Em sua mensagem anual ao público, o CEO do YouTube, Neal Mohan diz que “a IA será uma dádiva para os criativos que estiverem prontos para se dedicar a ela” e que mais de um milhão de canais usaram IA para criar vídeos diariamente em dezembro. Ao mesmo tempo, promete medidas para “reduzir a disseminação de conteúdo de IA de baixa qualidade”. Parecem promessas contraditórias. Boa sorte para ele.
Notas
A nova versão do Nova Launcher, popular “launcher” para Android, trouxe uma novidade indesejada: rastreadores de publicidade de Meta e Google. No Exodus, plataforma de auditoria de apps sem fins lucrativos, dá para ver as mudanças da versão anterior (8.1.6) para a nova (8.2.4).
O Nova Launcher foi comprado pelos suecos da Instabridge alguns meses após o criador do launcher deixar a Branch, empresa que comprou o aplicativo em 2022 e fez a promessa de abrir seu código — o que nunca ocorreu. A Instabridge confirmou que está testando a inserção de publicidade no Nova Launcher e que não exibirá anúncios para quem tem o Nova Prime (versão paga).
O APOIA.se avisou, em mensagem enviada por e-mail (e só, aparentemente), o vazamento do nome completo, e-mail, endereço de entrega e identificadores internos de quem faz ou já fez apoios pela plataforma. A falha foi identificada no dia 6/1. A empresa afirmou que os dados vazados “não revelam diretamente quais campanhas você apoiou, seus interesses ou preferências”.
Mais uma vez o Google ameaça os 3 bilhões (!) de usuários do Gmail com recursos do Gemini (IA). Desta vez, a mudança é dramática: a caixa de entrada será “inteligente”, o que seria tentador se os modelos de IA fossem capazes de resumir certo e não fossem propensos a erros. Por ora, o novo Gmail está sendo liberado para estadunidenses que pagam os caros planos de IA do Google. A medida profilática é desativar todos os recursos de IA do Gmail: nas configurações, aba Geral, desmarque a opção Ativar os recursos inteligentes no Gmail, Chat e Meet. De nada!
Pessoas que usam um mouse da Logitech no macOS passaram algumas horas com as funcionalidades limitadas. Um certificado expirado dos apps Logitech Options+ e G HUB causou a confusão. A falha, ridícula, pelo menos serviu para as pessoas descobrirem utilitários alternativos melhores para este fim. (O melhor software, porém, é nenhum software; mouse bom se garante sem essas coisas, hehehe!)
Começamos o ano com duas novidades legais no Lerama, nosso índice/diretório de blogs e newsletters brasileiras:
- A visualização padrão agora é em cartões em vez de lista (que, aliás, continua disponível). Desse modo, em especial com o seletor “Simplificado” ativado, dá para ver mais posts no mesmo espaço de tela.
- O menu principal ganhou um novo link, o “Aleatório”. É isso mesmo que você está imaginando: clique nele para cair em um post aleatório das publicações do Lerama que saiu nos últimos 30 dias.
É possível que a escolha da pessoa do ano da revista Time, que nesta edição elegeu “os arquitetos da IA” (leia-se: CEOs de big techs da área), tenha sido feita por uma IA. Primeiro indício: apontar pessoas no plural (“os arquitetos da IA”) como a pessoa (singular) do ano. Segundo e mais forte indício: só alguém estúpido como uma IA elegeria essa galera tosca como pessoa(s) do ano.
A chegada de dezembro precipita uma inundação de “retrospectivas” das grandes plataformas de tecnologia, aquele período festivo em que iFood, Spotify, Apple Music… Google Maps (??) e sei lá mais quem esfregam na nossa cara o tanto de dados que coletam e, de quebra, ainda convencem muita gente a fazer propaganda de graça.
Não é obrigatório compartilhar, mas se quiser, pode. De qualquer maneira, recomenda-se paciência e, se possível, manter distância das redes sociais até 2026.
Há alguns meses, youtubers denunciaram intervenções não solicitadas do Google para “melhorar” seus vídeos com IA generativa. Parecia um teste; agora, é oficial.
Donos de canais podem desativar esse recurso no Studio: entre em Configurações, Canais, Configurações avançadas e desmarque as duas opções no tópico Melhorias na qualidade dos vídeos. Para quem assiste ao vídeo, a saída oferecida pelo Google é alterar a resolução nas configurações do próprio player.
Muita gente se surpreendeu ao descobrir, no último dia 20, que o Signal usa a infraestrutura da Amazon/AWS. A presidente do Signal, Meredith Whittaker, teve que escrever o porquê:
Mensagens instantâneas exigem latência próxima de zero. Voz e vídeo, em particular, exigem sinalização global complexa e relays regionais para gerenciar jitter e perda de pacotes. Essas são coisas que a AWS, Azure e GCP [Google] fornecem em escala global que, na prática, outros (no contexto ocidental) não fornecem.
Importante notar que o Signal usa criptografia de ponta a ponta, o que significa que ninguém na AWS consegue acessar o conteúdo.
(Aliás: o problema dos “reply guys” no Mastodon se manifesta em quase todos os posts mais técnicos da Meredith.)
Acho fascinante que tanta gente compre a falácia de que a inteligência artificial é confiável o bastante para balizar a tomada de decisões. E, às vezes, acho engraçado também.
A Jumpad intriga já na proposta: uma “plataforma self-hosted, instalada na nuvem da empresa” que permite habilitar APIs de serviços externos, como os da OpenAI e Google. Hm, ok. O serviço “envolve dashboards de engajamento e treinamentos gamificados, contribuindo para a transformação da cultura”. Como exemplo de “transformação da cultura”, somos brindados com esta pérola:
Em um dos clientes, houve a constatação de que 25% do tempo dos funcionários era gasto em calls e reuniões, mas cerca de 80% deles não participavam ativamente. Ou seja, era uma grande perda de tempo.
Imagine ter que torrar o planeta para “descobrir” que a maioria das reuniões poderia ser um e-email.
(As informações são do Brazil Journal.)
O apagão na AWS desta segunda (20) causou inúmeros transtornos, inclusive no Brasil. O mais inusitado talvez tenha sido o da Eight Sleep, startup estadunidense que vende uma “cama inteligente” (que não é vendida por aqui). A cama parou de funcionar no meio da noite, o que nem foi a pior parte: alguns usuários descobriram que a cama envia ~16 GB por mês de dados de telemetria à empresa.
No macOS 26 Tahoe, rode este comando para desativar o Liquid Glass:
defaults write -g com.apple.SwiftUI.DisableSolarium -bool YES
Meio chocado que isso seja possível. O Liquid Glass é só uma skin em cima da UI agora clássica do macOS? Isso explicaria muita coisa… (Dica do Capi Etheriel, via r/MacOS.)
Bolhas financeiras não têm data marcada para estourarem, mas sempre há sinais que precedem o evento. O mercado de inteligência artificial, sério candidato a próxima bolha, tem sido abastecido por “negócios circulares” financiados por Nvidia e OpenAI na ordem de US$ 1 trilhão, segundo a Bloomberg. O movimento lembra aquela esquete do Chaves em que ele vende todo o estoque de churros do Seu Madruga para si mesmo usando a mesma única moeda.
Tomei um susto ao abrir o aplicativo do Vivo Easy. Em vez dos meus créditos, o app informa que “Acabaram seus benefícios! :( Compre Internet e Diárias pra ficar conectado”. De acordo com o perfil da Vivo no Threads, é um erro da última atualização do app que já está sendo corrigido. Internet e diárias seguem funcionando; é só o saldo que não aparece.