Reddit e a rede social de Trump: as próximas “meme stocks”?

Não é de todo estranho que empresas recém-listadas na bolsa percam valor de mercado após a euforia inicial. Os casos de Reddit (RDDT, na NYSE) e Truth Social (DJT, na Nasdaq), porém, parecem atípicos.

O Reddit passou 18 anos crescendo em cima do trabalho voluntário dos usuários e, ainda assim, incapaz de gerar receita significativa, mas jura de pés juntos que agora vai. Acredita quem quiser.

O caso do Trump Media & Technology Group, empresa que detém a rede social do ex-presidente estadunidense Donald Trump, Truth Social, e abriu capital via SPAC (estamos em 2021?), é ainda mais pitoresco. Criada em cima de uma versão defasada do código do Mastodon, apresenta números constrangedores e o controle acionário está nas mãos de Trump, que detém +57% das ações.

O papel chegou a valer US$ 13,5 bilhões na quinta (28/3), impulsionado por pequenos investidores de lugares como o r/WallStreetBets, um grupo de zoeira financeira do Reddit.

O Financial Times questiona se as duas ações são as novas “meme stocks” — uma piada de 2021 que, como toda piada repetida, já perdeu a graça. Via Financial Times [sem paywall] (em inglês).

O Manual do Usuário e o Órbita estão de volta às redes sociais e aplicativos de mensagens. Dê uma olhada na página de canais sociais para saber em quais. Tem uma novidade: um perfil automatizado no Bluesky.

O experimento foi bom, mas os lembretes periódicos em plataformas externas fizeram falta. Em breve trarei o relato completo, com ~dados, do período.

Aegis Authenticator 3 ganha novo visual

O Aegis Authenticator, ótima opção para Android de aplicativo TOTP (gerador de códigos de segundo fator de autenticação), chegou à versão 3 com um banho de loja.

Além do novo visual, adaptado ao Material You/Material 3 do Google, o Aegis 3.0 vem com alguns novos truques na manga muito úteis, como seleção em lote e atribuição automática de ícones às entradas.

Os desenvolvedores prometem, ainda, melhorias no desempenho, maior objetividade na importação e becape e correções de bugs.

O aplicativo ainda não foi atualizado no F-Droid, mas deve ser questão de tempo para isso acontecer. (E o site oficial ainda está com prints da versão antiga. Vamos atualizar isso aí, gente!)

Aegis Authenticator 3 / Android / Gratuito

Download (Google Play) »

Gerador de avatares feios

Precisando de um avatar feio? Xuan Tang fez este gerador de avatares feios. (Ele tem outros projetos malucos.) Dica do Rodrigo no nosso grupo no Telegram.

Como bloquear o Threads no Mastodon

Agora que o Threads começou a federar com o fediverso (ainda de modo capenga), chegou a hora dos incomodados bloquearem a instância da Meta.

No Mastodon, dá para bloquear um domínio/instância inteiro apenas em sua conta, independentemente de quem administra a instância. (Por outro lado, uma instância bloqueada pelo administrador não pode ser liberada por um usuário desta.)

Se a sua instância não bloqueou o threads.net e você deseja fazer isso, siga estes passos:

  • Acesse um perfil de alguém de lá, como o do Zuckerberg (coloque @zuck@threads.net na busca);
  • Clique no ícone das reticências, no topo da tela; e,
  • No menu que se abre, clique em Bloquear domínio threads.net.

Caso se arrependa, é só seguir o mesmo caminho para desfazer o bloqueio. As relações anteriores ao rompimento (quem você seguia e quem te seguia), porém, não voltam automaticamente.

Atualização (10h40): Uma opção melhor para gerenciar instâncias bloqueadas é abrir o seu próprio perfil, tocara no botão de reticências () e, em seguida, em Domínios bloqueados. Obrigado pela dica, João!

Esta entra para o rol das piores ideias em segurança digital: o Telegram está oferecendo assinaturas pagas em troca de poder enviar SMS de login (segundo fator de autenticação) a partir dos números dos usuários. Não se sabe em que países isso está ativo, só que é exclusivo do Android. De qualquer forma, se aparecer essa “oferta”, ignore — os riscos são enormes. Via @AssembleDebug/X (em inglês).

Em 2023, a Adobe tentou comprar o Canva por ~US$ 20 bilhões. Pressões regulatórias melaram o negócio. Nesta terça (26), o Canva anunciou a compra da Serif, empresa dona da suíte de aplicativos Affinity, uma das melhores alternativas aos aplicativos clássicos da… Adobe. O valor do negócio não foi divulgado, mas um executivo do Canva disse à Bloomberg que foi na casa de “várias centenas de milhões de libras” (a Serif é baseada na Inglaterra), em uma mistura de dinheiro e ações.

O mundo não dá voltas, o mundo capota.

Uma das perguntas imediatas é se o modelo de negócio dos apps Affinity, que é de compra única, mudará sob a direção do Canva, que trabalha com assinaturas. Segundo uma seção de perguntas e respostas no site da Affinity, “não há mudanças planejadas no momento”. As palavras-chaves são “no momento”. Via Canva e Bloomberg/Yahoo (ambos em inglês).

Mastoot, o app de Mastodon simples que eu sempre quis

Ícone do Mastoot: elefante branco, de perfil, contra fundo roxo.

Eu não quero muita coisa de um aplicativo do Mastodon: apenas que ele seja leve, estável, sem muita invencionice e agradável de usar.

Por algum motivo que não sei, até hoje não havia testado o Mastoot. (Suspeito que o confundia com o Mast, que achei horrível; o pessoal precisa pensar em uns nomes mais originais.)

Dia desses, de bobeira, baixei o Mastoot e gostei muito do que vi. Tanto que substituí o app oficial do Mastodon por ele.

O Mastoot, desenvolvido por Bei Li, é simples de tudo. Não tem recursos avançados nem é muito personalizável — dá para trocar o ícone e a cor de destaque e personalizar a ordem das ações ao deslizar o dedo lateralmente. E só.

Por outro lado, o app é uma delícia de usar por ter todas as características que citei ali em cima. Ah, e é gratuito.

Mastoot / iOS, iPadOS / Gratuito

Download »

Leis de privacidade não são culpadas pelos popups de cookies que poluem sites

A Wired analisou os 10 mil sites mais populares e descobriu que muitos deles compartilham dados dos visitantes com +1 empresas.

Isso não é novidade para quem presta atenção naqueles alertas/popups de cookies. (Ou lê este Manual.) O que me chamou a atenção foi o motivo de agora sabermos o número de empresas com quem os sites compartilham dados. De lá:

Em novembro de 2023, a IAB Europe atualizou seu Framework de Transparência e Consentimento em resposta a decisões judiciais dizendo que não estava em conformidade com o GDPR [lei de proteção de dados pessoais] da Europa, para incluir a disposição de que as empresas devem divulgar com quantos parceiros estão compartilhando dados do usuário nas páginas iniciais de seus sites. Townsend Feehan, CEO da IAB Europe, diz que a atualização “inclui uma série de iterações significativas”, que fornecem às pessoas mais informações sobre quais dados podem ser compartilhados e incluem mudanças como disponibilizar uma opção de “rejeitar tudo” com destaque.

Os popups de cookies são odiados por todos, e muita gente culpa a União Europeia e o GDPR por essa praga na web.

O pulo do gato é que o GDPR só menciona a palavra “cookie” uma vez, e num contexto exemplificativo. Os popups de consentimento são uma gambiarra incômoda criada por uma indústria viciada em espionar leitores/usuários — tão viciada que não sabe trabalhar de outro jeito. Este texto (em inglês) explica o dilema. (Não sou especialista em direito europeu, logo não posso garantir a acurácia jurídica das informações.)

Sabe por que o Manual não mostra um popup pedindo consentimento para usar cookies? Porque não compartilho os dados (poucos, nenhum pessoal ou identificável) coletados quando você acessa este site. O problema não é o GDPR nem os cookies.

O Bloco de Notas deve ser um dos aplicativos mais usados no Windows e, ainda assim, carece de recursos básicos. Só agora o app está ganhando verificação ortográfica e corretor automático. (Um dia, talvez, alguém dentro da Microsoft resolva arrumar o “desfazer” horrível do Bloco de Notas.) Por enquanto, apenas nas versões de testes do Windows 11. Via Microsoft (em inglês).

Atualização (23/3, às 7h40): Aparentemente, o comportamento esquisito do “desfazer” no Bloco de Notas foi corrigido. Obrigado ao Rodrigo Teixeira Dias e Marcellus, que trouxeram a boa nova nos comentários.

E-mail em texto puro

Em meados dos anos 1990, uma guerra foi travada nas caixas de e-mail de quem já estava online. Foi nessa época que o e-mail em HTML chegou, criando discussões acaloradas em BBSs, listas de e-mail e canais de IRC.

É bem provável que a maioria — talvez, você — não saiba do que estou falando. Voltemos uma casa, para ficarmos todos na mesma página.

(mais…)

Interfaces para o coração partido

Em dezembro de 2022, a designer Marie Spreitzer terminou um relacionamento. Para lidar com seus sentimentos, fez este exercício com interfaces de aplicativos que ela usa no dia a dia.

Você verá diferentes explorações de como as interfaces para o coração partido poderiam parecer. Adicionando um toque de comentário social e muitos sentimentos, estou tentando representar meu mundo emocional neste momento.

EUA acusam Apple de monopolizar mercado de celulares

Estou lendo a acusação do Departamento de Justiça e 17 estados estadunidenses contra a Apple, por monopólio do mercado de celulares. (Íntegra aqui, *.pdf, em inglês.) Eles acusam a Apple de práticas anticompetitivas no mercado de celulares que levam ao aumento de preços e maior dificuldade aos consumidores para trocarem de aparelhos e ecossistema.

Numa primeira leitura incompleta (~2/3), sinto que a falta de foco nas acusações enfraquece o argumento contra a empresa. Há áreas em que ele é forte, como a restrição a partes do sistema (“tap to pay”, envio/recebimento de SMS), mas outras meio estranhas, como a dos “super apps” (uma panaceia no Ocidente, mas que só funciona na China — talvez pela sabotagem continuada da Apple a apps do tipo?) e superadas (restrição a apps que fazem streaming de jogos da nuvem, que caiu em fevereiro).

Um trecho saboroso é um em que os procuradores resgatam críticas de Steve Jobs feitas à Microsoft em 1998. O então CEO da Apple criticava o monopólio da rival e suas “táticas sujas” para atingir a Apple. A acusação também atribui ao processo antitruste contra a Microsoft a abertura aproveitada pela Apple para deslanchar o iPod e o iTunes às custas da compatibilidade com o Windows.