O Procon-SP notificou Apple, Motorola e Samsung a prestarem esclarecimentos acerca da segurança dos seus celulares. A motivação é uma série de reportagens da Folha de S.Paulo que revelou a ação de criminosos que roubam celulares e, rapidamente, conseguem invadir aplicativos bancários e fazer transferências de valores. Elas têm até o dia 22 para responderem.
O pedido é válido, porque essa situação é inquietante. Alguns celulares são roubados desbloqueados, mas há relatos de aparelhos travados, com criptografia e proteção biométrica (Face ID, no caso do iPhone) ativadas, que os criminosos conseguem acessar. E, em qualquer caso, além da proteção do sistema do celular, existem ainda barreiras nos apps dos bancos, como senhas específicas. Como eles as descobrem? Ou eles burlam as proteções dos apps usando engenharia social nos canais de atendimento?
A Febraban, associação dos bancos, também foi inquirida. Ela costuma repetir à imprensa que os apps bancários “contam com elevado grau de segurança desde o seu desenvolvimento até a sua utilização, não existindo qualquer registro de violação dessa segurança”, jogando a culpa pelos desvios ao descuido dos usuários.
Quaisquer que sejam os motivos, é preciso esclarecê-los. Afinal, se as desculpas dos bancos e das fabricantes de celulares estiverem corretas, temos aqui um curioso caso de criminosos brasileiros, que vivem de assaltar celulares na rua, capazes de fazer o que às vezes nem o FBI consegue. Alguém precisa encontrar essa galera e contratá-la. Via Procon-SP, Folha de S.Paulo.