Soube que Denise Tremura, a @detremura do Twitter, concorreu a uma vaga de vereadora em São José do Rio Preto (SP) no pleito do último domingo (6). / @jupa.bsky.social/Bluesky

Fazia muito tempo que não ouvia falar dela. Em meados da década passada, @detremura dominava os trending topics do Twitter com mobilizações do tipo “sdv” (segue de volta). Escrevi uma matéria a respeito em 2016.

Com apenas 173 votos, Denise fracassou em sua tentativa de ingressar na política. Talvez em 2028?

Líderes de plataformas sociais abertas na internet lançaram a Social Web Foundation com o objetivo de promover o fediverso — nesse contexto, o ecossistema de plataformas que adotam o protocolo ActivityPub. Boa sorte para explicar o que é “instância” e como usar o Mastodon! / socialwebfoundation.org (em inglês)

Entre as empresas apoiadoras há tanto as nativas do fediverso (Mastodon e Write.as) quanto comerciais (Medium, Automattic, Flipboard, até a Meta). Com o apoio da Ford Foundation, a Social Web Foundation nasce com US$ 1 milhão em apoio financeiro. / techcrunch.com (em inglês)

O nome da fundação e a insistência em tratar como sinônimos “fediverso” e “web social” incomodou tem incomodado algumas pessoas, que alegam que “web social” precede o ActivityPub, tendo blogs e mesmo as redes sociais comerciais como precursores. A crítica é válida. / bix.blog (em inglês)

Sugestão de Dave Winer: “Escolham outro nome mais humilde. Se algum dia [o ActivityPub] alcançar a utilidade da web, aí revisitamos o assunto.” / scripting.com (em inglês)

Sam Altman criou um blog com um texto intitulado “a era da inteligência” que, imagino, não foi revisado pelos marqueteiros da OpenAI. Não tanto por estar publicado em um domínio com o nome de Altman, mas mais porque é um texto medíocre, tão ruim e repleto de promessas grandiosas, vazias e/ou não verificáveis que acho que nem o ChatGPT seria capaz de gerar.

“É possível que tenhamos superinteligência em alguns milhares de dias (!)”, escreve Altman. “Alguns milhares de dias” significa uns bons anos em que ele poderá continuar engambelando meio mundo com uma IA que está longe de fazer qualquer coisa que promete. “Pode demorar mais, mas estou confiante de que chegaremos lá.” Opa, talvez demore um pouco mais, mas espere aí sentado que chegaremos lá. Um dia. Talvez. A gente vai se falando.

Vou te poupar de ler aquilo porque as +1 mil palavras podem ser resumidas em uma linha: “IA será revolucionária em breve, quero mais dinheiro.”

Como é possível tanta gente esperta não perceber que a maior “alucinação” expelida pela IA foi esse Sam Altman? / ia.samaltman.com (em inglês)

Em notas relacionadas:

  • OpenAI está se preparando para se livrar da parte sem fins lucrativos e assumir-se a empresa comum que é, sedenta por dinheiro e poder, e, no processo, dar a Altman um quinhão das ações. / reuters.com (em inglês)
  • Duas lideranças da OpenAI, Mira Murati (CTO) e Bob McGrew (CRO), e Barret Zoph (VP de pesquisa), anunciaram suas saídas da OpenAI. / cnbc.com, techcrunch.com (ambos em inglês)

Bastaram alguns dias no xilindró parisiense para que Pavel Durov mudasse o discurso sobre “nunca entregar dados dos usuários às autoridades”. Na segunda (23), o CEO do Telegram avisou em seu canal que “endereços IP e números de telefone de quem viola as nossas regras serão repassados às autoridades em resposta a pedidos legais válidos”.

Foi um dia vitorioso para os que ainda têm esperança na ressocialização da pena privativa de liberdade do sistema penal. / t.me/@durov (em inglês)

O wordfreq, projeto que monitora mudanças na linguagem da humanidade usando a web como referencial, parou de ser atualizado. Culpa das IAs generativas: “Acredito que ninguém tenha dados confiáveis do uso da linguagem por seres humanos pós-2021”, escreveu Robyn Speer, criadora do projeto.

“Então, eu não quero trabalhar em nada que possa ser confundido com IA generativa, ou que possa beneficiar a IA generativa. A OpenAI e o Google podem coletar seus malditos dados, e espero que eles tenham que pagar um preço muito alto por isso. Eles mesmos fizeram essa bagunça.” / github.com (em inglês)

As explosões de pagers e walkie-talkies no Líbano chocaram o mundo. Primeiro, por ainda ter quem use pagers em 2024. Segundo, pela insanidade de quem quer que tenha perpetrado esse ataque (Israel?). Além da covardia e das vítimas inocentes, o ataque inaugura uma era de medo de dispositivos cotidianos, um cenário que, até hoje, não preocupava ninguém, nem mesmo os donos de celulares Samsung no fatídico ano das baterias do Galaxy Note 7. (As pessoas ainda se lembram disso?)

“Transformar objetos do dia a dia em bombas é uma péssima ideia”, escreveu Andrew “bunnie” Huang, um doutor pelo MIT com um blog (e interesses) fascinantes e que tem experiência em fabricar baterias de íons de lítio. No texto, ele argumenta que “a erosão da confiança do público em coisas do dia a dia não vale [o uso dessas coisas como armas de guerra”, e que é isso que desencorajava, até agora, exércitos, agências de espionagem e grupos terroristas de adotarem a estratégia, não uma suposta dificuldade técnica — que, como ele explica, não existe. / bbc.com, bunniestudios.com (em inglês)

Segunda (16) foi dia de novos sistemas operacionais da Apple em um ano deveras estranho, com as principais novidades prometidas pela empresa ficando de fora — até a nova animação da Siri só virá no iOS 18.1.

Alguns iPad Pro com chips M4 pararam de funcionar e… foi isso de problemas graves. Isso e, claro, as reclamações de sempre de “coisas mudaram de lugar”, exacerbadas por mudanças significativas (e meio sem sentido) em aplicativos básicos (Fotos, em especial) e áreas que pareciam congeladas no tempo (Central de Controle). / macmagazine.com.br

Já tive fases de atualizar assim que possível. (De usar betas, nunca.) Mesmo curioso com o novo aplicativo Senhas e o espelhamento do iPhone no macOS, contive-me.

No mesmo dia, a Apple liberou atualizações de segurança — iOS 17.7 e macOS 14.7. Instalei-as e vida que segue. Quando saírem as versões ponto qualquer coisa do iOS 18 e macOS 15, eu penso em atualizar os meus dispositivos. / mjtsai.com (em inglês)

A Mozilla vai encerrar sua instância no Mastodon em dezembro. A notícia, como era de se imaginar, foi mal recebida por meio que todo mundo no fediverso e fora dele.

A nova CEO da Mozilla tem reduzido as investidas fora das competências principais do grupo, mas ao mesmo tempo investido mais em inteligência artificial “ética”, o que para muitos é uma contradição em termos. De qualquer forma, quanto custa um servidor do Mastodon com algumas centenas de usuários? No mínimo, era um espaço para a própria Mozilla e seus funcionários terem presença em um ambiente que se alinha aos seus ideais.

O anúncio da Mozilla fez com que outras empresas e instituições dentro do fediverso se posicionarem. Comissão Europeia e Vivaldi (o navegador, não o falecido compositor italiano), por exemplo. / techcrunch.com, @mozilla@mozilla.social (ambos em inglês)

Antonio Vivaldi nasceu na Itália, não na Áustria, como informava a nota. (De onde eu tirei isso? Sei lá.)

A Senacon intimou fabricantes de celulares que pré-instalam apps de bets em seus celulares. (Fiquei intrigado com a prática; um leitor disse, no nosso grupo no Signal, que o Motorola Edge 50 Pro dele oferece um desse no primeiro uso.) Sobrou até para a LG, que faz uns bons anos deixou de vender celulares. / gov.br

Essa e outras medidas do governo me lembram a atitude governamental contra as plataformas sociais das big techs, tentativas vãs de apagar um incêndio com um copo d’água. Para se ter ideia da profundidade do buraco, a Agência Pública mostrou como adolescentes estão torrando os R$ 200/mês do programa Pé-de-Meia, do governo federal, em jogo do tigrinho. / apublica.org

Tudo isso é desolador, mas ninguém pode se dizer surpreso: a finalidade de jogos de azar, sempre se soube, é viciar pessoas em perder dinheiro.

O “retorno” do Flappy Bird não tem relação com seu criador, o vietnamita Dong Nguyen. Ele tirou a poeira do seu perfil no X, onde não postava desde 2017, para fazer o alerta e dizer que não vendeu o jogo e que não apoia criptomoedas.

Uma empresa estadunidense, a Gametech Holdings, comprou os direitos autorais de Flappy Bird após eles terem expirado, no final de 2023, e os cedeu à recém-criada “Flappy Bird Foundation”. (A história é meio confusa e cheia de lacunas.)

Sem muita surpresa, a “foundation” tem gente ligada até o pescoço com iniciativas de criptomoedas e NFTs e o jogo clássico do Flappy Bird já foi lançado no Telegram integrado ao TON, a criptomoeda da plataforma. (Telegram que, não sei se você soube, “pivotou” de app de mensagens para plataforma para esquemas questionáveis envolvendo criptomoedas.)

Dong Nguyen sempre teve razão. / arstechnica.com (em inglês)

Alguém descobriu que o LinkedIn usa o conteúdo publicado na plataforma para treinar inteligências artificiais generativas. Tem um botão enterrado nas configurações que, promete o LinkedIn, bloqueia o seu conteúdo de ser usado para esse fim. Siga por aqui para acessá-lo.

Não sei se esse botão é novo, só sei que o uso de conteúdo para treinamento de IA não é de agora. Em março, publiquei no próprio LinkedIn:

Não que seja surpreendente, mas desanimei em saber que o LinkedIn está usando tudo que escrevo aqui para treinar IA. Coisa chata, parece que agora tem alguém bisbilhotando tudo, o tempo todo e em todo lugar.

Talvez o melhor a se fazer seja parar de escrever no LinkedIn.

Depois de AliExpress, Shopee e Shein, outro peso-pesado do varejo oriental chegou ao Brasil fazendo barulho. Em julho, o app da chinesa Temu foi o mais baixado no Brasil, com 7,7 milhões de downloads, segundo a consultoria AppMagic.

O receituário é, em parte, similar ao das rivais continentais — promoções o tempo todo, ofertas relâmpago, preços baixos e produtos de qualidade duvidosa. Há, porém, um componente extra na estratégia de crescimento da Temu: a “gamificação”.

A Folha de S.Paulo destrinchou os jogos da Temu. Seduzidos por promessas de brindes e descontos, consumidores são instados a interagir em jogos digitais e infernizar amigos para que se cadastrem na loja.

Sem surpresa, as “missões” vão ficando progressivamente mais difíceis e, mesmo quando o consumidor vence o jogo, a premiação decepciona. Uma das personagens ganhou uma pochete e uma torre de brinquedo.

(Conheci ali os “paradoxos de Zenão”. Adoro essas pequenas pérolas de saber polvilhadas sobre o texto noticioso.)

Esse tipo de “jogo” pode ser novo no varejo, mas é figurinha manjada em estratégias de crescimento. TikTok e Kwai, também empresas chinesas, tornaram-se titãs no mercado brasileiro abusando dela desde 2021, pelo menos. Joguinhos do novo mercado de mini-apps do Telegram, como o infame “Hamster Kombat”, idem.

Em qualquer caso, vale a velha lógica do capitalismo: não existe almoço grátis — nem dinheiro fácil obtido de maneira lícita.

Em 2019 dei uma olhada no Chromecast de terceira geração. Classifiquei o produto de “objeto de transição”, ou seja, categoria que seria varrida do mercado no futuro próximo.

Levou cinco anos para acontecer. Ao anunciar o Google TV Streamer, sua nova caixinha de streaming para o mercado estadunidense, o Google informou o encerramento da produção dos Chromecasts. A empresa alegou que a ampla oferta de smart TVs, streaming e a tecnologia Google Cast embarcada em milhões de outros dispositivos tornaram o dispositivo Chromecast obsoleto.

Tudo verdade, mas ainda existe uma lacuna nesse mercado: a da caixinha ou smart TV com foco em privacidade. O único dispositivo do tipo, ainda que com ressalvas, é o caríssimo Apple TV. A demanda pode até ser pequena, mas ela existe. Alguém disposto a supri-la?

R$ 1,5 bilhão

Levantamento da ACI Worldwide estima que criminosos desviaram R$ 1,5 bilhão com golpes do Pix em 2023 —aqueles em que a vítima é induzida a fazer a transferência para uma conta do criminoso usando as próprias credenciais. / folha.uol.com.br

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64%

A pesquisa TIC Educação 2023, do Cetic.br, revelou que 64% das escolas brasileiras restringem a horários e/ou locais o uso de celulares pelos alunos. Em 28%, a proibição é total, o que deixa apenas 7% das escolas com o uso liberado. / desinformante.com.br

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61,1%

Em junho, 61,1% das transações presenciais no Brasil foram feitas por aproximação/NFC, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs). Em junho de 2021, esse tipo de pagamento presencial representava apenas 13,9% do total. / mobiletime.com.br

77%

Um estudo da Upwork, plataforma estadunidense de ofertas de emprego, descobriu que 77% dos trabalhadores de empresas que adotaram soluções de inteligência artificial disseram que a tecnologia diminuiu a produtividade e aumentou a carga de trabalho. Ao mesmo tempo, 96% dos executivos entrevistados acreditam que a IA vai aumentar a produtividade. Vários dados reveladores nesse estudo. / upwork.com (em inglês)

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US$ 1,4 bilhão

A Meta concordou em pagar uma multa de US$ 1,4 bilhão ao estado do Texas, nos Estados Unidos, por coletar e usar dados biométricos de milhões de cidadãos sem autorização. / folha.uol.com.br

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US$ 25 bilhões

Entre 2017 e 2021, a Amazon amargou prejuízo de US$ 25 bilhões com sua divisão de dispositivos, como as caixas de som Echo e outros cacarecos com a assistente de voz Alexa. A reportagem do Wall Street Journal não conseguiu dados de antes e depois. / wsj.com (em inglês)