém consiga lê-los: “Nos próximos dois meses, liberaremos atualizações da maneira como mostramos tuítes a você de modo que eles não desapareçam.” Obrigado? Via @TwitterSupport/Twitter (em inglês).

O Twitter expandiu o recurso de gorjetas (no Brasil, traduzido como “bonificações”). Agora, é possível incluir um botão no perfil que leva os seguidores a um dos parceiros do Twitter que fazem efetivamente a transação. No Brasil, o Twitter firmou parceria com o PicPay. Também é possível enviar/receber pagamentos em bitcoin. Por ora, a configuração e o envio de bonificações só estão disponíveis no aplicativo para iOS. Via Twitter, Ajuda do Twitter.

A Comissão Europeia (CE) apresentou, nesta quinta (23), uma proposta de padronização de conectores de recarga em celulares e outros dispositivos eletrônicos. Com o objetivo de reduzir a produção de lixo eletrônico e inconveniências aos consumidores, o bloco europeu quer obrigar as fabricantes a adotarem um padrão, o USB-C, a partir de 2024. No caso dos celulares, a maioria já usa o USB-C, com uma notável exceção, a Apple, que há quase uma década usa o conector Lightning em seu iPhone e alguns acessórios, como os AirPods.

A proposta da CE, válida para diversas categorias de produtos (tablets, câmeras, fones de ouvido etc.), ainda prevê a interoperabilidade entre padrões de recarga rápida, a quebra da venda de carregadores dos produtos que eles recarregam e mais informações aos consumidores. Via Comissão Europeia.

A Apple não pareceu animada com a proposta. Em um comunicado enviado à Reuters, a empresa disse que “segue preocupada que regulações rígidas que obrigam apenas um tipo de conector inibem a inovação em vez de encorajá-la, o que acabará prejudicando os consumidores na Europa e no mundo inteiro”. Via Reuters (em inglês).

Na China, a ByteDance, dona do TikTok, estabeleceu limites severos de tempo de uso para usuários com menos de 14 anos do Douyin, versão chinesa do TikTok. As crianças de lá só poderão usar a rede social 40 minutos por dia, entre 6h e 22h.

A China está em uma cruzada contra o vício infantil em celulares e internet. Desde 2019, uma diretriz governamental limita o tempo diário que menores de 18 anos podem passar jogando video game.

Em agosto de 2021, a janela de permissão foi revista e agora os chineses menores de idade só podem jogar entre as 20h e 21h das sextas-feiras, fins de semana e feriados.

O problema, com video games e com o Douyin, é como garantir a aplicabilidade das restrições. Se para nós, adultos, não é difícil imaginar formas de burlá-las, imagine para os inventivos adolescentes? Via South China Morning Post (em inglês).

O Chrome 94, lançado nesta terça (21), trouxe suporte a uma API de detecção de ociosidade. Segundo um site do Google, essa API “notifica os desenvolvedores quando um usuário está ocioso, indicando coisas como falta de interação com o teclado, mouse, tela ativação de um protetor de tela, bloqueio da tela ou alternância para uma tela diferente”. Via The Register (em inglês).

O que pode dar errado?

Apple e Mozilla rejeitaram formalmente adotarem a API de detecção de ociosidade. Em julho, Tantek Çelik, líder de padrões web da Mozilla, explicou a decisão da dona do Firefox: “Da maneira como especificada atualmente, consider a API de detecção de ociosidade muito tentadora enquanto uma oportunidade para sites motivados pelo capitalismo de vigilância para invadir um aspecto da privacidade física do usuário.”

Toda quinta, na newsletter do Manual (cadastre-se gratuitamente), indico leituras longas/de fôlego (artigos, reportagens, ensaios) publicadas em outros sites.

Seria o máximo se esse trabalho fosse colaborativo, feito com a sua ajuda.

Indique nos comentários uma leitura longa da última semana, relacionada aos temas que costumam aparecer aqui no site, que você acha que deveria ser lida por mais gente. Vale em português ou inglês.