Se um dia com a saúde debilitada já atrapalha muito (eu que o diga, semana passada), imagine ser atropelado por um caminhão?

Foi isso o que aconteceu com Evan Prodromou, um dos criadores do protocolo ActivityPub, no início de julho. O saldo foi de nove costelas fraturadas, um pulso quebrado e fraturas nos ossos da face. Para piorar, ele estava na Califórnia. (Ele é canadense.)

Evan estava finalizando um livro sobre o ActivityPub e à frente da implementação de criptografia de ponta a ponta no protocolo. Tudo isso, óbvio, ficou em segundo plano nas últimas semanas.

Ainda em recuperação, Evan conseguiu postar uma atualização em seu blog.

Boa recuperação a ele!

Dias agitados para os todo-poderosos de plataformas digitais com uma quedinha por conspirações.

De um lado, Elon Musk do X (antigo Twitter) divulgou um “deep fake” óbvio da nova candidata democrata à presidência dos EUA, Kamala Harris. Não que isso importe lá, mas o ato infringe os termos de uso do X.

De outro, Pavel Durov, CEO do Telegram, declarou ser doador de esperma e já ter mais de 100 filhos biológicos. O motivo do que ele chamou de “dever cívico” seria uma suposta “escassez de esperma saudável”, alegação que ele vincula a uma meta-análise de 2017 desbancada por outra pesquisa em 2021. Durov vai “abrir o código do seu DNA” (o que estou escrevendo!?) para facilitar que seus descendentes se encontrem. Imagine a frustração de descobrir-se filho desse maluco?

8,5 milhões

O caos proporcionado pela CrowdStrike na sexta passada (19) derrubou 8,5 milhões de computadores com Windows. O número equivale a 1% da base instalada, segundo a Microsoft — um 1% bem importante, pois a CrowdStrike só trabalha com grandes clientes corporativos. Via Microsoft (em inglês).

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US$ 10

Na quarta (24), a CrowdStrike enviou cupons do UberEats de US$ 10 para clientes afetados pela falha catastrófica da sexta anterior (essa do número acima). Pior: os cupons não funcionavam porque, segundo relatos, a Uber marcou a conta da CrowdStrike como fraudulenta. (Tecnicamente, este é um “número minúsculo”.) Via TechCrunch (em inglês).

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R$ 5 milhões

A Senacon multou Oi, TIM e Vivo em R$ 5 milhões pela publicidade enganosa acerca do 5G. Segundo o despacho publicado no Diário Oficial da União, as três operadoras divulgaram “mensagens publicitárias referentes a 5G que induziram os consumidores ao erro, por não informarem com clareza e adequação as limitações da tecnologia DSS.” Via Mobile Time.

O Banco Central e o Conselho Monetário Nacional simplificaram a jornada de iniciação de pagamentos para permitir o uso do Pix em carteiras digitais, ou seja, em pagamentos por aproximação e pagamentos online facilitados. A previsão é de que a novidade chegue aos consumidores em 28/2/2025. Via Banco Central.

48%

As emissões de gases do efeito estufa pelo Google aumentaram 48% nos últimos cinco anos. Segundo a própria empresa, por causa da demanda por inteligência artificial. A meta do Google de tornar-se uma empresa neutra em emissões de poluentes até 2030 está posta em xeque. Via Folha de S.Paulo.

O Diário Popular, jornal que cobria a região Sul do Rio Grande do Sul, encerrou suas atividades no último dia 12, após 133 anos de história. No mesmo dia em que a última edição impressa circulou, o site do jornal saiu do ar, sumindo com ~20 anos de história e gerando indignação entre colaboradores e leitores. (Soube do caso pelo Luís Felipe dos Santos.)

A indisponibilidade do site não foi planejada pela direção do jornal, segundo uma fonte que pediu para não ser identificada. Ao saber do encerramento da edição impressa, a empresa responsável pela hospedagem tirou o site do Diário Popular do ar.

O site voltou ao ar cerca de quatro dias depois. Até quando ficará disponível, não se sabe — ainda que os custos de hospedagem de um site estático sejam irrisórios.

O episódio é um lembrete de que é preciso pensar formas de preservar as versões digitais de jornais brasileiros.

O YouTube está testando uma funcionalidade que pula pedaços dos vídeos com alto índice de rejeição. Ele será exclusivo para assinantes pagantes e, embora não seja o objetivo declarado, parece algo feito sob medida para pular anúncios dentro dos vídeos, aqueles que youtubers fecham com empresas diretamente, sem envolvimento do YouTube — que, nesses casos, não fica com um centavo da grana movimentada.

É tipo a extensão SponsorBlock, só que oficial. Bom para os usuários (pagantes) e para o Google. Para quem vive de vídeos no YouTube, não. Via youtube.com/@creatorinsider (em inglês).

A União Europeia deu duas prensas em gigantes estadunidenses nessa semana — Apple e Microsoft.

O bloco acusa a Apple de descumprir o Regulamento dos Mercados Digitais (DMA, na sigla em inglês) no que diz respeito à liberdade dos criadores de apps de poderem informar usuários de preços e condições mais vantajosas fora da App Store. A Comissão Europeia dará um veredito em 12 meses e, entre as penalidades, a Apple pode ser multada em 10% da sua receita global.

Contra a Microsoft, a UE diz ter concluído preliminarmente que a empresa violou leis antitruste quando vinculou o Teams ao Office/Microsoft 365. As reclamações partiram do Slack (Salesforce) e Alfaview. Não há prazo para o fim desse caso.

Se no Brasil as bets e o “jogo do tigrinho” tem causado estragos na cabeça e nos bolsos da população, no Irã o problema é o Hamster Kombat, um jogo vinculado a uma criptomoeda que roda dentro do Telegram.

Coincidência ou não, nessa semana Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, exaltou outro jogo do tipo, o TapSwap, segundo ele com 56 milhões de usuários “alcançados em apenas alguns meses sem qualquer publicidade”. Parece que o Telegram encontrou seu modelo de negócio.

Quem poderia imaginar que jogos de azar viciantes que prometem grandes fortunas sem esforço seriam contagiantes, não? Via Associated Press (em inglês).

Não graças ao Irineu, nessa semana a Nvidia tornou-se a empresa mais valiosa do mundo. Vender pás numa corrida do ouro, afinal, dá muito dinheiro. É sustentável? A Nvidia pulou do mercado de games para o de criptomoedas e, depois, para a IA generativa. Vai ter que vender muito chip para sustentar esse valor (+US$ 3,3 trilhões) a longo prazo. Via G1.

A Bloomberg publicou uma boa linha do tempo (sem paywall) da empresa de Santa Clara, EUA.

Dylan Araps, criador do KISS Linux e do neofetch, trancou todos os seus repositórios no GitHub e avisou que foi viver do que a terra dá.

Os 15 jornalistas e youtubers obcecados em usar o iPad como se fosse um notebook devem estar frustrados com a Apple. Havia a expectativa (nutrida por eles) de que o anúncio antecipado do iPad Pro com tela OLED, em maio, seria “complementado” com novos recursos super poderosos guardados para o iPadOS 18.

E… não deu em nada.

O destaque da nova versão do iPadOS é um aplicativo de calculadora que faz contas de um jeito mais lento, mas mais legal — escrevendo com o Apple Pencil, se você tiver um.

A ojeriza à IA de (parte) das pessoas não é a única explicação do sucesso repentino — ainda que limitado — da Cara. A toxicidade do Instagram talvez seja um incentivo ainda maior.

Nesta semana, a Meta confirmou que está testando anúncios não puláveis no feed. Para estarem cogitando isso, significa que estão confiantes de que os usuários engolirão mais essa.

A Meta é uma versão moderna daqueles testes bizarros que Skinner e Milgram faziam nos anos 1960. “Que prática abusiva e/ou repulsiva a gente vai colocar no Instagram hoje a fim de determinar o máximo que as pessoas toleram antes de desinstalarem o aplicativo?” Pelo visto, isso ainda vai longe.

Pavel Durov, CEO do Telegram, anunciou a “Telegram Stars”, uma moeda virtual, comprada com dinheiro de verdade pelos sistemas da Apple e do Google, para ser usada dentro dos mini-aplicativos da plataforma. Detalhe: só dá para sacar os “Stars” convertendo-os para a criptomoeda TON, dentro da plataforma Fragments. (Não pergunte, eu também não entendo direito.)

Como disse alguém no nosso grupo no Signal, Durov está convertendo dinheiro real em dinheiro de Banco Imobiliário que ele mesmo imprime — e ainda diz que vai subsidiar a taxa de 30% da Apple e Google, o que é fácil quando o único dinheiro de verdade na reta não é o seu.

Gênios (Durov e o leitor)!

O Recall do Windows 11, sistema de IA que tira prints da tela e permite pesquisar por tudo o que você viu, é muito mal implementado. Textos da tela são convertidos em texto puro e salvos sem qualquer proteção no disco. Já existe até uma ferramenta, com o sugestivo nome TotalRecall, que facilita a extração dos dados.

Não duvido que a Microsoft volte atrás ou, no mínimo, atrase o Recall para fazer o básico — consertar essas brechas antes do lançamento. Se não for pedir muito, seria legal se fosse um recurso opcional e não ativado por padrão, como o é nas versões de teste que já estão rodando por aí.