Muita gente se surpreendeu ao descobrir, no último dia 20, que o Signal usa a infraestrutura da Amazon/AWS. A presidente do Signal, Meredith Whittaker, teve que escrever o porquê:

Mensagens instantâneas exigem latência próxima de zero. Voz e vídeo, em particular, exigem sinalização global complexa e relays regionais para gerenciar jitter e perda de pacotes. Essas são coisas que a AWS, Azure e GCP [Google] fornecem em escala global que, na prática, outros (no contexto ocidental) não fornecem.

Importante notar que o Signal usa criptografia de ponta a ponta, o que significa que ninguém na AWS consegue acessar o conteúdo.

(Aliás: o problema dos “reply guys” no Mastodon se manifesta em quase todos os posts mais técnicos da Meredith.)

Acho fascinante que tanta gente compre a falácia de que a inteligência artificial é confiável o bastante para balizar a tomada de decisões. E, às vezes, acho engraçado também.

A Jumpad intriga já na proposta: uma “plataforma self-hosted, instalada na nuvem da empresa” que permite habilitar APIs de serviços externos, como os da OpenAI e Google. Hm, ok. O serviço “envolve dashboards de engajamento e treinamentos gamificados, contribuindo para a transformação da cultura”. Como exemplo de “transformação da cultura”, somos brindados com esta pérola:

Em um dos clientes, houve a constatação de que 25% do tempo dos funcionários era gasto em calls e reuniões, mas cerca de 80% deles não participavam ativamente. Ou seja, era uma grande perda de tempo.

Imagine ter que torrar o planeta para “descobrir” que a maioria das reuniões poderia ser um e-email.

(As informações são do Brazil Journal.)

O apagão na AWS desta segunda (20) causou inúmeros transtornos, inclusive no Brasil. O mais inusitado talvez tenha sido o da Eight Sleep, startup estadunidense que vende uma “cama inteligente” (que não é vendida por aqui). A cama parou de funcionar no meio da noite, o que nem foi a pior parte: alguns usuários descobriram que a cama envia ~16 GB por mês de dados de telemetria à empresa.

No macOS 26 Tahoe, rode este comando para desativar o Liquid Glass:

defaults write -g com.apple.SwiftUI.DisableSolarium -bool YES

Meio chocado que isso seja possível. O Liquid Glass é só uma skin em cima da UI agora clássica do macOS? Isso explicaria muita coisa… (Dica do Capi Etheriel, via r/MacOS.)

Bolhas financeiras não têm data marcada para estourarem, mas sempre há sinais que precedem o evento. O mercado de inteligência artificial, sério candidato a próxima bolha, tem sido abastecido por “negócios circulares” financiados por Nvidia e OpenAI na ordem de US$ 1 trilhão, segundo a Bloomberg. O movimento lembra aquela esquete do Chaves em que ele vende todo o estoque de churros do Seu Madruga para si mesmo usando a mesma única moeda.

Tomei um susto ao abrir o aplicativo do Vivo Easy. Em vez dos meus créditos, o app informa que “Acabaram seus benefícios! :( Compre Internet e Diárias pra ficar conectado”. De acordo com o perfil da Vivo no Threads, é um erro da última atualização do app que já está sendo corrigido. Internet e diárias seguem funcionando; é só o saldo que não aparece.

O iOS 26 habilitou o RCS no iPhone brasileiro. (Ao menos na Vivo.) Fiz um teste (obrigado, Caique!) após atualizar o sistema e tudo funciona, aparentemente: recibos de leitura, status de digitação, reações e envio de imagens em alta resolução.

A Justiça estadunidense decidiu os “remédios” que serão aplicados ao Google no processo em que a empresa foi condenada por práticas monopolistas no mercado de buscadores:

  • Proibição de celebrar ou manter contratos de exclusividade relacionados à distribuição do Google Search, Chrome, Google Assistant e o aplicativo Gemini.
  • Obrigação de disponibilizar certos dados do índice do buscador e interação do usuário para rivais e potenciais rivais.
  • Obrigação de oferecer serviços de distribuição de anúncios e serviços em texto para pesquisas para permitir que rivais e potenciais rivais possam competir.

E só.

Foi pouco e todo mundo reclamou. Ou quase todo mundo: Apple e Mozilla, que recebem valores astronômicos do Google para manterem o buscador como padrão no iOS/Safari e Firefox, respectivamente, respiram aliviadas.

Acho super legal o entusiasmo e o esforço do Eric Migicovsky para ressuscitar o relógio Pebble. (O visual e as especificações finais do Pebble Time 2 acabaram de sair.) Dito isso, pergunto-me se o Pebble tem espaço no mercado em 2025, com as prateleiras repletas de alternativas mais capazes, bonitas e/ou baratas. É um negócio só para nostálgicos e o próprio Eric, certo?

Gente velha na internet provavelmente se lembra do phpBB, um sistema de fóruns de discussão muito popular no início dos anos 2000. Descobri, por acaso, que ele ainda existe e tem desenvolvimento ativo, ainda que lento: a série phpBB3 foi lançada em dezembro de 2007 e a última grande atualização (3.3), em janeiro de 2020. Em time que está… existindo, não se mexe?

Ler este artigo (de 2012!) me levou a reavaliar a capa do Manual. O formato tradicional, de blog, soterra conteúdo com muita rapidez. O que não é muito o lance de um blog “slow”, ou lento, como é o caso aqui. Gastei algumas horas do fim de semana mexendo no leiaute e acho que cheguei a um resultado melhor: os textos ainda aparecem em ordem cronológica inversa, mas de uma maneira mais compacta — e notas curtas, como esta, na íntegra.

Menos de dois meses após instituir uma “taxa de serviço” de R$ 0,99 a todos os pedidos (antes, ela só incidia em compras de baixo valor), o iFood dobrou a tal taxa, para R$ 1,99.

O Washington Post reporta o incômodo que profissionais do colarinho branco estão tendo com a presença cada vez maior de robôs de IA tomadores de notas em videochamadas. Há casos em que há mais robôs que seres humanos nas reuniões.

Este talvez seja um resultado positivo da adoção caótica de inteligência artificial nas empresas. Quando todo mundo estiver mandando robôs para videochamadas e lendo resumos em texto das mesmas, talvez esse pessoal finalmente se dê conta de que todas aquelas reuniões poderiam, de fato, terem sido e-mails.

Assisti a Idiocracia (2005), do Mike Judge, seguindo uma dica que peguei ali no Órbita. O filme se passa em 2505 e “prevê” uma enorme regressão cognitiva da humanidade. Duas pessoas congeladas em 2005 e acordadas no futuro servem de parâmetro para o declínio, ou como ponto de vista do espectador naquele futuro distópico.

Fiquei fascinado com os vislumbres da sociedade idiotizada de 2505 na nossa, aqui em 2025. Marcas dando nomes a todas as coisas, serviços e lugares, o presidente dos EUA, a violência generalizada, “mas tem eletrólitos”. Meio sem querer, até a suposta raiz do problema — a procriação desenfreada de seres humanos burros — já se faz presente, mas subvertida como parte da distopia.

É como se estivéssemos 480 anos adiantados e, não bastasse isso, superando algumas das previsões de Judge.

Entre a Meta anunciando que sua IA, Meta AI, atingiu 1 bilhão de usuários e o Google que os AI Overviews são usados por 1,5 bilhão, fico curioso em saber quantas dessas pessoas fazem o uso intencional do recurso, ou que preferem-no àqueles que a IA substitui.

Os AI Overviews aparecem no topo das buscas, sem opção de desligamento. O Meta AI suspeito que muita gente aciona sem querer ao tocar naquele botão horrível no WhatsApp, nos resultados da pesquisa dos três apps ou ao tentar marcar uma pessoa em um grupo digitando uma arroba.

Muito fácil chegar a números enormes quando já se tem uma plataforma gigante. Acho que isso nem entra na discussão. A questão é alardeá-los como tais números fossem conquistados, e não impostos.