E-books gratuitos da editora A Book Apart

Em março, a A Book Apart, editora de livros técnicos de desenvolvimento na web, fechou e devolveu os direitos de publicação dos +60 títulos que publicava aos respectivos autores. / abookapart.com (em inglês)

Alguns decidiram liberar suas obras gratuitamente, como Tim Brown (Flexible typesetting), Jeremy Keith (Going offline), Ethan Marcotte (Responsive web design) e Erin Kissane (Elements of content strategy). Será que outros autores seguiram esse caminho? Se souber, avise nos comentários.

O Wantu achou mais livros distribuídos de graça pelos autores e publicou a lista no site dele.

Sobre editores de texto, Markdown e simplicidade

Um dos pequenos prazeres que tenho no meu trabalho com a escrita é não depender de um ou outro editor de texto. Escrevo em texto puro, formatado em Markdown e publico em HTML — em outras palavras, não preciso usar um editor visual como o Word ou o do Medium.

Por isso, faz muito tempo que uso e aprecio a simplicidade do Editor de Texto (TextEdit.app), o “Bloco de Notas” do macOS. Usasse Linux, estaria igualmente bem servido por aplicativos similares, como o homônimo do Gnome, o Gedit e o KWrite.

Tamanha satisfação não me blinda de experimentar alternativas. Até hoje, porém, nenhuma me convenceu a abrir mão da leveza e simplicidade do TextEdit.app.

O MarkEdit, que descobri recentemente, foi o que chegou mais perto de me ganhar.

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Dados de 1 milhão de posts do Bluesky são usados para treinar IAs

No último dia 15, o perfil oficial do Bluesky disse que “não usamos seu conteúdo para treinar IAs generativas e não temos a intenção de usá-lo”. / @bsky.app/Bluesky (em inglês)

Na noite desta terça (26), Daniel van Strien, funcionário da Hugging Face, uma espécie de marketplace de grandes modelos de linguagem (LLM), disponibilizou um conjunto de dados composto por 1 milhão de posts coletados da API do Bluesky. Ops! / @danielvanstrien.bsky.social@bsky.app, huggingface.co (ambos em inglês)

O protocolo AT, base do Bluesky, é completamente público. É por isso que ainda não é possível “trancar” um perfil. Tudo — posts, curtidas, RTs, quem segue quem — é disponibilizado em tempo real por uma API que eles chamam de “firehose”, ou mangueira de incêndio, em referência à alta vazão de dados que passa por ali.

Isso não é ruim. É graças a essa API que se pode criar aplicações criativas, análises jornalísticas e científicas e toda a sorte de coisas legais. E nem tão legais, como o conjunto de dados para treinar IAs.

Diante da repercussão, van Strien removeu o conjunto de dados do Bluesky da Hugging Face. Antes disso, o pacote estava entre os mais baixados da plataforma, ou seja, apesar de ter sido rápido, a remoção pode ter ocorrido tarde demais. / @danielvanstrien.bsky.social@bsky.app (em inglês)

O perfil do Bluesky também se manifestou. Disse que “é uma rede pública e aberta, como sites na internet”, e que estão analisando a inclusão de uma opção que permita aos usuários sinalizarem que não consentem com o uso de seus dados para o treinamento de IAs, como o famigerado robots.txt em sites. O que não garantiria qualquer coisa, visto que o robots.txt e uma opção similar no Bluesky não têm qualquer peso jurídico nem eficiência técnica. / @bsky.app@bsky.app (em inglês)

Isso não é exclusivo do Bluesky. A diferença é que outras empresas do setor fecharam suas APIs nos últimos anos para cobrarem (caro) por ela, casos do Reddit e do X, por exemplo.

Em qualquer lugar, mas ainda mais naqueles onde um terceiro controla seus dados e que não ofereça criptografia de ponta a ponta, é boa ideia considerar que tudo que for publicado, em público ou não, pode ser acessado por pessoas indesejadas em algum momento.

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Ainda no departamento das dores de crescimento do Bluesky, na segunda (25), a União Europeia deu um puxão de orelha na startup pela falta de uma página em seu site informando o número de usuários que residem no bloco e onde fica sua sede.

O Bluesky ainda está longe do piso para ser considerado uma “plataforma muito grande” segundo o Regulamento dos Serviços Digitais (DSA, na sigla em inglês). A obrigação de expor as informações acima, porém, vale para todas as empresas que atuam na UE, disse o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, ao Financial Times. / ft.com (em inglês)

Saiu o elementary OS 8, distro Linux voltada a consumidores finais com uma pegada meio macOS. A nova versão traz suporte ao Wayland (ali chamado de “Sessão Segura”; não é o padrão, porém), melhor suporte a Flatpaks, Dock refeita e outras mudanças menores. / blog.elementary.io (em inglês)

Marreta, novo quebrador de paywalls do PC do Manual, está no ar

O PC do Manual, nosso servidor de aplicações de código aberto, ganhou um novo serviço: o quebrador de paywalls Marreta.

O Marreta substitui o antigo Parede, que era baseado em um projeto pronto, o Ladder. (O novo nome faz mais sentido, né?) Desenvolvido pelo Renan Altendorf, traz mais recursos, é mais informativo e está em desenvolvimento ativo e acelerado.

“Embora o Ladder seja uma alternativa open source interessante, senti a necessidade de explorar soluções em uma linguagem de programação que que tivesse mais confortável”, diz Renan. “Além disso, estava em uma fase de aprendizado com projetos como o Lerama e o Sintoniza, que me inspiraram a criar novas abordagens para resolver desafios similares.”

O Marreta é uma aplicação em PHP. Segundo seu criador, ela “faz uma requisição nos sites simulando alguns bots, com headers específicos, DNS, user agents — o mais próximo de um usuário comum — e, em seguida, guarda todo o código HTML original dessa pagina de forma compactada”. Algumas dessas palavras não estão na Bíblia, mas funciona!

Ele continua: “Ao acessar a página, existe um sistema de regras globais e específicas por domínios que remove elementos, scripts, classes, IDs e até mesmo escreve novos códigos personalizados.”

O mais importante é que funciona lindamente.

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Decisão do Cade equipara App Store brasileira à da União Europeia

O Cade, em decisão preliminar de um processo movido pelo Mercado Livre contra a Apple, em 2022, determinou uma série de medidas que quebram os monopólios da distribuição e das compras dentro de apps da Apple no iOS e iPadOS. / gov.br

A notícia veiculada primeiro pela agência Reuters cita apenas que a Apple está obrigada a, em até 20 dias, permitir a compra de serviços ou produtos fora de apps (ou seja, publicizar links para seus próprios sites) e a permitir o uso de opções alternativas de pagamentos dentro de apps. / reuters.com

A pena pelo não cumprimento das determinações é de multa de R$ 250 mil por dia.

A notificação do Cade lista uma medida mais profundas: a distribuição de apps por lojas alternativas e via download direto (“sideloading”) (cláusula 5, I, d), equiparando o cenário brasileiro ao europeu. / sei.cade.gov.br

O TechCrunch lembra que decisões similares já foram ou serão impostas na Europa, Japão, Coreia do Sul e Estados Unidos. Em cada um desses casos, a Apple instituiu regras específicas restritas às jurisdições. / techcrunch.com (em inglês)

Quantos países mais precisarão obrigar a Apple a ajustar as regras da App Store para que a empresa as mude no mundo inteiro?

Dados de “Pokémon Go” são usados para treinar IA de geolocalização

por Manual do Usuário

Se existe uma certeza na tecnologia em 2024, é que todo dado será extraído e usado para treinar inteligências artificiais. Nem o simpático Pokémon Go escapa a essa regra. / gamerant.com

A Niantic, dona do jogo, criou um “grande modelo geoespacial (LGM, na sigla em inglês, em alusão aos LLMs) com base em imagens vindas do seu “Sistema de Posicionamento Visual (VPS).

Um recurso chamado “Pokémon Playground”, que cria espaços no mundo real compartilhados pelos jogadores de Pokémon Go para deixarem bichinhos a fim de serem fotografados, serviu de isca para induzir as pessoas a alimentarem o VPS. / nianticlabs.com (em inglês)

A Niantic se defendeu dizendo que a varredura dos locais era completamente opcional e que apenas andar por aí com o jogo aberto não ajuda a treinar um modelo de IA. Ufa!

Segundo a empresa,

O LGM permitirá que os computadores não apenas percebam e entendam espaços físicos, mas também interajam com eles de novas maneiras, formando um componente crítico de óculos de realidade aumentada e áreas que vão além, incluindo robótica, criação de conteúdo e sistemas autônomos. / nianticlabs.com

Num dia você baixa um joguinho inocente de Pokémon, no outro descobre que pode ter ajudado a treinar futuros drones autônomos assassinos. Tomara que isso conte alguns pontos com a Skynet no juízo final.

snac, servidor simples e minimalista de ActivityPub

O snac é um sistema compatível com o ActivityPub, mas com uma pegada diferente da do Mastodon — “simples e minimalista”, e escrito na linguagem C. Ainda assim, é compatível com a API do Mastodon, o que permite o uso de aplicativos de terceiros, e tem quase todos os recursos esperados numa rede social. / codeberg.org (em inglês)

Veja a interface web no perfil do Grunfink, criador do snac. / @grunfink@comam.es (em inglês)

Algo que você aprende quando tenta explicar o fediverso às pessoas comparando-o ao e-mail é que ninguém entende como o e-mail funciona também.

— Hannah Isopod / @root@isopod.zone (em inglês)

Apps novos e atualizados

Blender 4.3: O vídeo das novidades desta versão tem quase meia hora. A página é longa e traz os destaques bem ilustrados. / Linux, macOS, Windows / blender.org (em inglês)

digiKam 8.5: O editor de imagens do KDE ganha suporte nativo aos chips da Apple, melhorias significativas no reconhecimento facial e as esperadas correções de falhas. / Linux, macOS, Windows / digikam.org (em inglês)

FreeCAD 1.0: Demorou mais de 20 anos, mas a primeira versão estável do FreeCAD, um modelador CAD em 3D. / Linux, macOS, Windows / blog.freecad.org (em inglês)

Pinning: Este aplicativo exibe eventos da agenda e tarefas do aplicativo Lembretes em uma visualização de linha do tempo. Nessa, acaba servindo também de “contagem regressiva”. / iOS, visionOS, watchOS / apps.apple.com

Vellum: Um aplicativo simples e gratuito que ajuda a recriar fotos sobrepondo uma já tirada ao viewfinder da câmera. / iOS / apps.apple.com

WhatsApp: O app mais usado do Brasil ganhou um recurso que muitos aguardavam: transcrição de mensagens de áudio. Ela é feita no próprio dispositivo, sem envio dos áudios à nuvem da Meta. / Android, iOS / blog.whatsapp.com

No jogo “PacCam”, você mexe a boca para mover sua…

No jogo PacCam, você mexe a boca para mover sua bolinha e mexe a cabeça para movimentá-la. Parece divertido, mas deve dar dor de cabeça se jogar muito. (Tem vídeo.) / eieio.games (em inglês)

Nos EUA, a editora HarperCollins está oferecendo US$ 2,5 mil a alguns autores em troca do licenciamento de suas obras para treinar IAs generativas por três anos. Os autores não estão contentes com a proposta. / pivot-to-ai.com (em inglês)

Lukas Schneider criou um site magnífico para apresentar suas duas fontes inspiradas…

Lukas Schneider criou um site magnífico para apresentar suas duas fontes inspiradas na tipografia de aeroportos. / airport.revolvertype.com (em inglês)

Post colaborativo de ofertas da Black Friday 2024

Última atualização: sexta (29/11), às 7h14.

Há anos a Black Friday virou “Black November”. Aqui no Manual somos mais comedidos, por isso adotamos a semana Black Friday. (Sim, não faz sentido; sim, quem se importa?)

Este post será atualizado até a “Cyber Monday” (2/12) com ofertas que eu encontrar e que forem mencionadas nos comentários. Atualizações serão sinalizadas e os links, quando possível terão código de afiliado do Manual — o preço não muda e você dá uma moral ao projeto.

E lembre-se: a melhor economia é não gastar!

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Não foram uma nem duas vezes que ouvi/li alguém se referindo a uma newsletter como “um Substack”. Em seu blog, Anil Dash pede para que não façamos isso:

O e-mail existe há anos, mas a razão pela qual o Substack quer que você chame seu trabalho criativo pelo nome da marca é porque eles controlam seu público e distribuição, e também querem possuir seu conteúdo e sua voz. / anildash.com (em inglês)

Além do “branding” em cima das newsletters, tenho a impressão de que a centralização que o Substack — com o processo de inscrição que se resume a um clique e o gerenciamento de todas elas na mesma tela — fomenta uma sensação de que sistemas alternativos são arcaicos, estranhos ou até perigosos.

“Por que este site quer que eu coloque meu e-mail aqui?”

A cartilha do Substack é a mesma do Spotify com os podcasts, do Medium e do Twitter para os blogs. Não à toa defini o Substack como “a maior ameaça às newsletters que já existiu” em abril de 2023.

Pode parecer que sim, mas eu não gosto de ser profeta do apocalipse, menos ainda de intimidar quem usa o Substack para disparar newsletters por qualquer motivo que seja. É gratuito e funciona! É, também, um campo minado, e se pudesse pedir alguma coisa, pediria cuidado para não cair na armadilha e se prender dentro de uma plataforma que, ao que tudo indica, cedo ou tarde se fechará para a “portabilidade” que é característica das newsletters.