Meta reconhece danos, mas mantém no Facebook rede brasileira de extrema-direita

Meta reconhece danos, mas mantém no Facebook rede brasileira de extrema-direita, por Ethel Rudnitzki, Laís Martins, Débora Ely e João Barbosa, no Aos Fatos:

Um documento interno de funcionários do Facebook, atual Meta, de março de 2021, recomendava a derrubada ou a redução do alcance da rede de extrema-direita Ordem Dourada do Brasil, mas, cerca de um ano depois, ela continua ativa na plataforma. Segundo o relatório, a rede é composta por perfis, páginas e grupos que atuam de forma coordenada para disseminar conteúdos que a empresa via como desinformativos e antidemocráticos.

Facebook fomenta possível tentativa de golpe no Brasil similar à dos EUA, diz pesquisa

Em relatório publicado nesta quarta (2), a Avaaz e o Real Facebook Oversight Board (não confundir com o Comitê de Supervisão do Facebook, o oficial) alertaram que “o Brasil corre risco crescente um ‘evento como o de 6 de janeiro [de 2021] fomentado no Facebook”, em referência à tentativa de golpe de extremistas norte-americanos seguidores do ex-presidente Donald Trump.

As duas organizações criaram um “índice de insurreição”, composto por cinco critérios, que mensura a temperatura no Facebook de ações e omissões que conspiram a favor de eventos conspiratórios. No Brasil, destaque do relatório, três dos cinco critérios estão em nível crítico:

  • Priorização de fontes de imprensa com boa reputação na entrega de conteúdo noticioso;
  • Respostas rápidas e enfáticas de checadores de fatos para alegações feitas por candidatos; e
  • Medidas de mitigação para limitar o espalhamento de conteúdos que ensejem risco significativo de agressões offline em escala.

O principal problema do Facebook no Brasil, segundo o relatório (em inglês), tem nome, sobrenome e partido: Jair Bolsonaro (PL). O texto lista diversas mentiras e atitudes antidemocráticas praticadas pelo presidente no ambiente digital. “Bolsonaro e seus aliados estão usando o Facebook e outras plataformas de redes sociais para espalhar essas mentiras perigosas”, detalha.

Segundo a Avaaz, a omissão do Facebook já propiciou 10 bilhões de visualizações de conteúdos falsos no Brasil. Via Real Facebook Oversight Board/Medium (em inglês).

O LibreOffice 7.3 continua o trabalho da Document Foundation de aperfeiçoar a compatibilidade da suíte com os formatos do Microsoft Office e facilitar a migração de usuários. Desta vez, temos melhorias no monitoramento de alterações em textos e tabelas, no desempenho ao abrir arquivos *.docx e *.xlsx/*.xlsm grandes e/ou complexos e em filtros de exportação. Via Document Foundation (em inglês).

O YouTube limitou recursos do canal do Tribunal de Contas da União (TCU) na plataforma. Com isso, o TCU ficou impedido de realizar “lives” (transmissões ao vivo), o que ocasionou um enorme transtorno: as sessões precisam ser públicas, segundo a Constituição, e durante a pandemia o TCU tem confiado apenas no YouTube para cumprir a exigência constitucional. Sessões em andamento foram suspensas e as agendadas, canceladas até que o problema seja resolvido.

Segundo o YouTube, o canal do TCU tem dois “strikes” (infrações) por exibir conteúdos de terceiros, o que levou à restrição das lives. A empresa informou ainda que está em contato com o TCU para resolver o problema. Enquanto isso, o TCU vai adotar emergencialmente a plataforma Teams, da Microsoft. Via Convergência Digital, Núcleo.

Até agora, o HalloApp (Hallo o quê?) vinha replicando recursos popularizados pelos rivais mais famosos. Não mais: seu novo recurso, os posts em áudio, tem um quê de novidade. Ele lembra as mensagens de áudio do WhatsApp (que o HalloApp também tem), mas os posts são publicados no feed.

(A bem da verdade, o Twitter fez uns testes um tempo atrás com posts de áudio no iOS. Não parece ter feito muito sucesso.)

“É um recurso que não vemos em outros aplicativos de redes sociais ou plataformas de mensagens”, explica o co-fundador Neeraj Arora, “e o motivo é porque a voz é uma expressão íntima, algo que normalmente só nos sentimos à vontade de compartilhar com nossos amigos mais próximos e familiares.” Via HalloApp (em inglês).

Em defesa da web monótona

Em defesa da web monótona (em inglês), no blog do Bastian Rieck:

Acho que sites monótonos como o meu são possíveis para mais pessoas. É menos resultado do número esperado de visitantes, mas sim resultado do seu propósito. Se seu site tem um propósito bem definido, talvez a tecnologia monótona possa ser uma boa para você. Um excelente exemplo do que eu tenho em mente é o lichess.org. O site tem um único propósito: fazê-lo jogar xadrez com outras pessoas. Isso adere à filosofia Unix de “faça uma coisa bem”.

Magazine Luiza e Via Varejo (das marcas Casas Bahia e Ponto) estão protagonizando uma disputa judicial um tanto ridícula. Ambas se processaram por uma usar a marca da outra na compra de anúncios do Google. Quando alguém procurava por “magalu” no buscador, por exemplo, via anúncios das lojas da Via, e vice-versa. Os juízes dos dois processos aceitaram preliminarmente as alegações. Via Migalhas.

Na primeira atualização de 2022 do aplicativo, ele ganhou novas reações: ?, ?, ?, ? e ?. Para vê-las, o administrador do canal ou grupo precisa ativá-las. (Implementei uma delas no canal do Manual.) As animações das reações foram suavizadas (mas basta segurar o dedo sobre uma para fazer estardalhaço) e agora há indicadores nas conversas quando elas são usadas em mensagens suas.

Outro destaque é o editor fácil de figurinhas animadas, que permite criá-las a partir de qualquer vídeo. Mais detalhes aqui. Via Telegram.

Sem falsidade: governo chinês vai pegar pesado com deep fakes

por Shūmiàn 书面

Como antecipado, o governo chinês vai pegar pesado com deep fakes e inteligência artificial de uso similar. Na sexta (28), a Administração para o Ciberespaço publicou um rascunho da legislação focado nisso. Por enquanto, está aberto para consulta pública até 28 de fevereiro. As regulações sobre o uso de algoritmos já previam alguns pontos, como conta essa matéria no Rest of World. Mas esta iniciativa, com foco no papel das plataformas, é praticamente inédita no mundo. Medidas incluem a indicação clara de imagens que passaram por alterações desse tipo e verificação de identidade do usuário que utilizar esses produtos, como explica a matéria do SCMP. Para ler o documento em inglês, tem uma tradução não oficial do China Law Translate.

Lá em 2020, havíamos contado aqui sobre como a gigante Tencent falou do potencial da tecnologia de síntese deep fake para diversos setores e de como já estava avaliando sua aplicação, enquanto também reconhecia os riscos associados. Com a expansão do uso de deep fakes nas redes sociais chinesas, em algum momento as autoridades iam dar as caras. Em março do ano passado, o governo chamou grandes empresas que trabalham com a tecnologia para uma conversa, como contou Zeyi Yang para o Protocol.


A Shūmiàn 书面 é uma plataforma independente, que publica notícias e análises de política, economia, relações exteriores e sociedade da China. Receba a newsletter semanal, sem custo.

O New York Times comprou o Wordle, joguinho de palavras que virou sensação este ano e inspirou clones em vários idiomas, como Termo e Letreco em português brasileiro. O valor não foi divulgado, mas segundo o jornal norte-americano foi de “sete dígitos”, ou seja, Josh Wardle, o criador do jogo, ficou pelo menos US$ 1 milhão mais rico. O Wordle continuará gratuito e se junta ao arsenal de jogos de palavras do NYT, um dos seus principais atrativos para assinaturas digitais. Via New York Times (em inglês).

A Anatel autorizou, com condicionantes, a venda da Oi Móvel a uma aliança formada por Claro, Telefônica (Vivo) e TIM. Segundo a agência, o Brasil tem hoje 256 milhões de linhas móveis ativas, sendo 16% delas da Oi. Com a venda, a fatia de mercado do trio Claro, TIM e Vivo saltará para 96%. A venda ainda precisa ser aprovada pelo Cade. Via O Globo.

Em 2019, quando o Spotify entrou agressivamente no ramo dos podcasts, colocando em risco esse ecossistema, poucos anteciparam os problemas que a plataforma poderia enfrentar.

Estamos vendo um deles se desenrolar agora, com a crise desencadeada pela revolta de Neil Young contra o Joe Rogan Experience, podcast exclusivo do Spotify que tem espalhado desinformação antivacina em meio à pandemia de covid-19.

Este é um problema do Spotify, não do podcast.

Ao fechar contratos de exclusividade, ou seja, ao editorializar sua plataforma, o Spotify abriu um flanco para ataques do tipo. Note que Apple, Google, Automattic (Pocket Casts), Overcast, nenhuma outra empresa que oferece aplicativos de podcasts recebe esse tipo de crítica, mesmo com todas veiculando podcasts abjetos de gente muito pior que Joe Rogan.

Elas escapam por serem de fato aquilo que o Facebook, o Twitter e o YouTube alegam ser, ou seja, plataformas neutras.

Hospedar Joe Rogan com exclusividade trouxe uma série de benefícios ao Spotify — mais usuários, mais tempo gasto no app e mais “superfície” para vender anúncios. Só que trouxe também outro custo, além dos supostos US$ 100 milhões pagos pela exclusividade. É um de imagem, de relações públicas. Não é à toa que o comunicado de Daniel Ek assemelha-se tanto às falas usuais (e vazias) de Mark Zuckerberg, CEO do Facebook/Meta.

A cantora Joni Mitchell e a escritora e podcaster Brené Brown se juntaram a Neil Young no protesto contra o Spotify por hospedar e promover o podcast negacionista Joe Rogan Experience. Joni removeu seu acervo musical e Brené, que tem dois podcasts exclusivos no Spotify, disse que não publicará novos episódios por tempo indeterminado. Via Wall Street Journal, @BreneBrown/Twitter (ambos em inglês).

James Blunt ameaçou lançar um novo álbum caso o Spotify não rompa com Joe. (Ele é da zoeira.) Via @JamesBlunt/Twitter (em inglês).

A escalada obrigou o Spotify a se manifestar. No domingo (30), o fundador e CEO Daniel Ek publicou um comunicado explicando como a plataforma lida com podcasts que debatem a covid-19. O texto não menciona Joe Rogan, que fechou um contrato de ~US$ 100 milhões com o Spotify para tornar o seu podcast, à época o mais popular do mundo, exclusivo da plataforma.

O comunicado de Daniel poderia ter sido escrito por Mark Zuckerberg, aquele que certa vez disse que não via problema se o Facebook hospedasse discurso antissemita. Daniel:

Pessoalmente, há muitos indivíduos e pontos de vista no Spotify de que eu discordo fortemente. Sabemos que temos um papel crítico a desempenhar no apoio à expressão do criador, equilibrando-o com a segurança dos nossos usuários. Nesse papel, é importante para mim que não assumamos a posição de censor de conteúdo, ao mesmo tempo em que nos certificamos de que existem regras em vigor e consequências para aqueles que as violam.

Daniel aproveitou a oportunidade para dizer que o Spotify aplicará selos e links para hubs de informação sobre a covid-19 e publicar as regras de comunidade do Spotify, que, segundo ele, já estavam em vigor há anos, só não eram públicas. Incentivar os ouvintes a não se vacinarem contra a covid-19, como Joe Rogan fez em seu podcast, aparentemente não infringe as regras do Spotify.

No Instagram, Joe Rogan postou um vídeo de 10 minutos fazendo um mea culpa, dizendo que a natureza do seu podcast, conversacional, dá margem para que ele fale coisas controversas. “Gostaria de agradecer o Spotify por todo o apoio nesse período e que lamento muito que isso esteja acontecendo com eles e que estejam absorvendo tanto disso.” Via Spotify, @joerogan/Instagram (ambos em inglês).

 

As operadoras de telefonia móvel disseram à reportagem da Folha de S.Paulo que o 5G standalone (o de verdade) chegará primeiro aos planos pós-pago mais caros, na faixa de R$ 250, antes da massificação. Para os demais, a migração sem custo será feita para o 5G DSS, um esquema que junta várias frequências do 4G para acelerar a conexão e diminuir a latência.

Segundo executivos da Claro e da Vivo, e do presidente da TIM Brasil, Pietro Labriola, o processo de massificação será impulsionado pela indústria e por governos, que aproveitarão primeiro o potencial do 5G.

O discurso contrasta com declaração de Alex Salgado, vice-presidente de B2B da Vivo, que em novembro de 2021 disse ao Telesíntese que o 5G “não vai ser um plano dedicado para um usuário ou outro. Isso tanto para pessoas físicas quanto para pequenas e grandes empresas. O plano vai ser automaticamente atualizado para permitir o uso da 5G”. Via Folha de S.Paulo, Telesíntese.

Você não precisa mais destas extensões de privacidade

Por mais que os navegadores que não são de empresas de publicidade (*cof* Chrome *cof*) estejam aperfeiçoando suas ferramentas nativas de proteção à privacidade, eles ainda não dispensam o uso de uma ou outra extensão com esse foco. Mas tem algumas, ainda muito populares, que já podem ser descartadas. As da Electronic Frontier Foundation (EFF), por exemplo, se tornaram dispensáveis.

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