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25 comentários

  1. No começo, tive bastante ceticismo em relação à IA generativa, ainda mais porque quanto mais usamos, mais treinamos modelos que pertencem em geral a big techs.

    A minha opinião mudou quando decidi me aprofundar e instalar um modelo de LLM num homelab, de forma local. Como trabalho com jornalismo, segui o passo a passo pra treinar o modelo com todo meu material de anos de trabalho e, passado algum tempo, não me vejo trabalhando sem essa ferramenta.

    Com um modelo bem treinado, automatizei tarefas como transformar boletins da PM em notas, encurtar releases de assessorias parceiras (não sei nas bolhas da galera que acessa o Manual, mas na minha, muitos colegas de profissão e assessores de prefeituras tem usado e abusado do ChatGPT na produção de releases e legendas pra redes sociais, e os ‘vícios de linguagem’ da IA são muito fáceis de detectar) e decupagem de entrevistas. Na questão de relatórios policiais mesmo, era uma tarefa que levava pelo menos quatro horas do meu dia, de filtrar cada ocorrência, suprimir nomes de envolvidos, etc. Hoje, com o uso da IA generativa, levo coisa de uma hora e meia, já contando a revisão de cada texto.

  2. Eu era um pouco cético com relação a IA, que no ínicio mostrava resultados engessados e mecânicos. Mas em pouco tempo isso mudou e mudou muito. Os modelos de IA generativas estão cada vez melhores e mais “humanos”. Cada dia é mais dificil diferenciar um texto feito por IA de outro feito por humanos, algo que antes era trivial. Cito como exemplo o meu uso em traduções e/ou revisão de texto em qualquer idioma, responder emails (sim às vezes tenho precisa de responder e delego pra IA), scripts de automação, planejamento de viagens, busca na internet (uso cada vez menos os buscadores tradicionais) e poderia continuar escrevendo ad aeternum.

  3. eu não sei se tenho propriamente um posicionamento: ao mesmo tempo em que considero as empresas de IA agentes agressivos de precarização do trabalho posicionados na vanguarda da degradação capitalista do planeta, tenho uma relação muito pragmática com IAs (embora as use muito pouco). Por um lado, IA virou conversa de coach e tudo em torno desse universo me dá dor de barriga; por outro, sinto um desconforto gigantesco com o julgamento moral realizado pelos militantes anti-IA com as pessoas que as utilizam (num virtuosismo problemático e nada politizado).

    o que realmente me pega, contudo, é a conversa persistente nas redes sociais que sugere que IAs não podem ser utilizadas pra fazer arte — recorrendo-se para isso a platitudes e a argumentos equivocados do que seja arte e de como se produz arte, a ponto das pessoas confundirem, por exemplo, produzir ilustrações (um tipo de trabalho criativo que de fato está em processo de precarização com o avanço das IAs) com fazer arte (um campo que já incorporou as IAs antes mesmo delas surgirem). Quando falo nesse assunto nas redes sociais sou prontamente acusado de defensor de IAs (o que definitivamente não sou).

  4. Eu sempre tive certo ceticismo, mas aos poucos tive que começar a ir usando no trabalho e acabou que também usei no dia-a-dia. Percebi uma melhora enorme nos modelos que mais uso (ChatGPT, Gemini e Claude), principalmente desde o começo de 2026. Não dá nem pra comparar com os modelos anteriores do passado. Os erros diminuíram, mantem contexto por muito mais tempo.

    Goste ou não, me parece uma tecnologia que veio pra ficar.

  5. Eu ando com medo e desconfiado dos efeitos que ela vem causando em mim. A ideia de ser um assistente, de que amplia minha capacidade e produtividade, na verdade, está se configurando mais como uma dependência e substituição das minhas capacidades de leitura, pensamento e escrita. Enfim, prefiro manter uma perspectiva crítica do que ser um entusiasta.

  6. Falando especificamente de LLM.

    A coisa começou como um modelo de linguagem puramente. Ninguém sabia muito bem onde isso iria parar. Descobriram meio por acaso que a tecnologia era boa não só pra se comunicar, mas também pra traduzir — daí a devastação no setor de tradução. E logo também descobriram que programação, por ser também linguagem, tinha grande potencial pra ser explorada.

    A tecnologia vem melhorando pouco a pouco, mas o modelo matemático por trás ainda é o mesmo, então o que a galera tá fazendo é alimentar com mais e mais dados — porque é assim que esses modelos performam melhor. Porém, como já esgotaram o conhecimento humano, a onda agora é gerar dados artificiais. Estamos numa espécie de corrida pra ver quem gera mais dados — embora isso não vá trazer AGI coisa alguma.

    Eis que então veio a Anthropic com o Claude, e ela está meio que revolucionando a tecnologia de LLM, não apenas por ser uma boa LLM, mas por ter integrado incontáveis ferramentas internamente. Foi-se o tempo em que LLM te explicava como instalar programas pra você conseguir fazer o que quer. Com o Claude, ele instala do lado dele as ferramentas, faz as alterações que você pediu e te entrega tudo já pronto. É o ápice da conveniência! E sem contar a velocidade das respostas, muito acima dos concorrentes. Outra coisa é que com o Claude você pode tranquilamente se comunicar mandando prints, e ele entende e responde em 2 segundos. É uma loucura! Não consigo nem imaginar o poder computacional (e o gasto energético!) de uma coisa dessas.

    Além disso, com o Claude o programador não fica mais copiando e colando código de um lado pro outro. Isso foi até 2025. Nem mesmo integrar com a IDE faz sentido mais. Em 2026 a gente dá acesso ao repositório, sobe uns 3 agentes do Claude: um fica responsável por implementar o que a gente pede, enquanto o outro faz e executa os testes unitários, e um terceiro fica supervisionando os outros dois. No final das contas, o seruhumanu fica só esperando os pull requests chegarem pra revisar. Ou segi, basicamente não escrevemos mais uma linha de código.

    O resultado dessa revolução toda é que vários empregos estão sendo dizimados. Hoje, um programador mediano pra baixo (incluindo os que insistem em não adotar LLM) só consegue emprego na empresinha ali da esquina, e olhe lá. Empresa média pra cima não contrata mais esse tipo de gente. E parece um caminho sem volta. O mesmo vale pra revisor de texto e tradutor. Só vai ficar quem for realmente muito bom, e mesmo assim imagino que não por muito tempo — 10 anos no máximo, eu diria.

    P.S.: novamente não consegui postar logado. :(

  7. No meu dia a dia se mostrou uma ferramenta útil em tarefas bem específicas que eu tendo a procrastinar, por exemplo escrever atas de reunião. Ao pedir para o chatbot estruturar um resumo da reunião, a tarefa de corrigir o resultado do algoritmo me tira da inércia mais fácil do que começar o documento do zero. Mas somente isso.

    Para programar e resolver problemas, não uso e não pretendo usar IA já que não quero terceirizar a parte do trabalho que me dá o mínimo de prazer. Além de não confiar nem um pouco em um gerador de palavras, que no final das contas não tem responsabilidade nenhuma sobre o que está produzindo.

    Vejo cada vez mais gestores terceirizando decisões, discussões e responsabilidades para modelos de IA. Acredito que o impacto que isto está tendo de maneira geral na sociedade é subestimado. Estamos ficando cada mais vez mais preguiçosos, desaprendendo a pensar, criticar e resolver problemas.

  8. Antes eu achava IA Generativa uma solução ruim à procura de um problema ruim. Hoje em dia, a cada dia que passa sinto mais vontade de largar tudo pra comprar um sítio no interior de Minas Gerais.

  9. Já, eu, no início, era favorável, agora acho uma porcaria. Tinha mto potencial, mas hj em dia, cada vez mais, só entrega slop.

      1. Todos este mainstream. Até para corrigir ortografia, gramática e pontuação, vem tudo alucinado.

        1. Puxa que estranho, as três plataformas que eu assino tem entregue tudo sem erros. E quando se trata de código, sem qualquer necessidade de ajustes se o prompt estiver bem descrito.

  10. não só não mudei, como piorou o que eu acho. é até curioso vc pensar que a internet tinha alguma possibilidade de apropriação no início, algo que estaria à margem do capitalismo, ao menos com zonas cinzentas (li um texto um dia desses dizendo que nunca foi assim). depois veio a apropriação por grandes corporações, plataformização, colonialismo digital etc. e o buraco que estamos hoje. IA, a começar pelo nome, já é desenhada (design) numa lógica de mercado e consumo. é impressionante o que fizemos com estatística e capacidade de processamento computacional. é estarrecedor ver que utilizamos para emular linguagem, um fenômeno complexo e subjetivo, não traduzível matematicamente. seguimos tratando a matemática como uma descoberta e não como uma invenção. e assim vamos nos desumanizando e perdendo as nuances do que é ser humano e de poder imaginar outros futuros. IA é a morte da história e das idiossincrasias. seria óbvio dizer que IA não é humana, mas o problema é ser essencialmente e proativamente desumanizadora. apesar de tudo, acredito na dialética e quero ver oq vem por aí quando puxarmos a corda pro outro lado

    1. aliás, toda essa sanha de conveniência (queria que houvesse esse esforço para eliminar barreiras causadas pelo ambiente para pessoas com deficiência, mas não é o caso) nos obriga a viver um mundo em tempo de máquina e não no tempo da vida humana ou da natureza em geral. isso ta fudendo nossa cabeça, pq não somos máquinas. estamos tendo que viver (e competir) num mundo que tá sendo moldado para ser “otimizado” com parâmetros inumanos. óbvio que isso não é invenção da IA, ela só radicaliza isso de uma maneira sem precedentes sobre nossa subjetivação. lembro que se falava no ensino médio: um dia vamos ter chips na cabeça com toda a informação do mundo e avaliar as pessoas por provas não fará sentido, pq sabemos tudo. bom, oq é saber, oq é aprender? é só ter toda informaçãodo mundo à sua disposição? não temos esse chip na nossa cabeça, mas temos na nossa mão.

      1. Concordo com essa crítica ao tempo de máquina. Tenho feito um esforço consciente e tomado decisões a fim de preservar/restabelecer um ritmo de vida humano. E acho que isso é bom.

        Quando você diz:

        é até curioso vc pensar que a internet tinha alguma possibilidade de apropriação no início, algo que estaria à margem do capitalismo, ao menos com zonas cinzentas (li um texto um dia desses dizendo que nunca foi assim). depois veio a apropriação por grandes corporações, plataformização, colonialismo digital etc. e o buraco que estamos hoje. IA, a começar pelo nome, já é desenhada (design) numa lógica de mercado e consumo.

        Não consigo dissociar a apropriação das empresas de IA de todo o conhecimento do mundo de um tipo de universalização. Que moral o capitalismo tem para criticar a pirataria quando a maior investida em tempos recentes do mesmo é pautada na pirataria? É quase como se os CEOs estivessem jogando do nosso lado. Meio sem querer e esperançosos de que serão exceção, mas qualquer argumento nesse sentido é muito frágil. Em resumo, ficarei contente se tudo isso acabar com a ideia perniciosa de propriedade intelectual.

        E quanto a isto, discordo:

        é estarrecedor ver que utilizamos para emular linguagem, um fenômeno complexo e subjetivo, não traduzível matematicamente.

        Estamos usando matemática para conversar em um ambiente virtual usando aparelhos mágicos que “conversam” em uma rede global. A IA generativa é tão natural quanto qualquer outra tecnologia digital.

        1. não fiz essa afirmação de forma leviana. linguagem humana não pode ser expressada matematicamente, inclusive muito se perde nessa comunicação digital. recomendo o episódio recente do naruhodo sobre teoria da incompletude de godel, fica bem evidente esse fetiche(?) anticientífico de expressar a humanidade com robôs. no fim das contas eles não se parecem humanos, se parecem bastante com a forma limitada que é possível se expressar por aqui. enfim

  11. É difícil ter outra perspectiva além de trabalho, de classe, então continua igual.
    Acho que ficou reforçada por entender que temos que brigar sempre por pauta máxima. Temos uma associação de classe trabalhando em Brasília pela aprovação de um projeto de lei proibindo o uso de IA no nosso trabalho. Se conseguirmos tudo, lindo. Se negociarmos uma parte, alguma proteção vamos ter.

    Fazendo um esforço pra olhar outro recorte, não consigo ver nada positivo também. Esses programas servem pra fazer as coisas que me dão prazer de executar (que é praticamente o mesmo argumento do trabalho) então nunca me apeteceu usar. Além disso, também está estragando um monte de coisa que eu gosto, seja tecnologia, seja arte.

    Até conversar tem se tornado desagradável. Estava discutindo com meu irmão sobre como instalar uma peça num brinquedo. Há muitos anos, já tinha lido bastante em fóruns sobre e dizia qual era compatível, como fazer e disse pra procurar e baixar o manual pra confirmar o que estava dizendo. O zé ruela só consultava e tinha total confiança no da openai que, claro, estava errado. Ficou mais agudo um fenômeno que já acontecia. Pesquisar e aprender é muito trabalhoso, muito custoso. Já existem oráculos que trazem soluções fáceis e gostosas de ouvir – e quase sempre burras – pra tudo, em livros, na televisão, nas redes sociais. Agora tem um programinha no telefone que faz isso respondendo diretamente a sua pergunta. Desanimador.

    Se for pela questão das big techs, pior ainda, porque minha posição tem sido cada vez mais radical, mas é voltar no primeiro ponto porque é uma briga de classe também.

    1. > Ficou mais agudo um fenômeno que já acontecia. Pesquisar e aprender é muito trabalhoso, muito custoso. Já existem oráculos que trazem soluções fáceis e gostosas de ouvir – e quase sempre burras – pra tudo, em livros, na televisão, nas redes sociais. Agora tem um programinha no telefone que faz isso respondendo diretamente a sua pergunta. Desanimador.

      Muito interessante isso aí que você comentou!

      Já notei que até quem tem ideia de como a tecnologia funciona — ou seja, que LLM não sabe nada — ainda assim vai lá perguntar se o exame de sangue tá bom, como agir com o crush, usar como terapeuta, pedir orçamentos, sugestão de distros Linux (looking at you, LTT), etc. O poder da conveniência parece imparável, não é mesmo?

  12. Pra mim, é tipo transgênico. Como tecnologia “neutra”, é genial, revolucionária. Mas não existe tecnologia neutra, e os que controlam a tecnologia são uns fdp que usam ela pra tornar a sociedade pior e lucrar em cima disso.

    1. Seu comentário me trouxe um incômodo, Antonio.

      Assim como com outras tecnologias, ficamos discutindo como podemos usar ao nosso favor, sendo que não podemos. Não temos esse controle. É uma discussão que parece boba, inocente, até fantasiosa.

      IA é genial e revolucionária? Não sei, tem um monte de filho da puta que controla a tecnologia e a usam pra tornar a sociedade pior. Vamos tirar esse poder deles pra descobrirmos? Como a fazemos isso? Essa me parece uma discussão da realidade.

        1. Pelo contrário! Entendi bem e concordei com o que quis dizer. O incômodo não foi com o seu comentário, mas que ele me atentou pro tal incômodo. Quis só acrescentar.

      1. Assim como com outras tecnologias, ficamos discutindo como podemos usar ao nosso favor, sendo que não podemos. Não temos esse controle.

        Por que não podemos, Mauricio?

        IA é genial e revolucionária? Não sei, tem um monte de filho da puta que controla a tecnologia e a usam pra tornar a sociedade pior. Vamos tirar esse poder deles pra descobrirmos? Como a fazemos isso? Essa me parece uma discussão da realidade.

        Por essa régua, a gente teria que voltar à vida pré-histórica. Quase todo CEO mais saidinho, que a gente “conhece” do noticiário, calha de ser um cretino. Vale para a tecnologia, vale para todas as indústrias.

        1. Por que não podemos, Mauricio?

          Não consigo apontar nos últimos duzentos anos quando houve essa reversão, de uma tecnologia não atender interesses de uma classe dominante, quem quer que ela seja, em detrimento de uma explorada.

          Usando IA de exemplo na minha área: Ben Affleck abriu uma empresa pra desenvolver modelos a serem usados no audiovisual, com um discurso de que serviria de ferramenta para artistas. Como o Antônio disse, se existisse neutralidade, no vácuo, seria muito legal. Seria só mais uma ferramenta (dizer que coisas feitas com IA não são arte é bobagem). Só que a gente precisa pesar que o Ben Affleck nunca se ferraria nessa briga. Quem se ferra é quem faz diária, é figuração, é quem depende do trabalho pra viver. Há duas semanas foi comprada pela Netflix. Affleck e eu somos atores, mas nessa briga ele nunca jogou a meu favor. E agora vendeu e essa ferramenta tá na mão de quem?

          Trazendo pra um lado que acho que deva ser mais próximo dos seus leitores, um funcionário de escritório ou um programador pode estudar e investir pra usar IA no seu próprio trabalho. Conseguiria fazer tarefas em pouquíssimo tempo. Essa sobra de tempo nunca é dessa pessoa, mas de seu chefe. Se você entregava 1 em 5 horas e agora está entregando 1 em 1 hora, você não ganha 4 horas de descanso, mas cobrança pela entrega de 5 em 5 horas. Isso também vale pra quem é autônomo, porque além da questão do tempo, também existe uma mudança na percepção do valor do trabalho.
          Aí que volto: nos últimos 200 anos, nenhuma nova tecnologia que chegou pra facilitar o trabalho trouxe ócio, pelo contrário, trouxe exigência de produtividade.

          Por essa régua, a gente teria que voltar à vida pré-histórica. Quase todo CEO mais saidinho, que a gente “conhece” do noticiário, calha de ser um cretino. Vale para a tecnologia, vale para todas as indústrias.

          Pelo contrário. Meu discurso não é contra tecnologia, mas contra a estrutura de poderes que existe. Poderes que nos impedem de ter pleno acesso aos benefícios dessa tecnologia. Não joguemos fora as maravilhas que inventamos desde a pré-história, joguemos fora o CEO. Existam alguns exemplos no último século de sociedades que tiveram progresso, sem seguir a lógica que o Antônio criticou. Não foram uma volta à pré-história.
          Daí o meu incômodo. Que se essa questão da estrutura do mundo que nos é imposto não for central na discussão dessa tecnologia, me atinge como farinha pouca, meu pirão primeiro. Se estão impondo o uso de IA, óbvio que você tem que aprender e usar, caso contrário te põem na rua, contratam um colega que usa no teu lugar. Não me dou ao direito de dizer pra qualquer pessoa não usar (a não ser no caso que contei no meu comentário ali em cima, que é bem irritante). A implicância tá na discussão, na abordagem, que por não tocar nesse tema, acaba reforçando essa lógica escrota.

          Trago de volta pra mim: eu queria muito usar IA no meu trabalho. Adoraria não ter que fazer retakes, gravar consertos, e só mandar a máquina fazer no meu lugar. Não eu, mas um operador, e que ele receba por esse trabalho. E que eu receba os direitos autorais e conexos disso. Mas isso não vai acontecer. Hoje, mal recebo pelos consertos (que deveriam ser pagos segundo nossa CCT), mal recebo pelos direitos, e estamos há décadas sem conseguir renegociar. Por isso a nossa briga lá em Brasília é pra proibir.